domingo, junho 01, 2025

O mais bolsonarista dos comandantes foi decisivo para neutralizar o golpe


O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.

Baptista apoiava o golpe, se houvesse fraude eleitoral

Marcelo Godoy

Era 12 de julho de 2019 quando o Estado-Maior do Exército baixou normas sobre o uso de redes sociais pelos militares da ativa. As manifestações e as contas se haviam multiplicado, com oficiais superiores e generais aplaudindo o governo de Jair Bolsonaro e criticando a oposição. Até sargentos participavam de lives com “reivindicações”.

E entre um dos mais ativos influencers estava um brigadeiro: Carlos de Almeida Baptista Junior, então chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa.

CONTA NO X – O brigadeiro abrira uma conta no antigo Twitter em janeiro de 2019. Ele despertava entusiasmo no entourage de Bolsonaro pela sua adesão ao governo, principalmente entre o grupo que gravitava em torno do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Não era para menos. Em seis meses de atividade frenética na rede social, o brigadeiro – um militar da ativa – publicara 42 tuítes marcadamente políticos, o que fez dele o recordista entre 20 contas mantidas por militares analisadas pelo Estadão.

Havia ali de tudo, desde o compartilhamento de publicações de deputados governistas, do presidente Bolsonaro e até do blogueiro Allan dos Santos. Havia ainda críticas a jornalistas profissionais, acusados de ignorância ou esquerdismo, e a qualquer um que ousasse criticar o então presidente.

SEM OS VÍCIOS – Em 31 de janeiro de 2019, ele tuitara: “Para que o governo de @jairbolsonaro lidere a reconstrução do #Brasil, um novo #Congresso deverá ser instalado amanhã, sem os vícios da velha política. Acreditamos em vocês.” E marcou na mensagem: “#Senado#Camara @CarlosBolsonaro @planalto #OPovoNoPoder“.

Enquanto o Forte Apache tentava coibir as manifestações públicas mais nefastas da contaminação política que tomou conta dos quartéis naquele período, o brigadeiro prosseguia com suas publicações.

O que o Exército procurava deter era um movimento cujo impulso decisivo havia sido o tuíte do general Villas Bôas, então comandante da Força, de 3 de abril de 2018, por meio do qual ele pressionou o STF contra a concessão de habeas corpus à Lula, então condenado no âmbito da Operação Lava Jato.

PERFIS MILITARES – Se o chefe Villas Bôas podia fazer, os demais sentiram-se livres a seguir seu caminho. Mesmo depois da medida, uma análise feita nas contas do então Twitter de militares seguidas por Villas Bôas e nas destes oficiais encontrou 115 integrantes da ativa que fizeram 3.427 tuítes de caráter político-partidário entre abril de 2018 e abril de 2020.

As publicações estavam nos perfis mantidos por 82 integrantes das Forças Armadas, entre os quais 23 oficiais-generais – 19 generais, dois almirantes e dois brigadeiros. E lá estava mais uma vez Baptista Junior.

Em 2021, durante a crise que derrubou ao mesmo tempo os comandantes das três Forças, o pai do brigadeiro, o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista confidenciou ao coronel Lúcio Wandeck que o filho seria o novo chefe da Aeronáutica. Era natural. Desde a campanha eleitoral de 2018, o velho Baptista criara relações com Bolsonaro, sugerindo, inclusive, a recriação do Serviço Nacional de Informações (SNI).

CAINDO A FICHA – No entanto, vida no governo foi tornando as coisas mais claras para o comandante Baptista Junior. As bandeiras de moralização da vida pública foram deixadas de lado. Escândalos se sucediam com a mesma velocidade que Bolsonaro alienava aliados e se lançava nos braços do Centrão: da rachadinha, aos pastores das barras de ouro da Educação, tudo parecia se resumir às ambições pessoais desmedidas de pessoas desqualificadas para as funções.

Baptista Júnior então se convenceu que o maior serviço que os militares podem prestar ao País era permanecer fiéis a si mesmos, em silêncio e com coragem, à maneira militar. Diante das investidas de Bolsonaro e de seus generais palacianos contra as urnas eletrônicas, ele sabia que teria de em breve estar diante de uma hora adversa, aquela que define como cada um será conhecido na história. Esse momento chegou.

