segunda-feira, agosto 11, 2025
Quando a ANISTIA atropela o aprendizado democrático
Publicação de Jornalista Vladimir Porfírio
É preciso haver cautela, a situação política e econômica é delicadíssima
Publicado em 10 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet
Charge do Nando Motta (Arquivo Google)
Merval Pereira
O Globo
Os projetos da oposição serão colocados em pauta, apesar de o presidente da Câmara, Hugo Motta, garantir que não houve acordo com os deputados que ocuparam o Congresso. Apenas o impeachment do ministro Alexandre de Moraes não vai entrar em discussão, mas o fim do foro privilegiado pode ser aprovado, porque fugir do STF neste momento é interesse apartidário.
A anistia para o pessoal de 8 de janeiro, que não pega nem Bolsonaro, nem os militares, talvez não seja aprovada; mas se for, será contestada no STF e a crise vai continuar. Embora, se aprovar a anistia, é possível que tentem ampliá-la e será outra luta política.
CENTRÃO ADERE – O Congresso está rebelado, o centrão não está muito disposto a entrar nesta rebelião, mas se a votação for para o plenário, muitos vão aderir – assim como muitos que integram o governo vão ficar de fora.
O centrão só existe na democracia; numa ditadura, eles não têm voz e provavelmente muitos serão presos, na hipótese de um golpe de Estado.
No fundo, o que está acontecendo é uma tentativa de desmoralizar a Justiça brasileira, para dar margem a algum tipo de intervenção que permita zerar o jogo. Uma espécie de golpe continuado – várias maneiras de pensar a mesma coisa. Antes, era anular a eleição, agora é anular a cassação de Bolsonaro para que ele possa disputar a eleição em 2026.
FATO GRAVE – O apoio de Trump a estas rebeliões e contra o STF é um fato novo muito grave, porque pode quebrar algumas resistências no meio militar. Saber que os EUA não apoiariam o rompimento das regras constitucionais foi o que parou as tentativas de golpe em janeiro. Mas Trump, ao contrário, anuncia a cada dia que é o STF que está rompendo as linhas da democracia.
Caso um candidato de direita assuma o governo, é capaz de o apoio do presidente americano potencializar o anseio da extrema-direita de não respeitar as instituições. É preciso muita cautela, porque a situação é delicadíssima.
Em Brasília, a futilidade desmoraliza a importância que a capital deve ter
Vicente Limongi Netto
Da lista medonha, torpe, cretina, patética e fúnebre, salvam-se apenas Ana Dubeux, do Correio Braziliense, e mais uns 10 verdadeiros jornalistas. E olhe lá. Três ou quatro colegas que já partiram valem por quase toda a lista de 100 mortos-vivos apresentados aqui em Brasília como os mais admirados jornalistas. A estes, realmente bons, rendo minhas homenagens.
Aliás, e hora dos bons e expressivos jornalistas (ainda temos alguns!) manterem trincheiras contra os famigerados sujeitos que mandam na imprensa do espoliado Brasil. Não é brilhar os olhos por fazer parte de listinhas infames. Há quem goste. Os colegas que não são servos (ainda contamos com alguns) devem é lutar contra as desigualdades. Usar seus espaços para combater a insegurança, a fome, os corruptos e o feminicídio avassalador.
IMITAÇÃO GROTESCA – Fazer parte de lista dos cem mais admirados é apenas uma patética imitação dos famosos colunistas que no século passado todo ano apresentavam lista das dez mais elegantes. Que quadra brasileira é esta, Deus do céu? Alegra o ego dos escolhidos, mas é falta abissal do que fazer.
Nada significa na verdadeira missão dos jornalistas, que devem escapar dessas bobajadas e se dedicarem a aumentar o pouco, muito pouco que fazem para colaborar realmente e tirar o Brasil do abismo.
Soube-se que patrulheiros sem eira nem beira fizeram a lista com parvos e canalhas enchendo a cara em botecos, mas alegaram que houve votação digital. Quem foi esquecido deve agradecer a Deus e a Maria por não figurar de lista desprezível, infame e de repugnante significado. Neste domingo, lembrei muito de meu eterno pai, que me ensinou a ser decente, amigo leal e sincero.
MULHER AMADA – Também neste domingo, em minha recente viuvez, lembrei a mulher amada e eterna está em todos os lugares. Com suas mãos suaves, cobre meu peito de ternura, sabedoria e fervor. Caminha invisível com arranjos floridos no vestido branco. Nos cabelos, tranças conversam com o sol. Molha o rosto nas águas do rio profundo que adormece amores.
