quarta-feira, maio 28, 2025

Estratégia de Moraes e Gonet é direcionar respostas para justificar as acusações

Publicado em 28 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem mostra um grupo de pessoas em um ambiente de tribunal. Um homem com cabelo grisalho e óculos está em primeiro plano, olhando com uma expressão séria. Ao fundo, há uma mulher com cabelo longo e grisalho e um homem careca. A bandeira do Brasil está visível ao lado.

Gonet levanta controvérsias dar sustentação às acusações

Cézar Feitoza
Folha

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, mudou nesta quinta-feira (22) o estilo de inquirição das testemunhas no processo pela trama golpista. O novo perfil foi adotado após ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) criticarem a forma como o procurador conduziu o depoimento do ex-chefe do Exército Freire Gomes.

Assim, Gonet passou a a ser mais firme na audiência com as testemunhas escolhidas pela defesa do tenente-coronel Mauro Cid, na avaliação de dois integrantes do tribunal. Em especial com o general Júlio Cesar de Arruda, ex-comandante do Exército.

FUGIU DO TEMA – O procurador interrompeu a fala de Arruda quando o general fugiu do tema central das perguntas e explorou trechos do depoimento considerados controversos.

A mudança de postura de Gonet ficou clara já no início da inquirição. Ele perguntou ao ex-chefe do Exército se confirmava o teor de reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo que mencionava um encontro entre Arruda e o general da reserva Mario Fernandes, acusado de planejar o assassinato de autoridades na trama golpista.

“A imprensa coloca muitas coisas, né. Eu conheço o general Mario e ele foi meu aluno no curso de comandos, em 1988. Eu fiz o curso em 1987, em 1988 fui instrutor. E ele era um dos oficiais mais modernos. Servimos juntos”, disse Arruda.

ESTEVE LÁ – Gonet interrompeu a resposta por avaliar que o general fugiu do tema. Ele queria saber se o encontro era verdadeiro. “Não foi isso que perguntei. Confirma que ele [Mario] esteve lá?”, perguntou Gonet.

Arruda acabou confirmando que o encontro ocorreu, em 28 de dezembro de 2022, em seu gabinete no Departamento de Engenharia e Construção do Exército. Negou, porém, que o general tenha feito apelos golpistas ou que tenha expulsado o colega da sala.

O procurador ainda explorou uma divergência no depoimento de Arruda sobre os motivos da visita de Mario Fernandes. Na primeira versão, o depoente disse que o general da reserva queria saber se Arruda seria realmente nomeado comandante do Exército.

DIVERSOS ASSUNTOS – Em segunda resposta sobre o mesmo tópico, Arruda disse que a pergunta não foi feita porque a nomeação já era de conhecimento público. “Conversamos sobre diversos assuntos”, disse o general, sem dar detalhes sobre a conversa.

Na segunda-feira (19), primeiro dia de depoimentos, parte dos ministros do Supremo avaliou que o procurador não conseguiu se contrapor à versão considerada mais amena apresentada por Freire Gomes sobre as articulações golpistas.

Em vez de explorar controvérsias no depoimento, o PGR fez digressões para confirmar se a resposta do ex-chefe do Exército poderia ser entendida conforme foi narrada na denúncia.

MINUTA DO GOLPE – Uma dessas intervenções ocorreu quando o ex-chefe do Exército disse que não se espantou quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou aos comandantes militares a primeira minuta do decreto golpista.

Freire Gomes disse que Bolsonaro apresentou o documento como um estudo, embasado na Constituição, e que o então presidente informou que voltaria ao assunto após consultar outros auxiliares.   

“Posso dizer, então, que ele estava preparando os senhores, com razões jurídicas, para apresentar mais a seguir medidas de intervenção que ele já estava antecipando que ia tomar?”, perguntou Gonet.

DIRECIONAR A RESPOSTA – O advogado Celso Vilardi, defensor de Bolsonaro, disse que a pergunta buscava direcionar a resposta do general. O ministro Alexandre de Moraes negou a questão de ordem, e o microfone de Vilardi foi cortado.

