sexta-feira, julho 11, 2025

mprensa internacional repercute tarifaço de Trump contra o Brasil Por JB INTERNACIONAL

 

Por JB INTERNACIONAL
redacao@jb.com.br

Publicado em 10/07/2025 às 13:27

Alterado em 10/07/2025 às 13:29

                                     Sede do 'The New York Times' Foto: Haxor Joe


Por Paula Laboissière – Jornais de todo o mundo repercutiram a imposição de tarifa de 50% anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Em carta postada nas redes sociais e direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump diz que as tarifas passam a valer em 1º de agosto.

No documento, Trump justifica a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O mandatário norte-americano destacou ainda ordens emitidas pela Corte contra apoiadores de Bolsonaro que mantêm residência nos Estados Unidos.

Em resposta, Lula afirmou que o tarifaço será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica. Também via redes sociais, o presidente defendeu a soberania brasileira e disse que é falsa a alegação de Trump de que a taxação seria aplicada em razão de déficit na balança comercial com o Brasil.

"Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de reciprocidade econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo", afirmou Lula.

Veja a repercussão do caso nos principais jornais internacionais:

The New York Times

O jornal norte-americano The New York Times citou uma "guerra comercial repentina" entre os Estados Unidos e o Brasil e destacou o que Trump chama de "caça às bruxas" contra Bolsonaro.

O veículo também repercutiu a reação de Lula à carta, dizendo que o Brasil responderá ao tarifaço com a Lei de Reciprocidade Econômica.

The Washington Post

O jornal norte-americano The Washington Post avaliou que o anúncio do tarifaço contra o Brasil marca uma "forte escalada" na disputa diplomática entre os dois países em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.  

O periódico também destacou que o governo brasileiro prometeu "retaliação".

The Guardian

O jornal britânico destacou que as últimas ameaças do presidente norte-americano aumentam receios de que "a estratégia comercial errática" de Trump possa agravar a inflação nos Estados Unidos.

Clarín

O argentino Clarín citou um "aumento drástico" de tarifas, por parte de Trump, sobre produtos brasileiros e o consequente agravamento do conflito entre os dois países.

O veículo destacou o "aumento das tensões" em razão do apoio da Casa Branca ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Deutsche Welle

O periódico alemão Deutsche Welle destacou a imposição do tarifaço de Trump em apoio a Bolsonaro e também a resposta de Lula ao anúncio, citando que o brasileiro classificou como "falsa" a alegação de que a taxação de 50% seria em razão de déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil.

Le Monde

O diário francês Le Monde avaliou que Donald Trump "usa tarifas" para apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O periódico citou que o mandatário norte-americano acusou Lula de conduzir uma "caça às bruxas" contra seu antecessor, atualmente em julgamento por tentativa de golpe de Estado.

El país

Para o espanhol El País, o presidente dos Estados Unidos ultrapassou limites em suas ameaças comerciais, citando a taxação de mais oito países no intuito de pressioná-los a negociar antes do prazo de 1º de agosto. (com Agência Brasil)

O Brasil não é quintal dos Estados Unidos

 

Por JORNAL DO BRASIL
redacao@jb.com.br

Publicado em 10/07/2025 às 17:37

Alterado em 10/07/2025 às 17:49


O jornal “O Estado de S. Paulo”, que nos últimos anos era mais simpático, ideologicamente, ao ex-presidente Jair Bolsonaro que ao presidente Lula, publicou nesta quinta (10) candente editorial no qual acusa a chantagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ameaçar impor tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados aos EUA a partir de 1º de agosto, em razão dos processos movidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, de “coisa de mafiosos”.

A posição do tradicional e conservador jornal paulista, de fazer clara escolha pelo Brasil, delimita o terreno sobre a medida extemporânea e agressiva do governo Trump. Não há como ficar indiferente diante da afronta à soberania do Brasil e os interesses maiores das empresas e trabalhadores brasileiros.

Não se pode misturar questões políticas, manipuladas junto à administração Trump e congressistas republicanos pela família Bolsonaro, à frente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se licenciou para agir contra o Brasil nos subterrâneos do governo Trump, com os legítimos interesses comerciais brasileiros.

