quarta-feira, agosto 12, 2020

Moraes suspende depoimento de Aécio até que sua defesa tenha acesso às delações


Defesa nega envolvimento do tucano nas irregularidades
Fernanda Vivas e Márcio Falcão
G1 / TV Globo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu, nesta terça-feira, dia 11, o depoimento do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) no inquérito sobre a construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais, sede do governo do estado.
Aécio e outros 11 são indiciados por supostas irregularidades nas obras, realizadas e inauguradas quando o político era governador de Minas. O depoimento estava previsto para esta quarta-feira, dia 12. Aécio nega envolvimento nas irregularidades.
ACESSO AOS DADOS – Alexandre de Moraes determinou que o parlamentar só seja ouvido após o acesso integral da defesa às declarações de delatores que foram usadas para indiciá-lo. As delações no inquérito foram feitas por diretores das construtoras OAS e Santa Bárbara Engenharia.
A decisão de Moraes atende a um pedido da defesa, que reiterou ao STF dificuldades no acesso aos dados. Na semana passada, o ministro já tinha autorizado o acesso dos advogados às delações. “Ante o acima exposto e vislumbrando nos autos documentos inequívocos de descumprimento da minha decisão, determino o cumprimento, no prazo máximo de 24 horas, da decisão por mim proferida, bem como suspendo o depoimento do reclamante [Aécio], para data posterior ao acesso integral das declarações prestadas pelos colaboradores que incriminam o reclamante, já documentadas, bem como aos documentos todos e que não se refiram a diligências em andamento, que possam ser prejudicadas”, ordenou o ministro.
SEM DATA DEFINIDA – Como a remarcação depende desse acesso dos advogados à fala dos delatores, não há data definida para o depoimento. Na decisão, Moraes diz que pode imputar “responsabilidades administrativa e criminal por parte da autoridade que vier a descumprir a presente decisão” se o acesso não for concedido. Em nota, a defesa de Aécio diz que a decisão de Moraes de garantir acesso à delação assegura “o mesmo direito garantido a todos os brasileiros”, e que o próprio deputado pediu para ser ouvido no processo.
“Registre-se que depois de três anos de investigações não foi apresentada nenhuma prova que o vincule a qualquer irregularidade. As obras da Cidade Administrativa seguiram as melhores práticas da administração pública, com entrega no prazo sem a prática sequer dos aditivos financeiros autorizados por lei”, diz o advogado Alberto Zacharias Toron.
O INQUÉRITO – O ex-governador de Minas e atual deputado federal Aécio Neves (PSDB) é acusado, junto com outras onze pessoas, de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, cartel e fraude a licitação. Segundo o relatório da PF, o processo de licitação foi dirigido para que um grupo de empreiteiras vencesse a licitação. Há, ainda, indícios de desvio de recursos públicos através de contratações fictícias, cujas prestações de serviços não foram executadas na obra.
A investigação apontou que o prejuízo aos cofres públicos totalizaram quase R$ 747 milhões. Os onze indiciados ao lado de Aécio Neves são representantes das empreiteiras envolvidas Inicialmente, a construção da Cidade Administrativa foi orçada em R$ 900 milhões. O Tribunal de Contas do Estado afirma que o custo da obra passou de R$ 1,8 bilhão.
Em nota divulgada em maio, a defesa de Aécio Neves afirmou que o inquérito não apresentou nenhuma prova de ilegalidade e que as obras da Cidade Administrativa teriam seguido “as melhores práticas da administração pública”. A obra ainda teria passado pelo crivo do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado.
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ÍNTEGRA DA NOTA DIVUGADA PELA DEFESA DE AÉCIO NEVES
Trata-se de decisão que reitera conteúdo da determinação anteriormente já tomada.
O STF assegurou à defesa do deputado Aécio Neves o mesmo direito garantido a todos os brasileiros de acesso a íntegra de inquérito, no caso, referente à Cidade Administrativa, o que ainda não foi cumprido e, por isso, ainda não foi confirmada a data para que o parlamentar preste esclarecimentos sobre o assunto.
A iniciativa do pedido para ser ouvido nessa etapa do inquérito partiu do próprio parlamentar, principal interessado no pleno esclarecimento dos fatos.
Registre-se que depois de três anos de investigações não foi apresentada nenhuma prova que o vincule a qualquer irregularidade.
As obras da Cidade Administrativa seguiram as melhores práticas da administração pública, com entrega no prazo sem a prática sequer dos aditivos financeiros autorizados por lei.
O edital foi aprovado pela Advocacia Geral do Estado e pelo TCE. Investigação realizada pelo MP foi arquivada. Empresa independente de auditoria externa acompanhou todas as etapas da obra e os pagamentos só foram realizados após comprovação de serviços realizados.
A Codemig, empresa responsável pela obra, recusou solicitações de reajustes feitos formalmente por empresas participantes da obra, em clara demonstração da correção dos procedimentos adotados.
