
Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)
Carlos Newton
Antigamente, quando a mídia falava em militares, invariavelmente estava se referindo aos oficiais superiores da ativa, que simbolizam o poder e a opinião das Forças Armadas. Agora, virou bagunça. Sai uma matéria com o título “Militares condenam isso ou aquilo”, você logo quer ler, pensando que o assunto é sério, quando vai ver, trata-se apenas um pronunciamento do presidente do Clube Militar, que adora aparecer na mídia, mas não tem importância alguma na conjuntura política.
Para complicar as coisas, os jornalistas passaram a falar em “ala militar” ou “ministros militares”, você então vai conferir e descobre que eles estão falando a respeito dos quatro generais que trabalham no Planalto, nada a ver com o ministro da Defesa nem com os comandantes das Forças Armadas
MILITARES DE VERDADE – Como analista político e testemunha do golpe civil-militar de 1964, pois eu estava no Palácio Guanabara quando os tanques liderados pelo capitão Léo Etchegoyen chegaram para aderir ao movimento,hoje só me preocupo com o pensamento dos comandantes das três Armas – Exército, Marinha e Aeronáutica – e seus respectivos Altos-Comandos. São eles que realmente decidem as grandes causas, em tempos de crise, e as grandes paradas, em tempos de paz.
Na visão do Alto-Comando do Exército, a situação política é a seguinte: o presidente da República, o general do Clube Militar e os áulicos de sempre podem se esgoelar à vontade, mas não haverá intervenção militar. O governo é civil e o problema, também. Portanto, cabe à sociedade civil resolver essa crise. Os quarteis não colocarão um só coturno nas ruas, a não ser que haja desordem.
PALAVRA DE ORDEM – A recomendação do Alto-Comando do Exército à ala militar do Planalto é no sentido de que os quatro generais (Braga Netto, da Casa Civil, Augusto Heleno, do Gabinete da Segurança Institucional, Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Rêgo Barros, Porta-Voz da Presidência) não deixem os cargos, procurem acalmar Bolsonaro, coloquem o governo para andar e simplesmente aguardem o desfecho dos inquéritos criminais e dos pedidos de impeachment contra Bolsonaro.
Em tradução simultânea, não haverá uma reprise de 1964, tampouco um novo Ato Institucional nº 5. Os generais do Planalto vão depor na Polícia Federal e terão de dizer exatamente o que houve no choque entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro.
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P.S. – Eu aposto todas as minhas fichas no ex-ministro da Justiça. Quando vi Bolsonaro na TV inventando que Moro lhe exigiu a nomeação ao Supremo, constatei que temos um presidente que, além de desequilibrado, é também mentiroso. Foi uma grande decepção. (C.N.)
P.S. – Eu aposto todas as minhas fichas no ex-ministro da Justiça. Quando vi Bolsonaro na TV inventando que Moro lhe exigiu a nomeação ao Supremo, constatei que temos um presidente que, além de desequilibrado, é também mentiroso. Foi uma grande decepção. (C.N.)