Meu amor está nos varais do céu, alegrando o vento. Nas folhas das árvores altas que semeiam o milagre da vida. A amada deixa luz pelo caminho. Sorri esbelta e faceira, beijando anjos com aromas de orquídeas. Despede-se na euforia da noite, passeando entre nuvens emocionadas. Umedecidas com gotas de amor.
Nota de Falecimento
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do nosso querido amigo e parente, Abelardo Silvestre de Santana Filho, carinhosamente conhecido por todos como Abelardinho.
Ele nos deixou ontem, dia 10 de agosto, justamente no Dia dos Pais. Neste momento de dor, estendemos nossas mais sinceras condolências à sua família e amigos, e desejamos que encontrem conforto nas boas lembranças e no legado de amor e amizade que ele deixou.
Abelardinho será lembrado com carinho e saudade por todos que tiveram a honra de conhecê-lo. Que sua memória seja uma luz a guiar os corações enlutados.
domingo, agosto 10, 2025
Estagflação já ameaça os EUA, e a culpa é da política louca de Trump

Charge do William (Arquivo Google)
Deu no Estadão
O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel em 2008, disse nesta sexta-feira, 8, que há sinais cada vez mais claro de que os Estados Unidos caminham para uma estagflação – termo usado para designar períodos em que há uma combinação de estagnação econômica com inflação alta.
Em artigo publicado no Substack, o economista diz que o ponto de partida para qualquer discussão sobre esse cenário é o fato de que o presidente Donald Trump está adotando políticas extremas tanto no comércio quanto na imigração.
90 ANOS ATRÁS – “Ele reverteu completamente 90 anos de liberalização comercial gradual, nos trazendo de volta às taxas de tarifas Smoot-Hawley (e as importações como porcentagem do PIB são hoje três vezes o que eram em 1930, então essas tarifas importam muito mais)”, escreveu.
As Tarifas Smoot-Hawley foram adotadas em 1930 nos EUA, em meio à Grande Depressão, e aumentavam drasticamente as taxas sobre as importações feitas pelos americanos.
Krugman mostra também que, em relação à imigração, o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE, a agência de imigração e controle de alfândega dos Estados Unidos) iniciou há não muito tempo as detenções e deportações em massa, mas o número de trabalhadores imigrantes nos Estados Unidos já está diminuindo, após anos de rápido crescimento.
AGUARDE A INFLAÇÃO – “Essas reversões repentinas de políticas claramente levarão a uma inflação maior no próximo ano ou depois”, escreve.
“Há quase um consenso completo entre os economistas de que as tarifas são inflacionárias. Até onde eu posso dizer, os únicos dissidentes são economistas que trabalham, diretamente ou de fato, para a administração Trump. Afinal, uma tarifa é basicamente um imposto seletivo sobre vendas imposto a bens produzidos no exterior. Existe algum cenário sob o qual as tarifas não aumentariam os preços ao consumidor?”, questiona.
Para Krugman, a única maneira de as tarifas falharem em ser inflacionárias seria se os exportadores estrangeiros cortassem seus preços, em uma tentativa de manter sua participação no mercado. “Pode haver algumas empresas estrangeiras fazendo isso, mas na maior parte isso simplesmente não está acontecendo”, diz.
CORTAR PREÇOS – “Para manter os preços ao consumidor, diante de um aumento de 15 pontos nas taxas de tarifas médias, que é mais ou menos o que Trump fez, as empresas estrangeiras teriam de cortar seus preços em dólares em mais de 13%.”
A guerra contra os imigrantes também é inflacionária, diz o economista, porque está cortando a produção em indústrias que dependem fortemente de trabalhadores nascidos no estrangeiro. “Começam a proliferar histórias de safras deixadas para apodrecer nos campos porque os agricultores não conseguem encontrar ninguém para colhê-las, projetos de construção prejudicados por batidas do ICE e um clima de medo, e mais.”
“Então, a inflação está acontecendo? Até agora, houve apenas indícios de inflação impulsionada por tarifas nos dados oficiais. O que parece ter acontecido até agora é que empresas dos EUA se apressaram em importar e estocar produtos estrangeiros antes que as tarifas de Trump entrassem totalmente em vigor, e ainda estão, em grande parte, vendendo esses estoques”, escreve Krugman.
