segunda-feira, maio 09, 2022

“Queda do valor real do salário mínimo exibe o fracasso de Bolsonaro”, diz Ciro

Publicado em 9 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

O ex-ministro da Fazenda também criticou a reeleição, afirmando que o mecanismo acaba

Neste domingo, Ciro Gomes deu entrevista ao Canal Livre

Victor Correia
Correio Braziliense

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Planalto pelo PDT, Ciro Gomes, fez publicação no Twitter sobre matéria do jornal O Globo revelando que o presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ser o primeiro chefe de Estado a deixar o mandato com o salário mínimo abaixo do valor inicial desde o Plano Real.

“Diz O Globo que Bolsonaro será o primeiro presidente desde o Real a terminar o mandato com salário mínimo valendo menos. É bem mais que isso: será um presidente que deixará a Presidência da República valendo menos”, escreveu Ciro.

PERDEU VALOR REAL – Matéria do jornal do Rio de Janeiro mostra que Bolsonaro vai terminar seu mandato em dezembro de 2022 como o primeiro presidente, desde o Plano Real (julho de 1994), a deixar o salário mínimo valendo menos do que quando entrou. Nenhum governante neste período, seja no primeiro ou segundo mandato, entregou um mínimo que tivesse perdido poder de compra. Pelos cálculos da Tullett Prebon Brasil, a perda será de 1,7%.

“Eu eleito, minha primeira providência será restaurar a autoridade da presidência da República, que está destruída. Sem autoridade, não autoritarismo, autoridade. Ter exemplo, impor autoridade aos limites da Constituição aos demais órgãos do estado nacional brasileiro, consertar a baderna institucional que nosso país está mergulhado”, disse Ciro neste domingo, em entrevista ao programa Canal livre, da TV Band.

REELEIÇÃO – O ex-ministro da Fazenda também criticou a reeleição, afirmando que o mecanismo acaba “travando o êxito de qualquer presidente”, já que opositores e mesmo aliados trabalham para “não deixar você acertar a mão”. Em falas anteriores, Ciro já defendeu que, se eleito, não disputará a reeleição.

“Eu vou propor concretamente o que penso fazer, de onde vem o dinheiro, quanto custa para fazer aquilo que pretendo fazer. Eu vou fazer anunciar metas e o Brasil vai ser uma Espanha em 30 anos com metas intermediárias de 5 em 5 anos em todos os setores da vida brasileira”, afirmou.

Em relação à crise econômica, Ciro apontou que é a primeira vez em 120 anos que o Brasil fica uma década sem crescimento. O presidenciável defende que o problema é com o modelo econômico do país, e com a “forma como organizou a institucionalidade fiscal brasileira”.

FAZER CERTO – “Não é possível que a gente imagine que o que está errado no Brasil porque tinha um manual de fazer certo e os caras de Brasília são tão salafrários que fazem tudo errado de propósito. Não é”, apontou o pedetista. “É que o Brasil tem um corte de classe em que cinco pessoas acumulam a renda de 100 milhões brasileiros mais pobres e eles dão as cartas”, argumentou.

Ciro voltou ainda a criticar a polarização entre Lula e Bolsonaro. Ele admitiu que há maior evidência entre um presidente que está no cargo e com um ex-presidente que participa de todas as eleições presidenciais “como candidato ou colocando um preposto” desde 1989.

“Mas deixe dizer, entretanto, porque recuso essa simplificação. Não é me queixando, é porque ela não responde de fato sobre o que represento ou tento representar na dinâmica brasileira”, disse. Ele ainda criticou o presidente Lula por ter tratado sobre aborto em discurso recente, afirmando que a sociedade brasileira é religiosa e trata o tema como tabu. Ciro ainda disse que a polêmica “entregou três pontos para o Bolsonaro” nas pesquisas eleitorais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nota-se que, ao contrário de Lula e Bolsonaro, o candidato Ciro apresenta propostas concretas. Se não houvesse tantos candidatos na terceira via, o  pedetista poderia chegar ao segundo turno e depois vencer a eleição. Como diz o jornalista Merval Pereira, é preferível escolher o melhor do que indicar o menos ruim. (C.N.)

