quinta-feira, fevereiro 08, 2024

Comentário sobre o caso de maus-tratos a paciente em Jeremoabo,

 

Desde quando tomei conhecimeto dessa covardia praticada contra uma senhora de 105 que venho efetuando toda coberbertura, há muito tempo o Hospital de Jeremoabo encontra-se vegetando em fase termnal na UTI, só funciona na propaganda enganosa do prefeito e nas entrevistas da secretária de saúde.

Acontece que o caso dessa senhora houve Repercussão, com isso, a cúpula da saúde de Jeremoabo quer crucificar o motorista, quando deveriam ser capacitados, além do mais, motorista não é paramédico nem enfermeiro, além de ser mau pagos, ainda são desviados de suas funções.

1. Ação do Motorista e Capacitação:

É lamentável a situação de maus-tratos sofrida pela paciente de 105 anos no Hospital Municipal de Jeremoabo.

Embora o comportamento do motorista da ambulância seja inaceitável, a responsabilidade principal recai sobre a diretoria do hospital. A falta de capacitação adequada para o transporte de pacientes, especialmente idosos e frágeis, configura negligência e coloca em risco a vida e o bem-estar dos usuários do serviço.

2. Desvio de Função e Segurança:

Desviar o motorista de sua função principal para realizar tarefas de paramédico, sem a devida qualificação, é uma prática perigosa e ilegal. Essa atitude compromete a segurança do paciente e do próprio profissional, que pode não estar preparado para lidar com situações complexas durante o transporte.

3. Ambulância de Transporte e Equipe Adequada:

É importante ressaltar que a ambulância de transporte, como definida, não é adequada para pacientes com risco de vida ou que necessitem de cuidados médicos durante o trajeto. Nesses casos, é necessário o acionamento de uma ambulância de suporte avançado, com equipe médica qualificada para prestar o atendimento necessário.

4. Cobrança por Providências e Melhorias:

Diante do exposto, é crucial que as autoridades competentes investiguem o caso e tomem as medidas cabíveis contra os responsáveis. A falta de capacitação e o desvio de função do motorista são inadmissíveis e exigem providências imediatas.

5. Importância da Denúncia e da Mobilização Social:

A cobertura jornalística do caso foi fundamental para conscientizar a população sobre a importância da denúncia de negligências e maus-tratos no sistema de saúde. A mobilização social é essencial para pressionar as autoridades a garantir a qualidade e a segurança do atendimento à saúde pública.

6. Considerações Finais:

A omissão da diretoria do Hospital Municipal de Jeremoabo em garantir a capacitação dos profissionais e a utilização adequada da ambulância configura uma grave falha na gestão do serviço público. É necessário que o hospital seja responsabilizado por seus atos e que medidas sejam tomadas para evitar que situações como essa se repitam no futuro.

  • .
  • Exigência de capacitação: O hospital deve ser obrigado a fornecer treinamento adequado aos motoristas de ambulância e demais profissionais envolvidos no transporte de pacientes.

Somente com a ação conjunta da população, das autoridades e da mídia é possível garantir que os pacientes do Hospital Municipal de Jeremoabo e de outros serviços públicos de saúde recebam o atendimento digno e humanizado que merecem.

Braga Netto chamou comandante do Exército de ‘cagão’ e chefe da Aeronáutica de ‘traidor’

 Foto: Isac Nóbrega/Arquivo/PR

O general Braga Netto08 de fevereiro de 2024 | 12:21

Braga Netto chamou comandante do Exército de ‘cagão’ e chefe da Aeronáutica de ‘traidor’

BRASIL

Candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, o general Walter Braga Netto manifestou irritação com os comandantes do Exército e da Aeronáutica durante as discussões de um plano para reverter a derrota na eleição daquele ano.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal que embasaram prisões e buscas nesta quinta-feira (8) mostram que Braga Netto teria chamado o então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, de “cagão” por não aderir à tentativa de golpe.

Em outras conversas, o general incentiva críticas ao então comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, a quem se refere como “traidor da pátria”.

De acordo com a PF, as mensagens foram enviadas por Braga Netto para Ailton Barros, capitão expulso do Exército que estimulava um golpe militar em conversas com Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro.