Alberto Zacharias Toron
Advogado

Lamentavelmente estamos publicando mais outra Ação contra desmandos do governo



















Nota da redação deste Blog - Ontem recebi 04(quatro) processos para publicação contra o atual gestor, e parece que hoje ainda virá mais dois ou três.
Não soltei todos um após outro, porque me senti até constrangido, pois no meu entender acredito que não deveria  chegar a tal ponto.
Não tenho poderes para julgar ninguém, mas acho que o prefeito apelou para prepotência abandonando o dialogo.
Por falta de dialogo o único prejudicado foi o povo, administração nenhuma conseguirá fazer um bom governo sem dialogo.
Há elementos que se alimentam do quanto pior melhor em busca de tirar proveito em seu proprio benefício, porém, nenhum jeremoabense, adota nem apoia esse modo de proceder, pois Jeremoabo é nossa terra, muito maior do que a politicagem mesquinha de certos oportunistas, ninguém se satisfaz com fracasso de governos seja de qual lado for.

terça-feira, agosto 11, 2020

O que vem a ser diálogo?

Gisele Leite, Professor de Direito do Ensino Superior
Publicado por Gisele Leite
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O que vem a ser dilogo
O diálogo é uma conversa durante a qual os interlocutores, interagindo um com o outro (dialogein[1] em grego), trocam argumentos com vistas a chegar a um acordo fundamentado.
O diálogo é uma conversa durante a qual os interlocutores, interagindo um com o outro (dialogein[1] em grego), trocam argumentos com vistas a chegar a um acordo fundamentado.
O acordo é a condição e ao mesmo tempo o fim do diálogo. Condição, porque só existe o diálogo se os interlocutores renunciarem à violência, e se submeterem a exigência da verdade.
É a verdade que o diálogo nem sempre chegue a uma conclusão, pelo menos visa a uma progressão a dois. A busca conjunta da verdade pressupõe e reforça uma comunidade fundada sobre a linguagem compartilhada. O diálogo se define pela circulação da palavra (daí: dia – logos).
Platão escreveu sua obra quase inteiramente sobre a forma de diálogos que colocaram em cena Sócrates junto com os mais diversos interlocutores, entre estes, seus discípulos.
O diálogo platônico não se traduz em ser mero artifício literário. Platão estabeleceu um elo essencial entre os filósofos e o dialogar.
A filosofia não é uma doutrina passível de ser objeto de uma exposição convencional. Esta é um diálogo vivo entre dois interlocutores movidos pelo desejo de saber para transmitir, e que decidem juntos, procurar a verdade.
O diálogo de Platão[2] perfaz a progressão a dois, através de perguntas e respostas em direção à verdade. Durante o diálogo, Sócrates questiona o seu interlocutor, principalmente porque suas definições são insuficientes ou incompatíveis com outras que parecem mais certas, ele leva à busca de uma definição verdadeira, aquela que nos revelará a própria essência da coisa que é objeto de exame.
O diálogo[3] não é qualquer conversa que seja espontânea e sem regras. Sua progressão obedece a regras que dois interlocutores se comprometem a respeitar, já que estas são as condições de possibilidade do diálogo.
Não há dúvida que exige não apenas que se responda àquilo que é verdadeiro, mas também que se baseie a resposta, naquilo que aquele que é interrogado reconhece como verdadeiro.
A regra da definição e estar de acordo quanto ao sentido preciso das palavras, sem jogar com as ambiguidades da linguagem a fim de desviar a discussão. Finalmente, deve-se reconhecer e respeitar os direitos de cada um, em particular o direito à palavra.
É por isso que o diálogo[4] exclui o longo discurso que ofusca ou faz perder de vista o objeto da discussão. O diálogo requer perguntas e respostas curtas que são submetidas a um exame racional. Pela troca de argumentações e objeções, o diálogo permite a cada um escapar da particularidade de sua opinião e ascender ao saber. O caminho da razão é assim libertador.
O diálogo, que põe os interlocutores num mesmo plano e instaura entre eles uma comunidade de pensamento. Distingue-se do debate onde se dá o confronto de posições contraditórias. O orador que se assenhora da palavra, e faz longa preleção, no qual desenvolve todos os argumentos favoráveis a sua tese que defende ou da decisão que preconiza.
Os oradores não discutem entre si, mas submetem cada um de seus discursos ao julgamento e ao voto de seus ouvintes e concidadãos.
Enquanto o diálogo se caracteriza[5] pela brevidade de réplicas e, como observa Sócrates no Górgias, não cabe se comportar como político que visa convencer a audiência. No diálogo, uma única pessoa tem que ser convencida: aquela que está presente à nossa frente.
À primeira vista, o diálogo pode parecer ter uma duração infinita e detentor de uma comunicação por princípio universal. No entanto, sem um fechamento, pelo qual ganha unidade e força, o diálogo se perde.
