quarta-feira, setembro 08, 2021

Bolsonaro cruza a fronteira da lei e parte para o golpe militar contra a democracia

 

Bolsonaro não tem caminho de volta após investir contra o texto constitucional

Pedro do Coutto

Ao aceitar as manifestações pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e também os ataques exaltados contra o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Jair Bolsonaro cruzou a fronteira da lei e se posicionou claramente favorável a um golpe militar contra as instituições, incluindo na sua ofensiva um comunicado ao ministro Luiz Fux, presidente do STF – absurdo completo – para afastar Moraes da Corte Suprema.

A ofensiva golpista ficou clara nas imagens da GloboNews e também da TV Globo levadas ao ar na tarde de ontem focalizando a série de ataques ao Supremo pela concentração nas Esplanada dos Ministérios. No final da manifestação em Brasília, Bolsonaro anunciou que no final da tarde estaria presente na concentração da Avenida Paulista. Os bolsonaristas, no fundo impulsionador pelo presidente da República, partiram para o desfecho de força, cujos resultado vai depender da disposição do Exército comandado pelo general Paulo Sérgio Nogueira.

LIMITE – Na edição de ontem, terça-feira, de O Globo, Merval Pereira e Miriam Leitão destacaram que Bolsonaro situou-se numa posição limite, a meu ver, entre a lei e a ordem, revelando preferindo a estrada da desordem. Com um brilhante comentário feito na GloboNews no início da tarde, Miriam Leitão destacou que agora Bolsonaro não tem mais caminho de volta, uma vez que na realidade investiu contra o texto constitucional, lei maior do país.

Na minha opinião não é possível que um presidente da República compactue com iniciativas voltadas para fechar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso, sem que tal alinhamento subversivo não possa acrescentar-lhe reflexos na mesma proporção e no mesmo limite dos atos que adotou.

O IMPERADOR – Marianna Holanda e Ricardo Della Coletta, Folha de S. Paulo, destacam a ultrapassagem da sociedade brasileira por parte de um presidente da República que deveria estar preocupado com o desemprego, com a queda do consumo de alimentos, com a pandemia, com a vacinação, com a subida a taxa inflacionária, mas que não está ligando para nenhum desses graves problemas e deseja apenas tornar-se imperador e perpetuar-se no poder, sem levar em conta sequer com o fato de que um golpe militar acabaria com os mandatos dos integrantes do Centrão, incluindo os parlamentares que o apoiam.

O golpe militar, como aconteceu com o Ato Institucional nº 5, acarretaria o fechamento do Poder Legislativo e também afetaria a liberdade individual dos brasileiros e brasileiras. Bolsonaro, na minha impressão, além do impulso para o golpe, perdeu também completamente a noção sobre os limites da lógica e da política que, como dizia Juraci Magalhães, é também a arte do impossível. Para mim é impossível que o Exército se encontre ao lado de Jair Bolsonaro em sua alucinada investida para achar o caminho que o salve da derrota em 2022.

FAKE NEWS – O presidente Jair Bolsonaro, na tarde de segunda-feira, editou Medida Provisória dificultando a retirada de textos das redes sociais da internet. Mais uma iniciativa absurda do homem que deveria presidir o Brasil, pois para isso foi eleito nas urnas de 2018. Por exemplo, não tem sentido dificultar a retirada de uma proposta que os jornais de ontem tornaram pública em que duas pessoas oferecem pagamento em dinheiro para quem atacar fisicamente o ministro Alexandre de Moraes. Como é possível defender uma coisa dessas?

Trata-se de um caso doentio e de alucinação. Isso de um lado. De outro, se as fake news influenciassem a favor de Bolsonaro, o seu governo não teria sido considerado entre ruim e péssimo por 54% da opinião pública, como revelou o Datafolha. Se as fake news influenciassem na posição eleitoral  do presidente para 2022, ele não estaria com 25 pontos a seu favor contra 46 pontos dos que se dispõem a votar em Lula contra ele.

