segunda-feira, março 31, 2025

Perfil do “terrorista” — homem branco, casado, autônomo e de baixa renda

Publicado em 31 de março de 2025 por Tribuna da Internet

PoderData: maioria aprova prisões de manifestantes do 8 de Janeiro

O Globo traçou o perfil médio do terrorista do 8 de Janeiro

Patrik Camporez
O Globo

O entregador por aplicativo Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, de 35 anos, deixou a mulher e dois filhos em Marília, a 420 quilômetros de São Paulo, em 6 de janeiro de 2023, para se juntar ao grupo que, dois dias depois, promoveria um quebra-quebra nas sedes dos Poderes em Brasília. Detido dentro de um Palácio do Planalto depredado, o trabalhador autônomo ilustra o perfil predominante entre os 1.586 alvos de ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas aos atos golpistas: homem branco, casado, de baixa renda e com menos de 60 anos.

Ao longo dos últimos dois meses, o GLOBO analisou os processos abertos na Corte contra os presos pela ofensiva antidemocrática e identificou aspectos até então desconhecidos sobre o episódio. O levantamento mostra, por exemplo, que a maior parte dos acusados tem, no máximo, o Ensino Médio completo e ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036) por mês.

503 CONDENADOS – Até agora, o STF condenou 503 pessoas pelos atos golpistas e absolveu apenas oito. Na semana passada, a Primeira Turma da Corte decidiu por unanimidade tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Walter Braga Netto e outros seis integrantes do governo passado réus por envolvimento em uma trama golpista que, segundo a acusação, resultou no 8 de Janeiro.

O perfil dos condenados foi alvo de discussão durante o julgamento, quando o relator dos casos, o ministro Alexandre de Moraes, apresentou em plenário as imagens em vídeo do vandalismo na Praça dos Três Poderes para rebater argumentos usados pelo ex-presidente e aliados de que os acusados de golpe seriam “velhinhas carregando Bíblias”.

Entre os dados apresentados em um telão pelo magistrado estava o fato de que 91% dos condenados têm menos de 59 anos.

DISSE MORAES —”Vou desfazer uma narrativa totalmente inverídica de que o STF estaria condenando “velhinhas com a Bíblia na mão” que estariam “passeando pelo STF, pelo Congresso”. Nada mais mentiroso do que isso — afirmou o ministro.

Os dados compilados pelo GLOBO apontam que apenas 1,21% dos presos pelos atos golpistas tinha 65 anos ou mais na data dos ataques. A maior parcela dos que estavam na Praça dos Três Poderes ficava na faixa etária de 45 a 54 anos (36,88%).

A análise das ações penais revela ainda que, a exemplo do entregador Rodrigo, profissionais autônomos respondem pela maior parte (43,2%) dos presos.

DESEMPREGADOS – Além disso, 18,7% declararam estar desempregados, enquanto 11,6% disseram ter um trabalho registrado no regime CLT. Já os aposentados somam 3,3% do total.

Rodrigo Ramalho disse em depoimento ter ido a Brasília para uma “manifestação ordeira e pacífica”. A polícia, porém, encontrou em seu celular vídeos feitos por ele com cenas da invasão ao Congresso e ao Planalto. Condenado a 14 anos de prisão, fugiu para a Argentina. Procurados, os advogados que o representavam afirmaram ter deixado o caso após ele sair do país.

O levantamento mostra também que 41% dos presos informaram ter recebido o auxílio emergencial, benefício criado no governo Bolsonaro para a população de baixa renda durante a pandemia de Covid-19.

DE ONDE VIERAM? – Outro aspecto que vem à tona é a origem dos alvos das ações penais. Os dados apontam maior concentração de presos oriundos das regiões Sul e Sudeste, com São Paulo (296 pessoas) e Minas (170) liderando o ranking. Nem todas as ações informam o estado de onde os réus vieram.