E só é possível para alguns interlocutores, pois a majoração destes o torna inviável.
O diálogo também se torna uma caricatura nas atrações cronometradas supostamente capazes de favorecer a troca de ideias e a discussão, mas que não passam de um cruzamento de monólogos. Só há diálogo verdadeiro quando certas regras são aplicadas.
É necessário para haver o verdadeiro diálogo deverá existir certa distância entre os interlocutores, pois do contrário, o interlocutor não desempenha mais o papel do outro.
Também não existirá interlocução se ambos falarem a uma só vez, será no máximo um dueto ou um coral. É igualmente notório que uma distância muito grande impede igualmente o diálogo se trave. Quando não existe uma comunidade linguística, quando não há consenso sobre o significado das palavras, e também quando não há objetivo comum, o diálogo torna-se impossível.
Em Górgias de Platão[6], Sócrates se deparou com a brutal recusa de qualquer forma de diálogo por parte de Cálicles[7]. Tudo os separavam, e, finda num longo monólogo final. No entanto, seu monólogo continua a ser uma pelo ao diálogo.
Por vezes, de forma menos evidente, o diálogo pode ser apenas uma máscara, se for apenas a oportunidade para a expressão de opiniões divergentes que, dentro de um grande espírito de abertura e de tolerância, parecem fazer-se mutuamente justiça, quando, na verdade, não ocorre nenhuma escuta verdadeira do outro.
Cada interlocutor fala na sua vez e a sucessão de monólogos não constitui um espaço comum no qual a verdade poderia se construir. Aquele que convida ao diálogo à abertura e à compreensão recíproca é logo considerado um homem democrático.
Porém, muitas vezes a convocação permanente ao diálogo e as invocações rituais e encantatórias ao consenso não passam de atitudes estereotipadas, a fim de dar boa imagem de si.
Quem não toma nenhuma posição não tem como ser abordado e, como o sofista, escorrega entre os dedos. Tem-se um arremedo de diálogo que visa a satisfazer tudo menos a exigência da verdade.
A inaptidão para o diálogo pode ocorrer, principalmente em virtude do que H. G. Gadamer[8], em seu livro “Linguagem e verdade”, relatou. É o caso de quem não se envolve no diálogo porque lhe parece difícil, até mesmo impossível, participar desta relação com o outro. É o caso também de quem é incapaz de escutar o outro que faz “ouvidos moucos[9]” ou “entende mal”.
Só faz “ouvidos moucos” ou entende mal aquele que escuta constantemente a si mesmo, aquele cujo ouvido está de alguma forma tão cheio de boas palavras que se dirige constantemente a si mesmo preocupando-se apenas em seguir suas inclinações e interesses, que se torna impossível escutar o outro.
Estar pronto para o diálogo significa estar apto a escutar o outro, e parece ser a verdadeira elevação do homem à humanidade.
O princípio da identidade entre os interlocutores é que serve de guia para formar o consenso e, por fim, a entabular o acordo. Os fracassos do diálogo que vivenciamos mostram até que pronto o pensamento e o diálogo são profundamente solidários.
O elo afirmado por Platão entre filosofar e dialogar se baseia na definição do pensamento proposta por Sócrates em resposta à questão: o que vem a ser o pensamento?[10]
“Um discurso que a alma mantém consigo mesma sobre os objetos que ela examina (...) isso não é outra coisa, para ela, senão dialogar, dirigir, a si mesma as perguntas e as respostas, passando da afirmação à negociação. Quando ela (...) se mantém constante em sua afirmação e não duvida mais, sua opinião está formada”. (Platão, Teeteto[11], 189e).
Pensar é uma atividade que supõe duas instâncias em mim. Sou capaz de pensar quando me distancio de minhas próprias representações[12], quando consigo encarar negativamente as ideias que tenho, quando, na dúvida, comprovo a separação entre mim e minhas ideias.
Dizer que o pensamento é um diálogo consigo mesmo significa que faço objeções a mim mesmo, que passo de pensamento espontâneo, presente em mim sem que eu saiba de onde ele vem, para um pensamento real.
Filosofar é pensar; e pensar é, segundo a bela expressão de Hannah Arendt[13] ser “dois em um”. Quando Sócrates divulga com Mênon, ele encarga o objetor externo que procura fazer Mênon pensar, levando-o a por em questão suas afirmações, que são apenas o eco de sua educação. Mas Mênon só pensará verdadeiramente quando tiver interiorizado seu objetor; em vez de sofrer a refutação como uma agressão vinda de fora, ele será capaz de infringi-la a si mesmo. Mas um longo caminho filosófico ainda precisa ser percorrido, pois não nos infligimos dores de bom grado[14].
Para um filósofo, o diálogo é, portanto, decisivo. Ele combate o risco do pensamento solitário que pode se perder por falta de crítica. E que também pode se satisfazer muito rapidamente. As objeções do outro são estimulantes e exercem tanto a função de controle quanto uma função de incentivo para o pensamento.
