terça-feira, março 16, 2021

Região Oeste chega a 92% de taxa de ocupação das UTIs Covid


por Vitor Castro

Região Oeste chega a 92% de taxa de ocupação das UTIs Covid
Foto: Divulgação / Paula Fróes - GOVBA

Desde a primeira semana do mês de março, a região do oeste baiano vem registrando altas significativas na taxa de ocupação de leitos de tratamento intensivo (UTI), destinados a pacientes com a Covid-19. Destacam-se Barreiras e Barra, únicas dentre as 34 cidades que compõem a macrorregião, que possuem leitos de UTI. Enquanto novas unidades não são implementadas, a taxa de ocupação nelas cresce em decorrência dos pacientes que chegam das cidades vizinhas.

 

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), no final do dia desta segunda-feira (15), a região oeste conta com 115 leitos ativos e 81 pacientes internados. Quando analisada a taxa de ocupação de leitos de UTI, a região, com 92% de taxa de ocupação, supera o estado que está em 82% de taxa de ocupação em UTIs.

 

Ao Bahia Notícias, o secretário de Saúde de Barreiras, Melchisedec Neves, explicou que além dos pacientes munícipes, Barreiras recebe doentes de toda a macrorregião. “Se incluirmos a microrregião da Bacia do Rio Corrente, saltamos para 36 cidades. Isso chega a um total de um milhão e meio de habitantes, e a principal cidade é Barreiras. Então a maioria das demandas convergem para cá”, disse.

 

Sediado na cidade, o Hospital Geral do Oeste  (HO), maior da região, conta com 30 leitos de UTI, dos quais 27 estão com pacientes, representando 90% de ocupação. Já os clínicos são 12, com ocupação em 33%. “Estávamos com nossos indicadores em declínio, tínhamos tomado uma série de medidas no enfrentamento à pandemia junto ao estado como o fechamento da rodoviária e do SAC. No primeiro momento fechamos o comércio e depois iniciamos a retomada escalonada e planejada. As medidas deram resultados por um período”, disse.

 

No entanto, de acordo com o secretário, a partido do momento em que o estado teve de remanejar alguns pacientes de outras regiões para o município, os números começaram a subir. “Somos solidários com as pessoas que estão enfrentando o mesmo drama, mas a crítica que faço é no sentido de que outras regiões poderiam ter adotado medidas de precaução para que suas populações pudessem ser assistidas. Houve recursos federais, muitos [municípios] acabaram recebendo o bônus e transferindo o ônus para outros. Jamais iríamos negar socorro e sonegar vagas, daí o estado fez essa transferência para cá e acabou impactando nos indicadores de ocupação de leitos”, justificou.

 

A cidade chegou a receber pacientes de outros estados como Goiás e Tocantis, o que também teria contribuído para a alta dos números. Tentando sanar a escassez de leitos, a gestão se reuniu na segunda-feira (8) com o governador Rui Costa para propor alternativas. “Nós temos ainda uma possibilidade de ampliação de 10 leitos de UTI no HO.  Hoje há uma grande dificuldade de se conseguir novos leitos por conta da falta do tanque de oxigênio, mas no HO esse problema está equacionado porque existe um tanque. Então, além de 30 leitos de UTI já existentes lá, há essa capacidade de ampliação no curto prazo para mais 10, indo para 40 leitos”, disse.

 

O secretário relatou que o município chegou a contratar dez leitos no hospital particular Central, mas através de um acordo feito com Ministério Público, o estado acabou requisitando as vagas para regulação. “O prefeito propôs ao governador que nos ajudasse nessa possibilidade da ampliação dos dez leitos no HO e também que o estado nos ajudasse em uma negociação que temos em andamento com o Hospital Central. A prefeitura banca esses dez leitos e tem essa possibilidade de ampliação de mais 10. O governador ficou de estudar e dar uma resposta até a terça-feira (9), mas até agora essa resposta não veio”, disse.

 

A reportagem do Bahia Notícias entrou em contato com a Sesab e questionou se o governo do estado pretende implementar novos leitos de UTI nas cidades de Barreiras e Barra, mas até o fechamento dessa matéria, não obteve resposta.

 

A reportagem também entrou em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura de Barra - única cidade além de Barreiras, que também conta com leitos de UTI na região oeste -  para entender o porquê da elevação na taxa de ocupação de leitos, e quais alternativas pensadas pela gestão para sanar a falta, mas até o fechamento desta matéria, não obteve retorno. Na cidade, a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 90%. Já os clínicos somam 80%.