São fatos concretos os que estou citando e que provam que as fake news podem levar a desfechos dramáticos como foi o caso de um jovem acusado de estupro e assassinato, mas que não participou nem de uma coisa e nem de outra, embora a sua imagem pessoal tenha sido exibida nas telas eletrônicas. São casos isolados, dramáticos, capazes de criar situações absurdas, mas, sob o ângulo coletivo, a mentira jamais se tornará verdade, ainda que repetida por mil vezes, conforme disse o repugnante nazista  Joseph Goebbels , cuja imagem resiste tragicamente como modelo junto aos extremistas da direita de hoje que são os herdeiros da tragédia do nazifascismo do passado.

FLAMBOYANTS DE PAQUETÁ – O presidente do IBGE, Eduardo Rios Neto, reportagem de Carolina Nalin, O Globo, explica a importância da Ilha de Paquetá, cenários dos flamboyants da bela canção de Braguinha e Alberto Ribeiro, escolhida como ponto de partida para a realização do censo de 2022. A meu ver não faz sentido.  Isso porque a Ilha de Paquetá é uma área de classe média, cujo poder aquisitivo encontra-se ao nível do poder aquisitivo dos moradores da Tijuca.

Não serve como síntese da realidade nacional e a sua colocação como base da pesquisa pode conduzir a equívocos essenciais. Basta comparar a Ilha de Paquetá, onde só se vai de lancha, com as favelas da Maré do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. Basta também levar-se em conta que a metade da população brasileira não conta com saneamento básico, rede de esgotos e água potável.

Basta ainda examinar, como mostram os filmes das manhãs da TV Globo, os becos das favelas, cenários de conflitos de sangue, colocando em confronto policiais, traficantes e milicianos. Em Paquetá, acrescentaram Braguinha e Alberto Ribeiro em 1948, a lua cheia ilumina e embala casais de namorados. Paquetá parece ser um paraíso que escapou às ações do crime organizado e desorganizado que tomam conta da Cidade do Rio de Janeiro.

terça-feira, setembro 07, 2021

Bolsonaro ameaçou diretamente o Supremo e seu presidente, o ministro Fux, vai reagir

Publicado em 7 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Fux rejeita julgamento de ação que pode reabrir caso Adélio

Fux vai reunir hoje o Supremo para traçar sua estratégia

Marcelo de Moraes
Estadão

Até para os padrões usados rotineiramente por Jair Bolsonaro, seu discurso feito nesta terça-feira foi muito acima do tom. Com ataques e ameaças claríssimas aos outros Poderes, o presidente cruzou completamente o que costuma chamar de “quatro linhas da Constituição”.

A pior de suas ameaças foi o anúncio de que pretende reunir o Conselho da República nesta quarta-feira, 8. Bolsonaro não acredita em nenhuma instituição, mas quer usar esse instrumento para fingir que pode existir uma espécie de “manto legal” para seu movimento completamente antidemocrático.

AMEAÇA CLARA – A carta do Conselho da República foi colocada por Bolsonaro na mesa de jogo como uma ameaça clara aos outros Poderes. “Amanhã, estarei no Conselho da República. Juntamente com os ministros. Para nós, juntamente com o presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, com esta fotografia de vocês, mostrar para onde nós todos deveremos ir”, discursou o presidente.

Ou seja, Bolsonaro quer mostrar a “foto” da manifestação desta terça para dizer aos outros Poderes que, supostamente, tem o apoio do povo para ser absoluto no País e fazer o que bem entender.

Parece pouco provável que haja tal reunião do Conselho porque implicaria no endosso dos outros Poderes ao jogo político golpista do presidente. Ainda mais que ele deixou claro em seu discurso que seus termos iniciais incluem a entrega da cabeça de um ministro do Supremo Tribunal Federal — Bolsonaro não foi especifico no nome mas trata-se, obviamente, de Alexandre de Moraes, que preside o inquérito dos atos antidemocráticos.

FORA DAS QUATRO LINHAS – No explícito ataque ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso – que tem a autonomia de decidir pelo impeachment de algum ministro da Corte – Bolsonaro cruzou com vontade as quatro linhas da Constituição.