Apesar de ser o palco da manifestação, o Distrito Federal figura apenas como o sétimo colocado com maior número de presos: 69 pessoas, em sua maioria moradores de regiões afastadas da área central da capital federal. Um deles é o autônomo João de Oliveira Antunes Neto, de Samambaia, região administrativa de Brasília, distante 33 quilômetros da Praça dos Três Poderes.

O jovem de 21 anos foi detido nos arredores do Congresso carregando um escudo de metal com dizeres como “Novas eleições já” e “Fora, Lula”. Sua defesa alega que ele não participou das depredações dos prédios públicos e que se manifestou de forma “pacífica”. “Houve uma generalização das condutas de todos os presentes na manifestação, sem a devida individualização das penas”, diz, em nota.

HAVIA ATÉ PETISTAS – O levantamento revela que 210 dos alvos das ações penais têm alguma filiação partidária. A maior parte, 90, eram correligionários de Bolsonaro no PL. Há, contudo, 15 filiados ao PT, partido de Lula, em quem pregavam dar um golpe.

Professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Débora Messenberg afirma que o perfil dos participantes do 8 de Janeiro é semelhante ao que mostram as pesquisas sobre o eleitorado de Bolsonaro.

Coordenadora do Observatório da Extrema Direita, a antropóloga Isabela Kalil destaca que o perfil dos presos reforça a hipótese de que Bolsonaro se valeu da pandemia para angariar adeptos a um discurso recheado por teorias da conspiração. “O medo e a frustração são canalizados para encontrar um culpado: o PT, o Lula” — diz Kalil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – No acampamento em Brasília, havia realmente um número expressivo de idosos e idosas. Mas eles não conseguiram participar da manifestação porque a Praça dos Três Poderes é muito distante, não dava para ir a pé, em pleno verão(C.N.)

Governo confirma envio de Projeto de Lei para substituir MP sobre reajuste dos servidores

 

Governo confirma envio de Projeto de Lei para substituir MP sobre reajuste dos servidores

O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), afirmou que encaminhará, em acordo com o Congresso Nacional, um Projeto de Lei (PL) para substituir a Medida Provisória 1286, editada em 31 de dezembro de 2024.

A MP formalizou os termos dos acordos firmados pelo MGI nas mesas de negociação com as carreiras civis do serviço públicos federais ao longo do ano passado, que asseguraram recomposição salarial para 100% dos servidores ativos, aposentados e pensionistas;

O texto original será prorrogado até 2 de abril, o que garantirá o pagamento dos salários reajustados e dos valores retroativos continue sem interrupções até que o PL seja aprovado pelo Congresso Nacional dentro do prazo de vigência da MP.

“Dado o prazo para sanção da LOA, e os procedimentos necessários para operacionalizar a folha de pagamentos, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e os demais órgãos da administração federal estão adotando todos os procedimentos para realizar o pagamento do salário de abril e dos salários retroativos no dia 2 de maio”, afirmou o MGI, em nota.

Anasps explica: servidor, saiba como acessar a prévia do seu contracheque

 

Anasps explica: servidor, saiba como acessar a prévia do seu contracheque

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Leia o novo artigo: Velhinhos endividados!

 

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VELHINHOS ENDIVIDADOS

Paulo César Régis de Souza (*)

Pelo título, você deve estar pensando que estou falando a respeito de: velhinhos consumistas, compradores compulsivos, talvez até apostadores de bingo e de outros jogos de azar.

Mas não, na verdade estou me referindo a 2 milhões que se encontram na fila virtual do INSS. Como também de 40 milhões de aposentados, lembrando que aposentadoria remete ao jubilamento-alegria e liberdade, mas atualmente na previdência brasileira, no momento, remete à tristeza e aprisionamento às dívidas decorrentes do fatídico sistema de consignação, que representa uma mina de ouro para o sistema financeiro e, em contrapartida, um poço sem fundo não só para os aposentados, como também para os pensionistas.