 

Desde o início da pandemia até essa segunda-feira, a prefeitura de Barreiras teve 9.850 casos confirmados, 113 óbitos e 9.560 recuperados. Já a cidade de Barra registrou 1.332 casos, 21 óbitos e 1.273 recuperados.

Bahia Notícias

Três cidades da BA que receberam 'kit Covid' do ministério registram n° alto de óbitos


por Mauricio Leiro

Três cidades da BA que receberam 'kit Covid' do ministério registram n° alto de óbitos
Foto: Reprodução / Senadoleg

Entre os destinos das 7,4 milhões de comprimidos de cloroquina, distribuídos pelo governo federal, através do Ministério da Saúde, estão seis municípios da Bahia e o próprio estado. Nos "kits Covid" enviados para a realização do tratamento precoce para o combate Covid-19 constavam difosfato de cloroquina 150 mg e hidroxicloroquina 200 mg, totalizando 280.500 comprimidos.

 

Segundo documento disponibilizado pelo Ministério da Saúde, através de pedido de lei de acesso à informação obtido pela Fiquem Sabendo, agência de dados especializada no acesso à informação, além do estado da Bahia que, recebeu através da Secretaria de Saúde do estado, os municípios de Jequié, Vitória da Conquista, Itapetinga, Porto Seguro, Feira de Santana, Vera Cruz tiveram os lotes dos medicamentos desembarcando nas cidades. 

 

O estado da Bahia recebeu a maior quantidade de comprimidos, com 51 mil comprimidos de difosfato de cloroquina de 150mg em três cargas. Entre as cidades, o município que mais recebeu comprimidos foi Porto Seguro: 80 mil, em dois lotes de difosfato de cloroquina de 150mg.

 

Já Feira de Santana recebeu 56 mil comprimidos de difosfato de cloroquina de 150mg. Vitória da Conquista foi destino de 50 mil comprimidos de difosfato de cloroquina de 150mg, em apenas um lote. Jequié recebeu ao todo 13 mil e 500 comprimidos de difosfato de cloroquina de 150mg e Itapetinga 9 mil comprimidos do mesmo medicamento.

 

Diferentemente das outras cidades, Madre de Deus e Vera Cruz receberam a hidroxicloroquina de 200mg. Madre foi destino de 9 mil comprimidos e Vera Cruz recebeu 4 mil e 500 comprimidos.

 

Dos 10 municípios com maior número de óbitos por residência, três deles receberam o "kit Covid". A cidade de Feira de Santana, segunda no ranking com 547 mortes, Vitória da Conquista, quarta colocada tem 354 óbitos e Jequié que registrou até a última segunda-feira (15) 245 óbitos por conta da Covid-19.

 

Já com relação ao número de casos registrados, as três cidades ainda permanecem entre as 10 que mais têm infecções confirmadas. Feira de Santana já registrou 31.597 casos, Vitória da Conquista tem 22.374 e Jequié já contabilizou 12.666 casos da Covid-19.

Bahia Notícias

Após garantir que não se imunizaria, Bolsonaro decide tomar vacina contra Covid-19


Após garantir que não se imunizaria, Bolsonaro decide tomar vacina contra Covid-19
Crítico das vacinas, presidente (foto) recuou | Foto: Sérgio Lima/Poder360

Após defender que a vacina contra Covid-19 não deveria ser obrigatória e que não iria tomá-la, o presidente Jair Bolsonaro parece ter mudado de ideia e resolveu entrar na fila para se imunizar. 

 

Segundo a coluna Expresso, da revista Época, Bolsonaro vai esperar a vacina chegar para sua faixa etária - o presidente tem 65 anos e completa 66 no próximo dia 21. Ele é, portanto, do grupo de risco por idade e será imunizado até maio, segundo afirmou nesta segunda-feira (16) o até então ministro da Saúde Eduardo Pazuello.

 

Em pelo menos duas ocasiões, Bolsonaro disse que não tomaria a vacina, alegando que elas teriam efeitos colaterais. Em 15 de dezembro do ano passado, em entrevista à Band, o chefe do Executivo Nacional afirmou: “Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente outra. Mas como sempre eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final.”

 

Dois dias depois, durante evento oficial em Porto Seguro, na Bahia, o presidente voltou a dizer que não se vacinaria. Para ele, os imunizantes não tinham eficácia comprovada, e as fabricantes não queriam se responsabilizar por possíveis efeitos colaterais nas pessoas que a tomassem. 

