sábado, março 20, 2021

Governo Bolsonaro está balançando pelas atitudes do próprio presidente e pelos erros sucessivos de Paulo Guedes e Eduardo Pazuello


Bolsonaro voltou a fazer uma afirmação agressiva sobre a pandemia

Pedro do Coutto

 

O governo de Jair Bolsonaro encontra-se desestabilizado e balançando junto à opinião pública em decorrência das próprias atitudes do presidente da República e dos erros em série do ministro Paulo Guedes e do ex-ministro Eduardo Pazuello. 

 

O novo titular da Saúde Marcelo Queiroga, entrevistado pelas emissoras de TV na tarde de quinta-feira, pediu paciência à população porque as providências estão sendo tomadas. Mas, na minha opinião, o que menos interessa nesse momento crítico é pedir paciência porque o quadro do país é de extrema urgência, registrando-se duas mil e setecentas mortes por dia e também cerca de 90 mil contaminações em 24 horas. 

 

DECLARAÇÃO – O presidente Jair Bolsonaro, revela o repórter Ricardo Della Coletta, Folha de São de sexta-feira, voltou a fazer uma afirmação agressiva sobre a pandemia e as suas consequências a um grupo de apoiadores no porta do Palácio do Alvorada. Em vídeo editado por bolsonaristas, o presidente da República afirmou que parece que só se morre no país pela Covid-19. Os hospitais estão com 90% das UTIs ocupadas. 

Quantos são de Covid e quantos são de outras enfermidades ?”, indagou. Parece que o presidente não está conseguindo focalizar a essência do gravíssimo problema e tenta por suas próprias palavras diluir os casos de contaminação dizendo que é preciso levar em conta consequências de outras doenças que acometem pessoas em todo o país. 

 

Fica claro que Bolsonaro não consegue concentrar-se na questão da pandemia em si, como revelam as suas posições anteriores sobre a vacinação, uso de máscaras e distanciamento social. Por exemplo: o governo está recorrendo ao Supremo Tribunal Federal contra medidas de governadores que decretaram o isolamento social. 

SEM RUMO – O Supremo terá que decidir essa questão, mas não creio que possa decidir a favor do presidente da República que se encontra praticamente sem rumo. Pois se rumo tivesse, não teria pensado em tal recurso à Justiça. 

 

Uma pesquisa do Datafolha, reportagem de Angela Pinho, edição de ontem da Folha de São Paulo, revelou que 79% dos brasileiros e brasileiras consideram que a pandemia está fora de controle. Este fato é mais alarmante ainda e acende um sinal de perigo para o governo federal, especialmente para o Ministério da Saúde. 

 

Marcelo Queiroga precisa agir rapidamente porque a população está praticamente em pânico. Uma das verificações da pesquisa é de que 55% tem muito medo de contrair a Covid-19 e 27% tem um pouco de medo. Só 12 % não tem medo algum. Portanto o medo está atingindo 82% dos brasileiros e brasileiras. 

PENSAMENTO DE QUEIROGA – Entretanto, o Palácio do Planalto dá impressão que se encontra entre os 12%. Uma boa pergunta sobre o medo deve ser feita ao ministro Marcelo Queiroga para que se tenha noção do seu pensamento diante do desafio que tem pela frente. Setenta e um por cento são favoráveis à diminuição dos horários do comércio e dos serviços em geral, e 59% são favoráveis ao fechamento das igrejas e templos religiosos. 

 

Nos hospitais do país, conforme a reportagem de Dimitrius Dantas, Paula Ferreira, Renata Mariz, Ana Lucia Azevedo e Bruno Rosa, O Globo, é avisado ao ministro da Saúde que os insumos e remédios para atender casos de internação estão com seus estoques baixos e os medicamentos de modo geral se esgotarão no prazo de 20 dias se não forem tomadas as medidas necessárias. O oxigênio volta a integrar a lista urgente e crítica da situação em que se encontra. 

 

Mas eu disse no início da matéria que a desestabilização do governo decorre também dos erros do ministro Paulo Guedes. São visiveis. Agora vejam os leitores o que ocorreu com o Banco do Brasil. O presidente André Brandão foi substituído pelo então diretor da BB Administradora de Consórcios, Fausto de Andrade Ribeiro 

 

CATÁSTROFE  – De acordo com Paulo Guedes, o ex-presidente queria fechar agências e promover a demissão dos servidores. Seria um erro catastrófico. O meu amigo Afonso Castilho, ex-diretor da Caixa Econômica Federal, me disse que o Banco do Brasil não pode fechar agências porque recebe recursos financeiros do Tesouro a custo zero e está presente em todas as grandes cidades e em todas as regiões do país. 

