domingo, junho 01, 2025

Atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA preocupa ala bolsonarista

 Foto: Reprodução/@jairbolsonaro no X/Arquivo

Jair e Eduardo Bolsonaro posam ao lado de Marco Rubio em novembro de 2024, dois meses antes de ele se tornar secretário de Estado dos EUA01 de junho de 2025 | 08:13

Atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA preocupa ala bolsonarista

brasil

Uma ala do bolsonarismo relata preocupação com a atuação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, buscando sanções do governo americano ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Pessoas ouvidas pelo Painel avaliam serem legítimas as atitudes de Eduardo para defender o pai, Jair Bolsonaro, mas se dizem apreensivas de que um tensionamento excessivo com o Supremo possa “sair pela culatra” e acabar prejudicando o próprio bolsonarismo e a direita no Brasil.

Na visão de um desses aliados, o filho do ex-presidente está “cutucando o leão com vara curta” e “jogando o Brasil contra os EUA”, com consequências ainda imprevisíveis.

Outro considera que os ataques podem unir ministros divergentes da corte em nome do corporativismo e aumentar o que chama de perseguição. Ele acha, porém, que o espírito de vingança já está consolidado no STF independentemente das ações de Eduardo.

Há, também, aliados bolsonaristas que acreditam que uma eventual reação mais forte do STF, causada por reprimendas do governo americano, acabará fortalecendo a direita.

Na última quarta (28), a gestão Donald Trump anunciou que vai restringir vistos a estrangeiros que tenha censurado empresas ou cidadãos americanos, segundo sua avaliação. A medida pode atingir Moraes, que suspendeu a plataforma de vídeos Rumble no Brasil em fevereiro alegando descumprimento de ordens judiciais.

Júlia Barbon, FolhapressPoliticaLivre

Revoltado, o governador responde às críticas dos americanos a Brasília


As Flores e Cores dos Ipês – Ambiência Brasília

Brasília festeja a floração prematura dos ipês roxos

Vicente Limongi Netto

O governador Ibaneis Rocha respondeu firme e forte, com serenidade, aos arrogantes e petulantes alertas da Embaixada dos Estados Unidos aos norte-americanos que visitem Brasília,

cidades-satélites do Distrito Federal, como Ceilândia, Paranoá e São Sebastião.

Ibaneis retrucou, com estatísticas, as açodadas acusações da embaixada, observando que, por sua vez, voltou estarrecido, há pouco de Nova Iorque, com o excesso de sujeira e batalhão de ratos nas ruas e parques da cidade. Acentuou Ibaneis que outras cidades americanas também não são flor que se cheire, em termos de limpeza, racismo e segurança.

TOUR PELA PERIFERIA – Ibaneis convidou americanos a visitarem as cidades acusadas de perigosas, para constatarem que a realidade é diferente da destemperada, injusta e inconsequente nota da embaixada.

Creio, nessa linha, que a nota desagregadora da embaixada faz parte da escalada do secretário de Trump para a America  Latina, dentro do arranca rabo com autoridades brasileiras, sobretudo com o inatacável ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Provocação tola que ainda vai render muito. Novos capítulos da série de infâmias, dos dois lados, virão fazer parte do forte frio brasileiro. 

IPÊS NA CAPITAL– Em pleno outono, com a temperatura despencando, a chegada dos ipês coloridos deixa Brasília mais alegre e amorosa. O ipê roxo abre a temporada, como mostrou o Correio Braziliense na edição desta sexta-feira, dia 30). 

Os pés de ipês são recheados de dignidade. O roxo alimenta esperanças. Suas folhagens saúdam o amanhecer. O aroma dos ipês tem a pureza dos sentimentos. Embalam o cotidiano e embelezam o sol.

Quando as folhas começam a cair, os ipês partem para nova missão: juntam-se ao barro para semear a vida eterna.

VOZ DE VELUDO – O suave dublê de cantor e ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, o cantor que empolga multidões em festas e batizados, chamou seus críticos de “incultos”.

Barroso adora elogios, odeia críticas. Cantou em coquetel de grupo empresarial com ação em andamento na Suprema Corte. O cantor Barroso acha isso certo? Onde está a compostura do cargo que exerce?