As objeções do outro são estimulantes e, exercem tanto uma função de controle quanto a função de incentivo para o pensamento e para a reflexão. O diálogo com o outro enriquece nosso pensamento e o corrige.
A inspiração platônica que liga a filosofia ao diálogo reaparece nas filosofias contemporâneas. E, estas enxergam no diálogo mais um processo de cooperação e de troca voltado para melhor compreensão comum do que uma busca de um dos dois interlocutores voltada para a verdade. Para elas, a realização de uma intersubjetividade no e pelo diálogo passa para o primeiro plano.
O que constitui a efetividade do diálogo[15] pela comunicação humana onde não interessa a prevalência da opinião de um ou de outro, nem acrescenta como soma, a opinião de uma à opinião do outro, mas as transformam ambas.
A comunidade que é de tal modo comum, que não é mais a minha opinião ou a sua opinião, e sim uma interpretação comum do mundo, é a única a tornar possível a solidariedade ética e social (Gadamer, in Linguagem e verdade).
Conclui-se antiga sempre se referiu ao método do diálogo diferentemente das concepções modernas, que adotam uma visão ternária, em que a tese é seguida pela antítese que, por sua vez, é seguida pela síntese que une as duas.
A dialética, para Platão[16], que tem também um sentido lógico e metafísico, é antes de tudo a arte de discutir que o método socrático aponta. O dialético é aquele que sabe interrogar e responder. A dialética significa esse por à prova as teses de um interlocutor, através do diálogo que conduz seu exame racional.
É bom frisar os riscos advindos da supervalorização atual do diálogo e da discussão sobre a lógica socrática[17]. O recurso mistificador da discussão e do diálogo vistos como panaceia para todos os males, capaz de resolver todos os conflitos, apegando-os no consenso, tomando muitas vezes Sócrates[18] como modelo.
Para Sócrates, no entanto, a discussão era o meio de combate e o diálogo era habitado pelo âgon, o conflito. Sócrates era o mestre que intimida, maltrata e sabia induzir ao engano e usar a lisonja, conduzindo a conversa “com mão de ferro”. Sua aparente bondade não nos deve iludir.
Já a filosofia moderna enxerga o diálogo numa dimensão ética, com reconhecimento, respeito e abertura ao outro. Para Gadamer, o diálogo é fundador de uma comunidade tal modo comum que já não mais a minha opinião, e sim, uma interpretação comum do mundo, a única a tornar possível a solidariedade ética e social.
O diálogo[19] é confidência, confiança, mútua, intimidade. Louvam-se também suas qualidades na política: o “homem de diálogo” é elogiado e a retomada do diálogo social é desejada.
Enfim, na democracia participativa, todos são convidados ao diálogo. Noutra projeção anacrônica deve ser evitada identificar o debate político atual, conforme o que nos é proposto pela televisão em época de eleições, por conta do horário de propaganda gratuita eleitoral.
Para os gregos, o debate é o lugar de um “falar longo” que se opõe ao “falar breve” do diálogo e da discussão filosófica.
Foi no debate democrático em Atenas, os oradores não discutem entre si, eles tomam a palavra sucessivamente, sendo que é o auditório que decidia através do voto.
Os gregos desenvolveram seu pensamento com a precisão num discurso longo e claramente argumentado. Aquele que falava levou tempo para expor todo seu pensamento, sem alusões nem elipses que falam apenas para aqueles que já sabem.
Diferentemente do discurso esotérico, o discurso longo não pressupõe nenhuma competência prévia, não oculta nada e cria as condições para sua compreensão por todos.
Outra projeção anacrônica deve ser evitada: identificar o debate político atual, conforme exibe a televisão em época de eleições com o existente debate democrático antigo.
Ao contrário da discussão, que muitas vezes leva o participante a responder no calor da ação, sem se dar tempo para refletir, o falar longo torna visível e audível o pensamento e seus encadeamentos.
Este é o único meio para um saber democrático que se dirige a todos e forma aqueles que escutam. Pois o escutar[20] não é necessariamente passivo ou inerte, assim como falar espontaneamente não é necessariamente ativo. Há uma escuta ativa e formadora, e um discurso voluntário e inconsciente que trai o sujeito que fala.
O falar breve peculiar do diálogo é, ao contrário, aristocrático, posto que suponha certo fechamento. Não se dialoga com muitos na verdade, e a própria forma, pela sucessão de perguntas e respostas, sem a possibilidade de reversão de papéis, é mais parecida com a prática jurídica de interrogatório do que propriamente com o diálogo tal como o entendemos.
Referências
RAFFIN, François. Trad. Constância Morel e Ana Flaksman. In: Pequena Introdução à Filosofia. RJ: Editora FGV, 2009.
CARNEIRO, Tomás Magalhães. O Diálogo Filosófico na sala de aula. (Disponível em: http://filosofiacritica.wordpress.com/notas-sobre-dialogo-filosofico/ Acesso em 29/08/2014.).