A PF cumpre na manhã desta quinta-feira (8) mandados de busca e prisão contra ex-ministros de Bolsonaro e militares envolvidos na suposta tentativa de golpe para manter o ex-presidente no poder.

Um dos alvos é o próprio ex-presidente —ele terá que entregar o passaporte em 24 horas para a PF. Bolsonaro já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é alvo de outras investigações no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele está inelegível até 2030.

Além de Braga Netto, entre os alvos das medidas desta quinta-feira estão os ex-ministros general Augusto Heleno e Anderson Torres. Também são alvos outros militares e Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, partido de Bolsonaro.

A ação foi batizada de Tempus Veritatis e investiga uma organização criminosa que, diz a PF, atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito “para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder”.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito das milícias digitais.
Além das prisões e buscas, a PF também cumpre medidas diversas como a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas.

São cumpridos mandados nos estados de Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Goiás e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações apontam o grupo investigado se “dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital”.

Primeiro, diz a Polícia Federal, o grupo atuou para construir e propagar a versão de que havia tido fraude na eleição de 2022, “por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022”.

Em seguida, de acordo com a PF, foram desenvolvidos atos concretos para “subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível”.

BRUNO BOGHOSSIAN, FABIO SERAPIÃO, RANIER BRAGON, JOSÉ MARQUES E CÉZAR FEITOZA/FOLHAPRESS

Quem é quem na operação da PF que mira Bolsonaro e pessoas próximas ao ex-presidente

Foto: Isac Nóbrega/Arquivo/PR
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de uma operação da PF nesta quinta-feira08 de fevereiro de 2024 | 09:01

Quem é quem na operação da PF que mira Bolsonaro e pessoas próximas ao ex-presidente

BRASIL

A PF (Polícia Federal) cumpre nesta quinta-feira (8) mandados de busca e prisão de ex-ministros e militares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), bem como ação contra o próprio ex-presidente.

A PF foi à casa de Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ) e apreendeu o celular de um de seus assessores, Tercio Arnaud Thomaz. Também houve a determinação para que o ex-presidente entregasse o passaporte.

Estão entre os alvos da nova operação o general Augusto Heleno, Braga Netto e Anderson Torres, além de militares. Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, é um dos militares presos. Ele já era investigado no caso de fraude do cartão de vacina do ex-presidente.

Ao todo, são 10 mandados de prisão preventiva, além de 30 mandados de busca e apreensão em 10 estados e no Distrito Federal, em ação batizada de Tempus Veritatis. O objetivo, segundo a PF, é investigar uma organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito “para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder.”

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no âmbito do inquérito das milícias digitais.

A operação acontece dias depois de outros mandados de busca que tiveram como alvo o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos -RJ), filho do ex-presidente, Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).

Veja quem é quem dos alvos da nova operação da PF.

GENERAL AUGUSTO HELENO
Ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo Bolsonaro, Augusto Heleno é general da reserva do Exército e era estreitamente ligado ao ex-presidente.

O militar era o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) durante o governo Bolsonaro, órgão a quem a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) estava subordinada —no governo Lula (PT), o órgão passou a ser ligado à Casa Civil.

Ainda em janeiro, ele foi intimado para depor na PF sobre a existência da chamada “Abin Paralela”, supostamente formada por pessoas que teriam usado ilegalmente um software de geolocalização para monitorar adversários do governo.

BRAGA NETTO
É ex-ministro da Casa Civil e da Defesa no governo Bolsonaro. Homem de confiança do ex-presidente, Braga Netto foi escolhido para ser o candidato a vice na última disputa eleitoral na chapa de Jair Bolsonaro.

Braga Netto se filiou ao PL em 2022, dias depois de oficializar a pré-candidatura a vice. Como ministro, sustentou falas do ex-presidente que desacreditavam as urnas e defendia o voto impresso.

ANDERSON TORRES
Ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres foi preso em janeiro de 2023 em razão de possível omissão envolvendo os ataques golpistas do 8 de janeiro. Na época, ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Também foi encontrado na casa dele uma minuta com teor golpista, segundo a Polícia Federal. Em depoimento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Torres negou o caráter golpista do documento, ao qual ele se referiu como “lixo, loucura e folclore”.