O sonho de Barroso é cantar no Vaticano. Lá tem certeza que ganhará elogios dos anjos e santos. Os brasileiros que se iFood (empresa pendurada no STF).  Não se faz mais ministro como antigamente.

 

 

 

Vicente Limongi Netto

Os Três Poderes mergulharam o país num impasse e não tentam resolvê-lo


Informação Contábil: A Ineficiência do Gasto Público Federal

Charge do Paixão (Arquivo Google)

Roberto Nascimento        

No tatame da política, o governo está apanhando de figuras menores do Congresso que ajudou a eleger, como os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Mas o presidente Lula da Silva também carrega muita culpa, porque viajou ao Japão levando os dois e perdeu horas de conversas tentando convencê-los a apoiar projetos do interesse do governo.

Lula se acertou com eles para aprovar o projeto do IOF. Surgiram as primeiras críticas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não conseguiu respondê-las. Lula então faz uma bobagem e baixa um decreto, ao invés de assinar uma medida provisória para ser debatida no Congresso.

TUDO MUDA – De uma hora para outra tudo muda. A palavra correta é refém, pois Lula se tornou prisioneiro do Congresso e não tem como costurar novo acordo com Motta e Alcolumbre. Assim, ao mesmo tempo, o país ficou refém dos três Poderes.

Em meio a essa confusão, existe uma espécie de consenso na opinião pública, que inclui o famoso e obscuro mercado, a Faria Lima e o resto, no sentido de que é preciso haver um enxugamento de gastos, que propicie investimentos destinados a ganhos de produtividade para moldar um crescimento real e sustentado, sem maquiagens e apliques.

O problema resulta da falta de disponibilidade dos Três Poderes para reduzirem suas despesas. Todos querem gastar a rodo. O Congresso não abre mão de uma fatia dos famosos 50 bilhões de reais em emendas parlamentares destinadas aos municípios, que eram secretas e até agora não ganharam a devida transparência.

MAIS GASTOS – Da mesma forma, o governo não abre mão de parte de seus gastos, porque caminhamos para eleições no ano que vem e é preciso amparar os mais pobres para receber votos em troca.

E Judiciário não abre mão de seus criativos penduricalhos, destinados aos juízes de Norte a Sul do Brasil, enquanto os tribunais diminuem a carga horária com o home office da pandemia que não acaba nunca, e até os julgamentos passaram a ser virtuais.

Os salários do serviço público foram para as alturas, incluindo dos militares, dividindo o país entre funcionários ricos e trabalhadores pobres, tentando conviver a riqueza total e a miséria absoluta, e isso não dá certo em lugar algum.

ARMADILHA FATAL – O resultado dessa explosiva mistura de despreparo administrativo, político e econômico indica que caminhamos para um impasse. A situação é mais do que conhecida, mas a imensa maioria dos brasileiros se comporta como se estivesse tudo bem, embora estejamos sentados em cima de uma bomba-relógio chamada dívida pública.

O déficit é crônico e aumenta a cada ano. O mais incrível é que o assunto é tratado sem que lhe seja atribuída a devida importância. Não há uma busca coordenada por soluções.

Enfim, o Brasil está numa armadilha, na qual caiu por leniência dos Três Poderes, que agora nem se interessam em encontrar uma maneira de sair disso com um mínimo de danos. Às vezes, tenho vontade de nunca mais votar.

O governo, que controlava as CPIs, agora terá problemas com as fraudes da Previdência

Publicado em 31 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

title Lularápio e a CPI do INSS Apoie minhas charges pelo pix emeoliv@gmail.com

Charge do Emerson (emeoliv@gmail.com)

Marcus André Melo
Folha

Até 2014, as CPIs estiveram majoritariamente sob controle do Executivo. A formação de coalizões tem tido um duplo papel: garantir apoio parlamentar à agenda do governo e fornecer um escudo legislativo em relação à oposição, especialmente em relação ao impeachment e ações com potencial de gerar elevados custos políticos, como as CPIs.

Nesse contexto, o Executivo atua para impedir sua instalação ou, não conseguindo, dificultar seu funcionamento efetivo.