Deputado do PT aciona Michelle Bolsonaro por 'propaganda eleitoral' em rede nacional de TV

por Mônica Bergamo | Folhapress

Deputado do PT aciona Michelle Bolsonaro por 'propaganda eleitoral' em rede nacional de TV
Foto: Reprodução / TV Brasil

O deputado federal e ex-presidente do PT Rui Falcão (SP) acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Rodrigues Britto, por improbidade administrativa e propaganda eleitoral antecipada.
 

Falcão é também coordenador de comunicação da campanha do ex-presidente Lula (PT). Na noite de domingo (8), a primeira-dama e a ministra participaram de uma ação atípica e usaram a cadeia nacional de TV e rádio para falas sobre o Dia das Mães (leia mais aqui).
 

Por quase cinco minutos, a esposa do presidente Jair Bolsonaro (PL) e a titular da pasta alternaram falar com considerações sobre o que é ser mãe. E divulgaram programas do governo direcionados às mulheres.
 

A peça foi recheada de frases enaltecendo a maternidade.
 

"Por vezes, abrimos mão de nossas vontades para acolhermos nossos filhos e oferecermos o melhor para eles. Ser mãe é chamar para si a maior e mais divina das responsabilidades", disse Michelle Bolsonaro.
 

"Por conhecer os desafios da maternidade, temos o compromisso de cuidar das mães do nosso país", disse ainda a primeira-dama.
 

"Como mãe, trabalho diariamente para construir um futuro melhor para o Flavinho. Ele só tem três anos e talvez ainda não entenda, mas tenho certeza que todo o esforço de hoje vai valer a pena", disse a ministra Cristiane.
 

A ministra ainda afirmou que Michelle, como ela própria e outros milhões de mulheres, era uma "bênção para o nosso país".
 

Na representação à PGR, o deputado Rui Falcão afirma que Michelle Bolsonaro buscou benefícios pessoais ao se enaltecer e buscar melhorar "a imagem desgastada do presidente da República junto ao eleitorado feminino brasileiro".
 

Falcão ainda destaca que a rede nacional de rádio e televisão é destinada a pronunciamento dos chefes dos três Poderes e, eventualmente, para a transmissão de comunicados de ministros de Estado.
 

Michelle e a ministra não teriam feito nada disso. A primeira-dama teria apenas apresentado "sua condição pessoal de mãe e sua visão própria da maternidade".
 

Diferentemente do que "ocorreu nos outros três anos do governo Bolsonaro, concedeu-se valiosíssimo espaço publicitário em todas as rádios e TVs do país para que a primeira-dama pudesse apresentar-se ao eleitor brasileiro como uma mãe zelosa, como uma mulher abençoada", diz ele, referindo-se à forma como a ministra Cristiane a apresentou ao público.
 

O parlamentar afirma ainda que não há razão jurídica para que Michelle tenha protagonismo em mensagem de Dia das Mães, uma vez que é primeira-dama e presidente de conselho voltado apenas a políticas públicas para o trabalho voluntário.
 

"O desenrolar dos fatos deixa claro que houve desvio de finalidade no ato convocatório porque o espaço publicitário acabou ocupado não apenas pela ministra, mas também pela esposa do presidente que terá a função, nesses meses anteriores ao pleito de outubro de 2022, de amenizar a imagem do presidente junto ao eleitorado feminino", diz o parlamentar na representação.
 

O ex-presidente do PT ainda afirma não ser relevante para os cidadãos saber que a primeira-dama abre mão de suas vontades para acolher os filhos e oferecer o melhor para eles.
 

"Nenhum brasileiro, também, necessita saber por meio de publicidade oficial que a ministra titular da pasta das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos trabalha 'diariamente para construir um futuro melhor para o Flavinho'", segue Falcão, em referência à fala de Cristiane Britto sobre seu filho.
 

"Claro que, se esses pontos são tangidos pela publicidade, é porque o seu foco está nas personalidades que estão na tela, e não apenas em atos e programas do governo", afirma a ação.
 

Rui Falcão é representado pelos advogados Hélio Freitas de Carvalho da Silveira, Marcelo Santiago de Padua Andrade, Marco Aurélio de Carvalho e Fabiano Silva dos Santos. Eles pedem que a representação seja recebida pela PGR e encaminhada à Procuradoria-Geral Eleitoral, ligada ao Ministério Público Federal.
 