MARCELO CÂMARA
O militar Marcelo Câmara foi ex-assessor de Bolsonaro. Ele já era investigado no caso de fraude do cartão de vacina do ex-presidente.

Próximo ao ex-presidente, já atuou como ajudante de ordens e assessor especial de Bolsonaro. No gabinete, produzia informações a pedido do ex-presidente.

FILIPE MARTINS
É ex-assessor para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, foi preso pela PF na operação desta quinta. Segundo a investigação, Filipe teria apresentado ao ex-presidente a minuta golpista encontrada na casa de Anderson Torres.

Também foi preso o major do Exército Rafael Martins, o general Paulo Sérgio Nogueira e o General Estevam Cals Theophilo Gaspar Oliveira.

Folhapress

POLITICALIVRE 

Bolsonaro pediu e aprovou alteração em minuta do golpe, que previa prisão de Moraes, diz PF

 Foto: Carlos Moura/SCO/STF/Arquivo

O ministro do STF Alexandre de Moraes foi citado na "minuta do golpe"08 de fevereiro de 2024 | 10:52

Bolsonaro pediu e aprovou alteração em minuta do golpe, que previa prisão de Moraes, diz PF

BRASIL

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou as prisões e buscas nesta quinta-feira (8) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve acesso e pediu modificações na chamada “minuta do golpe”, mantendo a previsão de prisão de Moraes.

“Os elementos informativos colhidos revelaram que Jair Bolsonaro recebeu uma minuta de decreto apresentado por Filipe Martisn [então seu assessor] e Amauri Feres Saad para executar um golpe de Estado, detalhando supostas interferências do Poder Judiciário no Poder Executivo e ao final
decretava a prisão de diversas autoridades, entre as quais os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco”, diz a decisão do ministro.

“Posteriormente foram realizadas alterações a pedido do então presidente, permanecendo a determinação de prisão do Ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições.”

Bolsonaro já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é alvo de diferentes outras investigações no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele está inelegível até 2030.

A PF deflagrou nesta quinta a Operação Tempus Veritatis para apurar organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de Direito.

Ela teria tentado obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder mesmo depois de derrotado por Lula (PT) nas eleições.

As informações que embasaram a operação foram coletadas na delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.

A PF cumpre mandados de busca e prisão contra ex-ministros de Bolsonaro e militares envolvidos na suposta tentativa de golpe para manter o ex-presidente no poder.

Entre os alvos das medidas desta quinta-feira estão os ex-ministros general Augusto Heleno, Braga Netto e Anderson Torres. Também são alvos outros militares.

A ação foi batizada de Tempus Veritatis e investiga uma organização criminosa que, diz a PF, atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito “para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder.”

Além das prisões e buscas, a PF também cumpre medidas diversas como a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas.”

São cumpridos mandados nos estados de Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Goiás e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações apontam o grupo investigado se “dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.”

Primeiro, diz a Polícia Federal, o grupo atuou para construir e propagar a versão de que havia tido fraude na eleição de 2022, “por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.”

Em seguida, foram desenvolvidos atos concretos para “subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.”

Fabio Serapião , Bruno Boghossian , Ranier Bragon , Cézar Feitoza e José Marques/Folhapress

Valdemar Costa Neto é preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo

 Foto: Leonardo Prado/Arquivo/Câmara dos Deputados

Valdemar Costa Neto foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo08 de fevereiro de 2024 | 11:30

Valdemar Costa Neto é preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo

BRASIL

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo nesta quinta-feira (8). A arma foi localizada pela Polícia Federal durante a ação de busca e apreensão no âmbito da operação que investiga uma tentativa de golpe.

Nesta quinta, a PF deflagrou uma operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ex-ministros e militares, incluindo os generais Augusto Heleno, Walter Braga Netto e o ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier Santos.

Valdemar foi conduzido para a sede da PF. O diretório nacional do PL, em Brasília, também foi alvo de buscas, segundo parlamentares da sigla.