DIZEM OS NÚMEROS – Para todo o período 1946/2015, apenas 5% das CPIs propostas foram barradas, e 32% das que foram instaladas chegaram à conclusão. Mas há dois subperíodos contrastantes.

Entre 1946 e 1964, das 169 CPIs propostas, 95% foram instaladas e 60% dessas concluíram seus trabalhos. Na Nova República (1990-2015), o percentual de instaladas foi de 25% e apenas 49 concluíram os trabalhos. No Senado, das 47 CPIs propostas nesse período, 28 foram instaladas, e apenas 17 concluídas. O auge do controle pelo Executivo foi no período 2002 a 2010, quando a taxa de conclusão foi de pífios 12%. A proporcionalidade partidária, e o controle das relatorias e presidências, —e também corrupção— garantiram que governos majoritários e alta popularidade controlassem os trabalhos.

TUDO COMBINADO – Na CPMI da Petrobras (2014), foi divulgado um vídeo sobre o ensaio encenado entre parlamentares da base aliada e depoentes envolvidos em irregularidades. As perguntas já estavam combinadas, as respostas roteirizadas —um “gabarito” teria sido entregue à própria CEO da Petrobras.

O relator Marcos Maia (PT) apresentou um relatório preliminar sem indiciar ninguém. Na CPI da Petrobrás na Câmara (2015), presidida por Hugo Motta (PMDB), o relator Luiz Sérgio (PT) não indiciou nenhum parlamentar, apenas nomes já investigados ou encarcerados.

A exceção foi o mensalão, quando o governo perdeu o controle. A CPI do Mensalão, presidida por Amir Lando (PMDB) e relatada por Abi Ackel (PP), não concluiu os trabalhos e o relatório não foi votado. Foi obstruída pelo governismo e especialmente pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, não logrando quórum.

IMPACTO COLOSSAL – A CPI dos Correios, no entanto, presidida por Delcídio do Amaral (PT) e relatada por Osmar Serraglio (PMDB), foi bombardeada pelo governo na CCJ, onde parlamentares não alinhados foram substituídos, teve impacto colossal.

Segundo reportagem de Kennedy Alencar, o governo negociou com os líderes R$ 400 milhões (cerca de RS 1.2 bilhões) em emendas orçamentárias para aliciar deputados. “Em reunião ontem com Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fechou com a estratégia para tentar sepultar a CPI dos Correios”.

NOVO PADRÃO – Havia outro ator no jogo, o STF. Mas esta estratégia não funcionará para Lula 3. Porque o padrão mudou, inclusive em um ponto mais crítico.

A decisão do ministro Celso de Mello, do STF, em 2007, e referendada pelo ministro Luís Roberto Barroso, no contexto da CPI da Covid-19, em 2021, estabeleceu jurisprudência de que as CPIs são instrumentos da minoria, e não podem ser barradas por maiorias parlamentares.

Esse precedente assegurou a instalação da CPI do INSS. O Executivo perdeu com as medidas provisórias, com o orçamento impositivo e agora também vê seu escudo legislativo ruir.

Pesquisa mostra que somente 40,6% acreditam que Lula possa ser reeleito


Queda de popularidade de Lula surpreende o Planalto, que ...

Sem ter substituto, Lula tentará se reeleger aos 81 anos

Da CNN

Um levantamento divulgado pela AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mostrou um cenário desafiador para o atual governo. De acordo com o levantamento, 53,4% dos entrevistados não acreditam que Lula (PT) conseguirá se reeleger para um novo mandato presidencial. Por outro lado, 40,6% dos participantes acreditam na possibilidade de reeleição, enquanto 6% não souberam responder.

A pesquisa, que ouviu 1.629 pessoas entre os dias 27 e 29 de maio, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

O alto índice de descrença na reeleição de Lula dialoga diretamente com uma taxa de desaprovação elevada do atual governo. Além disso, os percentuais se alinham com o desempenho dos candidatos de direita melhor posicionados em um eventual segundo turno.

DESCRENÇA – Um ponto interessante destacado na análise feita no GPS CNN é o baixo percentual (40,6%) daqueles que acreditam na reeleição de Lula. Esse número sugere que, dentro do próprio campo lulista, há um certo pessimismo quanto às chances de vitória nas próximas eleições.

