terça-feira, outubro 08, 2019

A vitória socialista em Portugal e a lembrança do brasileiro voltando para casa


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Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Antonio Rocha
A recente vitória, mais uma, do PS – Partido Socialista, em Portugal, me fez lembrar de uma experiência marcante. Aqui no Brasil ainda era o regime militar. Mês de janeiro. O navio deixou o porto de Tilbury, na Inglaterra rumo à França. Cruzamos o Canal da Mancha. Um frio doido e um vento gélido.
Era inverno. Saltei em Le Havre. Contatos me esperavam. Fui colocado em um trem rumo a Paris.
TROCA DE TRENS – Na manhã seguinte, cedinho, um outro trem deixou Paris rumo à fronteira com a Espanha. Cruzamos toda a França, ao cair da tarde chegamos à fronteira, é efetuada a troca de trens.
— Agora, cruzaremos a Espanha – me disse um jovem oficial do Exército português, sentado à minha frente, muito atencioso. O francês que estava ao lado dele, confirmou “A noite será longa e fria”.
Por fim… o dia estava clareando quando chegamos em território português. O trem corria célere, o dia clareava, não me recordo o nome da cidadezinha, já faz tanto tempo. Mas lembro, inesquecivelmente lá longe, na campina, uma casa rosa e tremulando de uma janela no sobrado, a bandeira do Partido Socialista, do falecido e grande Mário Soares, presidente da Internacional Socialista (democrática, pacifista, cujo símbolo é a mão segurando a rosa), semelhante à do PDT, aqui em terras tupiniquins..
ANOS JUVENIS – Indescritível a felicidade que senti, naqueles anos juvenis. E é por isso, entre outros motivos, que tenho um carinho muito grande pelo PS e pelos portugueses.
Minha esposa me aguardava em Lisboa e para comemorar alegremente e fizemos nossa filha… Era pós Revolução dos Cravos, que não matou ninguém. E o pequenino Portugal está cada vez melhor. E se alguém perguntar, como está na moda: “Também vai pra Lisboa?”, responderei assim:
– Vez por outra volto lá.

Com Bolsonaro no comando, ‘la nave va’ sem rumo, cada vez mais fellinianamente


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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
Carlos Newton
O maior desafio brasileiro, conforme destacou aqui na Tribuna da Internet o analista Flávio José Bortolotto, é o déficit fiscal, com o governo gastando muito mais do que arrecada – portanto, tornando-se gerador da dívida pública, e por isso hoje o Brasil lidera o ranking dos devedores entre os países emergentes (México, Argentina, Rússia, Índia, Africa do Sul, Indonésia, Paquistão, Filipinas, Malásia, Nigéria, Vietnam etc.)
Só há duas maneiras de controlar o déficit: 1) A economia crescer em padrões chineses; ou 2) reduzir o tamanho do Estado brasileiro, que consome atualmente cerca de 44% do PIB ( 36% de carga tributária + 8% do PIB de déficit nominal), para apenas 30% do PIB em 8 anos, que é um tipo de promessa recorrente, todo governo faz.
SEM SUPERÁVIT – O presidente Bolsonaro não está nem aí, deu carta branca ao ministro Paulo Guedes, é como se a crise econômica nem existisse. Mas existe. E Guedes, já com nove meses de gestão, ainda não teve coragem de impor medidas para reduzir o tamanho do Estado.
Quando se anunciou que haveria um pacto entre os Poderes, cheguei a ficar animado. Ingenuamente, pensei (?) que esse acordo seria para enfim reduzir o Estado. É um fenômeno que somente poderá ocorrer caso haja uma reforma constitucional que reduza os gastos públicos e atinja diretamente a nomenklatura dos três Poderes, através da derrubada do chamado “direito adquirido”, perversão que legaliza penduricalhos salariais de toda sorte, em desvios de recursos públicos denunciados diariamente nos jornais, sem que possa haver providências “legais”.
Lembram do procurador do “miserê”, que tem recebido salários de R$ 88 mil mensais, em média? Ele é apenas um, entre dezenas de milhares, podem crer.
UM NOVO TETO – Na minha inocência, digna do voltariano professor Pangloss, achei que os três poderes iriam recriar o artigo 17 das Disposições Transitórias, estabelecer um novo teto e criar planos de cargos e salários, para que os novos juízes, procuradores, auditores e funcionários de alto nível, civis e militares, não sejam contratados já com salários perto do limite da carreira.
Haveria normas também para evitar que os salários da PM fossem superiores aos das Forças Armadas, e que não mais houvesse distorções, como no Rio de Janeiro, onde existe um coronel da PM para cada 61 soldados, vejam a que pontos chegamos, e toda essa farra é paga pelo cidadão-eleitor-contribuinte, como diz Helio Fernandes.
TUDO AO CONTRÁRIO – Julguei que os três Poderes iriam passar a limpo esse país, mas aconteceu exatamente o contrário. O pacto era para proteger o presidente, os ministros do Supremo e as autoridades e políticos corruptos de todos os quilates, ao serem imobilizados os três instrumentos de investigação de lavagem de dinheiro e outros crimes – o antigo Coaf, a Receita Federal e o Banco Central.
Nossa matriz, a USA, tem 22 órgãos de controle de atividades financeiras. A filial Brazil tinha apenas três e as desativou, estrategicamente, com uma simples penada do ministro Dias Toffoli, aquela que não consegue a mesada de R$ 100 mil que recebia da própria mulher.
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P.S. 1 –  Tudo isso que está dito aqui não representa novidade alguma. Todos só querem o poder para desfrutar. Cadê as investigações contra o filho de Bolsonaro, contra as mulheres de Toffoli e Gilmar e contra o corretor Paulo Guedes, especialista em fundos de pensão???
P.S. 2 – O ministro Guedes nada faz para aumentar receitas do Governo, e permite a falsa pejotização, que sonega Imposto de Renda, INSS e FGTS. Deveria se espelhar na Receita da matriz USA, que cobra imposto progressivo. Guedes precisa também tributar as grandes heranças, fazer os empresários pagarem Imposto sobre a renda obtida em suas empresas, mas não toma nenhuma providência nesse sentido, num país da piada pronta, em que o motoboy paga IPVA, mas Luciano Huck está isento em seu jatinho e suas lanchas…
P.S. 3 – Infelizmente, nenhum dos Poderes tem coragem de enfrentar os graves problemas brasileiros. Sequer reduziram a previdência dos militares, que vão ganhar aumento e estão pouco ligando para os outros brasileiros, esta é a verdade dos fatos. E que os deuses nos protejam, porque não temos mais ninguém. (C.N.)

