domingo, julho 13, 2025

Trump seria preso se fizesse no Brasil o que fez nos EUA, debocha Lula

Publicado em 12 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Lula on X: "Gostaram da gravata? #LulaNoJN 📸: @ricardostuckert https://t.co/aF0UdMr9uG" / X

Nos EUA, Lula não seria solto nem voltaria à Presidência

Deu no Correio Braziliense

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (10/7) que o presidente norte-americano Donald Trump poderia ser processado e preso se fizesse no Brasil o que fez nos Estados Unidos. A declaração ocorreu ao Jornal Nacional, da TV Globo. Lula fazia um paralelo entre a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quando perdeu as eleições em 2022 e a de Trump, em 2020, que resultou na invasão do Capitólio, quando cinco pessoas morreram.

“O que o presidente Trump tem que saber é que aqui no Brasil ele tivesse feito o que ele fez nos Estados Unidos com as eleições, ele também estaria sendo processado. Estaria sendo julgado e se fosse culpado, seria preso. É assim que funciona a lei para todos no mundo. E nós precisamos aprender a respeitar”, disse.

INTERFERÊNCIA – Lula cobrou respeito de Trump e reiterou que a taxação será recíproca. O petista também classificou como inaceitável a tentativa de interferência de Trump no Judiciário brasileiro. Em sua carta dirigida ao governo brasileiro na quarta (9), em que anunciou tarifas de 50% aos produtos brasileiros, o presidente Donald Trump começou exaltando o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem se referiu como “um líder altamente respeitado em todo o mundo”.

Disse que o tratamento dado a Bolsonaro é uma “vergonha internacional” e que o julgamento “não deveria estar ocorrendo”.

Lula assim respondeu: “Tem algumas coisas que um governo não pode admitir é a ingerência de um país na soberania de outro. E mais grave, intromissão de um presidente de um país no poder judiciário do meu país. É inaceitável que o presidente Trump envie uma carta pelo site dele dizendo que precisa acabar a ‘caça às bruxas’ (referindo-se ao julgamento de Bolsonaro)”, afirmou o petista.

“TAXAÇÃO INFINITA” – Lula também explicou que o Brasil não vai ceder se as tarifas anunciadas por Trump forem colocadas em prática em 1º de agosto. Confirmou que pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas dos EUA, mas disse que se não houver solução, o Brasil usará a Lei de Reciprocidade Econômica para contra-atacar.

Trump, no entanto, já havia dito que qualquer país que retaliasse as taxas dos Estados Unidos teria uma nova elevação nas tarifas. Mas o petista disse não se importar. Afirmou que se houver novo aumento nas taxas, o Brasil fará o mesmo.

“O Brasil não tem contencioso com ninguém, nós não queremos brigar com ninguém, nós queremos negociar. O que nós queremos é que sejam respeitadas as decisões brasileiras. Portanto, se ele ficar brincando de taxação, vai ser infinita essa taxação. Nós vamos chegar a milhões e milhões por cento de taxa”, disparou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Não dá para saber quem é o mais incompetente ou ultrapassado. Lula, por exemplo, diz que Trump estaria processado ou até preso se fizesse no Brasil a manifestação do Capitólio, que teve cinco mortes e muitos feridos. Mas a recíproca é verdadeira, Lula poderia estar preso nos Estados Unidos se pressionasse a Suprema Corte a descumprir leis, como o Marco Civil da Internet, e se mandasse punir empresas de outros países, como o ministro Moraes insiste em fazer. Os dois – Trump e Lula – estão errados. Mas o que se pode esperar desse tipo de gente. (C.N.)


Brasil empata com Canadá no sexto lugar na lista dos mais protecionistas.


Houldine Nascimento e Gabriel Benevides
Poder360

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), fez uma afirmação controversa e imprecisa em sua carta de quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses deficits comerciais [sic] insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse deficit [sic] é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!”.

Ocorre que o Brasil é o deficitário no comércio bilateral com os Estados Unidos há mais de uma década. Isso significa que os norte-americanos mais vendem do que compram dos brasileiros.

PROTECIONISMO – A carta de Trump pode ter sido redigida sem o devido cuidado ao falar sobre o tema. Só que há outro fato a ser considerado: uma crítica histórica dos EUA sobre o grau que Washington entende ser elevado de protecionismo do Brasil sobre produtos norte-americanos.