A verdade é que a família Bolsonaro, que sempre se diz "patriota", cruzou a linha que demarca os interesses brasileiros e colocou as ambições pessoais do ex-presidente, que liderou uma cruzada contra o Estado Democrático de Direito, acima de qualquer noção de decência e de defesa dos interesses nacionais.

A ação equivocada merece o repúdio geral. Não é admissível sequestrar a economia brasileira, fechando 50% das portas do mercado americano com tarifas leoninas – as maiores impostas pela administração Trump – para exigir a anulação das condenações já sacramentadas pela Justiça Eleitoral contra o ex-presidente e, muito menos, a interrupção, "IMEDIATAMENTE", dos processos contra Bolsonaro e os 33 golpistas no STF.

Trump imagina repetir a grotesca política do “porrete grande” aplicada pelo presidente Theodore Roosevelt no final do século 19. O presidente norte-americano está passando por cima das determinações da Organização das Nações Unidas e de seu órgão de discussão das questões comerciais, a Organização Mundial de Comércio (OMC), e quer afrontar a soberania nacional. Alto lá.

É preciso gritar bem alto: O Brasil não é quintal dos Estados Unidos.

Tarifaço pode tirar EUA do mapa de venda do Brasi

 Segundo analistas, seria um efeito colateral à elevação da tarifa de 10% para 50% a produtos brasileiros

Por ECONOMIA JB com Agência Estado
redacao@jb.com.br

Publicado em 11/07/2025 às 08:18

Alterado em 11/07/2025 às 08:18


ntre os setores mais prejudicados por uma tarifa desta magnitude estão o siderúrgico e a indústria de aviação – a Embraer e seus fornecedores, na opinião de professor da FGV Foto: divulgação


Por Aline Bronzati - Do alívio à perplexidade, a tarifa dos Estados Unidos contra o Brasil subiu do piso (10%) para o teto (50%), numa medida que, se não for revertida, ameaça riscar a maior economia do mundo do mapa de muitos exportadores. Os efeitos da taxação pesam nos ativos financeiros. As taxas de juros futuros e do câmbio subiram ontem e devem seguir nessa toada na sessão desta quinta-feira. A moeda à vista avançou 1,04% ontem, a R$ 5,5024, sendo o maior valor de fechamento desde 25 de junho (R$ 5,5551) e ultrapassando os R$ 5,50 pela primeira vez desde a mesma data. A ação também agrava a situação de processos de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) entre empresas brasileiras e americanas, que já vinham titubeando.

Menos mal que, mesmo sendo o segundo maior destino dos embarques brasileiros, os Estados Unidos não têm peso suficiente para levar sozinho a economia brasileira à recessão, de modo que o impacto no Produto Interno Bruto (PIB), ainda que não desprezível, deve passar longe de ser uma tragédia. Nas contas do Goldman Sachs, se forem “duradouras e sem grandes retaliações”, as novas tarifas de Trump podem ter impacto negativo de 0,3 a 0,4 ponto porcentual no PIB brasileiro. O cenário-base do banco americano já contempla efeito de 0,1 ponto porcentual.

É a vantagem de ter, nesses momentos, uma economia fechada. Mas o plano de empresas brasileiras de comprarem ou se fundirem com concorrentes americanas para tentar crescer nos Estados Unidos, e fugir das tarifas de Donald Trump. O ambiente de crescente incerteza tem feito as próprias companhias americanas postergarem negociações de fusão e aquisição e já há relatos de operações de brasileiras que foram paralisadas nos últimos dias.

Depois de ameaças, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% a produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, muito acima dos 10% anunciados meses antes. No primeiro anúncio do tarifaço, em 2 de abril, o sentimento entre exportadores brasileiros era de “dos males, o menor”. Havia até mesmo uma leitura de que o Brasil poderia tirar vantagem por ter ficado com a menor tarifa.