O ingresso no sistema de fila virtual adotado pelo INSS funciona com a solicitação de benefício do segurado, que, ao solicitá-lo, mesmo cumprindo as exigências da documentação, vê-se num calvário, passando a integrar uma fila invisível, só tendo acesso a ela através do 135, denominado ironicamente de 171, artigo esse constante do código penal que designa estelionato.

O INSS, com agências totalmente sucateadas, sem servidores por falta de concurso, hoje há falta de 11.000 servidores, onde se tenta superar essa falta de mão de obra, através da contratação de terceirizados, sendo que esses não podem conceder benefícios, sendo essa atividade restrita a concursados, com a utilização de senha, com responsabilidade sobre as concessões de benefícios, sendo esses servidores passíveis de punição mesmo depois de aposentados.

Para suprir essa falta de servidores, está sendo contratado pela DATAPREV, por 70 milhões, um sistema para atuar através de robô, na gestão de benefícios, ressaltando que esse sistema não concede benefícios, logo não haverá a almejada aceleração do andamento da fila virtual do INSS. Aduzido a isso, observa-se o desmonte da perícia médica e a maquiagem dos resultados demonstrados através de boletins que registram quedas no déficit previdenciário e nas filas virtual, quando a verdade é que a previdência continua sem pagar os 2 milhões de benefícios represados.

Somos conscientes de que a inteligência artificial, através dos robôs, é importante, porém esses não contribuem para a previdência e nem consomem, desequilibrando todo o sistema de arrecadação financeira. Os boletins estatísticos registram queda no déficit da previdência, o que não é devidamente comprovado, logo, necessário se faz um investimento na captação de contribuintes, que hoje se encontram na informalidade, tais como motoboys e Ubers, e que um dia irão se aposentar, bem como buscar a contribuição do agronegócio, tão bem-sucedida nacionalmente, cujo sistema denomina-se rural e encontra-se em desequilíbrio atuarial na previdência, por falta da contribuição devida.

A terceirização de alguns benefícios para os cartórios e Correios são convênios que não agilizarão a concessão, pois esses serão somente recepcionadores e procederão o encaminhamento de processos para a devida concessão, fazendo com que esses beneficiários passem a integrar os 2 milhões de represados, aos quais o INSS não terá de pagar os seus benefícios.

Além do sucateamento das instalações da instituição, bem como a falta de servidores e o desestímulo dos mesmos pela remuneração aviltada, não satisfeitos, surge a atuação dos chamados “gênios” ou PHDs da crueldade, que ao implantarem o PGD – Programa de Gestão de Desempenho, programa esse que exige dos servidores que trabalham em home uma carga de trabalho adicional de mais 30%, utilizando seus próprios equipamentos (computadores, celulares, internet, água, luz, cadeira ergonômica), lembrando que esse material ergonômico é essencial para o desenvolvimento do trabalho sentado, com metas a serem cumpridas e, na falta de cumprimento das mesmas, há previsão de punição para esses servidores. Pergunto: e os dirigentes também serão punidos? Não há previsão de metas para a direção?

O importante é a imediata abertura de um grande concurso público para provimento de 11 mil servidores necessários para a recomposição do quadro efetivo do INSS, com o imediato início de obras estruturais na totalidade das agências do INSS, para o início do atendimento presencial, com a aquisição de equipamentos de alta tecnologia, para que os trabalhos sejam retomados de forma presencial e assim haja o atendimento da fila.

O presidente Lula recriou o Ministério da Previdência e, mediante a má gestão dos dirigentes dos órgãos previdenciários, observa-se uma baixa da popularidade governamental? Sabemos que os 2 milhões que esperam há meses na fila virtual são eleitores, bem como os 40 milhões de aposentados, que já não têm apoio nas agências da previdência, recebendo diariamente ligações, oferecendo empréstimos consignados a juros exorbitantes, sofismados por prazos intermináveis de pagamento, esses também são eleitores.

