sexta-feira, julho 01, 2022

Putin mantém meta de controlar maioria da Ucrânia, dizem EUA




Haines: "O quadro continua bastante sombrio"

É improvável que esse objetivo seja conquistado no curto prazo, afirma diretora de Inteligência Nacional da Casa Branca. Ela vê "desconexão" entre ambição e capacidade militar russa, mas projeta um longo conflito.

O presidente russo, Vladimir Putin, mantém seu objetivo de tomar o controle da maior parte do território da Ucrânia, mas suas forças estão tão desgastadas pela guerra que provavelmente só poderão obter ganhos graduais no curto prazo, afirmou a principal autoridade de inteligência dos Estados Unidos na quarta-feira (29/06).

Avril Haines, diretora de Inteligência Nacional da Casa Branca, disse que o consenso entre as agências de inteligência dos Estados Unidos é que a guerra, iniciada há mais de quatro meses, irá se prolongar "por um longo período de tempo".

"O quadro continua bastante sombrio, e a Rússia está endurecendo cada vez mais sua atitude em relação ao Ocidente", afirmou durante uma conferência do Departamento de Comércio.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou nesta semana ao presidente americano, Joe Biden, e a outros líderes do G7 querer que a guerra termine até o final do ano. Mas os comentários de Haines indicam que o apoio de bilhões de dólares em armas modernas fornecidas pelos Estados Unidos e outros países às forças de Zelenski podem não lhes dar a capacidade de virar a maré contra a Rússia em breve.

Descompasso entre objetivo e força militar

Apesar de as forças ucranianas terem tido sucesso em impedir a Rússia de capturar Kiev em fevereiro, o que forçou Moscou a focar em conquistar toda a região do Donbass, Haines afirmou que Putin segue com a intenção de invadir a maior parte da Ucrânia.

"Acreditamos que ele efetivamente tem os mesmos objetivos políticos que avaliávamos anteriormente, ou seja, ele quer conquistar a maior parte da Ucrânia", disse.

Contudo, as forças russas foram tão desgastadas nesses mais de quatro meses de combate que é improvável que possam alcançar a meta de Putin em breve, disse Haines.

"Percebemos uma desconexão entre os objetivos militares de Putin no curto prazo neste tema e a sua capacidade militar, uma espécie de desajuste entre as suas ambições e o que os militares são capazes de realizar", afirmou. 

As forças ucranianas também enfrentam um grande desgaste, e admitiram perda de metade do seu equipamento militar na guerra.

Haines disse que as agências de inteligência dos Estados Unidos projetam três cenários possíveis, sendo o mais provável um conflito de atrito no qual as forças russas "obtêm ganhos graduais, sem rupturas". O segundo cenário é um grande avanço russo, e o terceiro é a Ucrânia conseguir estabilizar as linhas de combate ao mesmo tempo em que obtém pequenos ganhos, talvez perto da cidade russa de Kherson e de outras áreas do sul da Ucrânia.

Guerra assimétrica

A diretora da Inteligência Nacional da Casa Branca afirmou que levará anos para que a Rússia reconstrua as suas forças. Durante esse período, ela projeta que Moscou estará mais dependente de ferramentas de guerra assimétrica, "como ataques cibernéticos, esforços para controlar o fornecimento de energia ou mesmo armas nucleares, para tentar gerenciar e projetar poder e influência global", disse Haines.

"Entretanto, é improvável que as tropas russas sejam capazes de conduzir múltiplas operações simultâneas", afirmou. A prioridade de Putin agora, segundo ela, é obter ganhos na região do Donbass e fazer com que as forças ucranianas colapsem, o que a Rússia avalia que "reduzirá a resistência de dentro para fora".

Os comentários de Haines foram feitos depois que a cúpula dos líderes da Otan na quarta-feira classificou a Rússia como a "ameaça mais significativa e direta" à segurança da aliança militar e prometeu modernizar as forças de Zelenski e o apoiar na "defesa heroica de seu país".

Deutsche Welle

Hitler e Putin




É espantoso como as analogias funcionam. Do lado de Putin, como do lado de Hitler, a mentira permanente. Do lado das democracias, uma confiança sôfrega na possibilidade da paz. 

Por Paulo Tunhas 

Li no outro dia que Putin, em conversa telefónica com Macron, quatro dias antes da invasão da Ucrânia, teria dito ao presidente francês que estava no ginásio e que, em vez de perder tempo com a conversa, preferia ir jogar hóquei sobre o gelo. A coisa lembrou-me algo que tinha lido no dia anterior. Pouco antes da invasão da Polónia, Hitler declarara ao embaixador inglês, Sir Neville Henderson, que era, pela sua própria natureza, um artista e que, depois da questão da Polónia ficar resolvida, tencionava sair da cena política e dedicar-se à pintura.

