quarta-feira, maio 13, 2020

“Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”, disse Bolsonaro


Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
Camila Bomfim e Ana Krüger 
TV Globo e G1
A defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro pediu nesta quarta-feira (13) ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que divulgue a íntegra do vídeo de reunião ministerial realizada em 22 de abril.
A manifestação foi apresentada como parte do inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal. Segundo Moro, a irregularidade foi evidenciada na reunião. Celso de Mello é o relator do caso.
UM ATO OFICIAL – Os advogados de Moro afirmam ao STF que a reunião ministerial é um ato oficial do governo e que a divulgação integral do vídeo “caracterizará verdadeira lição cívica, permitindo o escrutínio de seu teor não só neste Inquérito Policial mas, igualmente, por toda a sociedade civil”.
Para a defesa de Moro, “a reivindicação pela publicidade total da gravação trará à luz inquietantes declarações de tom autoritário inviáveis de permanecerem nas sombras, pois não condizem com os valores estampados de forma categórica no artigo 5. da Constituição Federal de 1988. Novamente, invocando seu magistério perene e vital para a manutenção da ordem democrática do Estado de Direito, por ocasião de pronunciamento pela passagem do Décimo aniversário da investidura do Ministro Dias Toffoli no cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal.”
PALAVRÕES E AMEAÇAS – Quatro fontes que assistiram ao vídeo nesta terça relataram à TV Globo e à GloboNews que, na reunião ministerial, o presidente menciona preocupação com a família ao falar da necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio.
Segundo essas fontes, Bolsonaro usou palavrões ao tratar do tema e disse que, se não conseguisse trocar o superintendente do Rio, então trocaria o diretor-geral da PF – à época Maurício Valeixo – ou, por último, o ministro da Justiça – à época, Sergio Moro.
CONTRADIÇÕES – Nesta terça, Bolsonaro afirmou que a gravação da reunião deveria ter sido destruída. Além disso, disse que sua preocupação era com a segurança da família, não com investigações. A afirmação não faz sentido, já que a segurança da família é feita pelo gabinete de Segurança Institucional – não pelo Ministro da Justiça, nem pela Polícia Federal.
“Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”, de acordo com o relato obtido pela TV Globo.
EXIBIÇÃO DO VÍDEO – Nesta terça-feira (12) foi feita uma exibição do vídeo no Instituto de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília. Puderam assistir ao material o ex-ministro e um advogado dele, o advogado-geral da União, José Levi, procuradores e um juiz do gabinete do ministro Celso de Mello.
Fontes que acompanharam a exibição informaram que a gravação mostra Bolsonaro usando palavrões e fazendo ameaça de demissão em defesa da troca no comando da PF no Rio de Janeiro. (Leia mais ao final da reportagem)
Ao ministro do Supremo, a defesa de Moro afirma que o material não contém “qualquer assunto pertinente a Segredo de Estado ou que possa gerar incidente diplomático, muito menos colocar em risco a Segurança Nacional”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro também defende a divulgação do vídeo. Portanto, a Procuradoria Geral da República e a Advocacia Geral da União não podem se manifestar contra. Devem responder nesta quinta-feira ao relator Celso de Mello. (C.N.)

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