Creio, senhor Presidente, que não precisa ser tão sábio quanto os dirigentes previdenciários, para identificação do motivo da queda das pesquisas de aprovação governamental, reconhecendo-se que, apesar do orçamento de 1 trilhão de reais, faz-se necessária uma boa gestão, com a implantação de um sistema de compliance.
Nossa Previdência, considerada a melhor do mundo, que paga há mais de 100 anos, está ferida de morte.
Previdência Social pública, sempre!

(*) Paulo César Régis de Souza é vice-presidente executivo da Associação Nacional dos Servidores Públicos, da Previdência e da Seguridade Social – Anasps.

 

Recuperação da Frota Municipal: Eficiência e Economia na Gestão Pública

 A atual administração de Jeremoabo, sob a gestão do prefeito Tista de Deda, tem demonstrado compromisso com a responsabilidade e a racionalidade na gestão dos bens públicos. Um dos exemplos mais claros dessa postura foi a decisão de recuperar veículos que estavam abandonados, sucateados e considerados sem condições de uso por falta de manutenção.

Ao assumir a gestão, o prefeito determinou um levantamento detalhado da frota municipal para avaliar a viabilidade da recuperação dos veículos. Com base em uma análise minuciosa dos custos, constatou-se que, com um investimento razoável em reparos, seria possível reaproveitar diversos veículos, gerando uma economia significativa aos cofres públicos e evitando gastos desnecessários com a aquisição de novos automóveis.

Dentre os veículos recuperados, destaca-se a frota de ônibus escolares, que anteriormente estavam relegados ao chamado "cemitério de veículos sucateados". Hoje, esses ônibus encontram-se em perfeitas condições de transportar alunos com conforto e segurança, garantindo um serviço público de qualidade à população.

Essa ação é um exemplo claro de competência e compromisso com o bem público. O dinheiro do povo deve ser zelado e administrado com responsabilidade, evitando desperdícios e garantindo que cada recurso seja utilizado da melhor forma possível em prol da coletividade. Com medidas como essa, a gestão de Tista de Deda reafirma seu compromisso com a eficiência e transparência na administração municipal.

Zambelli diz se arrepender de dia da perseguição armada e se vê abandonada por Bolsonaro

Zambelli diz se arrepender de dia da perseguição armada e se vê abandonada por Bolsonaro
Foto: Reprodução / Pedro Ladeira/ Folhapress

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) diz se arrepender do episódio em que perseguiu um homem com arma em punho na véspera da eleição de 2022 em São Paulo. "Devia ter entrado no carro e ido embora."
 

Ela se vê abandonada por Jair Bolsonaro (PL), de quem era uma das principais aliadas, e discorda do ex-presidente, que credita a ela a derrota para Lula (PT) naquele pleito. "Não só eu como outras pessoas também perderam a amizade do presidente no momento que precisaram", afirma.
 

Na última semana, o STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto e à perda de mandato por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. O julgamento está suspenso.
 

Porta-voz de destaque do discurso bolsonarista contra urnas, ela ainda buscará reverter, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma condenação por desinformação.
 

Para representar a direita na eleição de 2026, Zambelli defendeu os nomes de Michelle e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Após a entrevista, a deputada procurou a reportagem e disse ter mudado de ideia sobre a resposta, afirmando ser muito cedo para falar sobre um cenário ainda não definido.
 

Folha - Como a sra. define seu momento atual?
 

Carla Zambelli - Estou num momento mais difícil politicamente falando. Nunca imaginei passar por uma situação dessa. Uma possível prisão, por um crime que não cometi. Considero isso uma perseguição política.
 

Folha - Na última segunda-feira, o ex-presidente Bolsonaro disse 'a Carla Zambelli tirou o mandato da gente', sobre o episódio com a arma. Como avalia essa fala?
 

Carla Zambelli - Eu discordo do presidente Bolsonaro. Eu acho que atrapalhou, sim. Mas não teve vários dias de divulgação dessa imagem. Foi simplesmente meio dia. Não acho que tanta gente tenha mudado de opinião em relação ao voto que daria.
 

