
Bolsonaro está tendo dificuldades para manter o foco na sua gestão
Pedro do Coutto
Nas edições de quinta-feira os jornais deram o devido destaque à pesquisa do Ibope que apontou uma queda de 15 pontos na avaliação positiva do governo Jair Bolsonaro. Daniel Gullino, em O Globo, analisou as razões da queda. Muito bem. Na minha opinião, o fenômeno tem origem na diferença entre o entusiasmo da campanha e a realização concreta dos compromissos e promessas feitos pelo candidato. Mas é preciso acentuar que o encontro entre o candidato e o presidente depende de mais tempo para ser avaliado corretamente.
Três meses é um espaço de tempo bastante curto para que se possa observar de maneira inteligente o que está se passando no país, num salto entre o governo Michel Temer e o de Jair Bolsonaro, seu sucessor.
TERMÕMETRO – Há uma série de problemas esperando solução que atravessam o tempo à espera de serem resolvidos. Esse espaço entre uma coisa e outra é que poderá, passo a passo, funcionar como um termômetro do voto dado na urna e a promessa que o vento leva.
Não quer dizer com isso que todos os compromissos de campanha serão levados pelo vento. Mas apenas acentuar a existência concreta da falta de convergência entre a emoção pela conquista do sufrágio e sua realização como o eleitorado aguarda. As decepções são muitas e bastante amplas, o que faz com que cada homem, cada mulher, sinta-se iludido. Vem daí uma sensação de uma ilusão a mais estar se verificando.
De qualquer forma, porém, os dados revelados pelo Ibope nos primeiros 100 dias do mandato são significativos e, assim, funcionam como base de cálculo comparativo para as pesquisas de opinião que vão acontecer.
OUTRO ASSUNTO – Tássia Kastner, em O Globo, edição de ontem, e reportagem também de Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, em O Estado de São Paulo, destacam a queda da Bolsa de Valores na semana que ontem terminou e o fato de a prisão do ex-presidente Michel Temer ser apontada como causa do seu recuo, ao lado do desentendimento entre o deputado Rodrigo Maia com o ministro Sérgio Moro, além das restrições feitas pelo presidente da Câmara, direcionadas à Casa Civil do Planalto, e também no diálogo que deve ser mantido com os deputados que vão apreciar o projeto de reforma da Previdência.
A meu ver, essas situações não são suficientes para causarem queda na Bovespa. E me pergunto quais serão os rumos daqui para frente, conduzindo a um desfecho provável. De fato, como sustenta Tássia Kastner, as sombras que atingem o mercado financeiro são mais sopradas por especuladores do que propriamente pelos valores das ações.
Qualquer ação negociada na Bovespa está muito distante do episódio que culminou com a prisão de Michel Temer e Moreira Franco.