sábado, fevereiro 06, 2021

Depoimento de Pazuello à PF em instalação do Exército em Brasília causou desconforto entre generais


A data e o local foram escolhidos pelo próprio ministro

Gerson Camarotti
G1

Causou grande desconforto entre generais da ativa e da reserva o fato do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ter escolhido o Hotel de Trânsito do Exército, uma instalação da Força, para prestar depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira, dia 4. Pazuello mora no Hotel de Trânsito.

Pazuello é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo colapso no Amazonas com a falta de oxigênio para os pacientes internados com Covid-19.

INVESTIGAÇÃO – “Apesar dele ser um general, ele está sendo investigado como ministro da Saúde. Portanto, deveria receber a PF no seu gabinete na Saúde. Jamais numa instalação do Exército. Já é muito negativo ele ser investigado. Porém, contaminar fisicamente a imagem do Exército com essa investigação é ainda pior”, disse ao Blog um general da reserva.

Pazuello é um general três estrelas da ativa. Apesar da pressão do Exército para ele ir para os quadros da reserva e evitar associação de sua conduta no Ministério da Saúde com a Força, ele fez questão de se manter na ativa.

ESCOLHA DE PAZUELLO – A data e o local do depoimento à Polícia Federal foram escolhidos pelo próprio ministro, como determinou o relator do inquérito, o ministro do STF Ricardo Lewandowski.

Segundo a assessoria, Pazuello detalhou as ações em andamento no Amazonas e se colocou à disposição da Justiça. No pedido inicial, a PGR alegou que o ministro só tomou providências sobre a situação gravíssima dos estoques de oxigênio no Amazonas dias depois de ter sido informado.

Lembrem-se: a ordem natural das coisas acaba desnudando as reais intenções dos canalhas


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Tirinha do Quino (Arquivo Google)

Silvio J. B. Maia

A virtude está sempre no meio-termo, embora o rigorismo lógico possa opor haver exceções, com base no aforismo terráqueo de que tudo ser relativo seja a única coisa absoluta.

Parece-nos que o bom senso recomende, em relação à virtude, o meio-termo, inclusive quanto à admissibilidade de exceções – e dependendo do foco em julgamento, ainda assim é preciso muito cuidado.

ENSINAMENTO DOLOROSO – Certa vez li um diálogo entre um espírito orientador e um aprendiz, em que a resposta final do orientador foi “Salva-o”.  A filosofia surfa aí, querendo ou não, entre dar água a quem tem sede, não jogar pérola a porcos etc.

Mas depois de todo o rolado politicamente, parece-nos deva nossa postura ser deixar que a professora dor faça seu trabalho, em relação aos que alegraram-se com nosso novo estado de coisas.

Como disse Pitágoras, cada lágrima ensina aos mortais uma verdade. E de fato é no sofrimento que melhor se aprende.

DESPREPARO -Falta habilidade política e disposição para convencer inteligentemente o eleitorado, para poder processar que a saída é a intervenção total, que possibilitaria uma busca natural de candidaturas novas, sem a boca torta do cachimbo corrupto, e já dando os primeiros passos dessa renovação sob as vistas de uma nova e severamente punitiva e bem fiscalizada legislação.

Como, pelo jeito, o problema é de falta de hombridade, resta aos prejudicados conscientes terem esperança de que a ordem natural das coisas, em cumprimento ao nada ficará oculto, desnude as reais intenções dos canalhas.

Secretário de Cultura diz que cobrará explicações de plataforma que bloqueou blogueiro bolsonarista


Frias fala em censura, mas ignora a proliferação de desinformação

Deu no G1

O secretário de Cultura, Mário Frias, publicou em seu Twitter nesta sexta-feira, dia 5, que determinou que a Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual (SDAPI) notifique o YouTube pedindo explicações sobre a “suspensão de alguns usuários da plataforma”.

Frias não mencionou diretamente o perfil Terça Livre, do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que foi suspenso do YouTube na última quinta-feira, dia 4, mas republicou uma mensagem do deputado Eduardo Bolsonaro que indicava como assistir ao canal pelo Instagram.

“CENSURA” – “Não admitirei qualquer tipo de censura, e buscarei todos os esclarecimentos, uma vez que nosso ordenamento jurídico só permite tal suspensão através de uma ordem judicial”, escreveu o secretário. O Google, dono da plataforma de vídeos, disse ao G1 que ainda não recebeu nenhuma notificação e que “todos os conteúdos no YouTube precisam seguir nossas diretrizes”.