“Doutor Paulo Gonet, não necessariamente”, respondeu o ex-comandante. “Talvez ele tenha nos apresentado por questão de consideração, já que alguns aspectos dos documentos se referiam a GLO [Garantia da Lei e da Ordem], estado de defesa e estado de sítio”.

Moraes acabou interrompendo o interrogatório de Freire Gomes, sob a justificativa de que ele estaria mudando versões, e disse que o general deveria falar a verdade em juízo.

O mais vergonhoso equívoco da Procuradoria Geral da República em toda a história do Direito pátrio, foi, sem dúvida, o de ignorar a tese universalmente aceita pelas ciências sociais e políticas, dentre essas o Direito, de que o indivíduo em grupo e sob influência de um líder se despersonaliza (Freud em Psicologia das massas e analise do eu), de modo a provocar a desarmonia social entre uma condenação gigantesca de Débora Rodrigues dos Santos ao lado de Bolsonaro sem julgamento e solto. Namastê!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Namastê significa “eu me curvo diante de ti”. Está evidente que o golpe estava sendo planejado e que Bolsonaro tentava o apoio das Forças Armadas. Mas está evidente também que o ministro Moraes, com auxílio do procurador Gonet, direciona respostas para justificar suas teses, e ainda há quem chame isso de Justiça. (C.N.)  

Marina abandona sessão após senador Marcos Rogério, do PL, dizer “ponha-se em seu lugar”.

 Por: Kuis Celso



Marina abandona sessão após senador Marcos Rogério, do PL, dizer “ponha-se em seu lugar”.


O BOLSONARISMO É A TREVA. SENADO RELINCHA E DÁ COICE EM MARIA SILVA 


Uma semana após aprovar a "mãe de todas as boiadas", atropelando as regras de licenciamento ambiental no Brasil e abrindo caminho para mais tragédias climáticas e bloqueios comerciais, o Senado protagonizou uma cena lamentável de relinchos e coices contra a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na Comissão de Infraestrutura, nesta terça (27).


Dessa forma, a casa revisora chancela que vê o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável apenas como nomes bonitos para serem citados em discursos. Na prática, é o progresso acéfalo, que sob a justificativa de enriquecimento rápido, expulsa populações tradicionais, escraviza trabalhadores e torna o ar irrespirável e a água podre.


Marina se sentiu ofendida por falas do senador Omar Aziz (PSD-AM) e questionou a condução dos trabalhos feita por Marcos Rogério, que havia cortado o microfone dela várias vezes, impedindo a ministra de falar.


A ministra disse que o bolsonarista gostaria que ela fosse uma “mulher submissa” e acrescentou: “Eu não sou!” O senador então atacou: “Me respeite, ponha-se em teu lugar”.


O Jornalista Thiago Barbosa comentou que a ministra reagiu “com valentia e firmeza a ataques misóginos da escória bolsonarista no Congresso” e acrescentou que “só falta a mídia exigir que ela se cale”. “Isso é uma agressão. O congresso virou um vale-tudo. O bolsonarismo é treva, a pior coisa que já aconteceu nesse país”.


Sâmia Bomfim afirmou que “o que aconteceu hoje no Senado é inaceitável, e que tudo aconteceu porque os senadores queriam “pressioná-la a flexibilizar o licenciamento ambiental”.


O bolsonarismo é a expressão atual do fascismo brasileiro. Uma corrente política que encarna a função de cão de guarda dos interesses do capital financeiro e da burguesia imperialista. Trata-se de um instrumento para dar sobrevida ao capitalismo em meio a desintegração do estado liberal e a decadência econômica.


O bolsonarismo, vende a ideia de que os problemas do país resultam da luta de classes, do liberalismo sexual e da falta de Deus. Numa sociedade onde os valores morais conservadores são constantemente difundidos por intermédio da família e da religião (no último período, com mais força os neopentecostais), a pavimentação do caminho está sendo feita para que o bolsonarismo adquira um caráter de massas.


Mas o fascismo brasileiro, o bolsonarismo, tem suas particularidades. Diferente do discurso nacionalista difundido pelos fascistas das grandes potências econômicas, que tem como meta disfarçar o militarismo e os objetivos imperialistas com a tese da suposta ameaça estrangeira e seus agentes nacionais. É reconfigurado no Brasil para escancarar a submissão aos interesses internacionais do imperialismo estadunidense tanto no plano econômico, quanto no plano militar.


