Por: Fábio Costa Pinto (*) – Jornal Brasil Popular/BA

Dia 12 de agosto será o julgamento dos recursos pelo assassinato da liderança indígena Nega Pataxó, no sudoeste da Bahia
No próximo 12 de agosto, terça-feira, em Brasília, a justiça julgará dois recursos cruciais no caso do assassinato da Pajé Nega Pataxó Hã Hã Hãe, ocorrido em 21 de janeiro de 2024, na Terra Indígena Caramuru-Paraguassu, Bahia. O crime também deixou feridos o cacique Nailton, o cacique Aritanan e outros Pataxó Hã Hã Hãe.
A indígena foi morta a tiros no domingo, dia 21 de janeiro de 2024 e o ataque foi convocado por redes sociais e perpetrado pelo grupo miliciano de extrema-direita autointitulado “Invasão Zero”, que já atua em alguns estados do país, se declara representante e integra grupos de proprietários rurais.

A Polícia Civil da Bahia autuou dois fazendeiros por homicídio e tentativa de homicídio, após a morte de Maria de Fátima Muniz de Andrade, indígena da etnia Pataxó e da tentativa contra o cacique Nailton Muniz Pataxó e outros indígenas.
Desde junho de 2022, a Associação Brasileira de Imprensa — ABI, através da sua representação na Bahia, vem recebendo denúncias de agressão, assassinato e abuso de toda ordem contra os povos originários do sul, extremo sul e sudoeste da Bahia. Naquele ano, denunciamos e apresentamos um dossiê ao então governador do estado, Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil do governo federal, onde solicitamos apuração e punição pelos assassinatos e agressões. Informamos à Imprensa em nota aberta, propomos uma força tarefa e plano de proteção para algumas lideranças.
Em nota à Imprensa, o GT indígena Bahia, classifica como um crime político, não um crime comum. Diz a nota: “O assassinato de Nega Pataxó não pode ser tratado como caso isolado. É parte de um contexto alarmante de violência fundiária no Brasil, intensificado após a sanção da Lei 14.701/2023, que institui o chamado marco temporal e abre territórios indígenas à exploração por grandes grupos econômicos, especialmente ligados ao agronegócio e à mineração.

A gravidade do caso já foi reconhecida por organismos internacionais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a ONU, que alertam para o risco de impunidade em crimes contra defensores de direitos humanos e lideranças indígenas no Brasil”.
Ainda segundo a nota, — a punição neste caso não pode se limitar a quem apertou o gatilho. É urgente investigar e responsabilizar também os articuladores políticos e econômicos que planejaram e financiaram o ataque. É preciso garantir reparação às vítimas, medidas de prevenção e políticas efetivas de proteção à vida dos defensores dos direitos indígenas, que seguem ameaçados em seus territórios, conclui

O que está em jogo no dia 12 de agosto.
Na sessão marcada para 12 de agosto, serão analisados o recurso do Ministério Público Federal (MPF) contra a decisão que revogou a prisão preventiva do acusado e o recurso da defesa, que tenta impedir que o caso vá a júri popular.
Segundo o MPF, — a tentativa de evitar o júri é vista como uma manobra para reduzir a pena e apagar a dimensão política, coletiva e racial do crime. Para as lideranças indígenas, o júri popular é fundamental para que a memória, o racismo e a brutalidade do assassinato sejam reconhecidos, e para que não haja silenciamento da luta pela terra.
O autor do disparo, José Eugênio Fernandes Amoedo, é filho de um fazendeiro, foi preso em flagrante, mas liberado após pagar fiança. Exames balísticos comprovaram que o tiro que matou Nega partiu de sua arma. — “Amoedo estava em prisão preventiva havia sete meses no conjunto penal de Vitória da Conquista, cidade onde mora, a cerca de 200 km do local do homicídio. Ele foi solto após pagamento de fiança de 20 salários mínimos (R$ 28.240), por decisão da juíza Karine Costa Carlos Rhem da Silva, da 1ª Vara Federal de Itabuna, que aceitou o pedido da defesa. Apesar disso, até hoje nenhuma autoridade policial foi responsabilizada e os líderes e financiadores do grupo “Invasão Zero” seguem impunes, mesmo diante de indícios de atuação criminosa para expulsar indígenas de suas terras”.
Moção de protesto na I Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. — “No dia 12 de agosto de 2025, serão julgados em Brasília o recurso do MPF contra a decisão que revogou a prisão preventiva do assassino de Nega, e o recurso do réu para que não haja júri popular. Evitar o júri é uma estratégia para reduzir a pena e apagar o crime. O júri popular é onde a memória, o racismo e a brutalidade não passam despercebidos.
Exigir justiça por Nega é lutar contra a impunidade, pela segurança dos povos indígenas e pela proteção de nossos territórios, vidas e direitos. Queremos justiça por Nega e por todas as lideranças que foram tombadas na luta pela terra. Nossos povos, nossas famílias, merecem respeito, reparação e responsabilização por esses crimes”.
A representação da ABI na Bahia está vigilante, iremos até o último instante na luta por Justiça, por Nega Pataxó, e para todos os povos indígenas que lutam pelo direito constitucional à terra e à vida. Impunidade não iremos aceitar!
Fábio Costa Pinto, jornalista representante da Associação Brasileira de Imprensa — ABI, no Estado da Bahia, membro do Conselho Deliberativo, e da Comissão da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos.
Salvador, 11 de agosto de 2025.
(*) Fábio Costa Pinto, jornalista de profissão, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI e da comissão de Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos. Representante da entidade no estado da Bahia.
*As opiniões dos autores de artigos não refletem, necessariamente, o pensamento do Jornal Brasil Popular, sendo de total responsabilidade do próprio autor as informações, os juízos de valor e os conceitos descritos no texto.
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