segunda-feira, agosto 11, 2025

Ex-prefeito de Coronel João Sá é Denunciado por Desvio Milionário do FUNDEB.

 


Ex-prefeito de Coronel João Sá é Denunciado por Desvio Milionário do FUNDEB

Mais uma vez, o cenário político de Coronel João Sá é sacudido por denúncias graves. Recebi informações que apontam para um suposto desvio de recursos do FUNDEB no valor de R$ 16,5 milhões, envolvendo o ex-prefeito Carlinhos Sobral. O processo, segundo a denúncia, já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) através da Mesa do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).

É lamentável que atos de improbidade sejam supostamente praticados até mesmo na área da educação, onde os recursos deveriam ser integralmente destinados ao futuro de crianças e jovens. A gravidade da acusação é ainda maior quando se considera que o cidadão em questão é pré-candidato a um cargo na Assembleia Legislativa da Bahia, com apoio de vários vereadores locais.

Essa situação levanta sérios questionamentos sobre a ética na política e a responsabilidade dos eleitores e dos representantes públicos. A população de Coronel João Sá e de toda a Bahia merece transparência e rigor na apuração desses fatos. A esperança é que o MPF atue com a celeridade e a firmeza necessárias para esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos, caso as denúncias sejam comprovadas.

Fonte da Informação:

https://www.tcm.ba.gov.br/prefeito-de-coronel-joao-sa-punido-por-uso-indevido-de-recursos-do-fundeb/ 

Aliados de Hugo Motta dizem que ele é o principal “culpado” pela rebelião


Ocupação Câmara Hugo Motta

Aliados de Motta apontam os erros que tem cometido

Letícia Casado e Felipe Pereira
do UOL

A postura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao longo do ano criou as condições para o motim de bolsonaristas nesta semana, dizem aliados do congressista, em conversas reservadas.

Ninguém quer se indispor publicamente com o presidente da Câmara, mas, nos bastidores, deputados tanto da direita quanto da esquerda afirmam que Motta não se compromete com as pautas e tampouco cumpre os acordos que teriam sido feitos na campanha para ele se eleger ao cargo.

MUITAS QUEIXAS – As reclamações são variadas: não escolhe um interlocutor único e fala com vários integrantes do mesmo partido; fica em cima do muro em temas delicados, como anistia, e, com isso, deixa a corda esticar; e não dá previsibilidade para cumprir acordos já selados.

A fragilidade é consequência da campanha para virar presidente da Câmara. O líder de um partido disse que, nas conversas com a direita, Motta deu a entender que pautaria a anistia. Ele teria prometido o contrário ao PT e ficou refém dos dois lados.

Motta continuou não se posicionando sobre este tema. A falta de uma definição incentivou os partidos a aumentarem a pressão e levou ao motim da oposição. Na noite de quarta, Motta teve dificuldade para sentar em sua cadeira e abrir a sessão que estava marcada.

AJUDA DE LIRA – A cena foi considerada uma demonstração de enfraquecimento do presidente, que, segundo aliados, precisou da ajuda do antecessor, Arthur Lira (PP-AL), para costurar um acordo e liberar seu espaço de trabalho. Deputados afirmam que ele selou em um acordo com líderes do centrão para pautar um projeto que tira poder do STF (Supremo Tribunal Federal) ao acabar com foro privilegiado.

A repercussão foi ruim a ponto de o líder do maior partido de oposição, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), precisar fazer um aceno público a Motta. Ele repetiu ao longo do dia de ontem que a Câmara retomou os trabalhos um dia antes do Senado.

O argumento entre os que defendem Motta é que a situação da noite de quarta precisava ser pacificada de qualquer maneira. Acrescentam que ele sentou na cadeira de presidente sem haver briga entre deputados ou intervenção da Polícia Legislativa. Já os críticos afirmam que Motta deveria ter cancelado a sessão para reabrir na quinta pela manhã, quando os ânimos poderiam estar menos acirrados. 