É um peso bastante grande ter ouvido aquilo. Pesou bastante nas minhas costas. Na verdade, desde 2022 enfrento depressão por causa desse episódio e tive vários momentos bem ruins. Ter ouvido isso dele me deixou bastante chateada.
 

Folha - A sra. se vê, de certa forma, abandonada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro?
 

Carla Zambelli - Sim.
 

Folha - O que a sra. esperava?
 

Carla Zambelli - Acho que esperava apoio. Desde 2013 eu apoio o Bolsonaro. Antes como ativista, nas causas dele, ajudei na eleição de 2018. Durante todo o governo. Acho que eu fui uma das pessoas mais linha de frente dentro do Congresso para poder defender o governo, o presidente.
 

Esperava ter algum tipo de retribuição em relação a isso. Ou seja, contar com a amizade dele nesse momento difícil. Mas acho que não só eu como outras pessoas também perderam a amizade do presidente no momento que precisaram.
 

Folha - A sra. pretende ir em algum ato a favor de Bolsonaro, como no dia 6 de abril na av. Paulista?
 

Carla Zambelli - Não, eu não vou no dia 6 de abril, porque é sobre anistia. Se chegar na Câmara para votar, vou votar a favor da anistia, mas não posso agora me colocar em risco no meio do meu julgamento.
 

Folha - E manifestações a favor do ex-presidente que venham a acontecer fora essa?
 

Carla Zambelli - Não sei, ainda não pensei em ir ou não, mas a princípio não.
 

Folha - Em 2023, em entrevista à Folha, a sra. disse que Bolsonaro deveria ter sido claro sobre o que pensava, dizendo para as pessoas saírem dos quartéis, e também que ele deveria estar no Brasil para liderar a oposição. Mantém essa avaliação?
 

Carla Zambelli - Mantenho. Acho que ele tinha que estar no Brasil e tinha que ter falado para as pessoas saírem de frente do quartel.
 

Devia ter esclarecido, ou ter feito a live lá de fora, falado 'já tô fora do Brasil, agora não tem mais chance de voltar atrás', e pedir para as pessoas irem embora. Isso evitaria o que aconteceu depois.
 

Folha - O ex-presidente ainda se coloca como possível candidato, apesar de estar inelegível. Como a sra. vê o cenário para 2026, quem poderia representar a direita?
 

Carla Zambelli - Tem a Michelle, a esposa do Bolsonaro, que é uma excelente candidata. Eu acho que é uma pessoa boa e que deveria ter o apoio do presidente. O Tarcísio [de Freitas] também é outra opção.
 

Só espero que a gente tenha isso tido com antecedência, que nos digam com antecedência para a gente poder trabalhar.
 

Ele [Tarcísio] hoje é uma pessoa que agrada também a esquerda, agrada o sistema, porque ele tem uma certa entrada pelo STF, tem amizade com alguns ministros. Acho que talvez o Tarcísio seja um bom nome na perspectiva do Bolsonaro.
 

Folha - E na sua perspectiva?

 

Carla Zambelli - O Eduardo [Bolsonaro] é um bom nome, mas não sei se ele teria o apoio da população como um todo. E a própria Michelle, eu gosto muito do nome dela. Independente do que o Bolsonaro falou sobre mim.
 

Folha - Tarcísio, então, como preferência pessoal, a sra. não apontaria?
 

Carla Zambelli - A princípio, não.
 

Folha - O ex-presidente Bolsonaro se tornou réu no caso da trama golpista. Como a sra. vê essas acusações, especialmente envolvendo a minuta de estado de defesa e de sítio?
 

Carla Zambelli - Acho que é absurdo. Como é que um artifício, uma lei que está dentro da Constituição Federal, pode ser golpe? Acho que não tem nada a ver.
 

Primeiro, porque não foi colocado de fato. Pode ter sido aventado, mas não foi colocado em votação. E segundo que não houve golpe. O Lula teve o poder, pegou o poder e continuou no poder numa boa.
 

O que teve foi uma manifestação com alguns vândalos, com outras pessoas também defendendo bastante os lugares. Não acho que teve nada a ver com o golpe que aconteceu no final de 2022 e início de 2023.
 