Muito além
Só que o cenário mudou radicalmente no dia seguinte, com Trump comunicando que o Brasil vai pagar a maior alíquota, o que impõe ao Brasil o desafio de buscar novos clientes quando o resto do mundo também procura destinos alternativos aos Estados Unidos. A imprevisibilidade já é a principal marca da política comercial americana, mas ainda assim o anúncio não deixou de surpreender, já que as apostas eram, em geral, de que Trump não elevaria a taxa de entrada dos produtos brasileiros para mais de 20%.

“É um grande aumento, porque a tarifa efetiva sobre o Brasil agora é de cerca de 8%. Então, aumentar de 8% para 50% parece assustador, enorme”, avaliou a economista-chefe de mercados emergentes da gestora VanEck, Natalia Gurushina, baseada em Nova York, em entrevista ao Broadcast.

Para o consultor Welber Barral, a tarifa de 50% deixa o Brasil praticamente de fora do mercado americano, já que os consumidores dificilmente aceitarão o repasse da elevação tarifária, exceção a produtos específicos e insubstituíveis. “Não tem como transferir isso para o preço, né? Então, a maioria [dos setores] vai ter um impacto grande na exportação”, comentou Barral.

O economista e professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas, diz que a tarifa de 50% a produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos carece de fundamento econômico e terá um impacto significativo sobre empresas exportadoras. “É uma medida que não tem fundamento econômico e, pela própria forma como foi veiculada, é um exercício de geopolítica imperial. Cita questões políticas, diz que o Supremo Tribunal Federal censura empresas, o que absolutamente não é verdade”, diz.

Segundo ele, entre os setores mais prejudicados por uma tarifa desta magnitude estão o siderúrgico e a indústria de aviação – a Embraer e seus fornecedores. “Os empresários do setor do aço não vão dormir esta noite. É um produto que já vinha perdendo competitividade”, acrescenta. O agronegócio também deve ser prejudicado pela tarifa de 50%, especialmente a venda de café e carnes.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a taxação de Trump inviabiliza o comércio de manufaturas com os Estados Unidos. As empresas, numa primeira reação à medida, devem suspender vendas aos Estados Unidos, até que se tenha uma definição sobre as tarifas. Conforme Castro, agora é a hora da diplomacia entrar em campo na tentativa de reversão.

Ramos, do Goldman Sachs, diz que a retaliação geraria um impacto negativo maior na atividade brasileira e na inflação, mas esse movimento ainda não está claro. “A inclinação política pode ser para fazê-lo, mas antecipamos que os exportadores locais instarão o governo a desescalar”, diz.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou há pouco que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.

Motivação política
A motivação política da taxação de Trump aos produtos brasileiros também repercutiu nos EUA, da política à economia. O CEO da consultoria Eurasia, Ian Bremmer, afirmou que os americanos estão interferindo na política interna do Brasil com a justificativa de que a alíquota responde aos ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na carta direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o republicano afirmou que a taxação é uma resposta ao tratamento dado pelo País ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas americanas de tecnologia. “Seria intolerável para os líderes políticos americanos (republicanos e democratas) se outro país tentasse isso nos Estados Unidos”, avaliou Bremmer, em seu perfil no ‘X’.

Já Paul Krugman, economista norte-americano, vencedor do Nobel de Economia de 2008, disse que a nova tacada de Trump é motivo para o impeachment do atual chefe da Casa Branca. “Se ainda tivéssemos uma democracia que funcionasse, essa jogada contra o Brasil seria, por si só, motivo para impeachment”, diz Krugman, em postagem, nesta quarta-feira. A medida é “tanto maligna quanto megalomaníaca” e não deve ser ignorada, conclui.

Reação no mercado
As empresas exportadoras devem novamente sofrer na sessão desta quinta-feira em reação ao anúncio de aumento de tarifas. Na véspera, Embraer, WEG, os frigoríficos e as petroleiras já experimentaram recuo no mercado acionário doméstico. Outras companhias, que têm os EUA como destino de seus produtos, também devem apresentar um desempenho ruim no pregão, como a Azzas e a Alpargatas, cuja expectativa é de queda de 7% e 4%, respectivamente, em seus resultados, de acordo com o Citi.