CASTRO, Luciana Xavier; DE FARIA, Elizabet Rezende. A filosofia socrática e o diálogo. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=32221. Acesso em 29/08/2014.
CABRAL, João Francisco P. O diálogo como forma escrita e a Dialética em Platão. Disponível em: http://www.brasilescola.com/filosofia/o-dialogo-como-forma-escrita-dialetica-platao.htm Acesso em em 29/08/2014.
[1] O diálogo é palavra oriunda do grego antigo e significa uma conversação entre duas ou mais pessoas, em verdade, significa passagem, movimento. Assim se desenvolve a partir de pontos de vista diferentes, o verdadeiro diálogo supõe um clima de boa vontade e compreensão recíproca. O diálogo em filosofia representado, primeiramente em Sócrates e, depois em Platão, o processo de busca da verdade através de perguntas e respostas. A filosofia contemporânea e especialmente a fenomenologia dão ao diálogo uma importância primordial, porque ele é constitutivo de um mundo verdadeiramente humano, ou seja, um mundo comum, porém composto de muitas diferenças.
[2] Os diálogos de Platão representam a escrita da filosofia platônica. Ao contrário de seus predecessores pré-socráticos (que escreveram ora em poesia e ora em prosa). O diálogo platônico tem sua origem na dialética socrática e visa reproduzi-la. Trinta e cinco diálogos e trezes cartas são tradicionalmente são tradicionalmente atribuídas a Platão. Há controvérsia quanto à cronologia e autenticidade dos diálogos. Já na Antiguidade circulavam textos apócrifos com o nome de Platão. A organização da obra platônica em tetralogias deve-se a Trasilo de Mendes que também organizou as obras de Demócrito de Abdera do mesmo modo.
[3] Platão escreveu somente diálogos (exceto a Sétima Carta, talvez a única autêntica). Ele nunca fala nos diálogos em seu próprio nome e, só se refere a si mesmo só três vezes (na Apologia e no Fédon). Platão poderia, no entanto, ter escrito tratados filosóficos. Os diálogos de Platão se desenrolam em situações dramáticas muito precisas, e o cenário é absolutamente indispensável para a compreensão do que acontece em cada diálogo. Um diálogo, como uma peça de teatro, avança, passo a passo, e deve ser lido sequencialmente, na ordem em que ele se desenrola a nossa frente. Como num drama, a situação se desenvolve, os elementos mudam muito ou pouco, e o sentido de uma frase pronunciada por alguém no começo do diálogo pode ser ou não ser o mesmo para ele (ou para seu interlocutor) após umas quantas páginas de conversação. É por isso que Platão tem suas ressalvas à lógica formal.
[4] Todas as obras de Platão, salvo a Apologia de Sócrates e as Cartas, são diálogos. Na maioria destes diálogos é Sócrates quem dirige, salvo nas Leis em que não figura, e no Sofista, no Parmênides e no Político, nos quais não tem o papel principal. A maioria dos diálogos de Platão é montada como pequenas comédias nas quais o caráter dos interlocutores de Sócrates é habilmente traçado, senão mesmo parodiado; O Banquete é um belo exemplo disso. Por vezes, esses diálogos recordam uma conversa presenciada por um dos interlocutores. É naturalmente impossível encontrar o pensamento de
Sócrates debaixo do "Sócrates de Platão", mas o método dialético e dialogado devia pertencer ao mestre; aprofundamento do contato vivo através da palavra desenvolve-se segundo uma pesquisa não dogmática. Em numerosos diálogos a discussão parte de uma definição proposta por um interlocutor,
Sócrates finge a surpresa, pormenoriza a definição, tira daí conclusões que o interlocutor aprova à medida que Sócrates as deduz umas das outras. Depois, bruscamente, o golpe de teatro; chegou-se a uma conclusão que está em contradição com o ponto de partida, sinal de que a definição não valia nada.
Quando o interlocutor é de má-fé, como Cálicles, recusa continuar a discussão; quando é de boa-fé, como Teeteto, propõe outra definição que Sócrates examina de novo. Por vezes o diálogo não chega a qualquer conclusão e os intervenientes separam-se com a promessa de retomar a discussão noutra altura. Esta ausência de conclusão não traduz um cepticismo, mas sim uma vontade de não chegar a qualquer conclusão antes de primeiro ter eliminado os erros mais comuns e as caricaturas mais frequentes. No final do Teeteto não sabemos ainda o que é a ciência, mas já sabemos aquilo que ela não é. A ironia socrática consiste em apanhar o interlocutor em flagrante delito de contradição, mostrando-lhe que aquilo que ele considerava como saber não é senão ignorância; como diz Vl. Jankélévitch: «Sócrates impede o escândalo dessa erística a impostura desse “arrivismo”.
