Marcelo Gigliotti , Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Cem anos após a descoberta da doença de Chagas, ainda não há cura nem tratamento adequado para a enfermidade que atinge seis milhões de brasileiros. Mas uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, na Bahia, traz grandes esperanças para reverter as complicações cardíacas causadas pela doença. Trata-se de uma terapia com uso de células-tronco dos próprios pacientes infectados, que mostrou resultados positivos.
– Com a terapia de células-tronco, verificamos que houve diminuição da inflamação do coração. Os pacientes apresentaram melhora, passaram a caminhar distâncias maiores. O coração também passou a bombear o sangue com mais força – diz a imunologista da Fiocruz Milena Soares, que participa da pesquisa.
Complicações cardíacas são a principal consequência da doença. Cerca de 30% dos infectados passam a ter problemas graves de coração. Ele também provoca dilatação no esôfago e no cólon do intestino.
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O trabalho foi feito inicialmente com 30 pacientes, nos anos de 2003 e 2004. Eles receberam um volume de 20 mililitros de células-tronco retiradas de suas próprias medulas. Com base neste resultado preliminar, o estudo foi ampliado. Foram selecionados 200 portadores da doença de Chagas espalhados pelo Brasil. Este estudo, em fase de conclusão, pretende criar um padrão de tratamento a ser utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
– Já temos fortes indícios que o tratamento funciona e, o melhor, sem efeitos adversos – diz.
Segundo ela, o tratamento das complicações cardíacas resultantes da doença de Chagas é muito agressivo. Ou é feito o transplante do coração – que esbarra na pouca disponibilidade de órgãos - ou o paciente recebe medicação para insuficiência cardíaca. Mas os medicamentos são muito tóxicos.
– Com as células-tronco é possível recuperar o tecido lesado do coração, o que abre uma nova perspectiva para a doença – diz.
O mal de Chagas é uma doença classificada como negligenciada. Embora tenha sido descoberta há cem anos, há 30 anos não é desenvolvido um medicamento novo. Daí, a importância e o pioneirismo da pesquisa.
O estudo conduzido pela Fiocruz e financiado pelo Minsitério da Saúde envolveu 16 hospitais do país - um deles o Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio. Com o auxílio de um cateter inserido pela artéria femoral, na virilha, e conduzido até o coração, os médicos injetaram as células-tronco em cada uma das três coronárias dos pacientes. As células-tronco promoveram uma recuperação de tecidos e a eliminação de células inflamatórias.
A doença de Chagas foi descoberta pelo cientista brasileiro Carlos Chagas. Há cem anos, ele descreveu a doença de forma completa. Identificou o transmissor, o inseto barbeiro, descreveu os sintomas e alterações no organismo e ainda descobriu a espécie de protozoário que causa a enfermidade – o Trypanossoma cruzi.
fONTE: JB Online
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