sexta-feira, junho 14, 2019

Divergência sobre apoio a blogs “olavistas” definiu demissão de Santos Cruz


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Demissão mostra que Bolsonaro continua influenciado pelo filho
Janaína FigueiredoO Globo
A metáfora usada pelo governo para explicar a saída do general reformado Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo da Presidência foi a de um casamento que não deu certo e terminou em divórcio sem litígio. Segundo fontes que acompanharam de perto a crise final, um dos elementos-chave que levaram ao divórcio entre Bolsonaro e Santos Cruz foi o controle da comunicação governamental e a relação do governo com blogs e sites alinhados abertamente com o Palácio do Planalto.
A queda de braço decisiva para que o presidente terminasse optando pelo afastamento do general foi, de acordo com as mesmas fontes, com o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fabio Wajngarten, homem de confiança de Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador no Rio.
BLOGS – As fontes confirmaram que Santos Cruz representava um obstáculo para vários projetos de Wajngarten, entre eles o de intensificar o financiamento de blogs e sites que defendem o governo.
— Fábio quer promover esses blogueiros e sites, distribuir recursos, e Santos Cruz era contra. O embate ficou forte e somou-se a outras discordâncias. A convivência estava muito difícil  — comentou uma das fontes consultadas.
Em nota, a  Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência negou que exista um plano para intensificar o financiamento de blogs e sites pró-governo. Segundo a nota, “como profissional de mídia reconhecido pelo mercado”, o secretário Fábio Wajngarten “assumiu que jamais aceitaria esse tipo de mídia ideológica”.
MÍDIA TÉCNICA – A nota ressalta ainda que em discurso, “o  secretário afirmou que voltaria a investir em todos os tipos de veículos (tradicionais e digitais), respeitando os critérios de mídia técnica, comprovados e atestados por pesquisas de mercado”. De acordo com a secretaria, o  plano de mídia da Nova Previdência é a “maior comprovação dessa tecnicidade”.
“Infelizmente, o jornal O Globo não procurou a Secom antes de publicar tamanha inverdade, numa fantasiosa narrativa conhecida hoje como “Fake News”. Esse tipo de matéria vai totalmente contra os princípios do grupo Globo amplamente divulgados, quando questionados sobre a seriedade de sua linha editorial”, conclui a nota.
CRISE MAIOR – Para evitar que a demissão de Santos Cruz provocasse a sensação de uma crise maior, outro general, neste caso da ativa, foi escolhido para sucedê-lo. Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira ocupará a pasta, e a grande incógnita no momento é saber se continuará tendo certo controle sobre a comunicação governamental.
O agora ex-ministro da Secretaria da Presidência nunca escondeu suas objeções a meios claramente ideologizados. Quando foi contra a extinção da empresa pública de comunicação EBC, Santos Cruz afirmou que “a ideia não é acabar. A ideia é aproveitar o máximo que der da estrutura, mas fazer uma racionalização para torná-la mais atualizada, mais ágil, sem ideologia, ver quais os princípios que ele vai difundir”.
— O racha final foi pelo controle da comunicação e principalmente pela intenção de uma ala do bolsonarismo liderada por Carlos Bolsonaro de financiar meios ideologicamente identificados com o governo — concluiu a fonte.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema é que Carlos Bolsonaro, através do boneco de ventrílogo que colocou na Secretaria de Comunicação, quer patrocinar sites e blogs ridículos, servis ao governo, sem opinião própria e que fazem jornalismo chapa-branca. Chamam de blogs ideológicos, mas são apenas blogs olavistas. O ministro Santos Cruz, que é um homem decente e democrático, não aceita esse tipo de armação política de “toma lá, dá cá”. Queria patrocinar blogs e sites importantes, que realmente têm leitores formadores de opinião e que fazem um jornalismo independente, sem excessiva bajulação ao governo. Mas, para compreender e respeitar um homem como Santos Cruz, primeiro é preciso entender o que significa democracia. De vereador para cima, tem muito político que não sabe o significado do regime democrático. É uma pena. (C.N.)

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