[5] Szlezák aponta algumas características fundamentais do diálogo platônico e que podem ser encontradas em todas as suas fases: (1) São conversações que podem conter longos discursos monológicos. O pensamento é uma conversa da alma consigo mesma, mas em muitos momentos, o líder da conversação introduz modos de pensar e conclusões previamente prontos. Não se deve, portanto, aceitar ingenuamente que tudo é um ‘processo vivo de discussão’. O que se descobre por meio do pensar solitário deve ser verificável no diálogo com os outros. (2) A conversação ocorre num espaço determinado e os participantes podem, com poucas exceções, ser identificados historicamente. Essa característica representa um forte indício de que a entrada na prática filosófica nunca ocorrerá sem engajamento pessoal. Seria um equívoco acentuar o condicionamento temporal dos resultados almejados, numa relativização indevida. O objetivo é se desfazer dos entraves individuais e avançar rumo a verdades permanentes.(3) Um personagem com certa tendência idealizadora assume a direção da conversa. (4) O líder da conversação fala apenas com um interlocutor de cada vez, ainda que imaginário. Cada participante permanece focado apenas no líder e é por ele corrigido. Os demais pontos de vista não se tornam produtivos pelo contato uns com os outros. (5) O líder da conversa pode responder a todas as objeções, pode refutar, mas nunca é refutado: A pergunta que fica é: qual conceito de Filosofia se exprime nessa decisão dramatúrgica, difícil de conciliar com as contemporâneas noções de igualdade? Seria o tratamento dado ao líder da conversação um exemplo da submissão ao logos? (6) A conversação não progride de maneira contínua, mas aos solavancos, geralmente no curso da defesa de um ataque a um resultado alcançado. A ele segue um auxílio especificamente dirigido que confirma esse resultado, num nível superior e por instrumentos conceituais mais ambiciosos e argumentações mais penetrantes.
Essa alternância de ritmo induz o leitor ao movimento e deveria ser valorizada por ele. (7) O líder não leva a argumentação a um fim orgânico, mas aponta para temas futuros. Existem “passagens de retenção” onde tópicos são explicitamente deixados de fora da investigação presente. Uma exigência platônica é o filósofo estar adiante de seu logos. Poderíamos comparar a produção poética, que sempre diz mais do que o poeta sabe, com a produção filosófica, onde o filósofo sempre só consegue dizer menos do que sabe, por diversos motivos.
[6] Górgias é um diálogo de Platão, filósofo grego do século V a. C.. Deverá ter sido escrito depois da primeira viagem de Platão à Sicília, em 387 a. C. Situam-no na acmé (maturidade) da vida: depois dos quarenta anos, isso significa que, pela boca de Sócrates fala já o próprio [Platão]. Quando Górgias foi escrito por Platão, Atenas vivia uma profunda crise econômica e política. Após uma longa guerra contra Esparta (431-404), Atenas perde a guerra e o poder que tinha entre os gregos. O regime democrático é substituído por uma Tirania (404-403) por imposição de Esparta. A democracia que é restaurada, em 403, está mais frágil que nunca. Os recursos econômicos dos atenienses são agora bastante mais escassos, a custo a cidade procura recuperar a sua prosperidade económica. A antiga aristocracia culpa os oradores e os democratas desta perda do poder e exige um governo forte. No início do século IV a. C. Devido ao elevado absentismo dos cidadãos nas sessões da Assembleia foi decidido remunerá-los sempre que o fizessem. A Assembleia, dirá Aristóteles, torna-se rapidamente num local de ociosos e cidadãos empobrecidos que dessa forma procuram adquirir algum sustento. O exército passa a ser constituído por mercenários afastando-se dos cidadãos. As sucessivas guerras empobrecem ainda mais a vida dos atenienses. A democracia continua resistir, mas a tendência é para a adopção de regimes fortes (tirânicos). No final do século IV a. C., Atenas deixa de ser Independente e a Democracia é substituída definitivamente por uma oligarquia.