O uso de cadeia de TV e rádio para esse fim jamais foi adotado pela gestão Bolsonaro nos três anos anteriores, em 2019, 2020 e 2021. Além disso, a prática destoa das regras divulgadas pelo próprio governo federal para utilização do expediente.
 

Segundo a norma do Planalto, "a formação de rede nacional de rádio e televisão [existe] para atender à solicitação de transmissão de pronunciamentos dos chefes dos três Poderes da República e, eventualmente, para transmissão de comunicados de ministros de Estado em temas de relevância e interesse nacionais, como campanhas de vacinação para evitar epidemias".
 

Michelle, que coordena o programa Pátria Voluntária, encerrou o vídeo dizendo abraçar "cada mãe desse Brasil [...], todas as mães heroínas deste país".

Bahia Noticias

2 suspeitos de participação no assassinato de PM são mortos em confronto com a polícia


2 suspeitos de participação no assassinato de PM são mortos em confronto com a polícia
Foto: Divulgação / PM-BA

Dois suspeitos de participação no assassinato do policial militar Alexandre Menezes, de 30 anos de idade, no último final de semana, na região de Cajazeiras, foram mortos e outros dois ficaram feridos em confronto com a polícia nesta segunda-feira (9).

 

A notícia foi dada pelo comandante-geral da PM baiana, coronel Paulo Coutinho, em entrevista coletiva no início da tarde de hoje. “Foram quatro resistentes, dois foram socorridos e algumas prisões estão em andamento”, afirmou o militar.

 

Em conversa com a imprensa pela manhã, o governador Rui Costa afirmou que autorizou o uso de força máxima das unidades especializadas da segurança pública e citou o sistema judicial ao pedir que a legislação "não facilite a soltura" de marginais (veja aqui).

 

Na noite do último sábado (7), Alexandre foi assassinado enquanto fazia rondas no bairro de Águas Claras, na periferia de Salvador, pelo Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM Cajazeiras) (leia mais aqui).

 

Já na noite de domingo (8), na localidade conhecida como Invasão da Independência, na região de Cajazeiras, em Salvador, dois policiais militares também da 3ªCIPM foram mortos a tiros. Os militares voltavam do velório do colega, soldado Menezes, morto um dia antes em Águas Claras (relembre aqui). (Atualizado às 13h34)

Bahia Notícias

Lençóis: MPF firma TAC para recuperação de casarão no centro histórico

Lençóis: MPF firma TAC para recuperação de casarão no centro histórico
Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF- BA) firmou um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) para reforma de imóvel tombado como patrimônio histórico brasileiro, em Lençóis (BA), na Chapada Diamantina. O prédio é situado na Praça Horário de Matos, nº 20, e integra o conjunto arquitetônico e paisagístico da cidade. 

 

Atualmente, encontra-se em mau estado de conservação, necessitando de reparos imediatos para garantir a integridade da estrutura, além da segurança de quem passa pelo local e de imóveis vizinhos, já que existe risco de desabamento. O TAC, firmado junto aos proprietários do imóvel, estabelece a realização das reformas necessárias à conservação e estabilização da estrutura física, bem como a não utilização do prédio para fins comerciais e/ou residenciais, até que seja concluída a reforma. A obra deve ser realizada de acordo com um projeto de engenharia e arquitetura, cuja execução dependerá de aprovação do órgão municipal competente e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

O Compromisso de Ajustamento de Conduta prevê também que os proprietários apresentem, em 45 dias, resultado de visita técnica de avaliação da obra, realizada por empresa de engenharia a ser contratada. Após isso terão prazo de até 120 dias para dar início à reforma, já contando o tempo para possíveis alterações no projeto arquitetônico a ser aprovado pelo Iphan.

 

Os custos totais serão de responsabilidade dos proprietários do prédio, de forma proporcional à parcela de propriedade de cada um. O não cumprimento dos termos do TAC pode resultar em pagamento de multa diária, a ser realizado por depósito em favor do Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos.

Bahia Notícias

Bolsonaro tumultua eleição com dados de urnas tratados com discrição pelo Exército

por Vinicius Sassine e Marianna Holanda | Folhapress

Bolsonaro tumultua eleição com dados de urnas tratados com discrição pelo Exército
Foto: Reprodução / EB

Os relatórios que o Exército produz sobre as urnas eletrônicas, usados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para contestar a lisura do processo eleitoral deste ano, são compartilhados com a cúpula do Ministério da Defesa por um integrante do Alto Comando da Força.
 