O alívio para o Ibovespa, principal índice da B3, pode vir das mineradoras nesta sessão, apesar do tarifaço imposto ao Brasil. Os papéis de Vale, Bradespar e CSN Mineração podem ter um dia positivo considerando a alta expressiva do minério de ferro no mercado futuro de Dalian, na China. A commodity subiu mais de 3% e fechou negociada em cerca de US$ 106. (Com Eduardo Laguna, Altamiro Silva Júnior e Gustavo Nicoletta, Ana Paula Machado e Silvana Rocha)


Direita viraliza nos grupos, e esquerda vincula o tarifaço de Trump ao bolsonarismo na web

 Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos EUA, Donald Trump10 de julho de 2025 | 17:36

Direita viraliza nos grupos, e esquerda vincula o tarifaço de Trump ao bolsonarismo na web

brasil

A narrativa da direita prevaleceu em mensagens virais no WhatsApp sobre a tarifa anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto a da esquerda predominou nas conversas orgânicas, que conseguiram vincular a medida ao bolsonarismo.

O resultado é de levantamento feito com exclusividade pela Palver a pedido do jornal Folha de S.Paulo. Foram coletadas mais de 20 mil mensagens sobre o tema de 100 mil grupos públicos de WhatsApp no período de três dias até esta quinta-feira (10).

“As pessoas estão reagindo mal às tarifas, e são justamente as mais do meio [nem petistas nem bolsonaristas] que estão fazendo a diferença”, diz Felipe Bailez, economista e CEO Palver. “Mais do que defender o Lula, estão atacando o Bolsonaro. Essa é a grande conclusão”.

Quase 60% das mensagens virais (encaminhadas com frequência e repetidas pelo mesmo usuário) são críticas a Lula. A narrativa da direita também ataca o STF (Supremo Tribunal Federal) e ao governo Lula (PT).

Um exemplo é uma mensagem que atribui a culpa pelas tarifas ao petista, que teria comparado Trump e Israel ao nazismo, e afirma que o ministro do STF Alexandre de Moraes emitiu ordens secretas contra Google, Meta e X, além de ter suspendido a rede social de Elon Musk.

Segundo Bailez, até a última quarta-feira (9), a direita estava comemorando a medida de Trump, não pela taxação, mas pelo reconhecimento de que o Brasil não seria uma democracia. Isso mudou, e a mensagem nesta quinta é apontar a culpa de Lula.

“Agora, a direita não tem uma coesão”, afirma ele. “O que eles estão fazendo é construir uma narrativa. Depois, vai aparecer um vídeo que provavelmente vai explodir, mas eles ainda não estão preparados para montar essa coesa narrativa.

Por outro lado, segundo a Palver, a maioria das conversas orgânicas (quando há interação entre usuários) esteve afinada com a narrativa da esquerda de ataque às tarifas e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou de defesa de Lula.

Uma das mensagens chama Trump de “laranjão” e afirma que, embora digam que ele não cumpre o que promete, ele o faz quando é para prejudicar o país alheio. Atribui ainda a um secretário do americano uma fala de que o Brasil seria o quintal dos Estados Unidos.

As mensagens de rejeição à tarifa e as críticas ao bolsonarismo circulam com tom irônico e confiante, mostra a análise. Além disso, a acusação de submissão dos bolsonaristas aos EUA tem apelo retórico e emocional, sendo frequentemente acompanhada de memes.

O relatório da Palver indica ainda que o discurso da soberania nacional e de defesa do país também foi apropriado com sucesso pela esquerda, deslocando o custo simbólico da tarifa para a oposição.

Bailez afirma que este é o retrato até o início da tarde desta quinta-feira. Segundo ele, ainda será preciso esperar para verificar se a narrativa que a direita está impulsionando pelas mensagens virais será incorporada nas conversas orgânicas.

“Isso vai mudar o tom da conversa, principalmente das pessoas de centro, porque quem é bolsonarista compra a mensagem bolsonarista, quem é petista compra a mensagem petista, e não muda. Vemos essas mudanças mais nas pessoas que estão no meio.”