Percebemos o mundo através da detecção de semelhanças e diferenças. Como Montaigne, entre outros, notou, há gente mais apta a notar as semelhanças e gente mais disposta a assinalar as diferenças. Mas, como é óbvio, trata-se de uma questão de grau. A detecção de umas implica forçosamente a detecção das outras. Entre dois rostos, por exemplo. Ou entre duas ideias. E por aí adiante. A compreensão e o sentimento de inteligibilidade são o resultado da conjunção das duas detecções. Mas é claro que as podemos isolar abstractamente.

Por estes dias, ando às voltas com um problema que tem a ver com a detecção das semelhanças. Ou, se se preferir, com a descoberta de analogias, no sentido corrente da palavra – relação de semelhança entre duas entidades distintas –, sem ser preciso ir aos vários sentidos mais técnicos do conceito. O nosso pensamento, como se sabe, serve-se abundantemente delas. Tanto o pensamento quotidiano como o pensamento científico, o pensamento estético ou o pensamento ético-político. A eficácia das analogias depende da natureza, da estrutura, dos objectos do pensamento, mas, em todo o caso, elas são fundamentais para o próprio acto de pensar.

As virtudes do pensamento analógico não nos devem fazer esquecer os seus riscos. Se podem contribuir para a nossa compreensão das coisas, podem-nos igualmente induzir em erro. E isso não apenas nos casos em que elas são tiradas pelos cabelos, mas mesmo quando possuem alguma verosimilhança. Uma má analogia (mesmo que verosímil) pode ser a melhor maneira de não perceber a natureza do objecto que nos prende a atenção. Conduz-nos a falsas equivalências e desvia-nos do caminho certo para o entender. Isto é particularmente notório no caso da política e da história, onde, de forma mais selvagem ou mais prevenida, a tendência para o estabelecimento de analogias é fortíssima.

Centremo-nos na história. Aristóteles (e, depois, Schopenhauer repetiu-o) dizia que a história é menos filosófica do que a poesia, já que, ao contrário desta, não lida com o universal, mas com o particular. Os indivíduos históricos e os acontecimentos históricos são singulares. Isso produz um efeito limitador sobre o alcance das analogias: elas devem ser temperadas pela consciência da irredutibilidade do singular. As semelhanças estruturais são, por conseguinte, precárias. Mas será que isso quer dizer que elas são ilegítimas e incapazes de nos ajudar a compreender a natureza dos objectos que nos interessam? Não parece que seja assim. Mais: seria contra-intuitivo pensá-lo quando o apelo das semelhanças é poderoso. Muitas vezes, o presente é iluminado pelo passado – e, do mesmo modo, o passado é iluminado pelo presente. O presente torna-se mais inteligível quando comparado com o passado e o passado adquire uma vida suplementar através da experiência do presente.

Tomemos um exemplo. As comparações de Putin com Hitler são hoje em dia frequentes, como a comparação das reacções das democracias ao primeiro e ao segundo. Confesso que, mesmo com a prudência toda, a memória de leituras passadas e os dias que passei em companhia de Appeasing Hitler. Chamberlain, Churchill and the Road to War, de Tim Bouverie, publicado em 2019, fizeram-me dar comigo a concordar com a opinião comum e a surpreender-me com o número de analogias dotadas de verosimilhança. As coisas não são, evidentemente as mesmas. Mas as semelhanças fazem-nos pensar que as situações presentes e passadas se iluminam reciprocamente e suscitam uma compreensão mais nítida dos acontecimentos.

É espantoso como analogias entre os nossos tempos e aqueles que antecederam o início da Segunda Guerra Mundial funcionam. Refiro-me a analogias de carácter e de procedimentos dos participantes. Do lado de Putin, como do lado de Hitler, a mentira permanente. Do lado das democracias, nesta nossa última década como naquele tempo, uma confiança sôfrega na possibilidade da paz. Chamberlain não era a excepção: era a regra. Uma confiança que parecia renovada, e mesmo fortalecida, a cada nova violência nazi. Hitler, fizesse o que fizesse, era, no mínimo, “sincero”, “um homem em quem se podia confiar”. Os “homens culpados” – Guilty Men foi o título de um livro publicado em 1940, sob o pseudónimo de “Catão”, por três jornalistas, um liberal, outro conservador e outro, Michael Foot, futuro líder dos trabalhistas – tentaram apaziguar Hitler até às últimas possibilidades, e muito para lá delas. Quaisquer que sejam as revisões que a história tenha vindo e continue a fazer (o próprio Churchill, aquando da sua morte, fez um seu belo elogio), é difícil não ver Chamberlain à luz daquilo que, na altura, escreveu Dorothy Parker: “o primeiro primeiro-ministro da história a rastejar a quatrocentos quilómetros por hora”.