Primeiro, quando o brigadeiro disse ao general Augusto Heleno, em um voo para Brasília: “Eu e a Força Aérea, por unanimidade do Alto-Comando da Aeronáutica, não vamos apoiar qualquer ruptura neste País. Se alguém for bancar isso, saiba quais são as consequências.”

AVISOU BOLSONARO – Ele repetiu o gesto para o presidente Bolsonaro. “Eu falei com o presidente Bolsonaro: aconteça o que acontecer, no dia 1º de janeiro o senhor não será presidente.” E foi enfático com o então ministro da defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, que buscou lhe entregar a cópia de um plano para golpe.

O brigadeiro perguntou se o documento estabelecia a “não assunção do 1.º de janeiro do presidente eleito”. Diante do silêncio do ministro, o brigadeiro disse: “Não admito sequer receber esse documento, não ficaria aqui.” Contou que levantou de mesa e saiu da sala. Naquela guerra, ele não perdeu de vista, como disse, o objetivo político.

Atraiu para si e para sua família, a fúria dos golpistas. “Senta o pau no Batista Júnior. Povo sofrendo, arbitrariedades sendo feitas e ele fechado nas mordomias, negociando favores. Traidor da pátria. Daí para frente. Inferniza a vida dele e da família”, escreveu o general Braga Netto para um dos conspiradores em mensagem obtida pela PF.

EVITAR O GOLPE – Isso é o que todos já sabem em razão do depoimento do brigadeiro no STF. O que poucos sabem é que Baptista Junior agiu para evitar o golpe. E não foi apenas batendo a porta da FAB na cara dos golpistas. O militar é apontado como a origem do vazamento da nota conjunta dos Comandantes antes de ser publicada, nas qual as três Forças condenavam manifestações e restrições de direitos.

Foi ele ainda, segundo a coluna apurou, o responsável por vazar a informação de que os comandantes das Forças pretendiam entregar os cargos antes do fim do governo Bolsonaro para não se submeterem, ainda que brevemente, ao governo Lula. O vazamento acabou frustrando a iniciativa, que tinha no almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, o principal defensor.

Baptista Júnior havia então convivido tempo demais no governo para entender o que estava por trás de toda aquela azáfama, conforme escreveu em 2024, em suas redes sociais, após a Operação Tempus Veritatis, da PF: “A ambição derrota o caráter dos fracos. Aliás, revela’. Já tendo passado dos 60 anos, não tenho mais o direito de me iludir com o ser humano, nem mesmo aqueles que julgava amigos e foram derrotados pelas suas ambições.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Faltam ser contadas as reuniões dos Comandos do Exército e da Marinha. Como se sabe, golpe militar sem apoio do Alto Comando do Exército simplesmente não  acontece. Em 1964, quando o general Olympio Mourão Filho sublevou a pequena tropa de Juiz de Fora, iniciando a revolta, o Alto Comando do Exército já estava a favor e o golpe foi dado sem disparar um tiro. Desta vez, 99% dos militares eram a favor, se houvesse fraude na eleição. Como não ficou comprovada a irregularidade, o apoio caiu para cerca de 35%. E isso ainda precisa ser contado. (C.N.)

sábado, maio 31, 2025

A origem de Jeremoabo

A origem de Jeremoabo

https://www.agendha.org/sobrejeremoabo




Ofício americano ao Brasil diz que ordens de Moraes não têm efeito nos EUA

Publicado em 31 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Um homem com cabeça calva e expressão séria está sentado em um ambiente formal. Ele usa um terno escuro e uma gravata azul clara. Ao fundo, há uma tapeçaria detalhada com figuras e cenas históricas, incluindo pessoas e animais. A iluminação é suave, destacando a figura do homem.

Moraes parece que faltou às aulas de Direito Internacional

Julia Chaib
Folha

O governo Donald Trump, por meio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal de Justiça), que quatro ordens proferidas pelo magistrado contra a rede Rumble não têm efeito em solo americano.