Folha - E sobre as minutas?
 

Carla Zambelli - Eu recebi uma minuta. Era uma espécie de um decreto, uma coisa assim, e perguntei na época para uma das pessoas do jurídico do presidente Bolsonaro, do Palácio do Planalto, e ele me disse que era fake.
 

Não acho que o Bolsonaro, algo que está impresso, ou que eventualmente chegou na mão dele... Chegou na minha mão também, e nem por isso eu tinha algum envolvimento com o golpe.
 

Folha - Segundo as investigações, não tinha indício ou prova de fraude em 2022. A sra. considera que havia elementos para implementar um estado de sítio, de defesa ou mesmo o artigo 142?
 

Carla Zambelli - Não, não acho. Mas também não acho que é crime você estudar o assunto.
 

Folha - No fim de novembro de 2022, a sra. divulgou um vídeo em que dizia, "Dia 1º de janeiro, srs. generais quatro estrelas, vão querer prestar continência a um bandido ou à nação brasileira? Não é hora de responder com carta se dizendo apartidário. É hora de se posicionar. De que lado da história vocês vão ficar?". O que a sra. queria dizer com 'é hora de se posicionar'?
 

Carla Zambelli - Acho que era o momento de os generais dizerem se Lula era bandido ou não.
 

Folha - No dia seguinte ocorreu uma audiência no Senado sobre supostos indícios de fraudes nas urnas, em que se falou sobre eventual uso do artigo 142, e em que a sra. estava. O contexto do vídeo era de outro tipo de posicionamento.
 

Carla Zambelli - Não posso falar sobre isso, porque é motivo de um processo contra mim e que ainda está acontecendo [no STF].
 

Folha - O relatório da PF em que o ex-presidente foi indiciado afirma que a sra. foi citada no depoimento do ex-comandante da Aeronáutica Baptista Jr. e que teria dito a ele: 'Brigadeiro, o sr. não pode deixar o presidente na mão'. O que a sra. quis dizer?
 

Carla Zambelli - Na verdade, eu falei em dar força para o presidente. O presidente tinha perdido as eleições e eu falei para ele dar uma força para o presidente. Ele, na época, não respondeu nada. E ele diz na Polícia Federal que respondeu que não faria nada de ilegal, alguma coisa assim. Ele não respondeu isso. Ele mentiu no depoimento dele.
 

Folha - Ele ficou em silêncio?
 

Carla Zambelli - Não, ele falou alguma outra coisa que eu não me lembro bem o quê, que faz muito tempo. [Se ele tivesse dito isso] teria dito 'eu não tô te pedindo para fazer nada ilegal'.
 

Folha - Quando a sra. diz dar uma força para o ex-presidente, havia uma expectativa de que houvesse algum caminho para que ele ainda se mantivesse no poder?
 

Carla Zambelli - Existia, sim. Existia a possibilidade, por exemplo, do artigo 142 colocar não ele no poder, né, mas as Forças Armadas no poder, para depois fazer uma nova eleição e tal com urna impressa.
 

Mas assim eram comentários de algumas pessoas e que a gente não via de fato acontecer isso de verdade, não tinha nenhuma ação para isso acontecer.

 

Folha - Mas houve reuniões e conversas dentro do governo, segundo as investigações. A sra. está dizendo que isso não aconteceu...
 

Carla Zambelli - Não participei. A gente ouvia dizer, né, ouvia falar, mas não participei de nada.
 

Folha - 'Dar uma força' poderia estar dentro de um eventual uso do artigo 142?
 

Carla Zambelli - Não falei nada que pudesse dar a entender que seria isso.
 

Folha - A sra. foi condenada a cassação e inelegibilidade no TRE-SP e tem maioria pela condenação no STF no caso da arma. Acredita que vai conseguir reverter esses casos na Justiça?
 