Tal como hoje Putin faz com a NATO, Hitler acusava a Inglaterra, em pleno período de “apaziguamento”, e com Chamberlain a continuar a recusar um rearmamento substancial, de visar a “aniquilação” da Alemanha. E, como hoje para Putin, para Hitler era a Alemanha a ameaçada e agredida – pelos polacos, por exemplo, antepassados dos “neo-nazis ucranianos”. Não fazia senão tentar libertar os falantes de alemão, onde quer que se encontrassem – nos Sudetas, entre outros lugares –, ameaçados de exterminação pelos outros povos. Lembra-vos alguma coisa? E, tal como hoje em relação a Putin, os jornais eram muitas vezes acusados de serem injustos para com Hitler.

Ler sobre aqueles tempos é como ter uma espécie de déjà vu ao contrário, em que o passado ecoa o presente, sem ilusão ou alucinação nenhumas. Falta-nos, é claro, Churchill e o We shall never surrender a seguir à retirada de Dunquerque, mas o destino de um caso tão excepcionalmente excepcional de retórica política é o de todos os modelos exemplares: ser inimitável. Kant diz isso a propósito da originalidade exemplar do génio e a coisa vale indiscutivelmente para Churchill: não há imitação possível, aí onde a imitação seria o mais desejável. Temos, no entanto, depois de anos de silêncio cego, algumas palavras acertadas. E acções também, que é o mais importante. E Zelensky não precisa de lembrar Tucídides. Tem o seu génio próprio.

A legitimidade das analogias históricas é, sem dúvida, condicionada. Mas há talvez um critério que as legitima: o haver iluminação recíproca do presente e do passado. A analogia entre o jogador de hóquei sobre o gelo – e os seus espectadores entusiastas – e o pintor – e os seus admiradores incondicionais – é uma boa analogia. A mentira de uma identidade alternativa parece ser comum a certa espécie de criminosos. Apesar de tudo, Estaline também gostava de se apresentar como linguista.

PS. Marcelo Rebelo de Sousa declarou a Ângela Silva, do Expresso, que assume, em relação ao Governo, o papel de “grilo falante”. Quer dizer: adopta a posição da consciência que é a da personagem do desenho animado de Walt Disney. Eu lembro-me bem – até tinha um disco de 45 rotações – dos longos discursos (em português do Brasil) do grilo. Mas talvez fosse conveniente que Marcelo lesse o escrito original de Carlo Collodi, que serviu de inspiração ao filme. É que, se bem me lembro, o grilo, mal tenta reprovar o comportamento de Pinóquio, é logo esborrachado por ele contra uma parede – para apenas aparecer, uma segunda vez, miraculosamente, tentando falar de novo e conhecendo outra vez um fim parecido. Imagino que tal funesto destino – não ser esborrachado, mas calado – seja particularmente incómodo para Marcelo, mas o Pinóquio era assim. E, já agora, uma pergunta quase metafísica: quem é, neste desenho animado em que vive e nos quer fazer viver, o Gepeto?

Observador (PT)

China reage com indignação a alerta da Otan




Aliança advertiu contra proximidade entre Pequim e Moscou e criticou ambições chinesas. Ministério do Exterior chinês condena "mentalidade da Guerra Fria e inclinação ideológica", e acusa Ocidente de sabotar paz mundial.

A China reagiu com indignação nesta quinta-feira (30/01) a um alerta dado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre as ambições do governo liderado pelo presidente Xi Jinping.

O novo conceito estratégico da Otan, divulgado na reunião de cúpula da entidade em Madrid, afirma, pela primeira vez, que as ambições e as políticas coercitivas da China representam desafios a seus interesses, valores e segurança.

A aliança advertiu ainda que a aproximação da China com a Rússia contraria os interesses ocidentais.

Na reunião, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, acusou a China de "reforçar substancialmente suas forças militares, incluindo seu arsenal nuclear, provocando seus vizinhos e ameaçando Taiwan".