O mesmo general foi chamado para uma reunião com Bolsonaro, ocasião em que as eleições foram discutidas.
 

O compartilhamento de dados que acabam municiando a ofensiva de Bolsonaro é feito pelo general de Exército Guido Amin Naves, que comanda o DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia), no QG da Força em Brasília.
 

Interlocutores de Amin descrevem-no como reservado e dizem que o general tratou com seriedade e sigilo o trabalho compartilhado com a cúpula do Ministério da Defesa. E que acabou envolvido na ofensiva de Bolsonaro de politizar a participação dos militares no processo eleitoral.
 

Ao DCT está vinculado o Comando de Defesa Cibernética, unidade do Exército responsável pela produção dos documentos que acabam, numa etapa final, sendo usados por Bolsonaro para tumultuar o processo eleitoral.
 

O comandante de Defesa Cibernética é o general de Divisão Heber Garcia Portella, o responsável por formular questionamentos e sugestões na comissão de transparência das eleições montada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
 

Os pontos levantados por Portella dialogam com as contestações habitualmente feitas pelo presidente sobre o processo eleitoral.
 

Amin é um general quatro estrelas na ativa. Por ter a mais alta patente, e por seguir na ativa, integra o Alto Comando do Exército, o colegiado que assessora o comandante na tomada de decisões.
 

Portella, por sua vez, é um general três estrelas. Integrantes do Ministério da Defesa afirmam, sob condição de anonimato, que não cabe a ele participar de reuniões que envolvem as cúpulas militares.
 

Por isso, esse papel é desempenhado por Amin. O chefe da Defesa Cibernética não se encontra com Bolsonaro, segundo militares que atuam no Ministério da Defesa.
 

Como a Folha de S.Paulo mostrou, Portella foi a escolha do então ministro da Defesa Walter Braga Netto para o posto no TSE.
 

Quando o convite foi feito às Forças Armadas, a corte eleitoral esperava que um almirante da Marinha especializado em tecnologia da informação fosse o nome indicado para integrar a comissão de transparência das eleições.
 

O almirante era visto no TSE como uma referência na área e chegou a ser convidado pelo ministro para integrar o colegiado. No entanto, Braga Netto enviou a indicação do nome de Portella ao tribunal.
 

Também filiado ao PL, Braga Netto é hoje o principal cotado para ser vice de Bolsonaro na campanha pela reeleição.
 

Na última terça-feira (3), uma reunião no Ministério da Defesa envolveu Bolsonaro, o ministro, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, os comandantes das três Forças Armadas, o general Laerte de Souza, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças (um cargo de confiança na Defesa), Braga Netto e Amin.
 

A reunião não aparecia inicialmente na agenda do comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. Depois, a agenda foi atualizada, com informação sobre o almoço no ministério.
 

O encontro tratou de eleições, e o Ministério da Defesa divulgou uma foto da reunião em suas redes sociais. Na legenda, escreveu apenas que "foram discutidos assuntos de interesse da defesa nacional".
 

Integrantes da Defesa partem do pressuposto de que há problemas na segurança do processo eleitoral, o que vem alimentando os discursos e ofensivas golpistas de Bolsonaro.
 

Segundo esses integrantes, os problemas são técnicos e podem ser corrigidos a tempo das eleições.
 

O ministro da Defesa não deseja a ruptura entre os Poderes, por saber das consequências disso ao país, e vem agindo como conciliador, segundo esses integrantes da pasta, que admitem que esse tipo de intermediação com os Poderes é anômalo.
 

Oliveira já se reuniu com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, e tentou um encontro com o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, que não o recebeu.
 

O chefe do Executivo costuma falar na primeira pessoa do plural ao se referir às Forças Armadas, e sempre diz que é "chefe supremo" delas, como num evento no fim de abril.
 

"Agora, eles [ministros do TSE] convidaram as Forças Armadas a participar do processo. Será que ele se esqueceu que o chefe supremo das Forças Armadas se chama Jair Messias Bolsonaro? Acho que ele [Luís Roberto Barroso] esqueceu disso", disse.
 

O discurso foi em tom de crítica ao ministro do STF, que presidia a corte eleitoral no momento em que as Forças Armadas foram convidadas a participar da comissão de transparência eleitoral.
 