Bolsonaro e os bolsonaristas afirmam que a nação está ameaçada por um perigo vermelho internacional e a saída é ser completamente submisso aos interesses dos Estados Unidos. Expressão disso: Bolsonaro presta continência a bandeira estadunidense, fez acordos militares que subordinaram o exército brasileiro, entregando a base de Alcântara para o comando dos EUA, e colocou o Brasil como bucha de canhão dos interesses de Trump em agredir os países da América Latina, como é o caso da Venezuela.


Para saciar o potencial violento dos seus seguidores e esconder a sua ineficácia em cumprir suas promessas de campanhas, Bolsonaro alimenta a necessidade constante do confronto, provocando disputas por espaço no Estado. Bolsonaro também sabe que para conseguir êxito político precisa estimular mais e mais a violência dos seus seguidores, não sendo suficiente contar com as forças armadas regulares do Estado. Por conta disso, mantém e aprofunda sua relação com as milícias. 


O que Bolsonaro quer é estimular a formação agrupamentos paramilitares clandestinos com a finalidade de estabelecer o terror e ir pouco a pouco quebrando a resistência social através da perseguição, da morte e do medo.

Esquerda Brasil, Sempre!

terça-feira, maio 27, 2025

Recebi com indignação as notícias sobre as agressões verbais que a ministra Marina Silva sofreu durante sua participação no Senado


 
Por: Fábio Costa Pinto

Recebi com indignação as notícias sobre as agressões verbais que a ministra Marina Silva sofreu durante sua participação no Senado. Um desrespeito não apenas à sua trajetória, mas também à democracia, à luta ambiental e ao direito das mulheres de ocuparem espaços de poder com dignidade.

Marina é uma referência mundial na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Atacá-la é atacar uma agenda fundamental para o futuro do nosso país e do planeta. Minha solidariedade à ministra e meu repúdio a toda forma de violência política de gênero e intolerância.

Seguimos firmes na defesa da democracia, do meio ambiente e do respeito à diversidade.

#MarinaSilva #Democracia #MeioAmbiente #MarcelinoGalo #PolíticaComRespeito

 https://www.instagram.com/p/DKLDo2TurDm/?igsh=MWx2eHB5bWlkMzFidQ==

Nota da redação deste Blog - A Lamentável Agressão à Ministra Marina Silva: Um Espelho da Discriminação de Gênero no Brasil.


Por: José Montalvão

É com profunda indignação e preocupação que testemunhamos as recentes agressões verbais sofridas pela Ministra Marina Silva no Senado Federal. Este episódio, além de lamentável, é um triste reflexo da persistência da discriminação e do desrespeito à mulher na esfera política brasileira. O fato de tal agressão ocorrer no Senado, a "câmara alta" do nosso Congresso Nacional, onde se espera um ambiente de debate respeitoso e propositivo, torna a situação ainda mais grave e condenável.

Marina Silva não é apenas uma ministra; é uma referência mundial na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Sua trajetória, marcada por uma incansável luta por um futuro mais verde e justo, lhe confere um reconhecimento internacional que orgulha o Brasil. Atacá-la, portanto, não é apenas um ataque pessoal, mas um ultraje a uma agenda fundamental para o futuro do nosso país e do planeta.

Este incidente nos força a questionar o estado da nossa democracia e o respeito às instituições. O Senado, que deveria ser um palco de representação das unidades federativas e de defesa dos interesses da nação, foi palco de um ato que denigre a imagem do parlamento e expõe uma faceta preocupante da violência política de gênero.

A agressão sofrida por Marina Silva é um lembrete contundente de que, apesar dos avanços, a mulher brasileira ainda enfrenta barreiras significativas para ter sua voz ouvida e seu trabalho reconhecido. A violência política de gênero, seja ela verbal, física ou psicológica, busca silenciar, intimidar e deslegitimar a atuação feminina em espaços de poder.