"A China não é nossa adversária. Mas, temos de enxergar com clareza os graves desafios que ela representa", destacou. Esta foi a primeira atualização do concento estratégico da aliança desde 2010.

Os Estados Unidos vinham insistindo junto aos demais países da aliança para que prestassem atenção maior à China, apesar da resistência de alguns em desviar o foco das questões envolvendo a Europa.

Pequim se recusou a condenar a invasão russa da Ucrânia. Soma-se a isso o fato de que chineses e russos vêm aprofundando suas relações nas esferas comerciais e militares. Neste mês, Xi Jinping disse ao presidente russo, Vladimir Putin, que Moscou pode contar com seu apoio no que diz respeito à sua soberania e segurança.

Líderes ocidentais acusam o governo chinês de "acobertamento diplomático", ao criticar as sanções ocidentais contra Moscou e o envio de armas à Kiev. A Otan também denunciou a China por lançar operações cibernéticas contra as nações aliadas e por sua "retórica de confrontação".

Um claro sinal do aumento das preocupações com a China foi a presença, pela primeira vez, do Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia na cúpula da Otan.

Indignação chinesa

Pequim rebateu enfaticamente as declarações da aliança, a qual acusou de manter possuir "mentalidade de Guerra Fria e inclinação ideológica".

"O chamado novo conceito estratégico ignora fatos, confunde [...] e difama a política externa chinesa", afirmou o porta-voz do Ministério chinês do Exterior Zhao Lijian. "A China se opõe categoricamente."

"Gostaríamos de alertar a Otan que exagerar uma suposta ameaça chinesa é algo completamente inútil", disse Zhao. O porta-voz disse que a China não representa o "desafio sistêmico" imaginado pela Otan, e que as afirmações referentes ao seu "desenvolvimento militar normal" e sua política de defesa nacional são irresponsáveis.

Ele, ao contrário, acusou a Otan de ser um "desafio sistêmico à paz e estabilidade mundial", e que "suas mãos estão manchadas com o sangue de pessoas em todo o mundo".   

Deutsche Welle

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Casa Branca acusa Republicanos de ajudar a China a competir com os EUA

A Casa Branca acusa os Republicanos no Senado de "literalmente" escolher ajudar a China a competir com os Estados Unidos para proteger as grandes farmacêuticas. "Isso leva a lealdade a interesses especiais sobre os trabalhadores americanos a uma nova e chocante altura", afirmou a secretária de imprensa Karine Jean-Pierre, em comunicado, nesta quinta-feira. "Não vamos recuar diante dessa ameaça ultrajante."

Jean-Pierre diz que o senador líder do partido rival, Mitch McConnell, "mantém refém" um pacote bipartidário que fortaleceria a competitividade americana em relação à economia chinesa. Caso aprovado, ele "renderia centenas de milhares de empregos industriais em lugares como o sul de Ohio, Idaho e outros estados do país" e "reduziria o custo de inúmeros produtos e acabaria com nossa dependência das importações", argumenta a porta-voz.

Estadão / Dinheiro Rural

SAJ: Assaltante morre de infarto após fugir da polícia; homem roubava em rodoviária

 exta, 01 de Julho de 2022 - 11:00

SAJ: Assaltante morre de infarto após fugir da polícia; homem roubava em rodoviária
Foto: Reprodução / Blog do Valente

Um homem morreu após assaltar diversas pessoas no terminal rodoviário de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo. O fato ocorreu na tarde desta quinta-feira (30). Segundo o Blog do Valente, parceiro do Bahia Notícias, o homem estava na companhia de outro assaltante, ambos vindos do Sul baiano, quando aproveitou a parada de um ônibus para assaltar pessoas que estavam no local, que fica próximo a um batalhão da Polícia Militar.

 

Uma das vítimas foi um policial à paisana. Ao perceber o ocorrido, outros policiais se aproximaram e a dupla fugiu, atirando. Ainda segundo o site, um dos assaltantes conseguiu escapar, mas o outro correu por dentro da rodoviária. O homem tentava entrar em um ônibus quando passageiros pediram para o motorista fechar a porta.

 

Ele então fugiu pelos fundos da rodoviária, momento em que passou mal e caiu. O assaltante ainda teria sido levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu. A causa teria sido infarto do miocárdio.

 

Policiais informaram que o homem tinha passagens pela delegacia por roubos.