São cerca de duas mil agências que fornecem créditos para agropecuaria, para a lavoura, para o transporte, para as cooperativas, para a produção industrial e exerce também uma função social importante, que é a de fazer circular o crédito em áreas de difícil circulação ou onde sequer existe. Como assim fechar agências? 

 

OUTROS VALORES – O Banco do Brasil não é para se tornar um banco competitivo . É diferente de outros, a exemplo do Itaú, do Santander, do Bradesco. Não se pode administrar um banco da dimensão do Banco do Brasil pensando em apenas lucro financeiro. Concordo com meu amigo Afonso Castilho e acrescento: nem tudo na vida se refere à operações financeiras e redução de custo e lucro.  Há outros valores, supremamente essenciais, a exemplo da própria vida humana. 

 

Na reuniao ministerial de 22 de abril de 2020, reunião que revelou o nivel do governo , ao fazer um comentario junto ao presidente Bolsonaro sobre o BB, Paulo Guedes disse: “vende logo essa porra”. 

Arthur Virgílio diz que nome de Luciano Huck no tabuleiro dos presidenciáveis “foi ideia de FHC”


Virgílio se apresenta para disputar as prévias presidenciais do PSDB

Pedro Venceslau
Estadão

Um dos fundadores do PSDB, o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), de 75 anos, se apresentou formalmente ao presidente do partido, Bruno Araújo, como pré-candidato ao Palácio do Planalto nas prévias tucanas marcadas para outubro. O anúncio foi feito no momento em que a legenda admite pela primeira vez desde sua fundação, em 1988, apoiar um candidato de outro partido em 2022.

Virgílio credita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a entrada de Luciano Huck no tabuleiro dos presidenciáveis. O apresentador da TV Globo e empresário articula uma candidatura com apoio no chamado centro político.

“SE VÊ PRESIDENTE?” – “Luciano Huck foi ideia do FHC, que tem o direito de errar. Será que ele está pronto? Será que sabe o caldeirão fervendo que teria que gerir? Será que Luciano Huck se vê presidente?”, disse o ex-prefeito de Manaus ao Estadão.

“O PSDB não pode jogar a toalha antes de começar a luta. Vamos apoiar quem? Não somos um partidinho”, afirmou. O tucano, que está passando uma temporada em São Paulo, lista suas credenciais para pleitear a vaga de presidenciável da sigla: foi deputado federal, senador, ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência de FHC, além de três vezes prefeito de Manaus.

“FRAUDE” –  Em 2018, Virgílio tentou disputar prévias no PSDB contra Geraldo Alckmin, mas acabou desistindo e saiu do processo em crise com o partido. Na ocasião, chamou de “fraude” a organização da disputa interna porque o ex-governador paulista era também presidente da legenda. Alckmin foi chamado por ele de “cínico”. “Dessa vez as prévias estão sendo bem regulamentadas. Em 2018 o Alckmin não queria debate. Não sou outsider ou franco atirador. Ajudei FHC a governar o País”, afirmou.

Além de João Doria e Virgílio, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também está na lista de candidatos a futuro presidenciável na eleição interna tucana. O paulista, porém, já não descarta optar por disputar a reeleição. A tese de que o PSDB pode apoiar um candidato de outro partido para unir o centro e derrotar Bolsonaro é defendida hoje pelo próprio Doria, pelo deputado federal Aécio Neves (MG) e pelo presidente nacional da legenda tucana, Bruno Araújo.

Com a volta de Lula, houve recorde de menções negativas a Bolsonaro nas redes sociais


Isabella Passos on Twitter: "charge do @dukechargista devidamente atualizada, porque a "necropolítica" não tem partido nem cor. #Bolsonaro #Lula #Bolsopetismo #Covid19 #CoronaVirus #Pandemia #Necropolitica… https://t.co/p3hx0BLYhG"

Charge do Duke (Arquivo Google)

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

O presidente da República, Jair Bolsonaro, atingiu, nesta semana, o recorde de menções negativas no Twitter desde o início do seu mandato, aponta levantamento realizado pelo banco Modalmais e a consultoria AP Exata. Segundo a pesquisa, o pico foi registrado na terça-feira, 16, com 73% de menções negativas, e finalizou a semana na casa dos 70%.