 

“Eu não vou tomar (a vacina). Alguns falam que eu estou dando um péssimo exemplo. Ô imbecil, ô idiota. Eu já tive o vírus e eu já tenho os anticorpos. Para que tomar vacina de novo?”, questionou.

 

Ao falar sobre efeitos colaterais, o presidente produziu uma das falas mais fantasiosas sobre a vacina, ao sugerir que elas poderiam transformar pessoas em jacarés (relembre). A declaração gerou inúmeros memes nas redes sociais.

 

“No contrato da Pfizer, tá bem claro. Nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um chipan… se você virar um jacaré, é problema de você, pô. Se você virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas. Como você pode obrigar alguém a tomar uma vacina que não se completou a terceira fase ainda? Que está na experimental?”, disse o presidente.

Bahia Notícias

Polícia Federal abre inquérito para apurar negócios de filho de Jair Bolsonaro

por Camila Mattoso | Folhapress

Polícia Federal abre inquérito para apurar negócios de filho de Jair Bolsonaro
Jair Renan é o filho "04" de Bolsonaro | Foto: Arquivo Pessoal

 A Polícia Federal abriu nesta segunda-feira (15) um inquérito para apurar negócios envolvendo Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente da República.

 

A investigação mira uma empresa do "04", como é chamado por Jair Bolsonaro (sem partido), e sua atuação junto ao governo federal.

 

A revista Veja mostrou em novembro que Jair Renan deu início a sua vida de empresário atuando para conseguir uma audiência em um ministério para tratar de interesses comerciais de um de seus patrocinadores.

 

O filho de Bolsonaro e o sócio ganharam um carro elétrico do grupo empresarial um mês antes de intermediar a reunião, de acordo com a reportagem. Segundo o jornal O Globo, o veículo é avaliado em R$ 90 mil.

 

A Folha de S.Paulo mostrou em dezembro que a cobertura com fotos e vídeos da festa de inauguração da empresa de Jair Renan foi realizada gratuitamente por uma produtora de conteúdo digital e comunicação corporativa que presta serviços ao governo federal.

 

O Ministério Público Federal abriu um procedimento preliminar para levantar informações sobre o caso, após denúncias de parlamentares da oposição.

Bahia Notícias

'Não pode ser política de governo fazer lockdown', diz novo ministro da Saúde

 

'Não pode ser política de governo fazer lockdown', diz novo ministro da Saúde
Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

O novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, já mostra alinhamento com o governo Jair Bolsonaro. Ele não pretende tentar implementar lockdown no país para agrado do presidente da República, que é contra as restrições.

 

“Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, disse Queiroga em entrevista à CNN, na noite desta segunda-feira (15).

 

Ele foi confirmado como sucessor do general Eduardo Pazuello ontem (veja aqui), horas após a também cardiologista Ludhmila Hajjar rejeitar o cargo por divergências quanto às ações de combate à pandemia (saiba mais aqui).

 

Já Queiroga, após aceitar o posto, ressaltou que é preciso "assegurar que a atividade econômica continue, porque a gente precisa gerar emprego e renda. Quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia".

 

Ao longo da entrevista, o médico disse que as vacinas já adquiridas por seu antecessor, Pazuello, devem garantir ao Brasil um programa de vacinação "amplo" e que o presidente pediu a exposição de questões operacionais de forma clara. Além disso, ele reconheceu a necessidade de criar uma "grande união nacional" para vencer a pandemia.

Bahia Notícias

O voto impresso e a impressão de desordem absoluta no Palácio do Planalto


O governo assemelha-se a uma nau sem rumo, perdida em águas revoltas

Pedro do Coutto

 Em excelente artigo publicado na Folha de São Paulo desta segunda-feira, dia 15, a professora Maria Tereza Aina Sadek focalizou a história do voto no Brasil e condenou o retorno defendido por Jair Bolsonaro do voto impresso nas próximas eleições.

Francamente, eu ia escrever apenas sobre esse tema, mostrando inclusive que no voto impresso é muito fácil transformar votos em branco em votos nominais. Basta fazer um x no espaço da cédula. Já tivemos experiência nesta questão em 1982 quando da tentativa de fraude da Proconsult que se transformou num escândalo total.