Bahia Notícias

Homem é preso suspeito de furto de cabos de fios de internet

 em 1 jul, 2022 9:58

Homem foi preso na Rodovia dos Náufragos. (Foto: PMSE)

Um homem foi preso na última quinta-feira, 30, suspeito de furto de cabos de fiação de internet, na Avenida Gasoduto, Conjunto Orlando Dantas, em Aracaju.

De acordo com informações da Polícia Militar, a guarnição foi solicitada para realizar uma averiguação em um veículo conduzido pelo suspeito. Dentro do automóvel foi encontrado uma grande quantidade de cabos de internet.


Ainda segundo a Polícia Militar, também foi constatado que o automóvel estava com licenciamento atrasado. Tanto o veículo, quanto o suspeito foram encaminhados para a Delegacia.

Por Milton Filho e João Paulo Schneider

INFONET

Será impossível conter a reação do povo se Bolsonaro perder, diz Flávio, o filho “01”

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Julgamento em caso de Flávio Bolsonaro é adiado - Diário do Comércio

Felipe Frazão
Estadão

Coordenador da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirma que o presidente não terá como controlar uma eventual reação violenta de apoiadores que contestem o resultado das urnas. Flávio não quis confirmar se Bolsonaro reconheceria uma derrota, mas nega que planeje estimular um levante. “Algo incentivado pelo presidente Bolsonaro, a chance é zero”, disse ele em entrevista ao Estadão.

Filho primogênito de Bolsonaro, Flávio sugere que militares se pronunciem oficialmente se o Tribunal Superior Eleitoral ignorar as recomendações para a transparência das eleições feitas pela Defesa. “Se as Forças Armadas apontam vulnerabilidades e o TSE não supre, é natural que essas pessoas tenham que se posicionar dizendo: ‘A gente não pode garantir que as eleições vão ser seguras’.”

O presidente vai aceitar o resultado da eleição?
O presidente pede uma eleição segura e transparente, era o que o TSE deveria fazer por obrigação. Por que não atende às sugestões feitas pelo Exército se eles apontaram que existem vulnerabilidades e deram soluções? A bola está com o TSE.

Se o TSE não ceder, não fizer a reunião técnica que foi pedida pelos militares, as Forças Armadas devem fazer o quê?
Se as Forças Armadas apontam vulnerabilidades e o TSE não supre, não resolve esses problemas, é natural que essas pessoas, talvez via comandante do Exército, via ministro da Defesa, tenham que em algum momento se posicionar: ‘Olha, sugerimos, houve alterações, apontamos vulnerabilidades, o TSE não quer fazer, por consequência a gente não pode garantir que as eleições vão ser seguras’. Para que chegar a este ponto? Essa resistência do TSE em fazer o processo mais seguro e transparente obviamente vai trazer uma instabilidade. E a gente não tem controle sobre isso. Uma parte considerável da opinião pública não acredita no sistema de urnas eletrônicas.

Se houver um levante contra o resultado das eleições, como vimos nos EUA, qual será a posição do presidente, do sr., dos principais nomes do governo? Se isso surgir de apoiadores, o presidente endossa?
Como a gente tem controle sobre isso? No meu ponto de vista, o Trump não tinha ingerência, não mandou ninguém para lá (invadir o Capitólio). As pessoas acompanharam os problemas no sistema eleitoral americano, se indignaram e fizeram o que fizeram. Não teve um comando do presidente e isso jamais vai acontecer por parte do presidente Bolsonaro. Ele se desgasta. Por isso, desde agora, ele insiste para que as eleições ocorram sem o manto da desconfiança.

Ele poderia ter de tomar uma decisão dura, até decretar estado de sítio, alguma medida de exceção?
Isso não está na mesa. O que está na mesa hoje é que o TSE dê segurança para que o eleitor mais humilde tenha a certeza de que o candidato que escolher vai (receber) o voto de verdade.

Se for com o sistema que está aí, e o presidente tiver resultado negativo, ele reconhece a eleição?
Alguns avanços o TSE já fez, que, se forem implementados, dificultam a possibilidade de fraude. Se tem mais coisas que podem ser feitas para diminuir, por que não fazer? Quem quer dar golpe na democracia? Bolsonaro ou quem está resistindo a atender a sugestões técnicas?

Por que o presidente deixa no ar que vai tomar alguma decisão, em tom de ameaça, e diz que pode descumprir decisão do Supremo?
Ele é uma pessoa genuína e fica indignado com as interferências de alguns ministros do Supremo no Executivo e no Legislativo, decisões que inviabilizam o governo, que invadem a esfera do presidente da República. O presidente se sentiu aviltado e externou isso. A pessoa não pode mais falar o que pensa?

