Conhecido pelas grosserias que costuma protagonizar, candidato a presidente da Câmara dá nova prova de despreparo para lidar com jornalistas
Procurado para uma entrevista pela repórter Soraia Costa, do Congresso em Foco, o líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), deu provas de que precisa fazer um curso intensivo de bons modos.
– Para onde você falou que é mesmo essa entrevista? – perguntou, em tom de desdém.
– Para o site Congresso em Foco – respondeu a repórter.
– Congresso em Foco? O que é isso? Já falei que não vou responder a nada. Não tenho tempo para perder com entrevistas. Tenho que trabalhar – encerrou, na presença de vários outros jornalistas, não sem antes lembrar que não estava dando entrevista exclusiva “nem para a Folha de S. Paulo”.
Se Chinaglia de fato desconhecesse a existência do Congresso em Foco, poderíamos concluir que se trata de um parlamentar desinformado. Alguém que não chegou à era da internet e que desconhece um veículo que, além de ser um dos mais acessados no Congresso Nacional, se tornou referência obrigatória de quem acompanha a política brasileira e é fonte constante de citações da imprensa tradicional e dos próprios congressistas.
Episódio recente demonstra, porém, que o petista que pretende presidir a Câmara dos Deputados conhece, sim, este site. Durante o período de votação do I Prêmio Congresso em Foco, realizado no final do ano passado, o gabinete de Chinaglia não apenas confirmava a participação do deputado na cerimônia de premiação, em 19 de dezembro, como vibrava com a perspectiva de o parlamentar ser um dos premiados.
Concluída a votação dos internautas, que conferiu a Arlindo Chinaglia uma 12ª colocação que não deveria ser motivo de desonra para ninguém, um assessor do líder governista telefonou para o Congresso em Foco com o objetivo de informar que seu chefe não compareceria à solenidade porque não faria sentido ele aparecer "para pegar um prêmio de 12º lugar”.
O episódio revela uma face pouco conhecida do parlamentar: sua vaidade. Não se pode dizer o mesmo da sua vocação autoritária e do seu estilo, digamos, nada cordato. Ambos são bem conhecidos.
O autoritarismo está flagrante, por exemplo, no seu pouco apreço pelo democrático hábito de dar entrevistas. De um representante do povo, eleito em 2006 deputado federal pela quarta vez, poderia se esperar tudo. Inclusive sua eventual preferência em dar entrevistas à Folha. OK, alguns talvez possam estranhar a predileção de um ex-trotskista pela chamada "imprensa burguesa" e o seu desdém por um veículo independente que se afirma, cada vez mais, como fonte alternativa de informação. Esse, porém, é o menor dos pecados.
Duro é aceitar a afirmação de que atender à imprensa é “perder tempo”. Como se não fosse obrigação de qualquer homem público prestar contas de seus atos ou divulgar suas idéias, sobretudo quando ele está envolvido na disputa de um cargo tão importante quanto a presidência da Câmara dos Deputados.
Quanto ao jeito Chinaglia de ser, este fez-se conhecer pela TV, em todo o país, no dia 6 de outubro de 2005, quando o deputado se desentendeu durante um debate em plenário com o primeiro-secretário da Mesa, deputado Inocêncio de Oliveira (PL-PE). Pôs o dedo na cara de Inocêncio, com o qual travou um bate-boca que só não terminou em luta corporal porque a turma do deixa-disso entrou em ação.
Também está viva na memória de quem acompanha o dia-a-dia do Parlamento brasileiro a lembrança do comportamento que o petista teve, no final do ano passado, no episódio em que a cúpula do Congresso tentou aumentar em mais de 90% a remuneração dos deputados e senadores, manobra barrada graças à interferência do Supremo Tribunal Federal. O atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi apresentado erroneamente por parte da imprensa como o grande responsável pela operação fracassada.
Na verdade, Aldo era contra a decisão e só decidiu apoiá-la após ver que seria voto vencido. Os grandes artífices do movimento foram exatamente Arlindo Chinaglia e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ambos empenhados em lançar mão do chapéu alheio – no caso, o dinheiro do contribuinte – para garantir a vitória na eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, a se realizar no próximo dia 1º.
Na atual campanha pela sucessão de Aldo, admitamos, Chinaglia tem feito algum esforço para colocar em cena outro personagem, simpático e bem-humorado. A máscara caiu diante de uma jovem repórter que ali nada fazia a não ser cumprir o seu trabalho.
Fonte:CongressoEmFoco.com
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