ENTREVISTA – Mas acontece que no meio da tarde surgiu a excepcional entrevista da médica Ludhmila Abrahao Hajjar mostrando as razões de não ter podido aceitar substituir o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde.

No ministério só não. No conceito mais amplo possível do que representa um projeto emergencial de saúde que não pode ser adiado. Porém, ela sofreu ameaças, até de morte, pelo celular e houve três tentativas de pessoas estranhas tentarem a ela ter acesso na noite de domingo no hotel em que se hospedara em Brasília.

Voltou para São Paulo e numa longa entrevista a GloboNews relatou os acontecimentos que tornaram a sua noite num filme praticamente de terror. O general Pazuello participou do encontro com a médica Ludhmila Hajjar  , com o presidente da República, ao qual também estava presente também o deputado Eduardo Bolsonaro.

ABALO – Na segunda-feira à tarde, Eduardo Pazuello numa entrevista coletiva disse que permaneceria no Ministério da Saúde até que o presidente da República resolvesse reorganizar a pasta. E, penso eu, rumou da entrevista para o seu gabinete abalado tanto pela recusa de Ludhmila Hajjar, quanto pelo fato novo que ocorria enquanto ele, Pazuello, falava à imprensa.

Entrou em cena o médico Marcelo Queiroga que viajou de São Paulo para o Planalto para se encontrar com o presidente da República e verificar se poderia ou não substituir o general. Como se vê não se pode deixar de analisar o que aconteceu e está acontecendo com a Saúde no Brasil. O governo assemelha-se a uma nau sem rumo, perdida em águas revoltas e ondas gigantescas.  O coronavírus continua navegando e a população brasileira à espera das vacinas e de sua aplicação.

O VOTO NO PAÍS –  Volto então a falar sobre o voto. A professora Maria Tereza Aina Sadek traçou um longo roteiro, muito claro, sobre o voto no país, citando o exemplo de 1930 e de 1934. A meu ver, as fraudes eram uma rotina em 1930, bico de pena e atas falsas. Tanto é assim que até hoje historiador algum negou que a vitória de Júlio Prestes contra Getúlio Vargas nas urnas do presidente Washington Luis não tenha sido fraudada.

Júlio Prestes era governador de São Paulo e Getúlio Vargas governador do Rio Grande Sul. Mas, vamos ver como era o voto, a partir de 1945, quando Vargas já deposto há 29 de outubro, as eleições se realizaram a 2 de dezembro. Era o seguinte: os eleitores e eleitoras podiam colocar em envelopes as cédulas de seus candidatos que disputavam o Palácio do Catete, o Senado e a Câmara Federal.  

As eleições para governador de Estado, deputados estaduais e vereadores só ocorreram em 1947. No Rio, então Distrito Federal, não houve eleição para deputados estaduais, só para vereadores. Os prefeitos eram nomeados pelo presidente da República. O sistema de cédulas individuais foi usado nas eleições de 1950 e também no pleito de 1954. A partir de 1955, por pressão da UDN, e aceitação pelo PSB e pelo PTB, criou-se a cédula oficial. Nela, os eleitores assinalavam com um x ao lado do nome, o voto que desejassem marcar.  

MANOBRA – Havia um espaço para o voto nulo e outro espaço, esse aberto, para o voto em branco. Eis aí uma passagem para o desfiladeiro político no rumo à fraude. Era simples: bastava a conivência de fiscais e alguém colocaria um x, tornando o voto branco em nominal. Foi com essa perspectiva desonesta que o escândalo do Proconsult tentou transformar a derrota de Moreira Franco em vitória e a vitória de Brizola em derrota. Mas não conseguiram.  

Eu estava no Jornal do Brasil e o redator chefe era Paulo Henrique Amorim e o editor Ronald de Carvalho, homônimo do poeta. Disse a eles que só havia uma hipótese de fraudar a eleição de Brizola, era preencher os votos brancos a eles dando o destino do beneficiário da fraude escandalosa.

MANCHETE – No dia seguinte, a manchete principal do JB foi a seguinte: “Brizola consolida vitória pela margem de 126 mil votos”. A margem só não foi maior do que a dimensão do crime imundo que se articulara. Dou este exemplo para acrescentar um aspecto histórico ao excelente artigo de Maria Tereza Aina Sadek.

Enquanto isso, ficamos esperando a perspectiva de nosso país amanhecer finalmente com um novo ministro da Saúde. A população atacada pela Covid-19 exige urgência.

