
Nise Yamaguchi já é integrante do comitê da crise da Covid-19
Deu em O Globo
Apontada como principal consultora do presidente Jair Bolsonaro a respeito do uso da hidroxicloroquina e da azitromicina no combate ao coronavírus, o nome da imunologista Nise Hitomi Yamaguchi voltou a dominar os bastidores de Brasília após anúncio da demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, nesta sexta-feira. Nise passou boa parte desta manhã no terceiro andar do Palácio do Planalto, de onde despacha o presidente.
Não há, no entanto, confirmação de que ela poderia assumir a pasta. Há pouco mais de um mês, a médica passou a integrar o comitê de crise do governo federal contra a pandemia. Desde então, vem defendendo “evidências científicas” de que a medicação ajuda no “tratamento precoce” da doença, como disse ao Globo em 7 de abril.
Aumenta a chance – Segundo ela, o remédio aumenta a chance de cura e impede internações, já que a reversão do quadro de insuficiência respiratória a partir da fase de inflamação se torna mais difícil. “Por que não podemos adotar já? Estou trabalhando com os médicos para criar esta consciência”, afirmou Nise, na época, por mensagens de texto.
Médica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Nise chegou a ser cotada para assumir o cargo de Luiz Henrique Mandetta, antecessor de Teich no ministério. Pouco antes da troca no ministério, Nise chegou a se reunir com o Mandetta num encontro em que discutiram o tratamento com a droga defendida por ela. Na ocasião, ele se recusou a assinar um decreto que determinaria o uso da substância para debelar a Covid-19. Até o momento, a medicação é autorizada apenas para pacientes graves, desde que sob orientação médica.
‘TESTAGEM MACIÇA’ – Discreta, a médica disse na ocasião que suas contribuições ao comitê eram apenas técnicas e científicas “alinhadas aos melhores centros internacionais”. Defensora do polêmico medicamento no combate a Covid-19, cuja eficácia não foi comprovada por estudos internacionais, a imunologista tem dito que, assim como ela, outros colegas de profissão também defendem o uso do hidroxicloroquina.
“O meu objetivo é criar pontos de vistas complementares aos que tem sido implementados para que possamos, como país, superarmos a crise! Tenho a certeza de que conto com o apoio dos meus mais de 14 mil pacientes e famílias”, declarou Nise, que tem doutorado em pneumologia e mestrado em alergia e imunologia, ambos pela Universidade de São Paulo (USP), e exerce a medicina há quase 40 anos.
COMBATE AO TABAGISMO – Colegas dizem que Nise é referência na área de saúde por seu trabalho de combate ao tabagismo no país. Eles a descrevem como uma médica dedicada aos pacientes e à pesquisa. Demonstram receio, no entanto, ao seu eventual ingresso na gestão de Bolsonaro, já que sua reputação como técnica sempre foi respeitada e há muita controvérsia na academia em relação ao uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19.
A médica também defende o “home office” (trabalho em casa) para quem puder e o “isolamento total da nossa população de idosos vulneráveis e com múltiplas doenças”, posição mais alinhada ao que defende Bolsonaro e menos rígida do que a adotada atualmente pelo Ministério da Saúde. Ela acredita ser necessário realizar uma “testagem maciça” da pouplação, para identificar quem já possui anticorpos protetores.
A participação da imunologista no governo não é a primeira incursão no serviço público. Entre 2008 e 2011 ela foi representante do ministro da Saúde para o Estado de São Paulo, durante a gestão de José Gomes Temporão, no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ala militar do governo tem defendido o nome de Yamaguchi para assumir o Ministério da Saúde.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Também está cotado o secretário-executivo do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, que responde interinamente. Sua efetivação no posto representaria a militarização completa da pasta em meio ao combate ao novo coronavírus. Mas será que as Forças Armadas apoiam a política de saúde de Bolsonaro. Se o fazem, é melhor mudarmos para um país mais sério, como o Paraguai. (C.N.)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Também está cotado o secretário-executivo do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, que responde interinamente. Sua efetivação no posto representaria a militarização completa da pasta em meio ao combate ao novo coronavírus. Mas será que as Forças Armadas apoiam a política de saúde de Bolsonaro. Se o fazem, é melhor mudarmos para um país mais sério, como o Paraguai. (C.N.)