O comunicado afirma ainda que, “caso uma conta tenha sido restringida na plataforma ou impossibilitada de usar algum dos nossos recursos, o criador não poderá usar outro canal para contornar essas penalidades”. “Consideramos a violação dela um descumprimento dos nossos Termos de Serviço, o que pode levar ao encerramento da conta”.

INVESTIGAÇÃO – Allan dos Santos é alvo de dois inquéritos no STF e já foi alvo de operações da PF. Um dos inquéritos apura ameaças a ministros do tribunal e a disseminação de conteúdo falso na internet, as chamadas fake news. O outro investiga o financiamento de atos antidemocráticos. Nos dois casos, Allan dos Santos nega envolvimento em irregularidades.

Allan dos Santos é um dos blogueiros investigados no STF que receberam verbas de publicidade estatal. Em depoimento à CPMI das Fake News, em novembro de 2019, dos Santos disse que não recebia dinheiro do governo.

Dados da Secretaria de Comunicação da Presidência, no entanto, mostram que mais de 28 mil anúncios da Petrobras e da Eletrobras foram veiculados no canal do blogueiro e de outros investigados no inquérito das fake news. Os anúncios foram feitos entre janeiro de 2017 e julho de 2019, antes e durante o governo Bolsonaro, segundo o jornal “O Globo”.

CONTRATO –  Além disso, a Presidência da República contratou, sem licitação, uma empresa cujo dono já afirmou em depoimento ser “sócio oculto” do site Terça Livre.

O contrato foi publicado no “Diário Oficial da União” e prevê o pagamento de R$ 360 mil à empresa AYR – Ayres Serviços de Informação por “serviços técnicos de manutenção da plataforma Pátria Voluntária”. A contratação da AYR foi feita sem licitação com base no artigo da Lei de Licitações sobre “inviabilidade de competição”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mário Frias busca os seus 15 minutos de fama fazendo graça para os bolsonaristas. Fala em censura, mas ignora os enormes prejuízos causados pelo canal suspenso com a proliferação de desinformação promovida ao longo dos últimos anos. Em nenhum momento, o “secretário” efetivamente fez algo em prol de vários segmentos da Cultura que demandam ações durante a crise sanitária. Mas agora se achou no dever de cobrar explicações da plataforma que teve suas diretrizes afrontadas, não uma ou duas vezes, mas diversas. Mário Frias, secretário da Cultura, traz em si uma novidade. Pela primeira vez alguém tá comentando sobre um papel que ele tá fazendo. (Marcelo Copelli)

Funai muda regra sobre identidade indígena; MP vê medida como ilegal


Reconhecimento antes era feito por meio de autodeclaração

André Borges
Estadão

A Fundação Nacional do Índio (Funai) decidiu mudar os critérios usados no País para determinar quem é índio ou não no Brasil. O reconhecimento como indígena, que até hoje era feito por meio de uma autodeclaração da própria pessoa, passa a incluir agora uma série de critérios, um tipo de prova que a fundação estabeleceu para “filtrar” aqueles que, em sua avaliação, não devem ser reconhecidos como pertencentes ao grupo étnico.

A decisão de publicar uma nova resolução com o objetivo de estabelecer novos critérios para a “autodeclaração indígena” tem gerado reação entre instituições e organizações que atuam na proteção dos povos originários. O Ministério Público Federal vê ilegalidade na medida.

INCLUSÕES – Em sua resolução, a Funai afirma que os novos critérios passam a incluir: 1. vínculo histórico e tradicional de ocupação ou habitação entre a etnia e algum ponto do território soberano brasileiro; 2. consciência íntima declarada sobre ser índio (autodeclaração); 3. origem e ascendência pré-colombiana (existente o item 1, haverá esse requisito, uma vez que o Brasil se insere na própria territorialidade pré-colombiana); 4. identificação do indivíduo por grupo étnico existente, conforme definição lastreada em critérios técnicos/científicos, e cujas características culturais sejam distintas daquelas presentes na sociedade não índia.

A Funai alega que, com a medida, pretende “padronizar e dar segurança jurídica” ao processo de autodeclaração indígena, como forma de “proteger a identidade indígena e evitar fraudes na obtenção de benefícios sociais voltados a essa população”.

REVOGAÇÃO – O Ministério Público Federal divulgou nota em que recomenda à Funai a revogação imediata da resolução. O órgão afirma que a medida é inconstitucional e destaca que qualquer iniciativa relacionada ao reconhecimento da identidade indígena deve ser submetida à consulta livre, prévia e informada desses povos.