O movimento do ministro do Supremo foi uma tentativa de antídoto ao golpismo de Bolsonaro, que faz uso político dos militares.
 

Entretanto, como a Folha mostrou, a iniciativa passou a ser considerada um erro por integrantes de tribunais superiores, inclusive do STF e da própria corte eleitoral.
 

A avaliação é de que o efeito foi contrário e tornou-se um tiro no pé: em vez de aumentar a confiabilidade do pleito, forneceu uma ferramenta para as Forças Armadas inflarem ainda mais o discurso de Bolsonaro contra o sistema eleitoral brasileiro.
 

A mesma leitura tem sido compartilhada por militares, reservadamente. Integrantes do Exército relatam constrangimento com a participação oficial no processo. Segundo eles, isso acaba por politizar inevitavelmente as Forças.

Lula começa bem, ao propor união pela democracia, num apelo que exclui Bolsonaro

Publicado em 9 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Lula pregou união de democratas e diz não ter desejo de vingança

Pedro do Coutto

Foi sem dúvida uma boa largada a do ex-presidente Lula da Silva no encontro do PT no sábado em São Paulo, quando deu início à caminhada pelas eleições de outubro. Lula propôs a união de todos pela democracia e destacou que não alimenta rancores e nem reações contrárias aos que são contra ele.

Foi um lance político importante na minha opinião. Sobretudo porque de todos os candidatos e pré-candidatos à Presidência da República nas urnas de outubro, deixou claro que dificilmente o presidente Jair Bolsonaro poderá participar  de uma frente democrática, pois vem assumindo uma posição contrária à manifestação de apoio à democracia brasileira.

CONCILIAÇÃO – Lula fez um bom discurso destacando a conciliação das forças políticas e uma convergência contra o totalitarismo. As manifestações até agora contrárias à essência da democracia partem do presidente Jair Bolsonaro e dos bolsonaristas de modo geral.

Um exemplo, o caso do deputado Daniel Silveira. Outro exemplo, os que se manifestaram no dia 1º de maio defendendo inclusive o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a implantação de uma ditadura militar com Bolsonaro.

O presidente participou da manifestação e, portanto, concordou com ela. Pedir o fechamento da Corte Suprema é tudo menos exaltar a democracia brasileira. Sua mensagem simboliza também o esquecimento do passado e este fato baseia-se nas decisões do STF que anularam as condenações que sofreu e os processos da justiça que deram margem às mesmas. Lula tocou em pontos sensíveis da opinião pública.

PLENO EMPREGO – Focalizou essencialmente o congelamento de salários diante da disparada dos preços  que sobem todas as semanas, enquanto os salários permanecem estagnados. Defendeu a distribuição de renda, o que só poderá ser alcançado através do pleno emprego, na minha opinião.

Quaisquer ações assistenciais e não econômico-sociais são utópicas. O Auxilio Brasil, por exemplo, é um socorro importante para as famílias que têm fome, mas não geram fundo de FGTS e aposentadoria pelo INSS.

O panorama da campanha eleitoral foi descortinado no sábado em São Paulo. A polarização da campanha é um fato irreversível, na minha opinião. Cabe agora ao presidente Jair Bolsonaro responder a Lula. Em matéria de democracia, a limitação significa uma barreira, a começar por sua contestação repetida ao sistema eleitoral brasileiro com foco nas urnas eletrônicas, através das quais foi eleito por larga margem de votos em 2018.

CONTESTAÇÃO  – Reportagem de Patrícia Campos Mello, na Folha de S. Paulo deste domingo, focaliza o posicionamento de correntes bolsonaristas que passaram a atacar os institutos de pesquisa para desacreditar os levantamentos sobre as intenções de voto que elas apresentam. Essa atitude não é patrimônio do bolsonarismo; ela atravessa os tempos.

Vem desde as eleições de 1955, sempre tendo como ator principal o governador Carlos Lacerda, líder incontestável da direita no país. Quando derrotados seus candidatos, sempre se voltou contra a posse dos eleitos. Quando foi vitorioso, aí estava tudo perfeito.

Lacerda era um gênio e um político que buscava chegar à Presidência da República. Lembro que no dia 2 de abril de 1964, quando repórter do Correio da Manhã, houve uma reunião no Palácio da Guanabara convocada por ele com os governadores que apoiavam o movimento que derrubou o presidente João Goulart.