Outro fator que pode influenciar o rumo da repercussão nas redes sociais é a reação de Lula. Qual será a resposta e como vai funcionar terá um impacto direto, segundo ele. “Mas vamos ter que esperar para ver”.

Arthur Guimarães de Oliveira/FolhapressPolitica livre

Lira mantém 10% de imposto para os mais ricos e expande a redução de IR para até R$ 7.350

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL)10 de julho de 2025 | 18:05

Lira mantém 10% de imposto para os mais ricos e expande a redução de IR para até R$ 7.350

economia

O projeto que lei que concede isenção de Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5.000 vai ao plenário da Câmara com a proposta de elevação da faixa de isenção parcial do tributo para quem ganha até R$ 7.350. O texto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propunha que esse valor fosse de R$ 7.000.

O relator do projeto na comissão especial criada para discutir a proposta, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), manteve a criação do imposto mínimo, que será cobrado de quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais (cerca de R$ 600 mil anuais) e também a alíquota de 10% para quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão.

Lira apresentou o relatório nesta quinta-feira (10) na comissão especial. Ele também manteve a cobrança de IR sobre lucros e dividendos pagos por empresas, inclusive a estrangeiros.

A medida é uma das que mais desagradam as empresas. Logo após a apresentação do relatório, a Abrasca, que representa companhias de capital aberto, divulgou nota lamentando a manutenção da tributação às empresas sediadas no exterior.

“Infelizmente, tal medida prejudica o investidor internacional que acredita no país e aumenta o risco de fuga de capitais”, diz nota da associação, que defende a exclusão total das pessoas jurídicas do texto.

Lira também incluiu no relatório a previsão de a União usar qualquer excedente de receita com o imposto mínimo como fonte de compensação para o cálculo da alíquota de referência da CBS (Contribuição de Bens e Serviços), criada pela reforma tributária para substituir o PIS/Cofins a partir de 2027.

O relatório apresentado nesta quinta prevê que depósitos de poupança, indenizações, pensões ou aposentadorias decorrentes de acidente de serviço ou doenças graves não integrem a base de cálculo de renda mínima para estar sujeito à nova tributação. Segundo o relator, a inclusão de rendas isentas na base de cálculo da tributação mínima acabaria derrubada no Judiciário.

Rubens Junior (PT-MA), presidente da comissão especial, disse que o texto apresentado na comissão mantém o princípio do projeto, que era a faixa de isenção e a neutralidade, ou seja, a renúncia e a entrada de receitas empatando.

A votação do relatório ficou para a próxima semana na comissão especial. No plenário, o texto deve ser analisado somente em agosto.

A apresentação do relatório ocorre após um adiamento relacionado à motivações políticas: o embate entre Congresso e governo Lula (PT) sobre o aumento de impostos aumentou as tensões entre os dois Poderes e tornou difícil o clima para votação. Lira decidiu aguardar para divulgar o texto, para evitar que o clima fosse contaminado.

Na terça-feira (8), ocorreu uma primeira reunião para distensionar o ambiente, com um encontro entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A cúpula do Congresso também deve encontrar Lula nos próximos dias.

O parecer não incluiu medidas compensatórias à derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e que se tornou alvo de disputa no STF (Supremo Tribunal Federal). Deputados chegaram a cogitar isso, mas desistiram para acelerar o projeto do imposto de renda, que é prioridade para o presidente Lula.

Fernanda Brigatti/Raphael Di Cunto/FolhapressPolitica Livre

Zema agora diz que tarifaço de Trump é uma medida errada e injusta

 Foto: Gil Leonardi/Agência Minas/Arquivo

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)10 de julho de 2025 | 18:35

Zema agora diz que tarifaço de Trump é uma medida errada e injusta

brasil

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira (10) as taxas de 50% ao Brasil anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Um dia após ter dito que a população pagaria a conta por ações do presidente Lula (PT) e do STF (Supremo Tribunal Federal), Zema classificou a decisão de Trump, que avaliou como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo e ao encontro dos Brics, como um erro.

“Esses erros e essas injustiças não devem ser consertados com mais injustiças e erros. A taxação imposta pelo presidente Trump a produtos brasileiros é uma medida errada e injusta. Ela precisa ser revista”, afirmou Zema nas redes sociais.