A nota pública foi elaborada pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR/MPF). No documento, o colegiado ressalta que a Constituição Federal de 1988 garantiu aos povos indígenas o direito à autodeterminação, o que implica reconhecer sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições.

Dessa forma, “está no plano da autonomia dos povos indígenas a definição, implícita na própria cultura, de critérios de pertencimento ao grupo e, portanto, a capacidade de reconhecer quem são seus membros”, afirma o MPF.

CRITÉRIO –  A Câmara lembra que a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é expressa ao estabelecer que “a consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para determinar os grupos aos que se aplicam as disposições da presente Convenção”, ou seja, para determinar quem são os povos indígenas.

Nesta quinta-feira,  dia 4, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também divulgou um comunicado, no qual afirma que a resolução 4, publicada no dia 22 de janeiro, tem a finalidade, na prática, de repassar à Funai a função de dizer quem é e quem não é indígena no Brasil, o que antes era um papel dos próprios indígenas, direito garantido pela Constituição Federal e por tratados internacionais assinados pelo Brasil, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

“A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denuncia este novo ato do governo federal, que declaradamente está contra os direitos dos povos e pede a imediata anulação da Resolução nº 4 da Funai. Alertamos para que todas as lideranças e organizações indígenas estejam atentas para essa medida e que exijam o cancelamento deste ato, que tem suas raízes na ditadura militar, época em que mais de 8 mil indígenas foram mortos no Brasil”, afirma a Apib.

INTERFERÊNCIA – A avaliação da organização é de que o governo quer interferir no processo de autodeclaração indígena, sem sequer ter consultado os povos indígenas a respeito do assunto. “Com essa medida, a Funai violou tratados internacionais que são leis no Brasil e também a Constituição Federal. Querem que os povos indígenas sejam novamente TUTELADOS pelo estado brasileiro, como na década de 1970 quando existia o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Não podemos admitir mais um retrocesso”, declara a Apib.

A única forma de reconhecimento dos povos indígenas, segundo a organização, é o autorreconhecimento, que é um processo individual e coletivo, pois a comunidade ou povo tem a autoridade de reconhecer os indígenas, independentemente do local onde vivem. “Qualquer critério estabelecido pelo Estado é autoritário, limitador e cientificamente ultrapassado e equivocado”, afirma a associação. “Não importa se o indígena passou a viver na cidade, se tem formação universitária ou se ele mora no território tradicional. Um indígena sempre será indígena, independentemente das condições sociais ou do local que vive, mantendo vínculos com a sua ancestralidade, modos de vida e cultura.”

RESPALDO – Procurada pela reportagem, a Funai informou que “a resolução tem respaldo em diversos preceitos jurídicos e estudos realizados no País e foi elaborada com base em entendimento da Procuradoria Federal Especializada junto à fundação”.

O presidente da Funai, Marcelo Xavier, afirma que, embora “se considere que a identidade e o pertencimento étnico não sejam conceitos estáticos, mas processos dinâmicos de construção individual e social, a ausência de critérios na heteroidentificação pode gerar uma banalização da identidade indígena”.

“O sentimento de pertinência ou o direito de uma pessoa sentir-se indígena não há de ser negado, contudo, o fato jurídico apto a gerar direitos aos indígenas depende de critérios que precisam ser minimamente definidos. Para uma melhor proteção dos grupos e indivíduos indígenas é necessário o aclaramento desses critérios, sob pena de tornar trivial e fútil a identificação indígena, diminuindo-lhe o valor”, declarou Xavier, por meio de nota.

ABUSOS – Marcelo Xavier afirma que “a resolução contribui para evitar fraudes e abusos que poderiam acabar subvertendo a função social” decorrente da identidade indígena. “Queremos evitar que oportunistas, sem qualquer identificação étnica com a causa indígena, tenham acesso à territorialidade ou a algum benefício social ou econômico do governo federal”, diz.

“A Funai acredita que a política indigenista deve ser fundamentada em três pilares: dignidade, pacificação dos conflitos e segurança jurídica. Dessa forma, temos trabalhado para construir uma nova realidade para os indígenas, pautada no respeito e na proteção dos direitos dessas populações.”