O levantamento, que leva em consideração as pesquisas de opinião e publicações em redes sociais, o porcentual de brasileiros que avalia a gestão como negativa é de 43,8% (oscilação de 0,5 pontos porcentuais a mais em relação à última semana), enquanto que os que avaliam de forma positiva somam 31,9% (aumento de 0,7 p. p.). Regulares são 24,3% (queda de 1,2 p.p.).

CENÁRIO NEGATIIVO – De acordo com o estudo, a divulgação de pesquisas que confirmam a queda de popularidade do presidente influenciou o cenário negativo, em especial sua postura no enfrentamento da pandemia da covid-19.

A crise sanitária mostrou um novo capítulo esta semana, com a indicação do médico Marcelo Queiroga como quarto ministro da Saúde. A inflação sobre alimentos, combustíveis e gás de cozinha e o agravamento dos aluguéis também influenciaram a avaliação do governo.

Internautas classificaram a indicação de Queiroga como “mais do mesmo”, aponta o relatório, após o médico declarar que irá dar continuidade ao trabalho de Eduardo Pazuello. A troca dos ministros criou desconforto nas relações entre Governo e Congresso e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), passou a ser pressionado para aceitar o pedido de impeachment contra Bolsonaro. Perfis mais irônicos acreditam que as próximas negociações com o Centrão serão “mais caras”.

“GENOCIDA” – A narrativa que acusa o Bolsonaro de “genocida” se consolidou após a repercussão negativa das ações da polícia, do Ministério da Justiça e de Carlos Bolsonaro contra o youtuber Felipe Neto.

O lockdown, que vinha sendo muito rejeitado nas redes, agora aparece como opção viável e aceita por uma grande parte dos internautas. Ao invés de criticar os governadores, alguns defendem a adoção de medidas mais restritivas.

Outro ponto destacado pelo levantamento foi a morte cerebral do senador Major Olímpio (PSL), na quinta-feira 18, que colocou de volta à pauta a possibilidade da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, para investigar a atuação do governo na condução da pandemia.

DEMISSÃO NO BB – Outro ponto invocado foi o compromisso do governo com uma agenda liberal e intervencionista, que passou a ser ainda mais questionada após a renúncia do presidente do Banco do Brasil, André Brandão.

Analistas afirmam que a saída de Brandão “foi o ápice de um processo de fritura política, pelo fato de o presidente da República não concordar com o plano de reestruturação do Banco”, que inclui demissões voluntárias e fechamento de agências, apontou o relatório.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Não é surpresa essa onda negativa que hoje cerca o governo Bolsonaro. O que surpreende aos analistas é o fato de que o aumento da rejeição ao presidente tenha demorado tanto tempo para acontecer. È realmente impressionante a capacidade de resistência de Bolsonaro. Mas a derrocada era, mesmo, apenas uma questão de tempo. Quanto mais o tempo passa, mais Bolsonaro se arrebenta. (C.N.)

Governador em exercício do Rio confirma alinhamento com governo federal : ‘Bolsonaro é meu candidato’


Piada do Ano ! Castro nega a alcunha de “tutelado” pelo clã Bolsonaro

Caio Sartori
Estadão

O governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC),  despacha na mesma sala de quando era vice-governador, adornada com apetrechos do Flamengo, um livro sobre o presidente Jair Bolsonaro e fotos com a família e o Papa Francisco. Alçado ao cargo após o afastamento do Wilson Witzel (PSC), Castro mantém fechada a sala do antecessor, que depende de decisão judicial para retornar ao cargo.

Diferente de Witzel, diz que não estaria naquela cadeira se não fosse a onda bolsonarista de 2018, faz elogios a Bolsonaro, mas nega a alcunha de “tutelado” pela família do presidente. “Não sou pau mandado de ninguém”, disse ele, ao receber o Estadão no Palácio Guanabara. Para 2022, Castro diz que estará ao lado do presidente. “Bolsonaro é o meu candidato. Gosto dele, acredito nele.”

COMBATE À PANDEMIA – Ao falar sobre o combate à pandemia, o governador elogia o trabalho de Eduardo Pazuello, que deixa o cargo sob críticas pela explosão de casos de covid-19 e atrasos na vacinação. Para Castro, o general foi “um guerreiro” à frente do Ministério da Saúde.