Para que elas pudessem valer, disse o órgão, o magistrado precisaria ter ingressado com uma ação em um tribunal dos EUA ou ter recorrido a canais legais.

DEU NO NY TIMES – A informação consta de documento encaminhado a Moraes, com cópia ao Ministério da Justiça do governo Lula (PT), ao qual a Folha teve acesso. A notícia sobre a carta foi revelada pelo jornal The New York Times.

“Não tomamos posição sobre a aplicabilidade das várias ordens e outros documentos judiciais que direcionam a Rumble a agir dentro do território do Brasil, o que é uma questão de lei brasileira”, diz a carta.

“No entanto, na medida em que esses documentos direcionam a Rumble a realizar ações específicas nos Estados Unidos, respeitosamente informamos que tais diretrizes não são ordens judiciais executáveis nos Estados Unidos”, afirma o texto, assinado por Ada Bosque, diretora no escritório para Assistência Judicial Internacional da Divisão Civil do departamento.

EM ANÁLISE – O Ministério da Justiça confirmou ter recebido a carta na terça-feira (27) e a encaminhado nesta sexta (30) ao setor responsável pela análise.

O órgão do governo dos EUA afirma que a carta foi motivada por informações prestadas pelo Rumble, plataforma popular entre influenciadores da direita. A empresa relatou ao departamento ter sido alvo de quatro ações judiciais em fevereiro, nas quais Moraes determinou o bloqueio de contas de um indivíduo (que seria o bolsonarista Allan dos Santos) e que suspendesse o repasse de verbas a ele.

“Essas supostas diretrizes são emitidas sob ameaça de penalidades monetárias e outras sanções”, diz o documento.

AULA DE DIREITO – “De acordo com o Direito Internacional consuetudinário, um ‘Estado não pode exercer jurisdição para executar no território de outro Estado sem o consentimento deste outro Estado’”, diz.

Em seguida, a carta informa que, para executar a sentença, “a pessoa que busca a execução geralmente precisaria iniciar processo judicial nos EUA”.

“O tribunal dos EUA aplicaria a lei aplicável e determinaria se deve ou não conceder a medida solicitada contra uma parte sobre a qual tenha jurisdição. A legislação dos EUA prevê várias bases para a não homologação, que podem incluir a ausência de devido processo legal ou incompatibilidade com as leis norte-americanas que protegem a liberdade de expressão. As ordens judiciais brasileiras não são executáveis nos Estados Unidos sem o reconhecimento e o trâmite de execução bem-sucedidos naquele país”, continua.

TUDO ERRADO – O departamento ainda afirma que para que o ministro determine ações do Rumble no território brasileiro, o magistrado precisa enviar suas ordens para canais específicos previstos no direito internacional.

Cita os canais de Autoridade Central em acordos multilaterais, como o Tratado de Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal (MLAT) e as convenções de Haia, para a solicitação e execução de documentos ou provas. Por fim, o departamento conclui a carta se colocando à disposição para prestar mais informações.

O Departamento de Justiça não respondeu a pedido da reportagem por comentários sobre a carta. O Ministério da Justiça confirmou à Folha o recebimento do documento.

DECISÕES ILEGAIS – O advogado do Rumble, Martin de Luca, a quem a carta também foi encaminhada, afirmou que o documento reforça que as decisões de Moraes contra a plataforma são ilegais.

“As ações do ministro distorcem as práticas do Judiciário brasileiro”, disse De Luca. O advogado ainda apontou o que vê como equívocos do governo brasileiro de atrelar as medidas do governo americano direcionadas a Moraes como ataques à soberania do país.

“É inadmissível que o governo brasileiro, na tentativa de evitar sanções ao ministro, foquem no argumento de que ele age contra ameaças à democracia, ao invés de lidar com o problema real, que são as ações ilegais do ministro”, avaliou. Além das decisões contra o Rumble, no ano passado Moraes chegou a suspender o X (ex-Twitter), de Elon Musk, que integrou a gestão Trump e anunciou sua saída na quarta-feira (28).

VISTOS SUSPENSOS – A revelação sobre a carta surge em meio à decisão do governo Trump de suspender vistos a quem a gestão considerar que censurou empresas e cidadãos americanos. Bolsonaristas e até alvos de determinações do ministro dizem acreditar que ele seria afetado pela iniciativa, anunciada na quarta-feira.