“Não aceitaremos que qualquer autoridade usando a força do Poder passe por cima da Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação, qualquer sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil”, disse o presidente.

E foi mais além: “Ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder vai sofrer aquilo que não queremos. Porque nós valorizamos, reconhecemos e sabemos o valor de cada Poder da República. Nós todos aqui na praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa constituição. Quem era de fora dela ou se enquadra ou pede para sair”, ameaçou novamente, arrematando com “um ministro do Supremo Tribunal perdeu as condições mínimas de continuar dentro daquele tribunal”.

VEM AÍ A REAÇÃO – É razoável pensar que Bolsonaro não ignore que depois desse discurso os Poderes e outras instituições já começaram a discutir uma reação. É mais razoável ainda que se espere que ele saiba que essa reação passe pela retomada da discussão de seu impeachment pelo Congresso. Partidos como o PSDB, que vinham sendo cautelosos nessa discussão, começaram a mudar de direção. O presidente do partido, Bruno Araújo, já convocou reunião para amanhã para “discutir a posição do partido sobre abertura de de Impeachment e eventuais medidas legais” contra Bolsonaro.

O presidente do Supremo, Luiz Fux, também vai se reunir com os colegas do Judiciário para discutir a resposta legal que o Poder dará à ameaça feita pelo presidente.

Com reunião ou não do Conselho da República, Bolsonaro conta com esse esgarçamento das linhas democráticas do País para tentar permanecer na Presidência. Atrás nas pesquisas e desgastado politicamente, o presidente pode não ter mais votos para se reeleger, mas ainda conserva força suficiente para fazer barulho nas ruas. E o tamanho desse ruído vai depender muito da reação que o sistema de freios e contrapesos faça ao seu discurso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Além de criticar e ameaçar o presidente do Supremo, Bolsonaro anunciou que não cumprirá mais decisões do ministro Alexandre de Moraes, praticando um crime de responsabilidade atrás do outro. O resultado será seu impeachment(C.N.)

PSB vai ao STF para sustar MP de Bolsonaro que limita remoção de conteúdos das redes sociais

por Mônica Bergamo | Folhapress

PSB vai ao STF para sustar MP de Bolsonaro que limita remoção de conteúdos das redes sociais
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

O PSB (Partido Socialista Brasileiro) quer que o STF (Supremo Tribunal Federal) suste os efeitos de MP (medida provisória) do governo Jair Bolsonaro (sem partido) para limitar a remoção de contas e perfis das redes sociais. O presidente assinou a MP na segunda (6), véspera de manifestações de raiz golpista e pró-governo.
 

O partido protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de medida cautelar na corte na noite de segunda (6).
 

O PSB afirma que a manutenção da MP implica "ameaça de dano à saúde e à segurança da população brasileira e de enfraquecimento das instituições democráticas". ?"Ao fim e ao cabo, ao proibir a moderação de conteúdo, a MP mina os grandes esforços institucionais dos Poderes Legislativo e Judiciário que têm sido empreendidos no combate à desinformação", diz a sigla.
 

A MP limita não apenas o combate a notícias falsas, como também ao assédio, ao bullying e à xenofobia no Facebook, no YouTube, no Twitter e no TikTok.
 

O texto, que vem sendo trabalhado há alguns meses na Secretaria de Cultura, comandada por Mario Frias, estabelece que plataformas sejam impedidas de moderar conteúdos (como excluir ou diminuir seu alcance) que "impliquem censura de ordem política, ideológica, científica, artística ou religiosa". As publicações passam a ser protegidas por direito autoral —uma relação inédita no campo de regulação de internet.
 

A medida subverte, violenta e repentinamente, a lógica do Marco Civil da Internet, diploma que foi construído a partir de longo processo legislativo, com ampla participação da sociedade civil, e que é dotado, portanto, de relevante legitimidade social. Nele, buscou-se a compatibilização de princípios constitucionais e a sua funcionalização conforme as características e particularidades do ambiente virtual", continua a ação.
 