Bolsonaro não sabe que o temor de perder o poder corrompe aqueles que o exercem


Bolsonaro como 'boneco' do Centrão na charge do dia

Charge do João Bosco (O Liberal)

Pedro Malan
Estadão

“Creio que nenhum homem tem plena consciência das engenhosas artimanhas a que recorre para escapar à sombra terrível do conhecimento de sua própria pessoa” (Joseph Conrad). Seria possível imaginar o mesmo de um país? Dizer, como o personagem de Shakespeare (em Macbeth): “Ai de ti, pobre país, quase com medo de conhecer a si próprio”.

O Brasil sob o bolsonarismo parece cada vez mais enredado no autoengano e na autocomplacência, empenhado em perder-se em engenhosas artimanhas para escapar ao conhecimento de si próprio.

EM MEIO À PANDEMIA – Mas a terrível sombra está a ficar mais visível com o agravamento da pandemia, e com suas consequências. Paradoxalmente, é o que poderá talvez permitir que escapemos, nos próximos 18 meses, do autoengano coletivo, que seria trágico. Terrível como possa ser, o Brasil, a duras penas, pode estar se conhecendo melhor. Afinal, Bolsonaro e sua grei são parte integrante de nossa realidade.

Cumprirá a cada um de nós procurar construir coalizões – de pessoas, de partidos – aptas a apresentar-se à sociedade em geral (não apenas a nichos identitários, corporações estabelecidas e interesses consolidados) como alternativas de poder viáveis e construtivas.

Não será fácil. No presidencialismo à brasileira o poder incumbente dispõe de enormes vantagens, particularmente quando a busca da reeleição constitui sua inequívoca prioridade.

UM MITO FORTE – O poder que detém o presidente de nomear, demitir, vetar e cooptar não deve ser subestimado. Nem sua presença nas redes sociais ou o expressivo contingente do eleitorado que lhe confere o status de mito.

Em algum momento será preciso convergir para nomes, a política assim o exige. Mas tão importante quanto o quem é com quem mais (pessoas, partidos, grupos sociais), com que tipo de proposta sobre os principais desafios do País, com que tipo de interpretação sobre onde estamos, como até aqui chegamos e para onde se está propondo que caminhemos.

Carlos Pereira, em artigo recente (Folha 8/2), comenta a diferença entre montar uma coalizão para uma disputa eleitoral e gerenciar uma coalizão para efetivamente governar, à luz das dificuldades de coordenação, custos de governabilidade e perspectivas de sucesso legislativo.

SEM AMADORISMO – Após um ano e meio de recusa, Bolsonaro foi obrigado a aceitar uma coalizão e a empenhar-se pessoalmente na eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado. Mas, como notou o autor, “estando o presidente disposto a jogar o jogo do presidencialismo multipartidário, precisa aprender a gerir a sua coalizão de forma profissional e não amadora”.

Sua forma de gerir a coalizão alcançada tem se mostrado volátil e estouvada, mas claramente concentrada em sua reeleição. Que depende da consolidação e ampliação de seu eleitorado fiel, do cultivo das corporações que tem como suas e da transferência de responsabilidades para governadores, prefeitos e para a mídia profissional.

A extraordinária disfuncionalidade do Executivo federal no combate à covid é o exemplo mais flagrante e doloroso dessa inépcia, mas não o único. Afinal, é de nosso presidente a afirmação: “O País está quebrado, e eu não consigo fazer nada”. Eis a continuação da mensagem, implicitamente sugerida: porque não me deixam fazer o que eu gostaria, ou o que precisaria ser feito, a culpa não é minha.

EM OUTRO REGIME – Em outra fala, saiu-se com variante muito mais grave: “Alguns acham que posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo”. Nada surpreendente para quem em janeiro afirmara que “quem decide se um povo vive sob uma democracia ou uma ditadura são as Forças Armadas”.

As duas frases não deveriam surpreender a quem conheça sua trajetória, no Exército e no Congresso, ou a quem se dê ao trabalho de assistir, na íntegra, ao vídeo da famosa reunião ministerial de 22 de abril de 2020, verdadeira ressonância magnética de um organismo disfuncional.

A História ensina que uma sociedade enjaulada em acerbas polarizações é particularmente vulnerável a populismos fraudulentos. Existem sempre instigadores que despertam e incendeiam a ambição de populistas e tiranos em potencial. Como existem sempre os facilitadores que, ainda que percebam o perigo representado por aquela ambição, imaginam-se capazes de controlar os arroubos autoritários do populista (ou do tirano) enquanto se beneficiam de seu estilo de assalto a instituições estabelecidas.