No Rio, apesar de algumas medidas restritivas, o foco tem sido na abertura de leitos, enquanto especialistas pressionam para a adoção de mais restrições de circulação. Segundo Castro, “a técnica” e o novo ministro, Marcelo Queiroga, estão alinhados com o Rio de Janeiro.

Quase 300 pessoas esperam um leito de UTI no Rio. Não está na hora de adotar medidas mais rígidas de isolamento?
Continuo encarando de uma forma técnica. Recebo o pessoal da Saúde e ainda não me disseram que tenho que restringir mais coisas. Estamos preparando medidas, mas, como foi da última vez, vão ser 100% preparadas com a cadeia produtiva, os prefeitos e a medicina. Aqui será por meio de um processo de diálogo. Tem a questão agora de dois feriados, temos que decidir o que vamos fazer acerca deles. Segundo o meu pessoal, cada ato que se toma demora de duas a três semanas para sentir o impacto. Ainda estamos para entender se o que a gente já fez deu resultado ou não.

Mas a questão é exatamente essa: o modo como o Estado está funcionando hoje, em ritmo quase normal, não pode levar a um colapso total daqui a pouco?
Ainda tenho uma capacidade grande de abertura de leitos em comparação com os Estados vizinhos. O Rio está passando pela terceira onda, somos o único Estado passando por isso. Já temos um aprendizado. Não diminuímos tanto os leitos e sabemos que tem municípios “guardando” leitos – estamos indo em cima deles. Voltei a conversar com a rede privada para abrir 300 vagas; o dinheiro do fim do ano que reservei para vacinas foi demais e já estou usando para a abertura de leitos.

Então o foco no momento é mais na abertura de novos leitos do que em medidas restritivas?
Segundo a equipe técnica – e é óbvio que temos que rever isso todo dia -, com a ondulação da curva hoje e com a capacidade de abrir leitos o sistema não colapsaria antes de 25, 30 dias. Óbvio que isso pode mudar, é muito volátil. Estamos trabalhando com muita informação, me reúno diariamente com a equipe de Saúde, não tomo nenhuma decisão política sem estar baseado na técnica. A própria decisão de não fechar escolas foi da Saúde. O índice de internação para pessoas abaixo de 30 anos é muito baixo.

O sr. jantou no Palácio Guanabara com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ele está alinhado contra o lockdown e quer seguir mais na linha de abrir leitos?
Ele pensa assim, tanto que quer abrir aqui cerca de 200 leitos federais, talvez 250. Pelo que entendi da fala do ministro e do (Eduardo) Pazuello, que estava junto, é que vai ser uma gestão de continuidade do que o Pazuello vinha fazendo. Muita equipe dele fica.

Isso é bom ou ruim? Pazuello é muito criticado pela condução da pandemia.
Temos que dar tempo ao tempo, esperar um pouco para ver. É continuidade, mas com um ministro novo. Acho que o Pazuello foi um guerreiro nessa condução. Ele não é médico, mas cumpriu um papel de organizar essa batalha pela compra das vacinas. Mas é uma batalha tão difícil que todo mundo disse que ia comprar e não conseguiu. Nosso País é muito grande e não somos um País produtor, então é uma compra difícil. Estamos há uma semana no Rio batalhando (para comprar vacinas), mas as respostas não são boas, dizem que já estão negociando com o “governo central”. A política mundial hoje é essa.

O Brasil não demorou para firmar contratos? Teve o caso da Pfizer, por exemplo.
Imagino que é uma curva de aprendizagem, é a primeira vez na história que uma vacina é feita tão rapidamente. Todo mundo vai ter erros e acertos. Complicado é estar sentado na cadeira do gestor. Tinha uma questão que incomodava no contrato da Pfizer, sobre a responsabilidade de quem estava aplicando a vacina, a questão da refrigeração a menos 70 graus também. É muito complexo. Ficar apontando o dedo hoje é o simples, é o fácil. Resolver o problema é tão difícil que o País inteiro está com problemas, os 27 Estados. É todo mundo incompetente?