Carla Zambelli - No caso da cassação, a gente tem o TSE agora, para recorrer. É lógico que as chances são baixas, mas a gente vai recorrer e vai tentar. [Senão] Não só eu perco o mandato, mas os deputados que foram levados com os meus votos.
 

Em relação à condenação do STF por porte ilegal, ainda tenho sim esperança. Acho que o Gilmar Mendes, o ministro relator, e os outros ministros que já votaram, eles eventualmente podem não ter visto meu porte [de arma] lá na minha defesa, mas eu tinha porte federal. [Gilmar aborda esse argumento em seu voto]
 

Folha - [No caso das armas] A sra. considera que a situação naquele dia foi proporcional ao que aconteceu?
 

Carla Zambelli - Foi proporcional porque teve um tiro. E no momento que teve o tiro e que o policial caiu no chão, ele [Luan Araújo, o homem perseguido] estava em flagrante delito, o policial tinha dado voz de prisão para ele. Eram quatro homens que não só me ofenderam, cuspiram em mim, me xingaram, empurraram meu filho e me empurraram também.
 

Aí, quando ele foge e eu escuto o tiro, eu só saco a arma depois do tiro. Então, ela foi proporcional, porque quando tem um tiro, você pode sacar sua arma... Na verdade, até antes do tiro eu poderia sacar a arma, né?
 

Depois a gente ficou sabendo que o tiro tinha sido disparado pelo próprio policial quando caiu. Mas eu, ouvindo um tiro, tenho como pensar que pode ter sido outra pessoa. Então, acho que foi proporcional, sim. Pegando todo o contexto, não acho que eu estava errada.
 

Folha - No vídeo, depois que ele tinha ofendido a sra, é no momento que ele já está se afastando em que a sra. começa a correr atrás dele.
 

Carla Zambelli - É o momento que eu caio. Na verdade ele não está se afastando. O carro dele estava no lado contrário, pelo qual ele tava andando.
 

O que aconteceu foi que ele me chamou de prostituta e na hora a cabeça ferveu e eu queria bater nele. Minha ideia ali nunca era sacar a arma. Era trocar soco com ele, a princípio. E depois que teve o tiro, eu tirei a arma.
 

Aquilo ali foi só uma atitude infeliz que eu tive de ir atrás dele. Infelizmente, ali foi onde eu errei, de querer trocar as tapas, soco, com o homem. Eu jamais ia ganhar um negócio desse.
 

Como mulher eu deveria ter ido embora, ter cuidado da minha vida, ter aguentado...[Mas] naquele dia eu tinha passado a madrugada recebendo muita ameaça de morte. E aquele alerta que eu estava acabou prejudicando o meu julgamento.
 

Folha - Caso a sra. não consiga reverter a inelegibilidade, pretende voltar para a política depois?
 

Carla Zambelli - Pretendo, em 2030. Não vão se livrar tão cedo de mim.
 

Folha - Tem algo na sua trajetória na política que a sra. se arrepende ou faria diferente?
 

Carla Zambelli - Esse dia de ter ido atrás desse rapaz. Devia ter entrado no carro e ido embora, como fazia sempre todas as vezes que tentavam, até hoje, que tentam brigar comigo na rua. Esse dia foi o único dia que eu não saí, infelizmente. Mas me arrependo, deveria ter saído.
 

Folha - E mais alguma coisa?
 

Carla Zambelli - Ter confiado ou me doado demais por algumas pessoas.
 

Folha - Alguém em específico?
 

Carla Zambelli - Não. Eu não me arrependo de ter ajudado o Bolsonaro, sabe? Algumas pessoas podem achar que eu posso me arrepender. Eu não me arrependo, não. E vou continuar defendendo ele no que eu achar que é certo.
 

  • RAIO-X | Carla Zambelli, 44
     

Ativista fundadora do grupo Nas Ruas, ganhou notoriedade nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT). Foi eleita deputada federal pelo PSL em 2018 e reeleita pelo PL em 2022. É gerente de projetos, formada em planejamento estratégico empresarial na Universidade Nove de Julho.

 

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