Lobby e soberania: o caso Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo


Eduardo Bolsonaro e aliado citaram sanções cinco vezes por dia

Pedro do Coutto

A reportagem de Dimitrius Dantas, publicada neste domingo em O Globo, expõe de forma minuciosa e inédita um fenômeno que extrapola as fronteiras da disputa política doméstica brasileira: a construção deliberada de um lobby nos Estados Unidos, capitaneado pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e pelo influenciador Paulo Figueiredo, com o objetivo central de pressionar o governo norte-americano a impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e, por extensão, a outras autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio governo brasileiro.

Segundo a análise apresentada, a atuação da dupla deixou de ser episódica para se tornar sistemática. Entre março e o início de agosto, Eduardo e Figueiredo falaram de sanções o equivalente a cinco vezes por dia em seus canais no YouTube, totalizando mais de 700 menções diretas ao tema. O nome “Alexandre” apareceu mais de duas mil vezes — mais do que o dobro das citações ao presidente Lula.

ARTICULAÇÃO – Trata-se, portanto, de uma campanha coordenada, persistente e com alvos bem definidos, articulada junto a parlamentares republicanos e figuras ligadas diretamente ao presidente Donald Trump. O que inicialmente parecia bravata política passou a ganhar relevância geopolítica quando, em 9 de julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e citou a atuação do STF contra Jair Bolsonaro como justificativa.

Ainda que os próprios articuladores do lobby afirmem que não recomendaram essa medida específica, o episódio reforça a ligação direta entre a pressão exercida nos bastidores e as decisões da Casa Branca. Mais grave: Eduardo e Figueiredo passaram a ventilar, recentemente, a possibilidade de medidas ainda mais severas, como a exclusão do Brasil do sistema Swift, essencial para transações financeiras internacionais.

É uma escalada que, se concretizada, teria repercussões econômicas profundas e imprevisíveis, atingindo desde o comércio exterior até a vida cotidiana da população. Não é a primeira vez que atores políticos brasileiros buscam respaldo ou intervenção estrangeira para sustentar agendas internas. No entanto, como destaca o professor Felipe Loureiro, da USP, a imposição de medidas econômicas unilaterais pelos EUA contra o Brasil com base em “ameaça à segurança nacional” é sem precedentes na relação bilateral.

VULNERABILIDADE – Essa novidade coloca o país em uma posição vulnerável, pois sinaliza que disputas políticas internas podem ser instrumentalizadas como justificativa para ações externas de grande impacto.

As conexões de Paulo Figueiredo com o universo trumpista — incluindo sua relação empresarial com o ex-presidente americano — e o trânsito de Eduardo Bolsonaro junto a congressistas e ex-assessores de Trump compõem um cenário de alinhamento ideológico e estratégico. Ao mesmo tempo, levantam questionamentos legítimos sobre a legalidade e legitimidade dessas articulações, sobretudo à luz do inquérito aberto pelo STF para investigar a atuação do deputado nos EUA.

DILEMA – O caso vai além do embate entre governo e oposição. Trata-se de um teste à resiliência da soberania brasileira e à maturidade de suas instituições. Quando um parlamentar eleito e um influenciador político se dedicam, de forma sistemática, a convencer uma potência estrangeira a sancionar autoridades e, potencialmente, prejudicar economicamente o próprio país, estamos diante de um dilema grave: onde termina a liberdade de expressão e onde começa a sabotagem institucional?

Ao que tudo indica, a disputa que se desenrola não é apenas jurídica ou diplomática, mas também simbólica. O lobby de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo é um capítulo de uma narrativa maior: a internacionalização das batalhas políticas brasileiras, que agora se travam não apenas no Congresso e nas redes sociais, mas também nos corredores de Washington. Se a história recente nos ensina algo, é que esse tipo de intervenção externa, quando normalizada, raramente termina bem para a nação que a permite.

Brasil e China trabalham em protocolo bilateral para certificar carne e soja

 Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

Xi Jinping e Lula11 de agosto de 2025 | 06:58

Brasil e China trabalham em protocolo bilateral para certificar carne e soja

economia

Em meio ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Brasil e China trabalham na criação de um protocolo bilateral para certificação e rastreabilidade de produtos agropecuários, com foco central na exportação de carne e soja para o país asiático.