O presidente norte-americano cita o USTR (“United States Trade Representative”, ou Representante de Comércio dos Estados Unidos) e diz que em breve terá um estudo detalhado sobre o caso brasileiro.

Em março de 2025, o USTR já havia publicado seu relatório anual afirmando que considera elevadas as barreiras comerciais (tarifárias ou não) em vários países. Junto com o Canadá, o Brasil é o sexto país mais citado no estudo.

LISTA DO PROTECIONISMO -Estão atrás de China (48 páginas no relatório), União Europeia (34 páginas), Índia (16 páginas), Japão (11 páginas) e México (7 páginas). O Brasil empata com o Canadá, com 6 páginas cada um. O USTR afirma que o Brasil cobrava em média 11,2% em 2023.

Desse valor, a divisão é a seguinte: 8,1% para produtos agrícolas; 11,7% para produtos não agrícolas. Para o USTR, as barreiras tarifárias ou não resultam num impacto estimado de US$ 8 bilhões por ano contra os EUA: etanol (os EUA deixariam de vender US$ 3 bilhões ao Brasil por ano por causa da tarifa de importação brasileira), bebidas alcoólicas (US$ 1,5 bilhão), produtos remanufaturados (US$ 2 bilhões) e barreiras alfandegárias (US$ 1,5 bilhão).

 Em suma, o que Washington diz é que se houvesse uma equalização das tarifas desses produtos (o Brasil taxasse com percentuais iguais aos dos EUA), os norte-americanos conseguiriam vender mais US$ 8 bilhões por ano para o mercado brasileiro.

DADOS CONCRETOS – O Poder360 fez uma pesquisa de 9 produtos e lista a seguir a tarifa cobrada sobre as importações desses itens quando entram nos EUA ou no Brasil.

Percebe-se que, para a maioria das categorias, a cobrança brasileira é maior. Muitas das taxas dos Estados Unidos são zeradas, como smartphones e perfumes em geral.

O iPhone está colocado na lista acima porque, embora seja de uma empresa dos EUA, a Apple, o produto é em sua maioria fabricado na China. Ou seja, tanto Brasil como EUA importam iPhones. Só que no mercado norte-americano esse celular entra com zero de taxa de importação.

TABELA TARIFÁRIA – O Poder360 levantou os dados dos Estados Unidos na plataforma da Organização Mundial do Comércio. Foram considerados os códigos da Tabela Tarifária Harmonizada (Harmonized Tariff Schedule, em inglês).

Os produtos têm variações específicas, que podem afetar a taxa cobrada em determinados casos. Os dados do Brasil foram enviados à reportagem pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Considera a Tarifa Externa Comum do Mercosul, um sistema de taxas de importação padronizadas para todos os países membros do bloco econômico.

No caso de ambos os países, especificidades dos produtos podem mudar a taxa, como peso de cada um ou a presença de alguma substância em específico. O levantamento apresentado nesta reportagem, entretanto, apresenta um panorama geral que ilustra a realidade da maioria dos itens no comércio exterior com os EUA.

ALÉM DAS TARIFAS -O relatório do USTR sinaliza que o protecionismo do Brasil ante os Estados Unidos não se limita à cobrança de taxas maiores. Um dos pontos é o licenciamento não automático de importações.

O texto diz que as exigências de autorização de ministérios e agências para algumas importações muitas vezes vêm com falta de transparência ou justificativas para a recusa. Os setores mais impactados seriam calçados, vestuário e automóveis.

“A falta de transparência em torno ou justificativas para a recusa. Os setores mais impactados seriam calçados, vestuário e automóveis. “A falta de transparência em torno desses procedimentos é um obstáculo às exportações dos Estados Unidos”, afirma o estudo.

MAIS CRÍTICAS -Outros pontos são levantados. Leia um resumo dos argumentos dos EUA: discriminação fiscal via IPI – produtos nacionais como a cachaça pagam IPI menor do que bebidas alcoólicas importadas, o que configuraria tratamento desigual; restrições à importação de produtos usados e remanufaturados – proibição ampla para bens como roupas, carros e equipamentos médicos, mesmo quando não há produção nacional.