Que acordo o presidente e o ministro Alexandre de Moraes fizeram?
Foi uma conversa dele com o Temer e o Alexandre de Moraes. O presidente fala que o Alexandre não cumpriu. Eu vi dentro do Congresso, havia uma conversa para, em o Congresso não derrubando a prisão do deputado Daniel Silveira, ato contínuo o Alexandre de Moraes soltaria. Mas ele ficou mais alguns meses preso. E (Moraes)não cumpriu, se foi de verdade, esse acordo. Alguns deputados votaram achando que estava valendo, para manter a prisão. A todo momento a gente olha esse tipo de ato. E você não vê nenhum tiro do Palácio do Planalto lá para o STF. Só ao contrário.

Quando Bolsonaro cobra uma contagem paralela de votos feita pelas Forças Armadas, o que não é missão delas, não é um ‘tiro’, uma afronta clara a atribuições do Judiciário?
Se os técnicos estão mostrando que precisa ser feito para garantir a segurança e a imparcialidade, por que não fazer?

Mas isso não consta na sugestão das Forças Armadas.
Essa apuração paralela não precisa ser só das Forças Armadas, pode ser da OAB, por exemplo. É uma tripla checagem de segurança. Por que ser contra? Não tem lógica. Por vaidade? Qual o preconceito com os militares? Será que esse preconceito não se estende a ter um presidente militar?

O governo está atuando para aprovar PEC com aumento de auxílios sociais. Vai dar tempo para reverter o quadro eleitoral?
Esse impacto é possível. Mas meu pai sempre me ensinou a fazer as coisas sem pensar no que vai trazer votos de volta. O momento pede. O mundo com inflação alta, o poder de compra do planeta diminuiu.

Mas não pode ser tarde eleitoralmente?
Aí quem vai dizer é o eleitor. Sinceramente, ele não está preocupado se vai dar voto ou não. Ele está fazendo porque os mais pobres precisam.

E vai ser fácil aprovar?
Não acho que será difícil aprovar. Há consenso de que é necessário um pacote como este. Não foi fácil lidar com tudo que aconteceu e, no meu ponto de vista, o saldo é positivo para o governo. O eleitor vai saber pesar isso tudo. Agora, se vai querer que volte aquela quadrilha do PT para assaltar o País e estuprar as estatais… No governo Bolsonaro isso não acontece e as pessoas sentem melhoria na qualidade de vida.

Mas a inflação ainda está chegando a 12%, 33 milhões de pessoas estão passando fome. Não é isso tudo que está sendo explorado pelas campanhas adversárias?
Isso é uma narrativa mentirosa. Como alguém pode achar que estar trabalhando e ganhando menos do que a média é pior do que estar desempregado?

Tem algum mea-culpa do governo?
Nenhum governo é perfeito. Ninguém nasce sabendo ser presidente. Mas o saldo é imensamente positivo. Até quando o presidente Bolsonaro erra, erra tentando acertar. Para mim, o maior equívoco foi não dar mais atenção para a publicidade das coisas que beneficiam as pessoas.

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro disse que o presidente telefonou para ele falando de busca e apreensão. Houve isso?
Não sei se ele telefonou, mas, quando se analisa o contexto, pode ser algo para confortar a família. Qualquer pessoa que estivesse acompanhando, em função da gasolina, que grande parte da mídia botou no caso… A busca e apreensão eram uma coisa possível de acontecer. Se tivesse interferência na PF, coisa que Bolsonaro não faz, por que o cara seria preso?

O juiz federal Renato Borelli prendeu por risco de obstrução de Justiça, ocultação de provas.
Ele (Milton Ribeiro) já estava fora do ministério. Esse juiz tem que ir para o CNJ, porque ele fez ativismo político para desgastar o governo, causar transtorno eleitoral. Se ele já sabia que se falava no presidente Bolsonaro antes da prisão do ex-ministro, ele tinha que ter mandado para o STF, não ter determinado a prisão. Pelo que tem até agora, não podemos falar que o ministro Milton tem envolvimento com corrupção.

A Polícia Federal diz que o ex-ministro é suspeito de corrupção passiva, tráfico de influência…
Suspeito de corrupção… É uma prisão arbitrária, perseguição política. Não dá para comparar com os R$ 6 bilhões recuperados da Petrobras, dos delatores que devolveram dinheiro que roubaram. Não dá para botar na mesma prateleira, a população enxerga. É forçação de barra.