A Folha teve acesso a detalhes do plano que está em andamento. A ideia é estabelecer um mecanismo de reconhecimento entre os dois países para certificações ambientais e sistemas de rastreamento, permitindo que a venda de produtos brasileiros seja feita com com selos de sustentabilidade —como “carne carbono neutro” e “soja de baixo carbono”— reconhecidos formalmente pelas autoridades e empresas chinesas.

O protocolo bilateral prevê que os dois países alinhem metodologias para mensurar emissões, uso de solo, manejo ambiental e bem-estar animal. A intenção é que certificados brasileiros, como os desenvolvidos pela Embrapa —a exemplo dos selos Carne Carbono Neutro (CCN) e Carne Baixo Carbono (CBC)—, passem a ser aceitos pelas autoridades e empresas chinesas como prova válida de sustentabilidade.

Uma vez que isso esteja validado, o que se espera é a abertura para novos tipos de acordos comerciais, facilitação de exportações, valorização de produtos e redução de barreiras não tarifárias.

As medidas previstas incluem a integração entre sistemas digitais de rastreabilidade, uso de QR codes com dados ambientais e compartilhamento de bases de dados.

A proposta foi tratada durante a missão oficial do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) à China, realizada em junho, em discussões que envolveram os principais produtos da pauta exportadora brasileira ao país asiático. O grupo brasileiro também incluiu representantes da Embrapa e da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

O assunto foi tema de reuniões realizadas com órgãos como o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China e a Academia Chinesa de Ciências Agrárias, para estabelecer uma agenda técnica e de cooperação sobre sustentabilidade agrícola.

O governo brasileiro também discutiu a iniciativa com membros da Universidade Agrícola da China, que tem foco em políticas públicas de incentivo à agricultura de baixo carbono, além de empresas como Syngenta China e Tencent, que usam tecnologias para rastreabilidade e medição de carbono.

A estatal Cofco Meat Investment, um dos maiores grupos do setor alimentício na China, sinalizou interesse em estabelecer rotas de fornecimento de carne brasileira certificada como sustentável, com base nas metodologias da Embrapa e em sistemas de rastreabilidade ambiental já usados por frigoríficos no Brasil.

Questionada pela reportagem, a Embrapa informou que o porta-voz sobre o tema seria o Ministério da Agricultura, que não havia respondido ao pedido de entrevista até a publicação deste texto.

O Brasil é o maior exportador de alimentos no mundo. A China, o maior consumidor. A carne bovina ocupa posição central nas negociações bilaterais, tanto pelo protagonismo nas exportações quanto pela preocupação ambiental com emissões de metano e uso da terra.

Em 2024, os chineses compraram 51,3% da carne exportada pelo Brasil, enquanto os Estados Unidos, segundo maior comprador, ficaram com uma fatia de 8,1%. Em julho deste ano, pré-tarifaço americano, a participação chinesa saltou para 57%, enquanto a americana caiu para 4,7%, sendo passada pelo México (4,8%), conforme dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Em sua passagem pela China, a comitiva brasileira viu que algumas redes de supermercados chinesas já começaram a exigir que produtos de origem animal sejam obrigados a apresentar QR codes com dados de rastreabilidade ambiental e pegada de carbono. Há o entendimento de que esse modelo tende a se tornar padrão na China, pressionando seus exportadores a se adaptar.

A soja também é discutida como produto estratégico para o protocolo. Principal item da pauta de exportação brasileira à China, o grão está no centro das preocupações sobre segurança alimentar. Além do uso como ração animal, produtos processados à base de soja, como óleos e proteínas vegetais, já começam a ser submetidos à exigência de rastreabilidade ambiental.

O Brasil possui iniciativas como o Selo ABC+ e o programa Soja Plus, que poderiam ser reconhecidas pelo protocolo bilateral.

Assim como no caso da carne, a expectativa do governo brasileiro é que esses protocolos passem a ser usados como instrumento de integração regulatória, antecipando exigências ambientais que possam se tornar mandatórias nos próximos anos.

Uma visita técnica de autoridades chinesas ao Brasil está prevista para este ano, para verificar in loco as tecnologias e sistemas locais, para fechar o acordo.

O fortalecimento dos negócios entre o Brasil e a China, além de outros parceiros dos Brics —bloco formado por 11 países, como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul—, está no centro das queixas do presidente americano Donald Trump.