Além disso, há exclusão de produtores estrangeiros no RenovaBio – só empresas brasileiras podem gerar créditos de carbono, limitando a competitividade de biocombustíveis dos EUA; cotas e tributos sobre conteúdo audiovisual estrangeiro – leis exigem que parte da programação na TV por assinatura seja nacional e aplicam impostos mais altos a filmes e publicidade estrangeiros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente reportagem do Poder360. Mostra a realidade do protecionismo brasileiro, que é um assunto meio tabu, raramente abordado pela imprensa nacional(C.N.)

Exploração política da carta não vai salvar o Brasil do tarifaço de Trump

Publicado em 13 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Vida do americano nunca mais será a mesma após o  tarifaço de TrumpCaio Junqueira
da CNN

O resultado até agora é favorável ao governo, que usa o episódio para sair das cordas e surfar nas redes sociais historicamente refratárias ao petismo

Os dados coletados nas redes sociais não deixam dúvidas de que o brasileiro reconhece a responsabilidade do bolsonarismo no tarifaço de Trump. E isso tem a ver com os fatos.

CHAVE DA CADEIA – O movimento liderou uma operação política nos Estados Unidos que, na prática, enxergou Trump como alguém com a chave da cadeia para impedir a entrada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados nela.

Nesse roteiro, porém, não dá para excluir a linha da política externa brasileira, que entrou nas provocações de Trump e ajudou a criar um péssimo ambiente com os Estados Unidos.

Por exemplo, ao declarar apoio a Kamala Harris, ao profetizar a desdolarização do mundo, ao incentivar um bloco claramente anti-americano e, principalmente, ao não ter construído nem ter se preocupado em construir pontes com Trump.

PÉSSIMO AMBIENTE – Passadas 48 horas, num péssimo ambiente, os dois campos políticos — petismo e bolsonarismo — fazem seus cálculos sobre o tarifaço muito mais de olho nos ganhos internos do que nos externos.

O resultado até agora é favorável ao governo, que usa o episódio para sair das cordas e surfar nas redes sociais historicamente refratárias ao petismo.

Isso pode ajudar a resolver o problema de Lula em 2026. Mas não vai resolver o problema do tarifaço.

 

Lula cai na real e cancela pronunciamento em rede sobre tarifaço de Trump

Publicado em 13 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tarifaço de Trump: entenda impacto econômico no Brasil da taxa de 50% |  ac24horas | Notícias do Acre

Fotomontagem do Arquivo Google

zTainá Falcão, Gustavo Uribe e Julliana Lopes
da CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiu de um pronunciamento em cadeia nacional para rebater a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% a produtos brasileiros.

O governo cogitou veicular um discurso em rede na quinta (10) ou na sexta (11). Assessores do presidente, no entanto, avaliaram ser melhor aguardar as negociações até agosto, data prevista para as novas taxas entrarem em vigor.

PROVIDÊNCIAS – Conforme adiantou a CNN, o governo vai acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) para entender quais os melhores caminhos a serem seguidos nessas tratativas. Além disso, Lula tem reforçado que se necessário utilizará a Lei da Reciprocidade.

“Vou tentar brigar em todas as esferas para que não venha a taxação. Vou brigar na OMC, vou conversar com meus companheiros do Brics. Agora, se não tiver jeito no papo, nós vamos estabelecer a reciprocidade: taxou aqui, vamos taxar lá. Não tem outra coisa a fazer”, disse o presidente durante agenda nesta sexta (11), no Espírito Santo.

Também nesta sexta-feira (11), Trump deixou em aberto a possibilidade de conversar com Lula sobre as tarifas “em algum momento”. Reforçou, no entanto, a defesa a Jair Bolsonaro. Disse que o ex-presidente é tratado de forma “muito injusta” e relembrou quando negociou com então presidente no contexto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato de Trump.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em tradução simultânea, Lula parece estar caindo na real. Alguém deve ter dito a ele que o Brasil é o sexto colocado no ranking mundial do protecionismo comercial. (C.N.)