Na noite de quinta-feira (29), o perfil do Escritório de Relações com o Hemisfério Ocidental, ligado à Secretaria de Estado, fez uma publicação em português brasileiro dizendo “que fique claro: nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”.

Embora a suspensão de vistos anunciada pelo governo dos EUA seja uma das ações que podem atingir Moraes, a expectativa de Eduardo é que ainda saiam outras medidas específicas direcionadas ao ministro do STF. Seria a assinatura de um decreto por Trump para aplicar punições da chamada Lei Magnitsky, que prevê sanção a pessoas acusadas de violação de direitos humanos e corrupção.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Uma histórica vergonha internacional e acadêmica. Um ministro de Supremo Corte, professor de Direito Constitucional, tomando uma aula pública para evitar cometer novos erros. O famoso jurista Haroldo Valadão, considerado maior internacionalista do Brasil, deve estar se revirando no túmulo. (C.N.)

É demais! Governo dos EUA faz gozações ao Brasil usando até língua portuguesa

Publicado em 31 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

O governo dos Estados Unidos fez uma publicação em português no X nesta quinta-feira (29) para criticar os “inimigos da liberdade de expressão”. A manifestação foi feita na conta oficial do EscritórioMaria Magnabosco
Estadão

O governo de Donald Trump fez uma publicação em português na noite desta quinta-feira, 29, afirmando que “nenhum inimigo da liberdade de expressão dos americanos será perdoado”. A declaração ocorre em meio às ameaças dos Estados Unidos de aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última semana, o secretário de Estado do país, Marco Rubio, afirmou haver “uma grande possibilidade” de o ministro ser alvo de punições.

NO X DE MUSK – A declaração em português foi publicada no perfil do X (antigo Twitter) do Bureau of Western Hemisphere Affairs (WHA), um órgão vinculado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, responsável por lidar com políticas e relações com o Hemisfério Ocidental, incluindo América Latina e Caribe.

A publicação foi feita em resposta a um anúncio de Marco Rubio nesta quarta-feira, 28, de que o país vai restringir visto para “autoridades estrangeiras e pessoas cúmplices na censura de americanos”.

Sem citar Moraes diretamente, Rubio mencionou a América Latina como um dos exemplos de aplicação. Não houve postagem em outras línguas.

ALVO PREFERIDO – Moraes se tornou um dos alvos do governo de Donald Trump após decisões do magistrado brasileiro que afetaram plataformas de redes sociais americanas e contra aliados do presidente norte-americano, como o bilionário Elon Musk.

Segundo informações divulgadas pelo New York Times, o Departamento de Justiça chegou a enviar uma carta a Moraes, em resposta à ordem do magistrado para que a rede social americana Rumble bloqueasse os perfis do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

O texto explica como funciona o Direito Internacional nessas questões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Os erros de Moraes são tão primários que o governo americano partiu para a gozação. A carta a um ministro de Suprema Corte dando aula de Direito e a ameaça em língua portuguesa, para poder ser bem entendida, são ofensas inaceitáveis. É hora de declarar guerra aos Estados Unidos. (C.N.)

A Praça que Virou Pousada: Omissão e Prevaricação dos Vereadores de Jeremoabo


Com todo respeito que dedico aos leitores deste espaço, quero deixar claro que minha parte eu fiz. Denunciei, alertei e expus, ainda no início, o absurdo que estava em curso: um terreno público, pertencente ao povo de Jeremoabo e destinado à construção de uma praça, foi simplesmente apropriado para fins particulares. No lugar da praça sonhada por muitos, surgiu uma pousada privada, construída pelo então procurador do município — alguém que, ironicamente, deveria zelar pela legalidade e pelo interesse público.

Esse terreno, que deveria servir de espaço de lazer e convivência para a comunidade, foi invadido e transformado em empreendimento particular. O fato é grave por si só, mas mais grave ainda é o silêncio cúmplice daqueles que têm, por dever de ofício, a obrigação de fiscalizar: os vereadores.