A PF cumpre mandados de busca e prisão contra ex-ministros de Bolsonaro e militares envolvidos na suposta tentativa de golpe para manter o ex-presidente no poder.

Um dos alvos é o próprio ex-presidente, ele terá que entregar o passaporte em 24 horas para a PF. Bolsonaro já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é alvo de diferentes outras investigações no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele está inelegível até 2030.

Além de Valdemar, entre os alvos das medidas desta quinta-feira estão os ex-ministros general Augusto Heleno, Braga Netto e Anderson Torres. Também são alvos outros militares.

A ação foi batizada de Tempus Veritatis e investiga uma organização criminosa que, diz a PF, atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito “para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder.”

As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do inquérito das milícias digitais.

Além das prisões e buscas, a PF também cumpre medidas diversas como a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas.”

São cumpridos mandados nos estados de Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná e Goiás e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações apontam o grupo investigado se “dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.”

Primeiro, diz a Polícia Federal, o grupo atuou para construir e propagar a versão de que havia tido fraude na eleição de 2022, “por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.”

Em seguida, foram desenvolvidos atos concretos para “subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.”

FolhapresspOLITICAlIVRE

Agrosuicídio: desmatamento na Amazônia já afeta plantio duplo de soja e milho



Não é de hoje que a ciência alerta que o avanço do desmatamento na Amazônia para a abertura de novas áreas para a agropecuária é um tiro no pé do próprio setor. Por motivos já muito bem conhecidos, como o fato de que a floresta produz a chuva que cai sobre as plantações. Agora uma nova pesquisa deu uma ideia mais clara do calibre desse tiro. 

As áreas mais desmatadas na Amazônia – como o norte do Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e também no leste do bioma – já apresentam um atraso no início da estação chuvosa, que é exatamente quando os produtores começam a plantar a soja. O atraso no plantio acaba impactando também o cultivo de milho, que entra na sequência da colheita da soja.

Pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais observaram que em um período de 20 anos, entre 1999 e 2019, as regiões que mais perderam floresta tiveram um atraso acumulado de aproximadamente 76 dias no início da estação chuvosa agrícola. Esses locais tiveram uma redução de 360 ​​mm nas chuvas e um aumento de 2,5ºC na temperatura máxima. 

O trabalho publicado no International Journal of Climatology, da Royal Meteorological Society, foi o primeiro a conseguir isolar apenas os impactos que o desmatamento tem sobre as alterações observadas. A ideia foi separar a perda da floresta de outras condições que também vêm afetando o comportamento do clima, como o aquecimento global e fenômenos naturais, como o El Niño e a La Niña

Conversei com o climatologista Argemiro Teixeira, que liderou a pesquisa, e ele explicou que as mudanças climáticas têm um efeito cumulativo, de alterações ao longo de décadas, mas o efeito do desmatamento é quase imediato.

 

“Quando tira a vegetação, tira automaticamente a umidade. As secas e os problemas que a agricultura vem enfrentando não são só por causa das mudanças climáticas e o El Niño, mas também do desmatamento”, disse.
 
A novidade do estudo foi quantificar esse impacto na dupla safra de soja e milho que domina as paisagens amazônicas, um sistema extremamente dependente do início da estação chuvosa. “Quando começa a chover, os produtores plantam a soja. Eles ficam esperando o momento mais favorável porque se plantarem antes da chuva, podem perder tudo. O ciclo leva de 120 a 140 dias. Eles, então, colhem a soja e na sequência já plantam o milho, ainda aproveitando o período de chuva”, afirma Teixeira. 

Como é uma agenda apertada, de cerca de seis a sete meses, se as chuvas demoram a começar, essa segunda safra pode ficar inviabilizada. “Alteração no volume de chuva e o aumento de temperatura são importantes, mas essa mudança no calendário pode ser muito mais grave para o produtor”, diz o pesquisador. 

“Neste ano, por causa de toda a seca do ano passado, muitos produtores não vão ter a segunda safra. O milho já deveria estar em campo, mas não está”, complementa.

O trabalho aponta ainda que o impacto do desmatamento é regional. “Proprietários em áreas mais preservadas têm um menor risco de atraso. Já os que estão em uma área mais degradada, o risco é maior”, explica Teixeira. 