O governador, que já se coloca como presidenciável para 2026, defendeu novamente Bolsonaro, disse que o STF “já passou dos limites” e afirmou que há tentativas, por parte do governo Lula, de censurar a oposição ao petista nas redes, mas acrescentou que isso não pode prejudicar a população.

“Defender a liberdade não pode significar atacar quem trabalha e quem produz no Brasil”, disse ele.

Na noite de quarta (9), Zema foi o primeiro entre os quatro governadores apontados como presidenciáveis a se manifestar sobre o anúncio de Trump, que citou Bolsonaro na justificativa dada a Lula para aplicar as taxas.

“As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia, promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, disse ele, sem outros comentários sobre as taxas.

Dos outros três, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) focaram as críticas na reunião dos Brics no Rio de Janeiro, no início desta semana, enquanto Ratinho Jr. (PSD-PR) não fez menções diretas à taxação, mas sim uma postagem dizendo ser contra a polarização na política.

Juliana Arreguy/FolhapressPolitica livre

Gilmar Mendes diz que Brasil vive capítulo inédito da ‘resistência democrática’ após ataque de Trump

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF10 de julho de 2025 | 21:15

Gilmar Mendes diz que Brasil vive capítulo inédito da ‘resistência democrática’ após ataque de Trump

brasil

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes defendeu na noite desta quinta-feira, 10, a atuação da Suprema Corte e disse que o Brasil representa um capítulo inédito “na história da resistência democrática”.

O ministrou publicou nota nas redes sociais um dia depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras e exigir o encerramento da ação que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de orquestrar golpe de Estado após ser derrotado na eleição de 2022.

Para Mendes, as decisões judiciais no Estado democrático de direito são respostas “aos riscos factuais de violação da ordem jurídica”.

Na carta que anunciou a tarifa contra o Brasil, Trump disse que Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” e que o STF emitiu “centenas de ordens de censura” contra plataformas de mídia social dos Estados Unidos e as ameaçou com multas milionárias e a possibilidade de expulsá-las do País.

Ele defendeu as ações do STF argumentando que nenhuma outra democracia contemporânea enfrentou ataques aos Três Poderes como ocorreu no Brasil.

“O que nenhuma outra democracia contemporânea enfrentou: uma tentativa de golpe de Estado em plena luz do dia, orquestrada e planejada por grupos extremistas que se valeram indevidamente da imunidade irrestrita das redes sociais”, escreveu o ministro no X.

Ele também afirmou que nenhum outro parlamento nacional presenciou “uma campanha colossal de desinformação” das empresas de tecnologia, que “com mentiras e narrativas alarmistas, sabotaram o debate democrático sobre modernização dos marcos regulatórios”.

Mendes afirmou ainda que nenhuma outra Suprema Corte no mundo sofreu “ataques tão virulentos à honra de seus magistrados”, incluindo planos de assassinato “arquitetados por facções de grupos eleitorais derrotados”.

Segundo o ministro do STF, essas singularidades definem o momento histórico da democracia brasileira.

“Quando a defesa irredutível de preceitos constitucionais se transforma em imperativo civilizatório diante de forças que ameaçam não apenas as instituições nacionais, mas o próprio conceito de Estado de Direito no século XXI. O que se escreve no Brasil hoje é um verdadeiro capítulo inédito na história da resistência democrática”, concluiu Gilmar Mendes.

Ele se soma ao ministro Flávio Dino, que na quarta-feira disse considerar uma honra integrar o STF, Corte que na visão dele exerce “com seriedade” a função de proteger “a soberania nacional, a democracia, os direitos e as liberdades”.

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, combinou com Lula que os integrantes do tribunal não se manifestariam sobre o caso e que a defesa contra as críticas do governo americano ficaria sob responsabilidade do Itamaraty.

Pedro Augusto Figueiredo/EstadãoPolitica Livre

Em destaque

UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês

  UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês Por  Redação 31/01/2026 às 09:51 Foto: Divulgação O pr...

Mais visitadas