É revoltante constatar que, diante de uma apropriação indevida de um bem público, os vereadores — eleitos e regiamente pagos com dinheiro do povo para exercerem o papel de fiscalização e defesa da legalidade — nada fizeram. Foram omissos. E a omissão, nesse caso, é mais do que um ato passivo: é uma forma de prevaricação. Sabiam, tinham o dever de agir, mas optaram pelo silêncio conveniente. E quando o silêncio protege o erro, ele se torna cumplicidade.

Não sou eu o salvador da pátria. Fiz o que estava ao meu alcance, como cidadão consciente e comprometido com o bem coletivo. A responsabilidade agora é daqueles que possuem o mandato e os instrumentos legais para agir — mas preferem fingir que nada está acontecendo. Talvez por medo, talvez por interesses, talvez por pura negligência.

O povo de Jeremoabo tem os vereadores que merece. E enquanto essa consciência não for despertada nas urnas e nas ruas, práticas como essa continuarão a acontecer. Porque onde não há cobrança, não há mudança.

A pousada construída no terreno que era da Prefeitura é mais do que um escândalo: é um símbolo do abandono da função pública, da inversão de valores e da triste realidade de um Legislativo que se acovarda diante dos poderosos.

Fica o registro. A história julgará.

Bolsonaro fala em vencer com ajuda de Trump e diz que Eduardo estaria preso no Brasil

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro, durante viagem ao Ceará nesta sexta-feira (30)30 de maio de 2025 | 17:54

Bolsonaro fala em vencer com ajuda de Trump e diz que Eduardo estaria preso no Brasil

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (30), em Fortaleza que contará com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para vencer as eleições de 2026. Bolsonaro comparou a sua derrota nas eleições de 2022, com a derrota de Trump, em 2020, e comemorou o retorno do americano ao poder.

“Nós venceremos com a ajuda de Deus e também a ajuda de outro país lá do norte. Engana-se aqueles achando que só nós temos condições de reverter esse sistema. Precisamos de ajuda de terceiros e tem vindo na hora certa”, disse o ex-presidente, durante seu discurso no 2º Seminário Nacional de Comunicação do PL, no Ceará.

O ex-presidente está inelegível até 2030 devido a condenação na Justiça Eleitoral, mas tem insistido de que vai concorrer no próximo ano. Ele também responde a processo relacionado à trama golpista de 2022 e, se condenado, pode receber penas somadas de mais de 40 anos de prisão.

Em Fortaleza, Bolsonaro disse ainda ter construído uma relação de “amizade” com o presidente americano, mas “sabendo o meu lugar”. Também defendeu a ida do seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para o exterior. Segundo ele, se o filho tivesse ficado no Brasil, estaria preso.

“Dói para um pai ser afastado de um filho, mas eu estou feliz por estar fora do Brasil. Pra mim, um garoto, mas um homem de 42 anos de idade, que abandona tudo aqui para lutar por nós lá de fora. Ele não poderia estar aqui. Se estivesse aqui, não seria um passaporte, seria, com toda certeza, uma prisão”, afirmou o ex-presidente.

Eduardo Bolsonaro deixou o país em março, alegando perseguição e medo de ter seu passaporte apreendido. À época, ele ainda não era investigado.

No entanto o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de inquérito para investigar o deputado licenciado por possíveis crimes de coação, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Para a corte, as declarações públicas e postagens do parlamentar instigam o governo americano a impor sanções contra o STF, integrantes da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

“Nós não tememos as acusações, o problema é quem vai nos julgar”, criticou Bolsonaro.

O ex-presidente disse ser “o político mais perseguido da história do Brasil” e defende que “tentaram de tudo” contra ele.

“Queriam botar na minha conta a morte da Marielle Franco, a questão dos presentes sauditas, vacina, baleia, dezenas e dezenas de acusações. Ficaram agora na fumaça do golpe. Eu fui pra Disney para dar um golpe”, ironizou o ex-presidente.

Bolsonaro disse também que o celular “é o último obstáculo” para impor uma “ditadura” no Brasil. “Passou aqui representantes da Google e da Meta. Estão do lado certo”, disse se referindo às palestras de integrantes das duas empresas.