Não são suficientes indícios como dinheiro na conta de familiares, atuação dos pastores dentro do MEC com respaldo do ministro?
Pedindo para levar recurso público para as escolas? Isso 100% do Congresso que vai no ministério pede.

Tem pedido de propina, senador…
Se os pastores pediam pedágio para os caras no meio do caminho têm de responder por isso.

Como esses pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, tiveram tanto acesso ao presidente, participaram de eventos no Palácio do Planalto?
São lideranças religiosas. Tem que receber qualquer liderança, ainda mais religiosa, que é uma pauta do governo. E pelo que sei os pastores não tinham antecedentes. As pessoas fazem besteiras, e as responsabilidades têm que ser individualizadas.

O caso MEC não justifica a CPI da oposição?
A CPI quer fazer palanque político na véspera da eleição. Sou contra um factoide como esse para atrapalhar a eleição, como foi a CPI da Covid. Espero que o Senado não caia nessa armadilha que só bota o Senado cada vez mais em descrédito.

A liberação de emendas consegue segurar a CPI?
Não tem nada a ver, isso já estava acontecendo independente de CPI. Não é o momento de instalar CPI nenhuma, todos os 81 parlamentares tem de ter oportunidade de participar e estamos em véspera de recesso e eleição. Que comece depois quando todo mundo tiver voltado da campanha. Existem quatro pedidos de CPI feitos antes dessa, uma para apurar as obras de escolas paradas do MEC e mau uso do Fies. Se for instalar CPI, que obedeça a ordem cronológica. É o caso de pedir que seja apensada essa CPI do MEC à nossa anterior, porque tem vinculação.

O presidente tem reiterado que pode descumprir decisão do Supremo, ele deixa no ar que vai tomar uma decisão, é tom de ameaça.
Hoje ele está numa linha mais tênue. Ele é uma pessoa genuína e fica indignado com as interferências de alguns ministros do Supremo no Executivo e no Legislativo, decisões que inviabilizam o governo, que invadem a esfera do presidente da República. O presidente se sentiu aviltado e externou isso. A pessoa não pode mais falar o que pensa?

O Ministério Público do Rio quer retomar as investigações da rachadinha, que o senhor conseguiu anular.
E já perdeu de novo. Não tem por que reabrir. Estou tranquilo com relação ao processo e a minha consciência. Viraram minha vida do avesso e não acharam nada. Felizmente o VAR jurídico funcionou nesse caso e não deixou dúvidas para ninguém. Não aceito tomar gol de mão. Não tem pessoas falando que me deram dinheiro, não tem depósito na minha conta, meu patrimônio é compatível com minha renda. Tentam colocar Bolsonaro na mesma prateleira de corrupção do Lula. Não dá.

A campanha vai ter comparação desses casos de corrupção entre Lula e Bolsonaro?
Eles vão tentar fazer. Eu comprei uma casa em 35 anos, pegando financiamento imobiliário no banco. Querem dar ar de ilegalidade. Mais uma que vai ser arquivada. Você acha que o banco me emprestou dinheiro porque tenho olho verde? Emprestou porque eu tinha condições de pagar a dívida que estava tomando e tenho até hoje. Tenho fontes de renda como parlamentar, advogado e empresário.

A 95 dias da eleição, é a primeira vez que um presidente no cargo não lidera as intenções de voto. Como mudar esse cenário?
É a primeira vez que um presidente pega uma pandemia seguida de uma guerra. Vamos ter tempo para mostrar todas as conquistas e realizações do governo. Conclusões de obras como a transposição do rio São Francisco, o povo nordestino sofreu com a seca até ontem e o presidente realizou o sonho de milhões de nordestinos, um direito deles. A crise que enfrentamos no petróleo, se o PT não tivesse roubado e sido incompetente nas refinarias, que deveriam estar funcionando, como Comperj e Abreu e Lima, o Brasil seria muito menos impactado pela oscilação do preço lá fora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Uma entrevista muito boa. O excelente repórter Felipe Frazão imprensou o senador Flávio Bolsonaro, mas ele se saiu bem, está mostrando que aprendeu a ser político, pois encontra resposta para tudo. (C.N.)

Moraes diz em Portugal que o narcotráfico assumiu de fato, a soberania da Amazônia

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

 (crédito: Nelson Jr./SCO/STF)

Moraes diz que União, estados e municípios fracassaram

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Enquanto o governo faz alarde sobre uma possível tentativa de países como a França e os Estados Unidos tomarem posse da soberania da Amazônia, o narcotráfico já está fazendo esse movimento de fato. Foi o que disse o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante participação no Fórum Jurídico de Lisboa. Segundo ele, o crime organizado tomou conta de várias regiões da floresta por incapacidade do poder público de garantir a segurança na região.