Trump mira o Brasil e acerta o próprio pé, com a reação global ao tarifaço

Publicado em 13 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A ofensiva tarifária de Donald Trump contra produtos brasileiros — com sobretaxas que atingem setores-chave como aço, carne e café — não provocou apenas tensão no eixo Brasília-Washington. O gesto unilateral, em tom de revanche econômica e aceno à sua base ultranacionalista, atingiu proporções inesperadas: levou à manifestação formal da China em defesa do Brasil, mexeu com os mercados e reacendeu velhas incertezas sobre o papel dos Estados Unidos no comércio internacional.

A política de confronto adotada por Trump, agora em seu segundo mandato, foi descrita pelo The Guardian como “uma volta à diplomacia do tapa”, que ameaça o multilateralismo e compromete a estabilidade das cadeias globais de suprimento. O jornal britânico também destaca que o presidente norte-americano tenta reeditar os moldes de sua primeira gestão, quando impôs tarifas a aliados como Canadá, União Europeia e México. Mas o mundo de 2025 não é o de 2018 — e as consequências de agora mostram-se bem mais delicadas.

REAÇÃO – No Brasil, a reação foi imediata e institucional. O presidente Lula da Silva designou seu vice, Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para liderar um grupo especial de resposta. A frente conta com representantes da diplomacia, do agronegócio e do setor industrial, que buscam manter pontes abertas com os importadores americanos e costurar uma saída pragmática. “É preciso inteligência e firmeza. A prioridade é proteger os interesses do Brasil, mas sem romper com o que foi construído até aqui”, afirmou Alckmin, em declaração ao Valor Econômico.

O impacto da medida é real: segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil registra um déficit comercial com os Estados Unidos — e setores como o aço e o agronegócio, justamente os atingidos pelas tarifas, representam boa parte das exportações brasileiras para o mercado americano. A estratégia de Trump mira diretamente nessas vulnerabilidades, e analistas sugerem que a ação visa também enfraquecer a imagem internacional de Lula, com quem o republicano mantém uma relação fria desde sua vitória em 2022.

ECO – Mas o que Trump não esperava era o eco negativo de sua medida no cenário global. A China, maior parceiro comercial do Brasil, não perdeu tempo: declarou, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, que “ações unilaterais, punitivas e politizadas não são o caminho para relações internacionais saudáveis e sustentáveis”. A fala, embora diplomática, é carregada de recado. O gesto chinês visa reforçar sua posição como defensora da ordem multilateral — e, de quebra, enfraquecer a influência dos EUA na América Latina.

Além disso, líderes da União Europeia e da Organização Mundial do Comércio (OMC) também manifestaram preocupação. Para Pascal Lamy, ex-diretor-geral da OMC, “as ações de Trump aprofundam o isolamento dos EUA no comércio global e podem gerar represálias coordenadas”. A França, por sua vez, mencionou em nota oficial o risco de “desequilíbrio estrutural nas relações Norte-Sul”, sugerindo que medidas protecionistas desse tipo só agravam a desigualdade entre países ricos e em desenvolvimento.

CRÍTICAS – No campo político interno, o episódio também ressuscita fantasmas do bolsonarismo. Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil e aliado ideológico de Trump, foi alvo de críticas por parte de membros do próprio Partido Republicano brasileiro, que veem na atual crise um reflexo do alinhamento automático que o ex-chefe do Executivo adotou com Washington durante seu governo. A retórica de “submissão aos EUA”, agora associada a perdas concretas, começa a ser contestada até mesmo por empresários que, no passado, apoiavam Bolsonaro.

Segundo o New York Times, o cálculo de Trump poderá sair caro. “Ele mirou em um parceiro regional, mas acabou acendendo alertas em todo o mundo — da OMC a Pequim, passando pela América do Sul e os aliados europeus.” Fontes do mercado financeiro relatam que a expectativa é de recuo. A própria Casa Branca estaria avaliando o custo político da medida, após o Departamento de Comércio receber pressões de importadores americanos temerosos com o efeito inflacionário das tarifas.