A conduta pessoal do presidente Bolsonaro não atrapalhou? Teve o “E daí?”, o não-uso de máscara, aglomerações com apoiadores… Como o sr., que é aliado dele, avalia essa postura?
O País está muito polarizado. Ao mesmo tempo que uma gama critica, outra endeusa. Essa polarização, e até o fato de alguns governadores estarem politizando, acaba saindo um pouco do campo da técnica. Aqui no Rio estamos fugindo da polarização e da politização, tentando encontrar um caminho da técnica, um caminho central de diálogo, de calma. Olhar só a questão do presidente é uma visão rasa. Há uma guerra por mídia instaurada de um lado contra o outro. No Rio temos deixado essa questão de lado – tirando quando o Doria tentou politizar comigo, aí dei uma resposta só e acabei.

Acha que o Doria politiza muito o combate à pandemia?
Muito, demais. A questão dele de vacinar antes de todo mundo – os governadores todos, até aliados, bateram nele. De querer ser o dono da vacina. Essa briga visceral com o presidente desde o início. Na primeira “call” que tivemos com o presidente, quando ainda era o Witzel, ele foi o único governador do Sudeste que bateu. Essa politização e a antecipação de 2022 fazem muito mal ao País.

Por que o sr. não assinou aquele pacto dos governadores que gerou o atrito com o Doria?
Já tínhamos mandado cinco cartas consecutivas. Não podemos viver de ficar mandando cartas o tempo todo. A carta anterior, que era bem mais dura e batia no presidente, eu assinei. Essa recente não tinha nenhuma decisão, nada, era tudo o que já estávamos fazendo. Não tinha novidade, proposta. Não vou ficar vivendo de carta, tenho mais o que fazer. Sou contra essa política de carta para tudo; ela tem que ter um recado, uma novidade.

Doria e Witzel chegaram a falar que o Bolsonaro poderia ser julgado por crimes contra a humanidade. Discorda do seu antecessor?
Ser julgado todo mundo pode – julgado, acusado. Quem está na gestão pública está sujeito a isso. Também não sabemos se vão olhar lá na frente e dizer que ele estava certo. É uma doença com a qual estamos aprendendo a lidar todo dia. Todo mundo tem um estudo, uma teoria. Nossa única certeza hoje é que a vacina é a solução, a nossa esperança, que tem que comprar todas.

Fala-se muito na política do Rio que o sr. é refém da família Bolsonaro politicamente. O que acha dessa afirmação?
Falavam que eu ia escolher o candidato bolsonarista para a Procuradoria-Geral de Justiça (o chefe do MP estadual), mas eu escolhi o mais votado da lista. Que eu não faria medidas restritivas na pandemia, mas fiz… Tenho uma proximidade boa (com a família Bolsonaro) , conheço há muitos anos, temos um alinhamento. Ser aliado é uma coisa, ser funcionário é outra. Não sou funcionário de ninguém, e sim do povo do meu Estado. Eu falava que o (senador) Flávio (Bolsonaro, filho mais velho do presidente) nunca tinha me pedido indicação para a PGJ, mas ninguém acreditava. Nunca me pediram isso, é até uma injustiça com eles. O que eu quero é poder contar com eles.

Do ponto de vista eleitoral, estará com Bolsonaro em 2022?
Bolsonaro é o meu candidato. Gosto dele, acredito nele. Nós estamos aqui por causa da onda bolsonarista, que teve mesmo. Seria um contrassenso não estar com ele, seria um contrassenso se eleger na esteira do Bolsonaro e agora virar as costas. Fomos eleitos por uma gama da sociedade que acreditava naquele modelo. Erros e acertos acontecem sempre, é o processo democrático e político natural. Não tem por que eu não estar com Bolsonaro hoje.

Tem aí uma crítica ao Witzel. Acha que ele errou muito politicamente nesse sentido?
Ele tomou as decisões dele. Eu sempre falei que não concordava com a briga. Eu não sou de briga, então sempre falei que o Rio precisava muito do governo federal, que a população escolheu um presidente e um governador da mesma linha para dialogarem. Os dois vão achar seus motivos para ter brigado, mas eu tomei uma decisão: não vou brigar. Vou discordar quando tiver que discordar, mas vou caminhar com todo mundo, inclusive com os prefeitos todos. Estava aqui outro dia com o Fabiano Horta (prefeito de Maricá, do PT), o Rodrigo Neves (ex de Niterói, do PDT), o Washington Reis (de Duque de Caxias, do MDB). Não tenho essa postura; converso com todo mundo.