O especialista em etonologia Marcio Santilli, um dos fundadores do Instituto Socioambiental (ISA), vê uma ação coordenada do governo para reduzir a população indígena. “Há uma política de governo orientada para excluir a maioria da população indígena dos direitos reconhecidos pela Constituição, ao se atribuir o direito de dizer quem é índio e quem não é, ao se negar a assistir as comunidades que vivem em terras com demarcações em curso e ao excluir das prioridades para vacinação os índios que não vivem em terras indígenas”, disse ao Estadão.

NOTA – A Assessoria Jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) produziu uma nota técnica sobre a resolução. Na avaliação da organização, a medida denota a intenção da Funai de “voltar a definir quem é ou não indígena, num retorno ao regime jurídico da tutela que embasava a atuação estatal antes da promulgação da Constituição de 1988, com o mesmo modus operandi do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI)”.

“Essa normativa consolida o racismo institucional contra os povos indígenas ao propor critérios sobre uma auto-identificação que é, por direito, subjetiva, não se reduzindo aos estereótipos ou características fenotípicas, além de buscar cristalizar e segregar as identidades ditas ‘pré-colombianas’”, analisa a Assessoria Jurídica do Cimi.

MOURÃO – As regras da Funai, se aplicadas em 2018, poderiam afetar até mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão, que se declarou indígena em seu registro de candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O ato foi registrado após Mourão afirmar, em sua primeira agenda pública como vice de Bolsonaro, que tinha herdado a “indolência” do índio e a “malandragem” do africano, o que causou forte revolta reação dado o cunho racista de sua fala. Mourão declarou que seu pai é amazonense e que ele seria indígena.

Pacientes graves de Covid-19 retardam ida ao hospital com medo da intubação


por Cláudia Collucci | Folhapress

Pacientes graves de Covid-19 retardam ida ao hospital com medo da intubação
Foto: Reprodução / Vida e ação

Doentes de Covid-19 têm postergado a ida ao hospital com medo da intubação, agravando o estado clínico. Muitos estão usando oxigênio em casa, prática arriscada porque a doença pode apresentar piora repentina.

O alerta é da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), que divulgou nesta quinta (4) uma nota em que diz ser alarmante o número crescente de pacientes chegando aos hospitais com quadros avançados de insuficiência respiratória.

Embora ainda não haja informações consolidadas sobre essa alta, a associação afirma que tem observado casos de pacientes com Covid-19 tratados em casa com estratégias apropriadas somente no ambiente hospitalar, como o uso de concentradores de oxigênio.

Segundo a Amib, a única forma segura e eficiente de conduzir pacientes com sinais de insuficiência respiratória é por meio da internação hospitalar e técnicas de suportes respiratórias invasivas (intubação) ou não invasivas (máscaras de oxigênio).

É o caso da aposentada Maria (nome fictício), 63, de Barretos. Após apresentar sintomas de Covid, se consultou com um pneumologista particular e recebeu indicação de internação. Mas, como medo de ser intubada, ela se recusou a ir para o hospital. Como opção, o médico prescreveu o uso de oxigênio em casa, com monitoramento por meio do oxímetro (aparelho que mede a saturação de oxigênio do sangue), além de anticoagulante e antibiótico.

No sábado (30), a falta de ar aumentou muito, a saturação de oxigênio chegou a 75% e ela foi convencida pelo filho a ir para o hospital. Chegou em estado grave, foi imediatamente intubada e segue internada na UTI.

O caso de Maria também ilustra uma outra mudança nessa segunda onda da pandemia em relação à procedência do paciente com necessidade de intubação. Antes, a maioria já estava internada quando ocorria uma piora do estado clínico, a ida para a UTI e a indicação de ventilação mecânica invasiva.

Agora, há muitos relatos de pacientes indo direto do pronto-socorro para a UTI e sendo intubados, segundo o médico intensivista Ederlon Rezende, do conselho consultivo da Amib.

No Hospital do Servidor Estadual (SP), por exemplo, 70% dos pacientes com indicação de intubação já vêm direto do PS. "É um forte indicativo de que os pacientes estão chegando mais graves", diz Rezende.

Outras instituições pelo país registram situações parecidas.

No Hospital do Amor Nossa Senhora, em Barretos (SP), a gravidade com que os pacientes têm chegado nos últimos dias preocupou a equipe médica, diz Cristina Prata Amendola, diretora médica do hospital.

Em comum, muitos desses pacientes tentavam se tratar em casa. "Tanto com o kit Covid quanto com anticoagulantes. Tivemos uns cinco ou seis casos de pacientes que também estavam usando aqueles torpedinhos de oxigênio em casa", afirma ela.

No Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém (PA), a percepção dos intensivistas é a mesma dos colegas de SP.

"As pessoas estão confundindo as coisas. Como o cara mais grave é intubado, elas acham que não tem que intubar porque senão o cara vai morrer. Aí fica aquele pânico", conta Antonio Carlos Alves da Silva, coordenador da UTI do hospital.

Silva também observa a chegada crescente de pacientes mais graves, agora cada vez mais jovens, entre 20 e 40 anos, o que não era observado na primeira onda da Covid.

O médico diz que, além do aluguel de cilindros de oxigênio, há pacientes questionando se podem comprar ventiladores mecânicos não invasivos para deixar em casa por precaução.

A necessidade de oxigênio indica maior gravidade da doença, e isso é critério para internação, segundo Cristina Amendola. Pacientes mais graves de Covid-19 podem sofrer danos nos tecidos do pulmão, levando à insuficiência respiratória aguda. Se os pulmões não conseguem fornecer oxigênio para o corpo ou não eliminam o dióxido de carbono adequadamente, a intubação é a única terapia indicada.

"A gente tem visto com frequência essas situações. Pacientes protelando atendimento hospitalar por medo e quando chegam ao hospital estão com um estado clínico muito comprometido", diz Felipe Bittencourt, médico intensivista do Hospital Guadalupe, em Belém (PA).

Segundo ele, a situação ocorre, inclusive, entre pacientes mais esclarecidos, com familiares da área da saúde e com acesso a médicos particulares. "Eles criam um suporte hospitalar dentro do domicílio, com medicações que a gente geralmente usa nos hospitais, como os anticoagulantes, e adquirem cilindros de oxigênio."

Bittencourt fala com conhecimento de causa. A mulher, que também é médica, foi infectada no ano passado, chegou a apresentar saturação de 83% e resistiu em ser internada. "Fizemos tratamento em casa, com altas doses de corticoides, antibiótico e comprei um cilindro de oxigênio. Foi difícil, mas deu certo."

No caso da região Norte, Bittencourt acredita que muito do comportamento também possa estar relacionado ao colapso da rede de saúde ocorrido no ano passado, que levou à falta de leitos de internação.

Segundo estudo publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, a alta mortalidade de pacientes internados com Covid-19 tem sido agravada pelas disparidades regionais de leitos e de recursos existentes no sistema de saúde.

Apesar de o Norte e o Nordeste terem populações mais jovens, os desfechos foram piores, com mais doentes necessitando de internação em UTI e ventilação invasiva. Entre os pacientes intubados com menos de 60 anos, a mortalidade foi de 77% no Nordeste em comparação com 55% no Sul.

Para a médica Cristina Amendola, embora a intubação esteja associada a uma maior taxa de mortalidade, as pessoas precisam entender que é a gravidade da doença --e não o procedimento em si-- que vai causar mais mortes.

Segundo ela, muitos pacientes e familiares já chegam ao hospital com o discurso de que não querem a intubação. Só depois de muito diálogo e quando o paciente não aguenta mais a falta de ar é que ele acaba cedendo e concordando. "Eu não me lembro de ter vivido situação semelhante na UTI antes."

Ao mesmo tempo, a médica lembra que quase 40% dos pacientes graves precisam fazer hemodiálise, também associada a uma maior mortalidade, porém, o procedimento não desperta o mesmo medo. "Ninguém nunca me falou que não queria fazer diálise."

No caso de o paciente ou a família optar pela não-intubação, a equipe avalia critérios como a idade e as comorbidades, Se for uma pessoa muito idosa com doenças prévias, a equipe respeita a decisão e oferece cuidados paliativos.

Mas se o doente não se enquadra nesses critérios, a decisão de intubar pode acontecer mesmo à revelia da vontade do paciente porque é a sua única chance de sobrevivência.

"A gente dá um sedativo, ele relaxa e fazemos o procedimento. É muito ruim ter que ser assim, mas se a gente fala: 'vou te intubar', o cara entra em pânico, o que piora ainda mais a oxigenação", diz o intensivista Antonio Silva, de Santarém.

Uma tentativa de lidar com essas questões éticas, tem sido mudar a forma de se comunicar. Em vez de usar a palavra intubação, a equipe explica ao paciente vai que sedá-lo para "repousar" o pulmão.