"Vê-se que a Presidência da República se vale da liberdade de expressão como subterfúgio para promover medida unicamente favorável aos seus próprios interesses e que é incompatível com a lógica democrática e protetiva às liberdades do Marco Civil", segue o PSB no documento.
 

Apelidada no governo de "MP da liberdade de expressão", a medida confronta diretamente a atuação das redes sociais, que no contexto da pandemia, intensificaram a operação contra conteúdos enganosos, como mentiras relacionadas à Covid e às vacinas.
 

A MP dá 30 dias para que as empresas se ajustem. O texto precisa ainda passar pelo Congresso.

Bahia Notícias

Após o discurso de 7 de setembro, o PSDB decide discutir o impeachment de Bolsonaro

Publicado em 7 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Após tropeço em 2018, PSDB se confirma como o partido que mais governa  eleitores, avalia Bruno Araújo | Jovem Pan

Bruno Araújo propõe que os tucanos apoiem o impeachment

Deu em O Vale
(Agência Globo)

Após o presidente Jair Bolsonaro renovar as ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos deste 7 de setembro, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, decidiu convocar reunião da Executiva nacional do partido para discutir o apoio à  eventual abertura de impeachment de chefe do Executivo.

Será a segunda sigla de centro a se mostrar disposta a encampar um dos pedidos de afastamento do presidente da República, pois o PSD já sinalizou nessa direção.

GRAVÍSSIMAS – Em nota, Bruno Araújo considerou como “gravíssimas” as declarações de Bolsonaro. Durante o discurso, o presidente voltou a adotar tom de intimidação e mandar recados ao STF.

Sem citar nomes, Bolsonaro afirmou que “uma pessoa específica” da Praça dos Três Poderes, onde fica a sede da Corte, não pode continuar “barbarizando”.

Nos últimos dias, o presidente tem direcionado seus ataques ao ministro do tribunal Alexandre de Moraes, relator de duas investigações envolvendo o presidente. “Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou sentença que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando a nossa população. Ou chefe desse poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos” — disse Bolsonaro, que tem criticado membros do Poder Judiciário, chefiado pelo ministro Luiz Fux, presidente do STF.

VERGONHOSO MOMENTO – Para o presidente do PSDB, os partidos precisam se posicionar sobre “o vergonhoso momento da história brasileira”.

“Com as declarações de hoje, não dá para partido político se esconder. Tem de haver posição clara do que pensa e como age cada partido em relação a esse vergonhoso momento da história brasileira” — afirmou Brano Araújo.

O pedido de impeachment deve receber apoio de importantes nomes do PSDB, como o governador de São Paulo, João Doria, que faz oposição ao governo federal, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

RESISTÊNCIA – Porém, reservadamente, dirigentes do PSDB legenda admitem que o impedimento de Bolsonaro pode sofrer resistência dentro do Congresso, já que parte dos 33 deputados temem sofrer represália na liberação de emendas.

Nesta semana, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também disse que se a escalada do presidente contra a democracia continuar, o partido pode vir a apoiar o pedido de impeachment.

Kassab considera inadmissível que, no meio de uma pandemia, o presidente gaste seu tempo, o de ministros e assessores, e recursos públicos participando de motociatas e ameaçando a democracia, mais de 30 anos depois da promulgação da Constituição Federal.

Na Paulista, Bolsonaro exorta desobediência a Moraes e repete que só “morto” deixa o poder

Publicado em 7 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Nunca serei preso', diz Bolsonaro - Revista Oeste

Em seus discurso, Jair Bolsonaro diz que nunca será preso

Deu na Folha

Em discurso diante de milhares de apoiadores nesta terça-feira (7) na avenida Paulista, o presidente Jair Bolsonaro repetiu as ameaças golpistas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), exortou desobediência às decisões do ministro Alexandre de Moraes e desafiou quem o investiga. “[quero] Dizer aos canalhas que eu nunca serei preso.”

“Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou.”

PEDE PARA SAIR – “Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade.”

“Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro.”

Assim como tem dito em discursos no interior do país, Bolsonaro disse que as únicas opções para ele são ser preso, ser morto ou a vitória, afirmando na sequência porém que nunca será preso. “Dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá”, afirmou. “Dizer aos canalhas que eu nunca serei preso. A minha vida pertence a Deus, mas a vitória é de todos nós.”

“CANALHA” – O presidente chamou Moraes de “canalha” e voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, em ataque direto ao presidente do TSE, Luís Roberto Barroso. Bolsonaro pediu de novo a implantação do sistema do voto impresso na disputa de 2022, apesar de esse projeto já ter sido derrubado pelo Congresso.

“Não é uma pessoa que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável, porque não é”, afirmou. “Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada ainda pelo presidente do TSE.”

Bolsonaro também atacou a decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, que vetou repasses de dinheiro a páginas bolsonaristas investigadas por disseminar fake news sobre a urna. “Não podemos admitir um ministro do TSE também, usando a sua caneta, desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação.”

“PATRIOTAS” – Bolsonaro fez diversas frases reiterando a importância de seus apoiadores e agradeceu a todos os que chamou de “patriotas”, que se manifestaram pelo país na data. “Não existe satisfação maior do que estar no meio de vocês”, “onde vocês estiverem eu estarei”.

“O apoio de vocês é primordial, é indispensável para seguirmos adiante. Nesse momento eu quero mais uma vez agradecer a todos vocês. Agradecer a Deus pela minha vida e pela missão.”

Bolsonaro chegou a anunciar uma reunião para esta quarta-feira (8) com os presidente de Supremo, Câmara e Senado, mas assessorias de Luiz Fux, Rodrigo Pacheco (Senado) e Arthur Lira (Câmara) disseram que não há nenhuma previsão de reunião.

MINORIA – O atos em Brasília e em São Paulo, marcados por pautas autoritárias e golpistas, representam uma minoria no país. Pesquisa Datafolha de junho mostrou que 75% dos brasileiros consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões.

Anunciado por Bolsonaro nos últimos dois meses como uma espécie de tudo ou nada para ele, as manifestações do Sete de Setembro podem ampliar o seu isolamento político, no momento em que, de olho em 2022, depende do STF e do Congresso para a liberação de recursos e aprovação de projetos.

Bolsonaro usou toda a estrutura da Presidência para os atos com ameaças golpistas. Tanto no deslocamento entre São Paulo e Brasília como em sobrevoos em helicópteros da Esplanada dos Ministérios e da Paulista. O presidente é candidato à reeleição e alvo da Justiça Eleitoral.

Moraes não recua, bloqueia contas e até chave PIX e manda prender dois investigados

 

Ameaças não intimidam Moraes, que parte para a briga

Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão

O ministro Alexandre de Moraes atendeu solicitações da Procuradoria-Geral da República e determinou a realização de uma série de diligências no âmbito do inquérito sobre os atos antidemocráticos marcados para esta terça-feira, 7. Entre as medidas está o bloqueio de saques das contas bancárias da Associação Nacional dos Produtores de Soja e da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso, sob suspeita de financiarem as manifestações de ataque à democracia e às instituições.

A medida tem validade até a quarta-feira, 8. Nota divulgada pelo gabinete do ministro após parte das decisões se tornarem públicas indicou ainda que houve bloqueio de ‘diversas chaves PIX e contas bancárias’ ligadas a pessoas supostamente envolvidas no financiamento dos atos programados para amanhã.

DESDE 10 DE AGOSTO – A decisão sobre a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso e a Associação Nacional dos Produtores de Soja determina ainda que sejam identificadas e informadas todas as transferências a partir de R$ 10 mil que partiram das contas bancárias sob suspeita para outras entidades ou terceiros, em quaisquer modalidades (DOC, TED, PIX ou outra ordem de pagamento), desde o dia 10 de agosto.