É imperativo que a sociedade brasileira e as instituições se levantem contra toda forma de violência e intolerância. A solidariedade à Ministra Marina Silva deve ser incondicional, e o repúdio a atos como este precisa ser veemente e uníssono. A construção de um Brasil mais justo, igualitário e democrático passa, necessariamente, pelo respeito à diversidade e pela erradicação de qualquer forma de discriminação. É tempo de reafirmar que o debate político deve ser pautado pela civilidade e pelo respeito mútuo, jamais pela agressão e pelo preconceito. (José D.M.Montalvão)

Dino indica investida contra emendas impositivas e abre novo foco de embate com Congresso

 Foto: Divulgação

Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino27 de maio de 2025 | 11:08

Dino indica investida contra emendas impositivas e abre novo foco de embate com Congresso

brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino sinalizou que o tribunal vai discutir a limitação do principal instrumento político de deputados e senadores: as emendas parlamentares de pagamento obrigatório. A movimentação pode abrir um novo foco de embate com o Congresso.

Dino convocou uma audiência pública para tratar da execução das chamadas emendas impositivas ao Orçamento. O despacho que marca a reunião foi recheado de indicações contrárias ao mecanismo.

As emendas parlamentares somam R$ 50 bilhões ao ano, sendo 77% de caráter impositivo, ou seja, de execução obrigatória pelo governo.

O controle do Congresso sobre o Orçamento federal foi construído ao longo dos últimos dez anos e é a principal razão do atual empoderamento de deputados e senadores.

Dino é autor de decisões que abriram um atrito direto com o Congresso na questão da transparência das emendas. Agora, indica que dará um passo a mais. De acordo com pessoas próximas ao ministro, a intenção é impedir o engessamento da verba de investimentos do governo.

O movimento foi recebido por parlamentares com preocupação. Por ora, no entanto, não há um acerto sobre uma reação coordenada ao tribunal.

Os congressistas se queixam de que o ministro busca legislar, uma vez que a obrigatoriedade da despesa com emendas foi estabelecida com a aprovação de emendas constitucionais.

Além disso, a movimentação retomaria uma crise que, da parte do Congresso, estava encerrada com o acordo assinado em fevereiro para dar mais transparência às emendas de comissão ao Orçamento -usadas por deputados e senadores para distribuir bilhões em recursos públicos sem identificação.

Deputados e senadores ouvidos pela Folha disseram que a primeira iniciativa será sondar o STF sobre o clima no tribunal para avançar nesse assunto.

Na terça-feira (20), deputados questionaram o ministro Gilmar Mendes num jantar, mas ele respondeu que não sabia da convocação da audiência pública e que conversaria com o colega para entender o alcance da decisão.

A percepção no Congresso é que o tema é ainda mais explosivo do que a ação do STF que suspendeu temporariamente o pagamento das emendas de comissão, que não têm caráter impositivo. O caso anterior afetava um grupo menor de parlamentares, principalmente os presidentes e líderes partidários, que ficavam com os maiores montantes.

Já as emendas impositivas individuais e de bancadas estaduais são recebidas por todos os congressistas de forma igualitária, da oposição ou da base.

“Agora, vai tocar no calcanhar de Aquiles de muitos que apenas assistem a nossa resistência ao ministro Dino, que renunciou ao único cargo [de senador] que lhe dava o direito de legislar legalmente”, afirma o líder do PSDB no Senado, Plínio Valério (AM).

Até 2015, cada deputado e senador tinha sob seu controle cerca R$ 16 milhões em emendas, e o governo tinha o poder de não pagar nenhum centavo, se quisesse.

Desde então, amparado nas fragilidades políticas do Executivo no segundo mandato de Dilma Rousseff e nos de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022), o Congresso aprovou de forma gradativa a obrigatoriedade da execução das emendas, assim como o expressivo aumento em seus valores.

Em 2025, cada deputado indicou R$ 37,3 milhões em emendas individuais, e cada senador, R$ 68,5 milhões. No caso das bancadas, cada estado recebe R$ 528,9 milhões.

Dino decidiu marcar para 27 de junho a audiência pública sobre a obrigação de pagamento das emendas. O debate, segundo o ministro, tem como objetivo obter elementos técnicos para julgar a constitucionalidade das emendas impositivas.

