Lula está uma arara com José Serra. Acha que a “idéia fixa” pela sucessão presidencial de 2010, “está cegando” o governador de São Paulo. Atribui as críticas de Serra ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) à “obsessão” por firmar-se, desde logo, como principal liderança da oposição.
Na opinião de Lula, manifestada sob reserva, Serra comete um erro “primário” em política. Resumiu assim o equívoco: “Ele está entrando na chuva muito cedo. Até 2010, vai estar ensopado. Acaba pegando pneumonia.” Acha, de resto, que Serra arrisca-se a passar para o eleitorado a impressão de que coloca suas ambições pessoais acima do interesse nacional.
Lula surpreendeu-se com as críticas de Serra ao PAC. Esperava ouvir reparos de governadores. Dispôs-se a acolher sugestões construtivas. Mas não contava com ataques acerbos como os que foram pronunciados pelo governador paulista.
Serra tachou o PAC de “tímido”. Considerou “fracas” e “vazias” as medidas previstas no programa. São, a seu juízo, providências insuficientes para interromper o ciclo de letargia que inibe o crescimento econômico do país.
Lula cogitou responder pessoalmente a Serra. Mas, preocupado em se preservar para o novo encontro que terá com os governadores em 6 de março, optou pelo silêncio. Preferiu escalar o ministro Guido Mantega (Fazenda) para fazer o contraponto a Serra.
Foi a combinação com o chefe que levou Mantega a ironizar Serra: “Ou não leu o plano ou então leu o plano errado", disse o ministro. "O Serra deve estar achando que o PAC é o Brasil em Ação ou o Avança Brasil [planos do governo FHC], nos quais ele teve participação. Esses, sim, foram programas tímidos. O PAC não tem nada de tímido."
Lula receia que a escalada de Serra leve um outro tucano, Aécio Neves, a subir o timbre das críticas ao PAC. O governador de Minas é tão presidenciável quanto Serra. Para não ceder terreno ao rival dentro do PSDB, pode sentir-se tentado a falar mais grosso que o habitual.
Curiosamente, Lula enxerga no PSDB de hoje similaridade com o PT de ontem. Numa espécie de autocrítica tardia, o presidente diz que o tucanato ensaia agora o mesmo tipo de oposição “intransigente” que o petismo fazia no passado. Esperava algo mais “sofisticado” e “inteligente” do PSDB.
No encontro que manteve com os governadores no dia do lançamento do PAC, Lula desenvolveu um raciocínio que tinha como destinatários os ouvidos de Serra e Aécio: “Estou fazendo um esforço para o país voltar a crescer. Quero entregar o país melhor do que encontrei. Penso no Brasil. Já não posso concorrer à presidência. O próximo presidente pode sair desta sala.”
Para Lula, os ataques de Serra ao PAC, que considera “precipitados” e "injustos", em vez de render votos, vão envenenar a opinião pública contra o governador. Como contraponto, o presidente menciona as boas relações que vem conseguindo manter com outros chefes de executivos estaduais. Classifica de "exemplar" o comportamento de Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro.
Escrito por Josias de Souza às 02h30
Fonte: Folha Online
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