 “Quais são os perigos hoje na Floresta Amazônica? O contrabando, o garimpo, o comércio ilegal de madeira. Não são os ribeirinhos”, afirmou.

GRAVIDADE DA SITUAÇÃO – Moraes lembrou que a situação é tão grave, que foram os Estados Unidos que oficiaram o Brasil sobre a apreensão de uma carga enorme de madeira tirada da Amazônia e exportada por meio de documentos falsos. Essa revelação, por sinal, resultou na queda de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente. Ele havia defendido publicamente a empresa responsável pela derrubada ilegal de árvores.

O ministro reconheceu que é difícil fiscalizar a Amazônia. “É preciso ter verba para isso”, frisou. O problema é que nenhuma das três esferas de governo — União, estados e municípios — destina recursos suficientes para a proteção do meio ambiente. Muito pelo contrário. Mesmo com dinheiro previsto nos orçamentos, boa parte é contingenciada para a obtenção de superavits primários das contas públicas.

FALTA PRAGMATISMO – “Não tem como fazer segurança se não houve orçamento. Tem que ser pragmático”, reforçou Moraes. Ele ressaltou que, no Congresso, há emendas de bancada e de relator para que os parlamentares possam destinar recursos à proteção ambiental. Mas são pouquíssimos os projetos contemplados com verbas. Entre os partidos, a grande preocupação é pelo controle do Ministério do Meio Ambiente, não pelas políticas que precisam ser executadas.

O ministro lembrou que a campanha eleitoral começará, efetivamente, em 16 de agosto, mas, até agora, nenhum dos candidatos para cargos nacionais e estaduais apresentou projetos concretos para a preservação do meio ambiente.

“Alguém sabe de alguma proposta de partidos para a área ambiental? Nada”, disse. Na avaliação dele, passou da hora de sair do discurso para a prática.

FOME E DESEMPREGO – Moares destacou ainda, que, infelizmente, dada à atual conjuntura econômica do país, é difícil se pensar num engajamento mais firme da população no debate em favor da proteção do meio ambiente.

“Temos 33 milhões de brasileiros com fome. Como passar a preocupação com o meio ambiente antes da fome. Temos 11 milhões de desempregados”, afirmou. Não por acaso, quando consultada sobre temas mais importantes, a população cita emprego, saúde, educação, segurança pública.

Outro problema grave: sem moradia digna, muitas pessoas acabam ocupando áreas de proteção ambiental. “Como essa pessoa que vai ser retirada dessas áreas vai se preocupar com o meio ambiente se será jogada na rua?”, indagou. Segundo Moraes, a solidariedade com esse público em situação de vulnerabilidade só aparece em momentos de catástrofe, quando centenas ou mesmo milhares perderam a vida.

ACHAR A SAÍDA – Moraes acredita que é possível conciliar crescimento econômico, geração de emprego, distribuição de renda, moradia digna, agronegócio com sustentabilidade.

Basta, para isso, haver planejamento, vontade política, com todos os atores envolvidos. Ele assinalou que isso também passa pela educação e pelo engajamento das novas gerações. No entender dele, é preciso que a população vista a camisa do meio ambiente como vestiu a da lei de proteção do consumidor.

Também o Judiciário deve fazer a parte dele, enfatizou o ministro. Apesar de o Supremo ter criado jurisprudência sobre temas importantes na área ambiental, muitos juízes de primeira instância não seguem o que foi determinado.

CÓDIGO DESRESPEITADO – Um dos exemplos é o Código Florestal. “Todas as semanas chegam ao Supremo dezenas e dezenas de reclamações de que a jurisprudência não está sendo seguida”, contou. “É preciso ter segurança jurídica”, acrescentou.

O lado positivo é que o Judiciário, em sua maioria, vestiu a camisa do meio ambiente, assim como ocorreu com o Código de Defesa do Consumidor.

Moraes assinalou também que há hoje, no mundo, mais de 150 Constituições com regras de proteção ambiental, mas é importante ressaltar que a legislação brasileira foi uma das primeiras do mundo. E não se deve perder isso de vista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Excelente entrevista de Moraes, demonstrando equilíbrio e precisão em seus diagnósticos. Pena que não se comporte assim ao julgar o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), pois o parlamentar recebeu uma graça presidencial cuja existência Moraes faz questão de tentar desconhecer. (C.N.)

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