Bolsonaro disse também que os problemas do Nordeste, como a falta de oportunidade de emprego, que fazem as pessoas migrarem para os estados do Sul e Sudeste, ocorrem pelas escolhas políticas dos nordestinos.

Segundo o ex-presidente, a esquerda domina a região “há 20 anos ou mais”. “A origem dos problemas são as nossas escolhas. Aqui deveria ser a região melhor do Brasil, tendo em vista o que a esquerda prega. Acaba sendo o contrário”.

Ele afirmou que, hoje, Santa Catarina é o “melhor estado” porque “o PT nunca passou por lá”.

Anistia na pauta

O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, também esteve no evento.

O parlamentar disse ter se encontrado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ontem (29), para falar sobre o projeto de anistia dos réus dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

“O projeto da anistia será pautado nas próximas semanas com um texto que ele [Hugo Motta] está construindo. Então, nós vamos votar e as pessoas voltarão aos seus lares e às suas famílias. E as pessoas que depredaram patrimônio público responderão pelos seus crimes”, afirmou o líder do PL.

No Ceará, o ex-presidente se reuniu com vereadores, deputados estaduais e federais cearenses sobre as eleições de 2026.

Bolsonaro conversou também com o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, que deixou o PDT também na quinta-feira (29) com destino ao União Brasil. Ele é o pré-candidato apoiado pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT) para disputar o governo do Ceará, contra a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

Maurício Moreira, Folhapress

Justiça cassa vereador de SP por repostar laudo falso de Marçal contra Boulos

 Foto: Reprodução

Vereador Rubinho Nunes com Pablo Marçal, então candidato à Prefeitura de SP30 de maio de 2025 | 21:15

Justiça cassa vereador de SP por repostar laudo falso de Marçal contra Boulos

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A Justiça Eleitoral determinou nesta sexta-feira (30) a cassação do mandato do vereador de São Paulo Rubinho Nunes (União Brasil), por ter repostado em suas redes sociais laudo falso publicado por Pablo Marçal no qual associava Guilherme Boulos ao uso de cocaína, na campanha municipal de 2024.

A decisão é de primeira instância, e o vereador irá recorrer.

Na decisão, o juiz Antonio Maria Patiño Zorz também condeniou Rubinho a oito anos de inelegibilidade.

Em sua defesa, o parlamentar disse que manteve a postagem no ar por apenas 26 minutos e que não sabia que o laudo era falso.

O vereador também se apegou ao fato de o Ministério Público Eleitoral ter se manifestado de forma contrária à inelegibilidade por oito anos.

“Respeito a decisão do magistrado, mas discordo veementemente. Iremos recorrer ao TRE com consciência de que não houve qualquer ilegalidade”, afirma Rubinho.

“Em relação à repostagem do laudo, havia sido publicada pelo candidato a prefeito [Marçal], sem qualquer interferência minha. Tão logo surgiram notícias sobre a falsidade do laudo, a postagem foi imediatamente retirada”, completa o vereador.

Para o juiz, o argumento de que Rubinho não sabia da veracidade do laudo não é suficiente para afastar a sua responsabilidade.

“Entendo que o compartilhamento do laudo falso divulgado em meio de comunicação social, o Instagram do próprio candidato, encerra em si mesmo conduta ilícita que ostenta a potencialidade de lesar o bem jurídico protegido, a legitimidade das eleições”, escreveu Zorz.

A decisão indica que o próprio Marçal tem grande chance de ser tornado inelegível. Ele foi denunciado nesta quinta pelo Ministério Público pela divulgação do laudo falso e por suposta difamação no pleito de 2024.

Ao saber da punição ao vereador, Boulos se manifestou. “A cassação de Rubinho Nunes, bem como a denúncia contra Pablo Marçal, pela divulgação de fake news absurdas contra nossa candidatura em 2024 é uma vitória, ainda que tardia, da democracia”, disse o psolista. “Que a Justiça seja feita, e ambos paguem por seus crimes.”

A ação foi movida por Leonardo Grandini, candidato a vereador pelo PSOL em São Paulo e que acabou não sendo eleito.

Carlos Petrocilo/Folhapress

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