A intenção do ministro, de acordo com auxiliares, é levar o tema ao plenário do STF, de forma a conseguir o respaldo de toda a corte para limitar as emendas. No despacho, ele não descartou tomar decisões liminares, “se isso se revelar imprescindível e urgente, à luz da execução orçamentária de 2025 e da elaboração do Orçamento de 2026”.

Um dos pontos que o ministro pretende questionar, conforme relatou a interlocutores, é a capacidade dos congressistas de decidir a destinação específica do dinheiro. A ideia é que os parlamentares possam alocar as verbas em grandes áreas, como programas de saúde, educação ou segurança, mas sem obrigar o pagamento para ações ou locais específicos.

Um senador, na visão relatada pelo ministro, poderia tornar obrigatória a execução de verbas para construção de creches, mas não escolher qual delas seria construída.

Hoje, no entendimento dele, um congressista atua como ordenador de despesas, mas sem assumir as responsabilidades inerentes por isso (como responder pelo mau uso da verba).

No despacho, Dino não antecipa juízo sobre o tema, mas reproduz opiniões e estudos predominantemente críticos aos impactos sobre a separação dos Poderes, a eficiência da gestão pública, a responsabilidade fiscal e o sistema presidencialista.

Dino convocou a audiência no âmbito de ação movida pelo PSOL.

O partido argumenta que a obrigatoriedade de pagamento das verbas alocadas por parlamentares significa uma “desastrosa desarmonia” entre os Poderes.

“Fica claro que o modelo de apropriação orçamentária pelo Parlamento afetou a independência e a harmonia entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Desarranjou os contornos da separação dos Poderes no Brasil, uma vez que diminuiu significativamente a possibilidade de o Executivo pensar e executar projetos e investimentos públicos para o Brasil”, afirmou a sigla.

Foram convidados a participar da audiência governadores, o TCU (Tribunal de Contas da União), quatro ministérios (Planejamento, Secretaria de Relações Institucionais, Advocacia-Geral da União e Controladoria-Geral da União), a Frente Nacional de Prefeitos, Senado, Câmara e a Confederação Nacional de Municípios.

O episódio pode criar mais um capítulo na crise entre os dois Poderes, que entraram em conflito também em relação ao projeto de anistia aos condenados pelos ataques golpistas do 8 de Janeiro e à decisão de travar a ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Ranier Bragon e Raphael Di Cunto / Folhapress

Marina abandona sessão após senador dizer que ministra não merecia respeito

 Foto: Agência Brasil /Arquivo

Ministra Marina Silva (Meio Ambiente)27 de maio de 2025 | 13:41

Marina abandona sessão após senador dizer que ministra não merecia respeito

brasil

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abandonou a Comissão de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (27) após bate-boca com senadores e embates sobre a pavimentação da BR-319, estrada federal que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM).

Marina deixou a sessão depois que o líder do PSDB, senador Plínio Valério (AM) —que já havia ofendido a ministra em março—, afirmou querer separar a mulher da ministra porque a primeira merecia respeito e a segunda, não. A ministra disse que só continuaria na comissão se houvesse um pedido de desculpas. Plínio se recusou.

Em março, Plínio disse ter vontade de enforcar a ministra. “Imagine o que é tolerar a Marina 6 horas e 10 minutos sem enforcá-la?”, disse o senador sobre a participação de Marina em audiência na CPI das Ongs.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) classificou a fala de Plínio como “infeliz” e como combustível para violência. A declaração também foi repudiada pela bancada feminina do Senado, pela primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja, e outras autoridades.

Em outro momento tenso da sessão, o presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), afirmou que a ministra deveria se pôr no lugar dela —fala que foi contestada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e por parte dos presentes.

Uma das principais discussões foi travada entre Marina e o senador Omar Aziz (PSD-AM) sobre a BR-319, rodovia federal que enfrenta, há anos, dificuldades de licenciamento ambiental para ser novamente pavimentada.

Marina foi convidada pela comissão para explicar a criação de uma unidade de conservação marinha no litoral norte do país, conhecido como Margem Equatorial, onde a Petrobras reivindica a prospecção e posterior exploração de petróleo.