SEM REAJUSTE – “Além disso, muitas empresas relutaram em aumentar os preços, afastando clientes, enquanto havia uma chance de Trump fazer acordos que reduzissem significativamente as tarifas novamente.”
Isso, no entanto, não está acontecendo, diz. “É verdade que muitas das tarifas de Trump são claramente ilegais, e os tribunais poderiam forçá-lo a revertê-las. Mas eu não criaria muitas expectativas. E se as tarifas vierem para ficar, podemos esperar que sejam repassadas aos compradores.”
“Veremos evidências claras do impacto inflacionário da Trumponomics no relatório de preços ao consumidor da próxima semana? Trump entrará em outra rodada de diatribes sobre estatísticas manipuladas daqui a alguns dias? Honestamente, eu não sei. Mas podemos ter muita confiança de que, graças às políticas de Trump, a inflação de inverno está chegando”, escreve.
ESTAGFLAÇÃO – “E quanto à estagnação? Contrariamente ao que muitas pessoas acreditam, tarifas não necessariamente levam a um alto desemprego. A América tinha uma alta tarifa média mesmo antes de Smoot-Hawley – 15,8% em 1929 -, mas a taxa de desemprego em 1929 estava abaixo de 3%”, diz.
Segundo ele, a razão pela qual muitos economistas acreditam que as tarifas de Trump aumentarão o desemprego não é tanto o nível delas, mas muito mais a incerteza que criam. “Como você pode esperar que as empresas façam investimentos de longo prazo quando não sabem se enfrentarão tarifas de 10% ou 35% daqui a um ou dois anos?”
Para Krugman, até se pode argumentar que a incerteza tarifária diminuirá depois de Trump ter feito “acordos” com alguns dos principais parceiros comerciais. Mas ele lembra que não são acordos comerciais formais e assinados. “E as afirmações de Trump sobre o que outros países concordaram – como sua insistência de que a Europa prometeu a ele um fundo reserva de US$ 600 bilhões e ‘eu posso fazer o que eu quiser com ele’ – são contraditas pelos próprios países. Então a incerteza tarifária permanece alta. E a incerteza criada por detenções e deportações em massa, igualmente provável de prejudicar os negócios, está apenas começando”, diz.
Lula quer resposta a tarifaço com o grupo que Trump odeia, o Brics
Lula pensa que os Brics querem apoiarão contra Trumo
William Waack
da CNN
No contexto da crise atual entre Brasil e Estados Unidos, o que tem faltado ao país não é apoio externo, mas sim a definição de uma estratégia interna clara e consistente. O Brasil está buscando apoio no grupo do Brics para responder ao recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
A iniciativa teve início com um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e deverá ser seguida por outro contato, desta vez com o presidente da China, Xi Jinping.
LÍDER DO GRUPO – A China, que exerce significativa influência sobre o grupo, é considerada por muitos como o verdadeiro líder do Brics — bloco que, embora tenha surgido como uma aliança entre países emergentes, foi expandido ao longo do tempo de forma a atender prioritariamente aos interesses comerciais, econômicos e políticos chineses.
Até o momento, no entanto, a China não liderou qualquer articulação de resposta conjunta do Brics a medidas protecionistas como os tarifaços impostos durante o governo de Donald Trump. Tampouco outros países do grupo — como a África do Sul e a Indonésia, também afetados por tais medidas — buscaram, até aqui, construir uma reação coordenada no âmbito do bloco.
A razão para essa inação é simples: o Brics está muito longe de constituir um bloco integrado, nos moldes da União Europeia, por exemplo.
SEM UNIDADE – As profundas disparidades de interesses, bem como as diferentes realidades políticas e econômicas enfrentadas por seus membros, tornam extremamente difícil — para não dizer impossível — a adoção de ações conjuntas que vão além de declarações genéricas ou de intenções.
No contexto da crise atual entre Brasil e Estados Unidos, o que tem faltado ao país não é apoio externo, mas sim a definição de uma estratégia interna clara e consistente. As poucas exceções obtidas até agora ao tarifaço norte-americano devem-se, em grande parte, à atuação de empresas dos próprios Estados Unidos, que também têm seus interesses comerciais afetados.
É importante destacar que as exigências políticas feitas pela Casa Branca como condição para suspender as tarifas não podem ser aceitas por nenhum governo que se pretenda soberano. Ainda que o diálogo entre os dois países — inclusive na esfera comercial — pareça, por ora, bloqueado, é pouco provável que uma solução passe pelo Brics. Na realidade, a tendência é justamente o oposto.
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