O cenário atual levanta questionamentos sobre a competitividade de Lula nesta altura do mandato. Mesmo com índices de aprovação em melhora, há pouca visibilidade de uma saída clara para recuperar esses números e, consequentemente, melhorar as chances na eleição.

À medida que o tempo passa e a eleição se aproxima, observa-se que a pauta positiva para o governo tem demorado a chegar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Há quem diga que há dúvidas sobre a candidatura de Lula no próprio PT, mas é conversa fiada. Lula sabe que o PT não tem candidato para substituí-lo, até porque ele sempre embarreirou qualquer liderança que pudesse despontar no partido, que agora não tem Plano B nem futuro, deixando na História Republicana um capítulo populista e marcado pela corrupção institucionalizada. E como não dá para piorar, vamos torcer para que as coisas melhorem(C.N.)

O mais bolsonarista dos comandantes foi decisivo para neutralizar o golpe


O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.

Baptista apoiava o golpe, se houvesse fraude eleitoral

Marcelo Godoy

Era 12 de julho de 2019 quando o Estado-Maior do Exército baixou normas sobre o uso de redes sociais pelos militares da ativa. As manifestações e as contas se haviam multiplicado, com oficiais superiores e generais aplaudindo o governo de Jair Bolsonaro e criticando a oposição. Até sargentos participavam de lives com “reivindicações”.

E entre um dos mais ativos influencers estava um brigadeiro: Carlos de Almeida Baptista Junior, então chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa.

CONTA NO X – O brigadeiro abrira uma conta no antigo Twitter em janeiro de 2019. Ele despertava entusiasmo no entourage de Bolsonaro pela sua adesão ao governo, principalmente entre o grupo que gravitava em torno do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Não era para menos. Em seis meses de atividade frenética na rede social, o brigadeiro – um militar da ativa – publicara 42 tuítes marcadamente políticos, o que fez dele o recordista entre 20 contas mantidas por militares analisadas pelo Estadão.

Havia ali de tudo, desde o compartilhamento de publicações de deputados governistas, do presidente Bolsonaro e até do blogueiro Allan dos Santos. Havia ainda críticas a jornalistas profissionais, acusados de ignorância ou esquerdismo, e a qualquer um que ousasse criticar o então presidente.

SEM OS VÍCIOS – Em 31 de janeiro de 2019, ele tuitara: “Para que o governo de @jairbolsonaro lidere a reconstrução do #Brasil, um novo #Congresso deverá ser instalado amanhã, sem os vícios da velha política. Acreditamos em vocês.” E marcou na mensagem: “#Senado#Camara @CarlosBolsonaro @planalto #OPovoNoPoder“.

Enquanto o Forte Apache tentava coibir as manifestações públicas mais nefastas da contaminação política que tomou conta dos quartéis naquele período, o brigadeiro prosseguia com suas publicações.

O que o Exército procurava deter era um movimento cujo impulso decisivo havia sido o tuíte do general Villas Bôas, então comandante da Força, de 3 de abril de 2018, por meio do qual ele pressionou o STF contra a concessão de habeas corpus à Lula, então condenado no âmbito da Operação Lava Jato.

PERFIS MILITARES – Se o chefe Villas Bôas podia fazer, os demais sentiram-se livres a seguir seu caminho. Mesmo depois da medida, uma análise feita nas contas do então Twitter de militares seguidas por Villas Bôas e nas destes oficiais encontrou 115 integrantes da ativa que fizeram 3.427 tuítes de caráter político-partidário entre abril de 2018 e abril de 2020.

As publicações estavam nos perfis mantidos por 82 integrantes das Forças Armadas, entre os quais 23 oficiais-generais – 19 generais, dois almirantes e dois brigadeiros. E lá estava mais uma vez Baptista Junior.

Em 2021, durante a crise que derrubou ao mesmo tempo os comandantes das três Forças, o pai do brigadeiro, o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista confidenciou ao coronel Lúcio Wandeck que o filho seria o novo chefe da Aeronáutica. Era natural. Desde a campanha eleitoral de 2018, o velho Baptista criara relações com Bolsonaro, sugerindo, inclusive, a recriação do Serviço Nacional de Informações (SNI).