A ministra disse que a discussão em torno da criação da unidade de conservação se arrasta desde 2005 e não foi proposta para inviabilizar o empreendimento.

“[A unidade de conservação] não incide sobre os blocos de petróleo. E não foi inventado agora para inviabilizar a margem equatorial. Isso é um processo que vem desde 2005”, disse Marina, mostrando um histórico do debate aos senadores.

Marina também afirmou que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) tem “queimado todas as sobrancelhas” com a prospecção de petróleo na Foz do Amazonas.

“Vocês notem que vai ter o leilão, já está estabelecido, de cerca de 47 [áreas exploratórias]. O que está lá é para prospecção, não é ainda exploração. Prospecção, como todo mundo diz, para verificar se tem petróleo, a qualidade do petróleo”, disse.

“Mas é algo tão complexo, em torno de 5 mil metros de profundidade, que o Ibama tem queimado todas as sobrancelhas porque essa é frente nova em uma região muito delicada”, completou a ministra.

A autorização de órgãos ambientais para exploração de petróleo na Foz do Amazonas divide o governo Lula (PT) e é alvo de pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

No último dia 19, o Ibama informou que a estrutura de resgate à fauna construída pela empresa em Oiapoque (AP) foi aprovada —liberando, assim, a realização de um teste da perfuração.

Chamado de avaliação prévia operacional, esse teste é a última etapa antes da análise final sobre a licença para o poço exploratório, que vem sendo alvo de embate no governo entre Marina e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Marina tem sido duramente criticada por parte do Senado desde o começo do governo. No começo de abril, senadores levaram as cobranças sobre a ministra diretamente ao presidente Lula (PT), durante um jantar em Brasília.

Thaísa Oliveira, Folhapress

Promover acareação entre militares é possibilidade a ser imediatamente afastada


Charge do JCaesar | VEJA

Charge do JCaesar | VEJA

José Perez

Não há dúvida de que promover acareação entre os militares já é demais, é uma hipótese que deveria ser afastada liminarmente. Esses ministros do Supremo deveriam estudar um pouco mais a História do Brasil. Em 1964 existia realmente o risco de comunização do país. Na época, havia enorme encantamento com Cuba, Castro e Guevara.

O presidente João Goulart estava perdendo as rédeas e até permitindo que sargentos quebrassem a hierarquia nas Forças Armadas, esta era a realidade, muito diferente dos dias de hoje, em que a esquerda está em decadência no Brasil e no mundo, pela “alternância ideológica” que deve ser considerada tão normal quanto a “alternância de poder”.

TRANSGRESSÃO ÀS REGRAS – No momento atual, a cultura de transgressão às regras tomou conta. Os maus exemplos vêm de cima, com as interpretações de leis pela Suprema Corte, num fenômeno que começou com a soltura ilegal de Lula da Silva e quatro anos depois é sucedida pela descondenação de corruptos confessos, cancelamento de multas, arquivamento de processos, agora vêm os absurdos pedidos de indenização.

O resultado é essa promiscuidade entre empresários, políticos, governantes e magistrados, com desrespeito às antigas leis ainda em vigor. O mundo está muito complicado, com Trump, Netanyahu e Putin fazendo o que bem entendem, desrespeitando tratados internacionais, e o Brasil vem se deixando levar no turbilhão, no momento errado, que estava a exigir união e força.

Torço para que o clima de paz retorne ao país, mas está difícil. Os idiotas da objetividade citados por Nelson Rodrigues hoje são os fanáticos da polarização.

IR DEVAGAR – É hora de evitar radicalismos. Esses processos políticos devem ser julgados na forma da lei, sem humilhação aos militares, que na verdade evitaram o golpe, com o posicionamento firme do Alto Comando do Exército.

1964 foi ontem, pois 60 anos na História significam muito pouco e não estou aqui a afirmar que os militares eventualmente estariam ou estão tramando um outro golpe.

No entanto, não gostaria de lembrar que não se deve chegar ao limite com quem tem armas de guerra e constitucionalmente o poder de garantir a lei e a ordem nesse amontoado de gente diferente e com interesses próprios, mesquinhos e distintos, chamado Brasil.


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