A FORÇA DO MEDO – Como aponta com pertinência Aung San Suu Kyi, “não é o poder que corrompe, mas o medo. O temor de perder o poder corrompe aqueles que o exercem. E o medo do açoite do poder corrompe aqueles que estão sujeitos a ele”. Persio Arida retomou o tema em excelente live recente, a propósito do Brasil de hoje.

Nos próximos 18 meses o Brasil deverá decidir se afinal deseja assumir-se como uma democracia vibrante, reconhecida como tal pelo resto do mundo; ou se persistirá na trajetória de incerteza crescente sobre nosso futuro econômico, social e político.

E a correr sério risco, à luz de eventos dos últimos dias, de reeditar o tipo de polarização que marcou tanto nossa experiência em 2018 como os últimos trágicos 12 meses de pandemia.

As várias explicações para o fracasso do Brasil no caso da pandemia, na visão de Fernando Gabeira


Cemitério da Vila Formosa abre ainda mais covas em São Paulo | Jovem Pan

A cada cinco mortos, uma é brasileiro. Como explicar isso?

Fernando Gabeira
O Globo

Ministros pelejam no STF. As pessoas morrem. Lula volta à cena. As pessoas morrem. Bolsonaro começa a usar máscara, e seu filho quer que as pessoas enfiem a máscara no rabo. As pessoas morrem. Jornalistas discutem animadamente a eleição do ano que vem. Recorde de mortos: 2.349.

Fui convidado para, mais uma vez, debater a resposta nacional à pandemia. Continuo tentando entender, embora seja para mim bastante clara a razão principal do fracasso. Não posso chamá-la delicadamente de falta de liderança. Isso implicaria omissão ou apenas incapacidade do presidente. Mas ele é obtusamente negacionista. Não é um líder que falta, mas que joga contra.

POBRES AO ABANDONO – Já avancei na minha análise, procurando entender por que as pessoas, sobretudo as mais pobres, não seguem as medidas de segurança na pandemia. Mencionei suas condições precárias de habitação e transporte e o fato de que os políticos não se esforçam em criar condições que amenizem a aspereza do cotidiano de sua gente.

Algumas coisas ficam de fora dessa análise. Num bairro próspero do Rio, como o Leblon, há muita gente que despreza ostensivamente as medidas de segurança. E aí, como preencher essa lacuna?

Sou apenas um intérprete amador. Felizmente, tenho comigo na quarentena a bela edição da Nova Aguilar intitulada “Intérpretes do Brasil”. Eles merecem mais do que três volumes comentados por grandes intelectuais. Merecem um eterno reconhecimento por ter arrancado um sentido deste caótico país nascido nos trópicos.

ROÍDO POR DÚVIDAS – Mergulho nos grandes textos quase toda noite. Mesmo assim, como o domador do poema de Drummond, vivo roído por dúvidas. Sérgio Buarque de Holanda fala de uma certa relutância à autoridade. Paulo Prado menciona, no seu “Retrato do Brasil”, um triste conformismo.

Resolvi trabalhar com as duas ideias aparentemente contraditórias. Talvez exista uma resistência à autoridade quando se trata de usufruir a liberdade pessoal e um grande conformismo quando se trata de decisões tomadas lá em cima na esfera do governo.

Isso me ajuda a ajustar num mesmo saco a recusa às medidas de segurança e a incapacidade de se revoltar diante de uma política desastrosa, como fizeram os paraguaios.

E OS PROTESTOS DE 2013? – Também não é uma explicação definitiva, pois ficariam fora dela as grandes manifestações de 2013, que sacudiram a ideia do conformismo brasileiro.

Talvez exista uma ampla compreensão do fracasso do governo, inibida pelo medo de aglomerar. Somos o país onde mais se morre no momento, um brasileiro para quatro vítimas letais do coronavírus no planeta.

Esta reviravolta judicial que trouxe Lula de novo à cena da campanha presidencial não me surpreendeu totalmente, exceto pelo timing. Esperava algo um pouco mais distante, no início de 2022.

NÃO SOMOS CIDADÃOS – Nestas noites de pandemia em que, às vezes, é preciso ler um pouco de Borges, já destaquei uma frase dele: os argentinos são indivíduos, mas não cidadãos.