Se recuará ou dobrará a aposta, ninguém sabe ao certo. O que parece claro, no entanto, é que a tentativa de Donald Trump de se impor como “xerife do comércio global” encontrou resistência inédita, não apenas em Brasília, mas também em Pequim, Bruxelas e Nova York. A história mostra que, em política internacional, gestos têm peso — e consequências. E, neste caso, o gesto de Trump reacendeu uma fogueira que talvez ele não consiga apagar sozinho.

sábado, julho 12, 2025

Tarcísio dá demonstrações ostensivas de que vai disputar a Presidência

Publicado em 12 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tarcisio no lançamento do programa Trampolim

Tarcísio já subiu no trampolim e começa a escancarar

Vera Magalhães
O Globo

A pressão intensa dos partidos do Centrão, do empresariado e do mercado financeiro parece ter surtido efeito junto a Tarcísio de Freitas: o governador de São Paulo vem dando demonstrações cada vez mais incisivas, por isso mesmo arriscadas, de que está pronto para receber a indicação de Jair Bolsonaro como seu candidato a presidente no ano que vem. Parece disposto até a arcar com os ônus dessa exposição prematura.

Ao reproduzir e endossar a fala de Donald Trump segundo a qual Bolsonaro é vítima de perseguição política e a Justiça brasileira não é legítima para julgar o ex-presidente, que deveria ser avaliado pelos eleitores, Tarcísio deixa de lado a cautela com que costumou navegar nos mares turbulentos da relação entre seu padrinho político e o Supremo Tribunal Federal para mergulhar de cabeça no puro suco do bolsonarismo-raiz.

MUITAS CAMADAS – O governador do estado mais rico e mais populoso do país toma lado numa disputa que tem muitas camadas: política, diplomática, jurídica e até comercial.

O governo federal percebeu o movimento e tratou de, ato contínuo, deixar claro que enxerga o ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro como candidato mais provável a enfrentar Lula nas urnas eletrônicas no ano que vem. Veio do titular da Casa Civil, Rui Costa, no Roda Viva desta segunda-feira, um ataque direto a Tarcísio, diante da sem-cerimônia com que o político do Republicanos foi um dos primeiros a ecoar o ataque do presidente dos Estados Unidos ao Judiciário brasileiro.

Costa aproveitou que as bravatas de Trump nunca vêm sozinhas e associou os arroubos contra o STF à ameaça explícita que o americano fez aos países do Brics de tarifas comerciais adicionais em punição a um não alinhamento aos seus desígnios.

DISSE RUI COSTA — “Me parece que o Tarcísio está mais preocupado em defender o Trump que em defender os empresários paulistas, defender o emprego dos trabalhadores brasileiros” — pespegou o ministro de Lula.

Embora tenha feito aquele seguro-padrão de dizer que a eleição está distante, por isso não cabe ao PT ou ao governo escalar o time adversário, Costa trouxe o nome de Tarcísio à baila sem que tivesse sido questionado a respeito.

Deixou bastante patente quem a esquerda enxerga como candidato mais provável para encarnar o que ele mesmo batizou de “50 tons de Bolsonaro”.

LISTA PESADA – O problema para Tarcísio são esses tons. Todo mundo sabe o que o ex-presidente exige daquele a quem entregará o cetro da candidatura.

A lista é pesada. Começa na aparentemente mais simples exigência de se filiar ao PL e termina no compromisso de, já na largada do mandato, se comprometer a assinar indulto ou graça, livrando-o de cumprir uma pena cada vez mais dada como certa pela tentativa de golpe no curso de seu governo.

Se havia alguma dúvida quanto à disposição do governador paulista de encarar um pedágio assim tão alto, suas ações mais recentes começam a dissipá-la.

EM CAMPANHA – Antes mesmo de graciosamente aplaudir a explícita e indevida intervenção de Trump na soberania da Justiça brasileira para fazer valer as leis do país, Tarcísio vestiu boné, subiu em palanques ao lado de Bolsonaro e tem cada vez menos desencorajado aqueles que defendem publicamente sua candidatura.

Parte dessa mudança de postura em campo, pedindo a bola em voz alta, advém de que os partidos e o establishment econômico deixarem claro a Bolsonaro que vão com ele só até parte do caminho e não aceitam a ideia de ter Michelle ou Eduardo, sua mulher e seu filho Zero Dois, como adversários de Lula no ano que vem.

Lançar um familiar pode até ser mais confortável a Jair, mas deixa em dúvida o grau de apoio que pode reunir e põe em risco sua prioridade — livrar-se de uma prisão que insiste em aparecer em seus pesadelos mais recorrentes.


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