Dos 44 pacientes internados na UTI que Silva coordena, 37 estavam intubados na última terça (2). Nos boletins diários que ele passa aos familiares dos pacientes pelo telefone, a extubação é sempre a primeira pergunta: "Doutor, quando vai tirar o tubo?"

Bahia Notícias

Piada do Ano ! Aras diz que tem sido ‘zeloso’ ao apurar conduta de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia

Publicado em 6 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Éton (horadopovo.com.br)

Rafael Moraes Moura
Estadão

O procurador-geral da República, Augusto Aras, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que tem sido “zeloso” na apuração da conduta do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Segundo Aras, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já abriu nove procedimentos preliminares que miram a atuação do chefe do Executivo federal durante a pandemia.

Considerado um aliado por integrantes do governo, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) vem sofrendo pressão, tanto interna quanto externa, para investigar mais a fundo a responsabilidade das autoridades do governo federal durante a pandemia, que já levou à morte mais de 220 mil brasileiros.

ILÍCITOS – “Este órgão ministerial tem sido e continua sendo zeloso na apuração de supostos ilícitos atribuídos ao Chefe do Poder Executivo federal, noticiados por meio de petições que cotidianamente dão entrada no sistema da Procuradoria-Geral da República”, escreveu Aras ao STF.

Aras também destacou que “mais recentemente”, foi aberto um procedimento preliminar para apurar a atuação de Bolsonaro e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no Amazonas e no Pará. Esse último caso diz respeito a um pedido de deputados federais do PC do B. Para os parlamentares, Pazuello deve ser responsabilizado “em razão de inércia” e Bolsonaro, “por postura isentiva e descompromissada em relação às políticas de combate ao novo coronavírus no âmbito do Sistema Único de Saúde”.

PETIÇÃO – A nova manifestação de Aras foi enviada ao Supremo no âmbito de uma petição, apresentada pelo advogado Fábio de Oliveira Ribeiro. Ribeiro acusa Bolsonaro da prática do crime de genocídio.

Ao acionar o Supremo, o advogado acusou a PGR de não buscar a responsabilização do chefe do Executivo federal – e pediu que o tribunal decretasse a prisão preventiva do presidente da República. O caso está sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello.

“O peticionário não tem legitimidade para o oferecimento da denúncia, por tratar-se, em tese, de crime sujeito a ação penal de natureza pública. Nos casos de delitos praticados por autoridade titular de foro por prerrogativa de função perante esse Supremo Tribunal Federal, cabe ao Procurador-Geral da República o pedido de abertura de inquérito, a indicação das diligências investigativas e, eventualmente, o oferecimento da denúncia”, escreveu Aras, ao defender a rejeição do pedido de Ribeiro.

APURAÇÕES – As apurações preliminares instauradas por Aras são uma espécie de “pré-inquérito” que pode levar mais à frente à abertura de uma investigação propriamente dita – ou ser arquivada. Aras não tinha prazo para abri-las.

“Uma Notícia de Fato, que a imprensa chama de ‘apuração preliminar’, é instaurada em todos os casos em que parlamentares, entidades da sociedade civil, cidadãos em geral protocolam uma representação na PGR imputando um suposto fato ilícito a uma autoridade com prerrogativa de foro no STF (presidente, vice, ministros de Estado, senadores, deputados)”, disse Aras ao Estadão.

“Para poder analisar preliminarmente os fatos narrados por quem fez a representação, a PGR precisa autuar o documento no sistema eletrônico. É praxe e acontece todos os dias envolvendo as mais variadas autoridades. A partir da Notícia de Fato, o PGR analisa se há elementos para arquivar o caso ou para pedir abertura de inquérito ao Supremo –aí, sim, é uma investigação propriamente dita”, acrescentou. Questionado se o procedimento “não daria em nada”, Aras ironizou. “Segundo meus adversários.”

DEPOIMENTO –  Pazuello prestou nesta quinta-feira depoimento à PF no inquérito que investiga se houve omissão no enfrentamento do colapso provocado pela falta de oxigênio hospitalar para atender pacientes internados com covid-19 em Manaus. Com estoques de cilindros zerados em algumas unidades de saúde, pessoas morreram por asfixia e outras precisaram ser transferidas para receber atendimento médico em outros Estados.

O gabinete do advogado-geral da União, José Levi, acompanha o caso de perto. Pazuello tem negado a omissão. O general já disse que ‘fez tudo’ para evitar a crise e que cabe ao Ministério da Saúde apenas apoiar as ações de prefeitos e governadores. O inquérito foi aberto a pedido da PGR.

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