DISCURSO – Lá estavam além de Lacerda, Ademar de Barros, Magalhães Pinto, Petrônio Portela e, como convidado especial, na mesa, o jornalista Júlio Mesquita Filho, diretor do Estado de S. Paulo. Falaram todos e de repente Lacerda retoma o discurso, elogiando o general Castello Branco dizendo “Sou seu amigo, seu admirador e quero ser o seu sucessor na Presidência da República, as eleições de 1965”.

Lacerda não se continha, esse era o seu problema. Criou resistência e terminou rompendo com o bloco militar que o apoiava e que foi apoiado por ele nas articulações contra João Goulart. Isso pertence ao passado. Digo isso, pois quem está prestes a perder as eleições tenta desacreditar as pesquisas.


Ministro da Defesa mandou afastar general bolsonarista que atuava na comissão do TSE

Publicado em 9 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Ministério da Defesa rebate fala de Barroso sobre Forças Armadas | VEJA

Decisão do ministro foi comunicada ao TSE em 28 de abril

Ana Flor
g1 Brasília

O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, enviou um ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Edson Fachin, no qual pediu a retirada do general Heber Garcia Portella da Comissão de Transparência das Eleições. Nogueira ainda avisou que, a partir de agora, quer centralizar as demandas da comissão.

O movimento do ministro da Defesa foi visto por integrantes do TSE como uma “demissão” do general Portela, algo que pode ser considerado irregular porque os integrantes da comissão foram nomeados em portaria do TSE. Sem mudança da portaria, entendem integrantes do Judiciário, o ministro da Defesa não poderia se autonomear.

OFÍCIO É DE ABRIL – O ofício, ao qual o blog teve acesso, é de 28 de abril. No documento, o ministro da Defesa chega a fazer menção ao fato de não ter sido recebido pessoalmente por Fachin.

“Diante da impossibilidade de tê-lo feito pessoalmente, solicito a vossa excelência que, a partir desta data, as eventuais demandas da CTE direcionadas às Forças Armadas, tais como solicitações diversas, participações em reuniões etc., sejam encaminhadas a este ministro, como autoridade representada naquela comissão”, diz o documento.

O ofício também justifica a saída de Portella pelo fato de já ter sido finalizado o Plano de Ação para Ampliação da Transparência do Processo Eleitoral, em 25 de abril. “Com a apresentação do plano, entende-se que foi concluída a etapa de planejamento de ações de ampliação da transparência do processo eleitoral, prevista no inciso I do artigo 2º da Portaria TSE no 578, de 8 de setembro de 2021”, afirma o ofício.

Heber Garcia Portella, comandante de Defesa Cibernética, fez uma série de sugestões ao TSE para o processo eleitoral, parte delas não aceita pela comissão.

Os pontos levantados pelo general vão na linha das contestações frequentemente feitas pelo presidente Jair Bolsonaro ao processo eleitoral. Ele foi escolhido para integrar a comissão em 2021 pelo então ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Agiu acertadamente o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, ao anunciar a substituição do representante das Forças Armadas. O general Heber Portella estava claramente atuando com objetivo político, sem a imparcialidade de um observador militar de alta linhagem, desculpem a franqueza. O ministro da Defesa também agiu oportuna e acertadamente, ao determinar que as medidas propostas pelas Forças Armadas sejam divulgadas pelo TSE. Essa transparência vai oxigenar a democracia e evitar que haja mal-entendidos.  (C.N.)


União Brasil tem R$ 1,2 bilhão para gastar, sem a menor chance de vencer esta eleição

Publicado em 9 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Bivar está com tudo e não está prosa, como se dizia antigamente

Deu na Folha
Coluna Painel

Partido mais rico do Brasil, o União Brasil busca formas de aumentar ainda mais sua opulência na campanha. A legenda terá cerca de R$ 950 milhões à disposição, juntando os fundos partidário e eleitoral em 2022.

Além disso, diz contar com mais R$ 250 milhões guardados de anos anteriores para usar na eleição. Deste montante, 30% têm de ser destinados a candidaturas femininas.

Por isso, a legenda tende a lançar uma mulher do partido como vice de Luciano Bivar para presidente. Hoje, a favorita é a senadora Soraya Thronicke (MS).