E aí, não adianta muito só fazer a lição de casa dentro da fronteira. Uma propriedade que está de acordo com o Código Florestal, mantendo 80% da vegetação preservada, pode sofrer com falta de chuva se os vizinhos não estiverem preservando igualmente.

De acordo com o trabalho, nas regiões onde 80% da floresta já foi perdida, na primeira safra, da soja, há um risco de 58% de ocorrer uma queda no volume de chuva maior ou igual a 100 mm, em relação ao que seria esperado para a época. Já na segunda safra, de milho, essas regiões mais desmatadas têm um risco de 44% de enfrentar uma redução maior ou igual a 200 mm nas chuvas. Onde a cobertura de vegetação é maior que 80%, o risco cai à metade.

Para Teixeira, essa situação vai começar a ter impacto no seguro agrícola. “Uma hora os prêmios vão ter de ser ajustados para levar em conta a variação do nível de conservação para dar seguro e o crédito”, opina. 

As alterações climáticas já estão cobrando a conta do agronegócio não é de hoje, nem só na Amazônia. O site do Globo Rural publicou uma reportagem no último dia 5 informando que no ano passado dispararam no Brasil os pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais justamente por causa das perdas nas lavouras afetadas por intempéries climáticas.

De acordo com a publicação, citando dados da Serasa Experian, foram 80 pedidos entre janeiro e setembro de 2023, alta de 300% na comparação com 2022. A expectativa é que haja uma nova alta em 2024.

Enquanto isso, a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) reduziu suas expectativas para a safra de soja neste ano. Em dezembro, a previsão era de colher 160,3 milhões de toneladas. Agora já caiu para 156,1 milhões, conforme informou o InfoMoney.

Não é de hoje que a ciência alerta sobre a importância da floresta para os cultivos agrícolas e para o fato de que o agronegócio seria um dos primeiros a sentir os efeitos da mudança do clima. Mas os avisos não foram levados em conta em decisões políticas do setor, como na alteração do Código Florestal, que flexibilizou a proteção da vegetação nativa no país.

 
E o agronegócio pode até não ser quem aperta a motosserra e acelera o correntão que derrubam a floresta, mas acaba se beneficiando dessa destruição. A maior parte das áreas abertas na Amazônia desde 1985 foram ocupadas, posteriormente, justamente pela agropecuária, segundo levantamento feito pelo MapBiomas.
 
No bioma, em uma outra análise da plataforma, as áreas de pasto saltaram de 13,7 milhões de hectares em 1985 para 57,7 milhões de hectares em 2022. Já o cultivo de soja passou de cerca de 1 milhão de hectares para 7 milhões de hectares.

O setor, porém, não quer nem ouvir falar que está fazendo algo errado, que colaborou para piorar as condições pelas quais é penalizado hoje. Pelo contrário: tem se colocado apenas nesse papel de vítima. 

Nesta semana, no início do ano legislativo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu para definir as prioridades para o ano. Entre elas está trabalhar para aumentar o Seguro Rural, voltado justamente para atender produtores que tiveram perdas de safra.

“As consultorias preveem entre 160 milhões e 130 milhões de toneladas [na safra 2024/2025], enquanto o país está acostumado a colheitas superiores a 200 milhões de toneladas”, afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), de acordo com reportagem do site O Eco

O texto também cita uma declaração do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador nacional de Política Agrícola da bancada ruralista: “Precisamos reconsiderar esse modelo de seguro, pois a atual quebra de safra mostra que se não dermos apoio ao produtor diante dos riscos que ele corre, ele vai parar de produzir, o que impactará a economia de forma geral”.

Nenhuma palavra sobre restauração florestal nem sobre atuar para combater quem ainda desmata ilegalmente. Um outro pesquisador do mesmo grupo da UFMG, o Raoni Rajão, que hoje atua no Ministério do Meio Ambiente, cunhou há algum tempo um termo para definir esse comportamento de uma parte do setor de destruir as bases que dão sustentação para o próprio negócio: agrosuicídio. Pois é.

Giovana Girardi
giovana.girardi@apublica.org
Chefe da Cobertura Socioambiental

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