sábado, maio 25, 2019

'A sentença nem sempre é a mais justa', diz vice-presidente do TST sobre conciliações


por Cláudia Cardozo
'A sentença nem sempre é a mais justa', diz vice-presidente do TST sobre conciliações
Foto: Cláudia Cardozo/ Bahia Notícias
A visão de que a Justiça do Trabalho é paternalista poderá ser modificada a partir do funcionamento dos Centros Extrajudiciais de Conciliação (Cejusc). Cada vez mais, a busca por uma conciliação extrajudicial tem sido fomentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). E nesta sexta-feira (24), o vice-presidente da Corte trabalhista, ministro Renato de Lacerda Paiva, esteve em Salvador para lançar o Ato Pré-Processual em Dissídio Coletivo.

O ministro, que tem quase quatro décadas de carreira na magistratura, afirma que existe uma “forma equivocada” de ser enxergar a Justiça do Trabalho. “O que é paternalista não é a Justiça do Trabalho, é o Direito do Trabalho que tem esta natureza”, afirma. Ele reconhece que há uma “desigualdade entre o trabalhador e o empresário”. “O que o Direito faz é compensar um pouco mais essa diferença. E nós, juízes do trabalho, temos que aplicar esse Direito que a sociedade nos dá. Por isso a imagem que a Justiça do Trabalho é paternalista. Mas, na verdade, os juízes são imparciais. Aplicam adequadamente o direito. É o Direito que tem essa natureza”, reforça. Para o ministro, a melhor solução para um litígio sempre “é a negociada”. “Ela é sempre a mais justa. A sentença nem sempre é a mais justa”, frisa.

Com a experiência do TST nos últimos dois anos em promover acordos trabalhistas com categorias de massa, o ministro diz que observa uma “boa vontade do empresariado”. “Para eles, não é interessante manter um passivo trabalhista muito grande, dependendo de soluções do judiciário. Isso é muito caro. E o crédito trabalhista é passível de multa, com juros. Não é interessante para o empresário manter um processo muito longo. Ele quer um acordo. É uma solução que tem atraído a expectativa dos empregados e a conveniência dos empregadores”, declarou.

Renato de Lacerda, que poderá ser o próximo presidente do TST, tranquiliza os trabalhadores sobre a possibilidade de extinção da Justiça do Trabalho. “Eu vou completar 38 anos de magistratura. Já ouvi várias vezes essa conversa na minha carreira. E isso acontece por desinformação, as pessoas não conhecem o trabalho que nós fazemos. Mas estamos bem tranquilos. O presidente da República [Jair Bolsonaro], logo após a eleição, esteve no nosso tribunal, e nos prometeu que não tomaria nenhuma providência em relação à Justiça do Trabalho sem nos consultar. Não virá nada de surpresa, confiamos na palavra dele”, pontuou.

Já sobre os efeitos da Reforma Trabalhista, o ministro disse que o resultado já era o esperado: o de não geração de empregos. ‘O que está acontecendo é algo que já prevíamos. Não é a mudança da legislação que vai gerar mais emprego. É o crescimento econômico”. Ele ainda diz que, “como tudo na vida”, a Reforma Trabalhista “tem suas qualidades e seus defeitos”, mas pondera que, os pontos negativos deverão ser analisados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nas ações diretas de inconstitucionalidades sobre o tema. “O que o STF decidir, os juízes cumprirão. Os juízes cumprem a lei, e eles não podem se distanciar dos princípios que regem este ramo do Direito. O Direito do Trabalho tem princípios próprios que não podem ser ignorados. Mas o juiz não pode deixar de aplicar a lei, ele só não a aplica quando não é a norma adequada àquele caso, ou quando entende que a norma é inconstitucional, em um controle difuso. Mas só o STF dirá se a norma é constitucional ou não”, finalizou.
Bahia Notícias

Em destaque

Nunes Marques é sorteado para relatar recurso de Bolsonaro contra condenação no STF

Publicado em 12 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Defesa de Bolsonaro tenta derrubar pena de 27 anos M...

Mais visitadas