O presidente da União Brasil, Luciano Bivar, afirmou na última quarta-feira (4) que o partido terá uma chapa puro-sangue, com um candidato a vice do mesmo partido, para disputar a Presidência da República, enfraquecendo ainda mais o grupo de legendas da chamada terceira via.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vejam a que ponto de esculhambação chegou este país, cujos recursos públicos manipulados irresponsavelmente pela classe política. Um partido ter R$ 1,2 bilhão para gastar numa campanha é um fato estarrecedor, que deveria ser encarado como escândalo nacional, mas nada acontece. E o fato mais constrangedor é que essa dinheirama é gasta pelos partidos sem a devida fiscalização pelo Tribunal Superior Eleitoral, que está instalado num palácio suntuosíssimo em Brasília, com quase mil funcionários efetivos e cerca de dois mil colaboradores.

Para se ter uma ideia da farra do boi, digamos assim, há simplesmente 38 revisores de texto contratados. O que fazem? Nada, rigorosamente nada. A não ser que os mil funcionários efetivos do TSE sejam semianalfabetos.

Há alguns anos, fiz uma série de reportagens na Tribuna da Imprensa, baseadas em documentos oficiais do TSE. e denunciei irregularidades grotescas na contabilidade do Partido Verde. A Folha correu atrás e confirmou as falcatruas. Mesmo assim, o PV me processou, mas ganhei a questão na Justiça. Pensei (?) que o PV seria punido com suspensão do Fundo Partidário, mas sofreu apenas multa, que pagou com outros recursos do Fundo, é mesmo uma esculhambação. Por fim, o Brasil é o único país do mundo que tem Justiça Eleitoral. Todos os outros devem estar errados. (C.N.)

Lula e Bolsonaro planejam pregar voto útil para encerrar a disputa no primeiro turno

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

Com a terceira via praticamente travada, os times dos “polarizados”, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, preparam, cada um, o discurso para pedir aos eleitores que evitem dar sobrevida ao adversário e tentem resolver a eleição ainda no primeiro turno.

Para o PT, o desafio é grande, porque embora lidere as pesquisas de intenção de voto com certa folga, o partido jamais levou uma eleição no primeiro turno, nem mesmo no tempo em que o ex-presidente Lula venceu, em 2002, ou foi reeleito, em 2006. Até aqui, o único a conseguir essa façanha foi Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

EFEITO ALCKMIN – No PT, a esperança de vitória do primeiro turno vem pelo fato de Geraldo Alckmin, adversário em 2006, ter se juntado ao ex-presidente como companheiro de chapa. Só tem um probleminha: Alckmin até aqui não mostrou a que veio e o time que seguiu com ele para o PSB é modesto. Falta combinar com o eleitor.

Da parte dos bolsonaristas, a ideia de pregar o voto útil virá bem mais à frente, repisando dia e noite o que consideram o “perigo” da volta daqueles que foram alvos da Operação Lava Jato.

Nesse sentido, vão entrar em cena todas as gafes de Lula nos últimos tempos, como o caso do discurso em que o petista declarou que “Bolsonaro não gosta de gente, só de policiais”.

QUESTÃO ECONÔMICA – Os estrategistas do presidente Jair Bolsonaro (PL) não pretendem mudar o discurso adotado até agora em relação à inflação, mas focará no cenário que cada presidente enfrentou. Os bolsonaristas ensaiam um discurso de que Lula, em seu primeiro mandato, pegou céu de brigadeiro na economia e poderia ter feito mais, mas não fez por causa dos malfeitos, a começar pelo mensalão.

Quanto ao quadro atual, de preços elevadíssimos dos alimentos, gás de cozinha e gasolina, o atual governo manterá o discurso de que a pandemia derrubou mercados e economia no mundo todo — e que Bolsonaro fez o que estava ao seu alcance, como o auxílio emergencial e as mudanças posteriores no Bolsa Família, que resultaram no programa Auxílio Brasil.

O comportamento das empresas com aumentos considerados abusivos também serão objeto do discurso bolsonarista. Daqui para frente, o presidente aproveitará as lives para reclamar dos preços dos combustíveis e fazer apelos à Petrobras, com um lucro líquido de R$ 44,5 bilhões, para que não promova aumentos, além de reforçar que “não pode intervir” na estatal.

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