Achei algo interessante para quase todo o mundo latino, mas comecei também a me perguntar se não somos a Argentina amanhã. Refiro-me também às grandes forças políticas com traços caudilhescos, como o peronismo, que submergem em certos momentos, mas sempre retomam com força ao coração da maioria.

Às vezes achava que o processo brasileiro de retomada do petismo de Lula seria um pouco mais lento, porque aqui foram mais profundas do que no peronismo as marcas da corrupção.

ADVERSÁRIO DE LULA – Acontece que, comparando os adversários Macri e Bolsonaro, certamente as características grotescas do atual presidente do Brasil funcionaram como um atalho para abreviar o tempo histórico. Elas são tão decisivas que podem até mudar essa suposicão de que em 2022 o adversário de Lula seja mesmo Bolsonaro.

São consideracões de um amador. Espero que não me mandem enfiá-las naquele lugar onde já há lata de leite condensado e, agora, máscaras, de forma de que não há espaço disponível.

segunda-feira, março 15, 2021

Procuradoria recorre da decisão do STJ que anulou quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro


CHEQUES PARA MICHELLE COMPROVAM CONEXÃO QUEIROZ/BOLSONARO – Cariri é Isso

Charge do MIguel Paiva (Arquivo 247)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu nesta segunda-feira, 15, da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou a quebra do sigilo fiscal e bancário do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e de outras 94 pessoas e empresas investigadas no chamado “inquérito das rachadinhas”.

No documento, a PGR pede que o caso seja levado ao Supremo Tribunal Federal. Na avaliação do procurador Roberto Luís Oppermann Thomé, que assina o recurso extraordinário, a análise no STJ está “esgotada”. No entanto, para chegar ao Supremo, o recurso ainda precisa ter a admissibilidade reconhecida no próprio Superior Tribunal de Justiça – pelo presidente da Corte, Humberto Martins, ou vice-presidente, Jorge Mussi.

SEM NULIDADE – Ao STJ, Thomé também sustenta que não houve nulidade no pedido do Ministério Público do Rio para quebrar os sigilos dos investigados.

No final de fevereiro, pelo placar de 4 votos a 1, a Quinta Turma do STJ determinou que os investigadores do Ministério Público do Rio retirem da apuração todas as informações obtidas a partir da devassa nas contas de Flávio Bolsonaro e dos demais alvos da medida.

A decisão foi tomada em conjunto pelos ministros João Otávio de Noronha, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e José Ilan Paciornik. Apenas o relator do caso, Felix Fischer, defendeu as quebras de sigilo, mas acabou isolado no julgamento.

MAIOR REVÉS -A decisão é considerada pelos procuradores o maior revés desde a abertura do inquérito, há mais de dois anos. Os ministros ainda vão analisar, na próxima terça, 16, dois outros recursos apresentados pela defesa do senador que podem implodir as investigações sobre o suposto esquema de desvio de salários no gabinete de Flávio Bolsonaro durante os mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Os pedidos restantes miram no compartilhamento de informações pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com o Ministério Público do Rio e as decisões tomadas pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, desde o início das investigações.

Em relação ao Coaf, os advogados alegam que houve quebra dos sigilos bancário e fiscal sem autorização judicial. No caso de Itabaiana, a defesa do senador argumenta que, após a Justiça do Rio reconhecer o foro privilegiado de Flávio, as decisões do magistrado no caso devem ser anuladas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
A Justiça brasileira adotou a técnica do prét-a-porter: o advogado faz o pedido, os juízes alteram as medidas do figurino de acordo com o freguês (ou freguesa) e entrega a mercadoria. Virou uma Justiça amoldável.  (C.N.)

A administração Municipal de Jeremoabo sofre de Mitomania

 


Infelizmente o povo não pode acreditar nesse (des)governo já que até para divulgar uma informação, tem que haver uma mentira no meio.

A  unanimidade da aprovação dessa Lei só pode ser uma pegadinha pois para o primeiro de abril está faltando bastante dias, com isso quero dizer que  o projeto de Lei foi aprovado, porém, contudo, todavia, não por unanimidade, isso porque o vereador Antônio Chaves não estava presente nessa sessão.

Além de ser feio, é uma atitude condenável e deselegante, para um chefe de governo.

Em destaque

Justiça manda apreender jatinho de R$ 100 milhões do pai de Daniel Vorcaro

Publicado em 9 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Empresário está preso desde maio em Belo Horizonte E...

Mais visitadas