[7] Este diálogo tem como tema principal a Retórica, qual a sua função e como esta deve ser utilizada. –uma das personagens principais é o próprio Górgias, o famoso sofista siciliano conhecido em Atenas como o melhor orador. A disputa de Sócrates acerca da retórica e o seu valor vai permitir a Platão estabelecer o conforto entre dois usos opostos da linguagem – como instrumento de poder e como instrumento de verdade. Ou seja, a linguagem defendida pelos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) sofistas e a linguagem defendida pelos filósofos Sócrates e Platão - que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral. É um diálogo de cinco personagens: Polo, que tal como Górgias é um sofista; Querefonte, um amigo de Sócrates, que o acompanha a casa de Cálicles; Cálicles: O grande adversário de Sócrates, esta personagem ao contrário das outras é talvez uma figura fictícia, imaginada por Platão, representa os políticos oportunistas próprios da época, a ausência ou inversão de valores que Platão combateu. Isto significa que Cálicles representa o oposto de Sócrates, muitos autores consideram que Cálicles era uma imagem do que Platão teria sido sem Sócrates; Górgias, personagem venerável pela sua idade e prestígio – aceita as exigências de Sócrates e ouve-o com interesse e cortesia, ao contrário de Polo e Cálicles que são impetuosos, bruscos e impertinentes; Sócrates, diferente de Górgias, às vezes um pouco severo com Polo, mostra um pouco a sua ironia com Cálicles de a sua incapacidade de aceitar a derrota…mas Sócrates faz sobressair a sua extraordinária capacidade de argumentação, a ausência de vaidade, e o desejo pela verdade e justiça, Sócrates demonstra também a sua humildade perante Górgias perguntando-lhe se quer continuar o discurso;
[8] Hans-Georg Gadamer (1900-2002) foi um filósofo alemão considerado como um dos maiores expoentes
da hermenêutica filosófica (interpretação de textos escritos, formas verbais e não verbais). Para Gadamer, o significado de um texto nunca se esgota nas intenções do seu autor, porque, quando a obra passa de um contexto histórico para outro, novos significados podem ser acrescentados e extraídos desse texto, muitos dos quais provavelmente não foram imaginados pelo seu autor ou pelo seu público contemporâneo. A instabilidade constitui parte integrante do carácter do próprio texto e da sua significação. Toda a interpretação é, portanto, situacional, modelada e limitada pelos critérios historicamente relativos de uma determinada cultura. Isto excluiu desde logo, a possibilidade de se conhecer o texto «como ele é».
[9] Ter ouvidos moucos e fazer ouvidos de mercador são expressões sinônimas. Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão à atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas. Há momentos em que é preciso nos fazermos de desentendidos. Não darmos importância ao que se diz, porque não merecem acolhimento da nossa consciência. Tanto porque refletem informações inverídicas, quanto por conterem maledicências que não constroem. Esse ensinamento está contido num velho ditado português que diz: “a palavras loucas, ouvidos moucos”. Ora, nada mais inconsequente do que ficar dando ouvido, a quem não merece crédito ou a quem não tem o mínimo senso de racionalidade no que fala. Ainda há outro ditador popular no mesmo sentido: “A palavras ocas, ouvidos moucos”.
[10] Segundo Descartes (1596-1650), filósofo de grande importância na história do pensamento: "A essência do homem é pensar". (Por isso dizia): "Sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que ignora muitas, que ama, que odeia, que quer e não quer, que também imagina e que sente". (Logo quem pensa é consciente de sua existência) "penso, logo existo."
[11] O Teeteto é um diálogo platônico sobre a natureza do conhecimento. Neste aparece o tema pela primeira vez explicitamente na Filosofia, o confronto entre verdade e relativismo. Os personagens principais são Sócrates, Teodoro de Cirene e Teeteto (o matemático). Outros dois personagens que apenas participam no início do diálogo são Terpsião e Euclides.
[12] Gadamer descreveu a história como «a conversação que somos», isto é, como um diálogo vivo entre o passado, o presente e o futuro, reservando para a hermenêutica a tarefa nobre de procurar eliminar pacientemente os obstáculos que se possam erguer a essa interminável comunicação mútua. Contra os que o acusam de ser tradicionalista, organicista ou antimoderno, Gadamer responde que «a tradição está em constante mudança» e que a adesão à tradição mais não é do que a integração das “antecipações no material da realidade”. A história vista como "diálogo interminável" constitui uma visão de abertura total ao passado, ao presente e ao futuro.
[13] Hannah Arendt (nascida Johanna Arendt; Linden, Hanôver, Alemanha, 14 de outubro de 1906 – Nova Iorque, Estados Unidos, 4 de dezembro de 1975) foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933, assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir emigrar. O regime nazista retirou-lhe a nacionalidade em 1937, o que a tornou apátrida até conseguir a nacionalidade norte-americana em 1951. Trabalhou, entre outras atividades, como jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre filosofia política. Contudo, recusava ser classificada como "filósofa" e também se distanciava do termo "filosofia política"; preferia que suas publicações fossem classificadas dentro da "teoria política".
[14] De Teeteto provém uma definição tradicional do conhecimento como crença verdadeira justificada. Teeteto de Atenas, um jovem estudioso de matemática e ciências afins, propõe quatro definições que são rechaçadas por Sócrates. O saber não pode ser definido mediante exemplos, não é percepção nem opinião verdadeira, nem uma explicação acompanhada de opinião verdadeira. Sócrates rebate estes argumentos de um ponto de vista crítico, isto é, só questiona o que propõe Teste diálogo através de perguntas e não formula um conceito do que é conhecimento.