Pelo que se sabe da investigação, acha que Witzel é culpado?
Não falo desse assunto. Não estou acompanhando, até porque se ele sair eu sou o sucessor, então nem trato do assunto. Nem comento.

O sr. assumiu o cargo já sendo alvo de um mandado de busca e apreensão na mesma investigação. Há ainda uma delação no MP local sobre suposta propina em contratos da Fundação Leão XIII, ligada à Vice-Governadoria…
Aquela delação lida? Que não pode existir? Palhaçada…

O que o sr. fazia no prédio com aquela mochila?
Ele (o delator Bruno Campos Selem) era meu amigo. Meu primeiro ato aqui foi cortar 25% do contrato dele, porque tínhamos que cumprir um decreto. Ele só se ferrou por ser meu amigo, não teve benefício. O cara faz uma delação lida… Tinha que cair tudo. Ninguém na imprensa cobra o MP e a Justiça de derrubar uma delação que é flagrantemente ilegal? É um erro de vocês permitir isso para ferrar o político. O cara fala o seguinte: que ele vai ao cofre na véspera, que não me vê, que está em outra sala, aí volta lá no fim da tarde. E que aí ele teria dado falta (do dinheiro). E não tem prova de quanto tinha no cofre.

O Rio tem um histórico recente de afastamentos e prisões de governadores. O sr. teme ser afastado ou preso por causa dessas investigações?
Se não tiver nenhuma covardia, zero. No Direito, zero, zero, zero. Não temo mesmo, porque expliquei tudo. Se olhar meu patrimônio, desde que parei de cantar não tem entrada na minha conta de nenhum real que não seja da fonte pagadora, uma conta minha paga em dinheiro. Meu padrão de vida hoje é pior do que quando eu era vereador. O único dinheiro que acharam na minha casa quando fizeram a busca é de quando eu vendia CD. Por causa dessa confusão, até tributei tudo, coisa que cantor católico nunca faz.

Considerando que é difícil Witzel voltar, o sr. será candidato à reeleição?
Tem muita água para passar debaixo dessa ponte ainda. Tenho que entregar um trabalho. Se entregar, é o caminho natural. Michel Temer poderia ter sido candidato, mas chegou inviável. Se eu chegar viável, não tenho mais para onde ir. Se sair para concorrer a outro cargo, provoco eleição indireta; seria um escárnio. Ainda sou muito desconhecido pela população. Se a eleição fosse só no meio político, eu seria eleito no primeiro turno.

O sr. é visto como uma antítese do Witzel nesse sentido, do traquejo político. Concorda?
Acho que tenho mais horas de voo que ele, né? Estou nisso há muitos anos, é normal. Tenho perfil diferente e mais experiência. Estou nisso desde 2004. Apesar de só me conhecerem agora, fui um cara de bastidores por muitos anos.

Já definiu a qual partido vai se filiar? Fala-se no PP, no PSD…
Estou conversando com todo mundo, recebi vários convites. Tenho até abril do ano que vem para definir isso. O PSC é uma casa que sempre me recebeu muito bem, não tenho problema nenhum com ele.

Mas tem os problemas do partido aqui no Rio.
Todo partido tem. Se for olhar os problemas, não vou para lugar nenhum. Tenho que olhar o que é melhor na hora para o projeto. Nem sei qual é o projeto ainda, não tenho como escolher o partido.

Hacker preso pela PF trabalha em prefeitura comandada por filho de líder de Bolsonaro no Senado. Em nota, Prefeitura de Petrolina informa que servidor será exonerado

  


A Coluna Painel, da Folha de São Paulo acaba de revelar que o hacker Yuri Batista Novaes Goiana Ferraz  preso,  hoje, pela Policia Federal, na Operação Deepwater, deflagrada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em Pernambuco e Minas Gerais, exerce o cargo de Gestor de Modernização Administrativa da Secretaria da Fazenda e Planejamento de Petrolina, cidade que tem como prefeito um dos filhos do líder do governo Bolsonaro, no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Miguel Coelho tem sido cotado para disputar o Governo de Pernambuco pela oposição.

O hacker, detido em Petrolina, é suspeito de ter obtido os dados de 223 milhões de brasileiros, vazados na internet e de colocar à venda, juntamente com um cúmplice, dados de autoridades que incluem o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ex- presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, dentre outros. 