O presidente Lula (PT) anunciou que está em contato com os presidentes de países do Brics para conversar sobre os diferentes apoios que eles podem dar em meio aos ataques e chantagens dos EUA contra o Brasil. A China anunciou no dia 2 ter aprovado a habilitação de 183 novas empresas brasileiras de café para exportação ao mercado chinês, em decisão da Administração Aduaneira Geral.

A despeito das medidas para ampliação do comércio sino-brasileiro, corre uma investigação na China sobre os efeitos internos na indústria de carnes. No dia 6, o governo da China anunciou a prorrogação de uma investigação de salvaguarda sobre a importação de carne bovina, estendendo seu prazo final de 27 de agosto para 26 de novembro. A prorrogação indica que o processo é considerado complexo e que ainda há pontos a serem esclarecidos antes de uma decisão final.

Essa investigação foi aberta em dezembro de 2024, para apurar se o aumento das compras externas de carne estaria prejudicando os produtores chineses. Caso o governo chinês conclua que houve dano à indústria local, pode adotar medidas de proteção, como tarifas extras ou cotas de importação. Até lá, nada muda para os exportadores, incluindo o Brasil. Continuam a valer as mesmas regras e tarifas em vigor.

André Borges/Folhapress

Se quiser, Luiz Fux pode empurrar o julgamento de Bolsonaro para 2026


Um juiz está sentado em uma mesa, usando uma toga preta e uma gravata. Ele tem cabelo grisalho e está olhando para a frente, com uma expressão séria. À sua frente, há um computador com o logotipo do STF. Ao fundo, outras pessoas podem ser vistas, mas não estão claramente focadas.

Fux poderá ficar sentado no processo durante 90 dias

Elio Gaspari
O Globo

É improvável que o julgamento de Bolsonaro termine em setembro e é possível que ele entre pelos primeiros meses de 2026. Admita-se que em setembro ele entre na reta final. São fortes os sinais de que o ministro Luiz Fux vá pedir vistas.

Pelo regimento do tribunal, um ministro tem 90 dias para devolver o processo. Por hipótese, passam-se assim os meses de outubro, novembro e dezembro.

Começa o recesso e o tribunal só retoma suas atividades em fevereiro. Basta uma pequena espichada para que se chegue a março de 2026.

Essa demora haverá de acavalar o julgamento do ex-presidente com a apreciação dos recursos relacionados à sua inelegibilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral, com uma nova composição. 2026 virá com fortes emoções.

HOMEM DA CADEIRA – Depois da Senhora do Batom, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal produziu o Homem da Cadeira. O mecânico Fábio de Oliveira foi condenado a 17 anos de prisão por ter sentado na cadeira do ministro Alexandre de Moraes durante os distúrbios de 8 de janeiro.

Além de sentar-se na cadeira, Oliveira gravou-se dizendo bobagens. Moraes enquadrou-o em cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

Oliveira não invadiu o plenário do tribunal, ele sentou-se na cadeira do ministro depois que ela foi levada para fora do prédio.

HOSPÍCIO PARLAMENTAR – Parlamentares acorrentaram-se no Congresso na semana passada, obstruindo seu trabalho.

Felizmente, a muvuca serviu para que o repórter Octavio Guedes resgatasse a resposta dada por Ulysses Guimarães diante de um episódio semelhante:

“Eu sou o presidente da Constituinte, não de um hospício”.


DEUS É DEMOCRÁTICO E NOS CHAMA A CONSTRUIR UMA SOCIEDADE DE AMOR, JUSTIÇA E PAZ

 

Tempo de leitura: 3 minutos

Reverendo Luciano Campelo 

Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Paz e Bem!

Neste tempo em que nossa sociedade clama por justiça, igualdade e reconciliação, quero partilhar convosco uma certeza que nasce do coração da fé cristã: Deus é democrático. Sim, o Deus revelado nas Escrituras, o Deus de Jesus Cristo, é um Deus que respeita a liberdade humana, que deseja a participação de todas as pessoas na construção do bem comum, que convoca cada um de nós a ser fermento do Reino de amor, justiça e paz.

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A fé anglicana — enraizada na tradição católica, reformada e aberta à razão e à experiência humana — valoriza profundamente a liberdade de consciência, a dignidade da pessoa e a justiça social.