[15] O que seria o diálogo hermenêutico? Como se forma uma hermenêutica? O que é um diálogo? O criticismo de Gadamer da ciência contemporânea enquanto cultura, pela penetração do tema no âmbito da práxis humana, levanta a questão da abordagem compreensiva do existir. Esta forma de abordagem fala dos saberes relacionais (responsabilidade, solidariedade, respeito pelo outro...), saberes que não se explicam pelo seu aproveitamento pragmático, segundo o critério da eficácia em função de um modelo metódico e operatório da ciência moderna, como, por exemplo, a ideia de uma autonomia do humano que ocorre unicamente regulada pela racionalidade pura. Significa que o saber científico contemporâneo difere em absoluto da filosofia prática e político. (In: Domingues, José Antônio. Diálogo Hermenêutico. Coleção Artigos LusoSofia, Portugal: Covilhã, 2009).
[16] Compreender qual a intenção de Platão em escrever na forma dialógica é buscar, a partir do estabelecimento das temporalidades, léxis (o que é dito), nóesis (o que é compreendido), gênesis (o momento histórico, a vida, etc., do autor) e poíesis (a cronologia das obras) e verificar, nesse ordenamento, como o gênesis influencia e determina a poíesis. Mostrar que essa intenção evidencia o quanto Platão pode ter herdado de Sócrates e ao mesmo tempo se afastado do “mestre”, pretendendo fazer do diálogo uma forma artística que concorresse com as outras formas de representar a realidade na Grécia antiga.
Significa que Platão pretende fazer um bom uso da imitação e não completamente desprezá-la.
[17] Sócrates foi comparado ora a uma tremelga (peixe cartilagíneo da família torpedinae). Geralmente fica escondido na água, e quando algum banhista se aproxima este simplesmente solta um choque. Ora a um moscardo. Justamente como a tremelga paralisa a sua presa, do mesmo modo Sócrates paralisava o interlocutor seguro de si próprio e que não via que o seu saber não era senão um pseudo-saber, uma ignorância que se ignora.
[18] Sócrates adotava sempre pelo diálogo, costumava iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, que ele aparentemente aceitava. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolvia as opiniões originais da pessoa arguida, mostrando a tolice e os absurdos das opiniões superficiais e levando e presumido possuidor da sabedoria a se desconcertar em face das consequências contraditórias ou absurdas das suas opiniões originais e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Em primeira parte do método de Sócrates, destinada a levar o indivíduo à convicção do erro, é a ironia. Depois, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor, desenvolvia a verdade completa. Sócrates deu a esta última parte a designação de maiêutica que representa a arte de fazer nascerem as ideias. É este o método que encontramos amplamente desenvolvido nos diálogos socráticos de Platão.
[19] No diálogo filosófico o professor deve tentar aproximar o mais possível de um socrático que faz perguntas não porque sabe as respostas às suas perguntas e quer avaliar o conhecimento de seus alunos, mas porque genuinamente não sabe as respostas e pede aos seus discentes que o ajudem nessa procura.
Durante o diálogo filosófico o professor deve suspender seu papel de mestre e esforçar-se por "ensinar sem ensinar", ou seja, ensinar os seus alunos a filosofar sem lhes transmitir conhecimentos filosóficos, procurando subtilmente que esse conhecimento surja dos próprios alunos e que isso aconteça de forma cada vez mais natural e rigorosa. Tal qual uma boa parteira de ideias, o professor deve a todo o custo evitar dirigir o Diálogo para onde acha que os alunos devem ir, pois aí seriam as suas ideias que estariam a nascer e não as dos alunos. Num Diálogo Filosófico o professor deve ter a humildade de aprender a gostar dos filhos dos outros, neste caso, das ideias dos seus alunos, mesmo que estas lhes pareçam pequenos monstros que não deviam ter lugar na sala de aula. (In: Carneiro, Tomás Magalhães. O Diálogo Filosófico na sala de aula. Disponível em: http://filosofiacritica.wordpress.com/notas-sobre-dialogo-filosofico/Acesso em 29/08/2014.).
[20] Dialogar com Sócrates era submeter-se a uma “lavagem da alma” e a uma prestação de contas da sua própria vida, existem alguns testemunhos que reforçam a ideia que quem que esteja próximo a Sócrates e, em contato com ele, põe-se a raciocinar, qualquer que seja o assunto tratado, é arrastado pelas espirais do diálogo e inevitavelmente é forçado a seguir adiante, até que, surpreendentemente, ver-se a prestar contas de si mesmo e do modo como vive, pensa e viveu. Sócrates dialogava com quem o quisesse ouvir, principalmente onde se concentravam um maior número de pessoas, como era o caso da Ágora.

Apareceu mais outra Ação de improbidade para o povo tomar conhecimento







Nota da redação deste Blog -  Até a presente data não tenho lado politico, mas não adianta ficarem insinuando que estou com a pre-candidata Anabel, porque não hora que eu resolver apoiar a mesma  é um problema meu, não devo satisfação a  dar quem quer que seja.
Não adianta dizer nada contra a minha pessoa, pois nem sou candidato a nada, só tem uma não caiam na besteira de falar o que não prova porque é para isso que existe justiça, para punir os criminosos.





Que sirva de bússola para os vereadores da oposição

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