CAINDO A FICHA – No entanto, vida no governo foi tornando as coisas mais claras para o comandante Baptista Junior. As bandeiras de moralização da vida pública foram deixadas de lado. Escândalos se sucediam com a mesma velocidade que Bolsonaro alienava aliados e se lançava nos braços do Centrão: da rachadinha, aos pastores das barras de ouro da Educação, tudo parecia se resumir às ambições pessoais desmedidas de pessoas desqualificadas para as funções.

Baptista Júnior então se convenceu que o maior serviço que os militares podem prestar ao País era permanecer fiéis a si mesmos, em silêncio e com coragem, à maneira militar. Diante das investidas de Bolsonaro e de seus generais palacianos contra as urnas eletrônicas, ele sabia que teria de em breve estar diante de uma hora adversa, aquela que define como cada um será conhecido na história. Esse momento chegou.

Primeiro, quando o brigadeiro disse ao general Augusto Heleno, em um voo para Brasília: “Eu e a Força Aérea, por unanimidade do Alto-Comando da Aeronáutica, não vamos apoiar qualquer ruptura neste País. Se alguém for bancar isso, saiba quais são as consequências.”

AVISOU BOLSONARO – Ele repetiu o gesto para o presidente Bolsonaro. “Eu falei com o presidente Bolsonaro: aconteça o que acontecer, no dia 1º de janeiro o senhor não será presidente.” E foi enfático com o então ministro da defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, que buscou lhe entregar a cópia de um plano para golpe.

O brigadeiro perguntou se o documento estabelecia a “não assunção do 1.º de janeiro do presidente eleito”. Diante do silêncio do ministro, o brigadeiro disse: “Não admito sequer receber esse documento, não ficaria aqui.” Contou que levantou de mesa e saiu da sala. Naquela guerra, ele não perdeu de vista, como disse, o objetivo político.

Atraiu para si e para sua família, a fúria dos golpistas. “Senta o pau no Batista Júnior. Povo sofrendo, arbitrariedades sendo feitas e ele fechado nas mordomias, negociando favores. Traidor da pátria. Daí para frente. Inferniza a vida dele e da família”, escreveu o general Braga Netto para um dos conspiradores em mensagem obtida pela PF.

EVITAR O GOLPE – Isso é o que todos já sabem em razão do depoimento do brigadeiro no STF. O que poucos sabem é que Baptista Junior agiu para evitar o golpe. E não foi apenas batendo a porta da FAB na cara dos golpistas. O militar é apontado como a origem do vazamento da nota conjunta dos Comandantes antes de ser publicada, nas qual as três Forças condenavam manifestações e restrições de direitos.

Foi ele ainda, segundo a coluna apurou, o responsável por vazar a informação de que os comandantes das Forças pretendiam entregar os cargos antes do fim do governo Bolsonaro para não se submeterem, ainda que brevemente, ao governo Lula. O vazamento acabou frustrando a iniciativa, que tinha no almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, o principal defensor.

Baptista Júnior havia então convivido tempo demais no governo para entender o que estava por trás de toda aquela azáfama, conforme escreveu em 2024, em suas redes sociais, após a Operação Tempus Veritatis, da PF: “A ambição derrota o caráter dos fracos. Aliás, revela’. Já tendo passado dos 60 anos, não tenho mais o direito de me iludir com o ser humano, nem mesmo aqueles que julgava amigos e foram derrotados pelas suas ambições.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Faltam ser contadas as reuniões dos Comandos do Exército e da Marinha. Como se sabe, golpe militar sem apoio do Alto Comando do Exército simplesmente não  acontece. Em 1964, quando o general Olympio Mourão Filho sublevou a pequena tropa de Juiz de Fora, iniciando a revolta, o Alto Comando do Exército já estava a favor e o golpe foi dado sem disparar um tiro. Desta vez, 99% dos militares eram a favor, se houvesse fraude na eleição. Como não ficou comprovada a irregularidade, o apoio caiu para cerca de 35%. E isso ainda precisa ser contado. (C.N.)

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