Ainda Segundo a Polícia Federal, as investigações apuraram que em janeiro de 2021, por meio da internet, dados sigilosos de 223 milhões de pessoas físicas e de 40 milhões de pessoas jurídicas - tais como CPF/CNPJ, nome completo e endereço, além de registros de veículos, foram ilicitamente disponibilizados em um fórum na internet especializado em trocas de informações sobre atividades cibernéticas.

A divulgação de parte dos dados sigilosos foi feita gratuitamente por um usuário do referido fórum que, ao mesmo tempo, expôs à venda o restante das informações sigilosas que poderiam ser adquiridas por meio do pagamento em criptomoedas.

Após diversas diligências, a Polícia Federal identificou Yuri Novaes como suspeito pela prática dos delitos de obtenção, divulgação e comercialização dos dados, bem como um segundo hacker que estaria vendendo os dados por meio suas redes sociais.

Contactada pelo Blog, a Prefeitura de Petrolina informou que Yuri Batista Novaes Goiana Ferraz será exonerado. Confiram a nota:

A Prefeitura de Petrolina informa que, tendo em vista os desdobramentos da operação da Polícia Federal ocorrida nesta sexta-feira (19), o servidor Yuri Ferraz será imediatamente exonerado. A prefeitura esclarece ainda que não tem qualquer relação com a vida particular do mesmo.

https://www.blogdanoeliabrito.com/

sexta-feira, março 19, 2021

MPF pede informações urgentes sobre 22 medicamentos do kit intubação

 em 19 mar, 2021 20:53

Giac requisita informações urgentes ao Ministério da Saúde sobre situação de 22 medicamentos do kit intubação (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 (Giac) enviou nesta sexta-feira (19) ofício ao Ministério da Saúde, requisitando informações urgentes sobre a disponibilidade de remédios do kit intubação e as providências adotadas pela pasta para evitar a falta dessas substâncias em hospitais de todo o país. O documento, encaminhado ao ministro Eduardo Pazuello, pede esclarecimentos sobre medidas recentes para evitar desabastecimento de 22 medicamentos, se houve ações para requisição administrativa desses produtos, compras internacionais ou outras formas de aquisição dos remédios. O Giac também questiona sobre a situação das compras realizadas pelos estados, via ata de registro de preços centralizada no Ministério da Saúde, se ainda há saldo para compra dos produtos, dotação orçamentária disponível e medidas para viabilizar aquisições emergenciais. O documento é assinado pela coordenadora finalística do Giac, a subprocuradora-geral da República Célia Regina Souza Delgado, e dá prazo de três dias para resposta.

O Gabinete Integrado aponta ainda que há indícios de falta de remédios no mercado nacional e questiona quais medidas foram adotadas pelo Ministério da Saúde para viabilizar a importação dos fármacos. O ofício pergunta se já houve solicitação de autorização de importações à Anvisa e pedido de apoio à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. Além disso, o Ministério da Saúde deve detalhar as todas as medidas adotadas em fevereiro e março a fim de garantir que não ocorra o desabastecimento, enviar dados sobre os critérios objetivos utilizados para realizar as distribuições desses medicamentos aos estados, formas de definição dos estados selecionados em cada remessa, definição dos medicamentos a serem enviados e dos respectivos quantitativos, além de outras medidas adotadas para fazer frente ao grande aumento da demanda, tendo em vista que as internações vêm aumentando em todo o país.

Ofícios também foram enviados aos Conselhos Nacionais de Secretários de Saúde (Conass) e de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). O Giac questiona se esses órgãos estão monitorando de forma semanal a situação dos estoques nos estados e municípios, desde quando há informações sobre dificuldades no abastecimento e se isso foi comunicado ao Ministério da Saúde de forma tempestiva, com solicitação de cópias dos documentos que relataram os problemas. O documento requisita ainda informações sobre as providências adotadas por gestores estaduais e municipais para evitar a falta dos sedativos, relaxantes musculares e outros fármacos do kit intubação, com prazo de três dias para resposta.

À Anvisa, o Giac solicita informações urgentes sobre o monitoramento da produção e distribuição dos remédios por parte das empresas fabricantes, como exigido pelo Edital de Chamamento 5, de 13 de março de 2020. O Gabinete Integrado questiona se houve qualquer comunicação da falta dos remédios, independentemente do Edital, e quais medidas foram adotadas para identificar, prevenir e comunicar ao Ministério da Saúde o risco de desabastecimento desses medicamentos ou de insumos para sua produção. A Agência tem prazo de cinco dias para enviar as informações.