Além das medidas para cortar o financiamento aos atos antidemocráticos, Alexandre acolheu representações da PGR e expediu mandados de prisão preventiva contra Marcio Giovani Niquelatti e Cássio Rodrigues Costa Souza.

O primeiro, capturado pela Polícia Federal em Santa Catarina neste domingo, 5, disse, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que há um empresário ‘grande’ que está oferecendo dinheiro pela ‘cabeça’ do ministro do STF, ‘vivo ou morto’.

AMEAÇAS DIRETAS – Já Souza, preso nesta segunda-feira, 6, é responsável por ameaças diretas a Alexandre de Moraes, tendo postado no Twitter mensagem em que se diz policial militar e afirma que ele e outros agentes ‘vão matar’ o ministro do STF e sua família.

Também a pedido da PGR, o relator do inquérito das manifestações violentas do dia 7 autorizou o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão. Como mostrou o Estadão, parte das ordens foram cumpridas contra o prefeito de Cerro Grande do Sul (RS), Gilmar João Alba, flagrado no último dia 26 levando R$ 505 mil em dinheiro vivo no Aeroporto de Congonhas.

No âmbito da mesma investigação, a PF capturou nesta sexta-feira, 3, o blogueiro bolsonarista Wellington Macedo de Souza. A corporação ainda busca cumprir uma ordem de prisão expedida contra o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, o ‘Zé Trovão’.

ALVOS RURALISTAS – A Associação Nacional dos Produtores de Soja e da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso também são alvos das diligências.

No entanto, apesar da adoção de tais medidas, a Procuradoria-Geral da República considerou que ‘há fortes indícios da continuidade da realização de condutas preparatórias para a execução de atos antidemocráticos’, o que demandaria a ‘adoção imediata de novas medidas para coibir a prática de infrações penais’.

Com relação à Aprosoja, por exemplo, o Ministério Público Federal apontou que, apesar de o presidente da entidade ter sido alvo de buscas quando a investigação foi aberta, os investigadores tomaram conhecimento de ‘uma suposta atuação mediata, por meio de ativos alocados em pessoas jurídicas para o financiamento dos investigados e de atos antidemocráticos’.

AO VIVO: acompanhe as manifestações de 7 de setembro pelo Brasil

https://g1.globo.com/ultimas-noticias/video/globonews-ao-vivo-606348.ghtml 

Em Grito dos Excluídos, evangélicas chamam Bolsonaro de 'bezerra de ouro': 'É uma farsa'

por Lula Bonfim / Fernando Duarte

Em Grito dos Excluídos, evangélicas chamam Bolsonaro de 'bezerra de ouro': 'É uma farsa'
Foto: Lula Bonfim/ Bahia Notícias

Participantes do Grito dos Excluídos nessa terça-feira (7), um grupo autoproclamado “Evangélicas e evangélicos pelo #ForaBolsonaro” criticou a forma como o presidente Jair Bolsonaro se apropria do evangelho. Segundo Vanessa Santos, que representa o grupo, “o que o evangelho ensina é totalmente contrário ao que esse presidente faz e fala”. Vanessa ainda tratou o presidente como “bezerro de ouro”, numa referência à passagem bíblica em que os hebreus passam a cultuar a imagem após a fuga do Egito.

 

Na histórica bíblica, Moisés destruiu o bezerra ao descer do Monte Sinai, utilizando as próprias tábuas dos 10 Mandamentos recebidas por ele e enviadas por Deus. Os hebreus teriam adorado o bezerro de ouro acreditando que Deus os havia abondonado.

 

“Deus não está simplesmente acima de todos, mas ele caminha com o povo. Então Bolsonaro é uma farsa, é um bezerro de ouro, que, infelizmente, parte da igreja aderiu as palavras”, explicou a manifestante, que percorre as ruas do centro de Salvador durante as manifestações contra o presidente. “Nós estamos aqui hoje para dizer que a igreja não é uma só e estamos caminhando com o povo como Jesus nos inspira a fazer. Jesus nos ensina a caminhar com os excluídos da nossa sociedade”, completou Vanessa.

Bahia Notícias

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