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A Bíblia nos mostra que Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança (Gn 1,27). E entre os dons que nos concedeu, destaca-se o livre arbítrio: a liberdade de escolher, de decidir, de participar da história. Não fomos criados como marionetes, mas como seres responsáveis, chamados à comunhão com Ele e com nossos irmãos e irmãs.

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Cor 3,17).

Essa liberdade, no entanto, não é libertinagem. É uma liberdade que se realiza plenamente quando se orienta para o amor. Pois, como nos ensinou o apóstolo João: “Deus é amor” (1Jo 4,8), e o amor verdadeiro não escraviza, mas liberta. O amor de Deus é fonte de liberdade, justiça e participação. Por isso, a democracia, quando autêntica, é expressão política do amor em sociedade. É nela que se dá espaço à diversidade, ao diálogo, à dignidade de cada pessoa.

A fé anglicana — enraizada na tradição católica, reformada e aberta à razão e à experiência humana — valoriza profundamente a liberdade de consciência, a dignidade da pessoa e a justiça social. Como bem expressa a nossa herança anglicana, a autoridade da fé deve ser sempre equilibrada com a razão e com a experiência vivida pelo povo de Deus. E a experiência nos ensina que não há paz duradoura onde há opressão, onde há exclusão, onde não há democracia.

Na perspectiva da Teologia da Libertação, aprendemos que Deus toma partido: o partido da vida, da justiça, dos pobres, dos oprimidos. Não para excluir os outros, mas para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10). O Reino de Deus é um projeto de libertação integral, que começa aqui e agora, na história, na luta por uma sociedade mais justa, democrática e fraterna.

Frei Leonardo Boff, um dos profetas do nosso tempo, nos lembra: “A democracia é a forma política que melhor realiza a liberdade e a igualdade, valores fundamentais do Reino de Deus.”

E não podemos esquecer as palavras sábias do nosso querido Arcebispo Desmond Tutu, farol de esperança e reconciliação na África do Sul e no mundo: “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor. Se um elefante tem o pé sobre a cauda de um rato, e você diz que é neutro, o rato não vai apreciar sua neutralidade.”

Desmond Tutu nos recorda que a neutralidade diante do racismo, da homofobia, da misoginia, da pobreza e da exclusão é cumplicidade com o pecado. A verdadeira fé cristã nos move a agir com justiça, a praticar o bem, a amar como Jesus amou — sem fazer acepção de pessoas.

Como afirmou Martin Luther King Jr., pastor batista e mártir da liberdade: “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.”

E Dom Helder Câmara, nosso profeta nordestino, nos provoca: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista.”

A democracia, amados, não é perfeita. Mas é o terreno onde podemos, com diálogo, respeito e participação, buscar o bem comum, que é sempre superior ao interesse individual. Só haverá paz verdadeira e duradoura quando todos os grupos sociais forem respeitados, quando os direitos de todos forem garantidos, sem qualquer forma de preconceito, discriminação ou exclusão.

Jesus não fundou uma religião elitista, mas uma comunidade de irmãos e irmãs. Ele andava com os pobres, com as mulheres, com os estrangeiros, com os excluídos. Ele nos ensinou: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça” (Mt 5,6).

E também: “Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

Portanto, sejamos também nós, irmãos e irmãs do Cristo Libertador, cidadãos comprometidos com uma fé encarnada, ativa e libertadora. Lutemos por uma sociedade onde todos possam viver com dignidade. Que nossa espiritualidade não seja alienada, mas profética, crítica, sensível às dores do mundo.

Concluo com mais uma palavra de Desmond Tutu: “Meu cristianismo não me permite ficar em silêncio quando vejo o sofrimento. Minha fé me obriga a agir.”

Que o Espírito Santo nos ilumine, nos fortaleça e nos una neste compromisso com o Reino de Deus, que é justiça, paz e alegria no Espírito (Rm 14,17). Que a democracia não seja para nós apenas um sistema político, mas um caminho de amor social, onde todos tenham vez, voz e vida plena.

Assim seja. Amém.

Reverendo Luciano Campelo é padre da Igreja Católica Apostólica Anglicana e frade da Ordem Franciscana Anglicana.

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