Nos ofícios, o Giac aponta que o Ministério Público Federal (MPF) vem recebendo notícias da falta de um ou mais remédios do kit intubação em diversos estados. Também lembra que a falta desses medicamentos pode colocar em risco a vida de pacientes, especialmente dos que estão em estado crítico. Daí a necessidade de respostas rápidas à crise.

Fonte: MPF

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Ministério Público pede ao TCU para trocar Bolsonaro por Mourão na gestão da crise da Covid


Ministério Público pede ao TCU para trocar Bolsonaro por Mourão na gestão da crise da Covid
Foto: Reprodução / Agência Brasil

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, pediu nesta sexta-feira (19) ao TCU que afaste o presidente Jair Bolsonaro das funções administrativas e hierárquicas sobre os ministérios da Saúde, da Economia e da Casa Civil.

 

De acordo com o G1, não há prazo para o TCU analisar o pedido. Em casos assim, é designado um relator, que pode tomar decisão sozinho ou submeter o pedido ao plenário do tribunal.

 

Furtado também quer que o TCU reconheça "a legitimidade, a competência administrativa e a autoridade" do vice-presidente Hamilton Mourão para nomear as autoridades responsáveis pelos ministérios.

 

No documento, o procurador pede ao TCU para: "Determinar cautelarmente o afastamento do presidente da República das funções e competências administrativas e hierárquicas relacionadas ao comando dos Ministérios da Saúde, da Fazenda, da Casa Civil e de outros eventualmente identificados como responsáveis pela inércia e omissão na execução das políticas públicas de saúde no combate à pandemia da Covid-19."

 

O procurador argumenta que haverá prejuízo aos cofres públicos se não houver atendimento à população durante a pandemia.

 

"Não se discute que toda estrutura federal de atendimento à saúde, com recursos financeiros, patrimoniais e humanos, terá representado inquestionável prejuízo ao erário se não cumprirem sua função de atender à população no momento de maior e mais flagrante necessidade. É inaceitável que toda essa estrutura se mantenha, em razão de disputas e caprichos políticos, inerte diante do padecimento da população em consequência de fatores previsíveis e evitáveis", argumenta o procurador.

 

Ao G1, ele afirmou que baseou o pedido no Artigo 44 da Lei Orgânica do TCU. "No início ou no curso de qualquer apuração, o Tribunal, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, determinará, cautelarmente, o afastamento temporário do responsável, se existirem indícios suficientes de que, prosseguindo no exercício de suas funções, possa retardar ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar novos danos ao Erário ou inviabilizar o seu ressarcimento", disse.

 

No pedido ao TCU, Furtado argumenta que é necessário adotar medidas que induzam a um "nível mínimo de eficácia" a atuação dos órgãos federais responsáveis pelos serviços de atendimento à saúde.

 

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem contrariado as orientações de especialistas e de autoridades em saúde pública.

 

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta o isolamento social e o uso de máscaras, por exemplo, o presidente da República participa de aglomerações, é contrário a medidas restritivas e também critica a máscara, contrariando as medidas preconizadas por várias entidades médicas.

 

Anunciado como novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga afirmou nesta semana que o governo não tem "vara de condão" para resolver os problemas da saúde pública e que o jeito "diferente" de o governo lidar com a pandemia é "seguir as recomendações da ciência".

 

O novo ministro foi questionado na ocasião se o governo pode "melhorar" a assistência para pessoas que procuram os hospitais.

 

"O governo federal nem governo nenhum tem vara de condão para resolver todos os problemas. Existe a ciência do nosso lado, existe a necessidade de implementação de protocolos assistenciais para qualificar ainda mais nossos recursos humanos para buscar resultados melhores. É uma situação complexa e precisamos nos empenhar para vencer o inimigo comum, que é o vírus", respondeu.

 

Indagado, então, se o governo precisa fazer algo "diferente", declarou: "Já está sendo feito. O diferente é seguir as recomendações da ciência. O presidente escolheu um médico para o ministério, um médico que é oriundo de uma sociedade científica, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que foi sempre quem protagonizou a medicina baseada em evidência".

 

Marcelo Queiroga, no entanto, não explicou quais seriam essas recomendações.

Bahia Notícias

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