Marcelo Crivella, um prefeito sem rumo e sem ética, tropeça na Avenida Niemeyer


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Crivella fez discurso machista sobre a beleza da juiza Mirela Erbisti
Pedro do Coutto
O prefeito Marcelo Crivella, ao longo de sua desadministração, vem demonstrando erros sobre erros, numa sequência impressionante. O Rio, na verdade, encontra-se sem prefeito. Mas agora, em reportagem de Paulo Cappelli e Gustavo Goulart, edição de segunda-feira de O Globo, ele conseguiu superar as falhas que formam seu patrimônio político ao adicionar uma carga de afirmações grosseiras e fora dos limites ao atacar a juíza Mirela Erbisti, por ter a magistrada mantido a interdição da Av. Niemeyer entre o Leblon e São Conrado. Pensando bem, todas as pessoas devem dar razão à juíza. Basta citar o risco de um novo desastre causando mortes e ferimentos nos temporais do verão.
A Av. Niemeyer vinha se revelando imprópria para o trânsito de veículos. entre os quais as bicicletas. O prefeito discordou da interdição e surpreendentemente culpou o estado atual da avenida por ter sofrido fortes chuvas e fortes ventos.
UM ABSURDO – Ora, digo eu, nada mais absurdo do que isso. Pois se as obras tivessem sido corretamente realizadas, o trecho que fornece uma vista belíssima do mar e da montanha, evidentemente não teria sido destroçado.
Afinal de contas, como uma autoridade pode classificar as obras de modo geral, se uma parte delas desabou pelas fortes chuvas que atingiram sua estrutura. A partir dessa lógica, absurda, o preceito do prefeito poderia se aplicar a todas as demais construções que envolvem a vida da população carioca, que se eleva a mais de 6,5 milhões de pessoas.
COMENTÁRIO VULGAR – O prefeito Crivella fez também uma referência ridícula ao focalizar de maneira vulgar a beleza da juíza. Seguramente o perfil da magistrada não possui vinculação alguma com o estado de obras públicas, raciocínio bastante lógico que informa o juízo por parte da opinião pública.
O prefeito está muito longe de ser perfeito, aliás, não é a perfeição o elemento predominante no debate que colocou em lados opostos Crivella e Mirela Erbisti. Não se trata da beleza de uma obra pública. Trata-se tão somente de respeitar as decisões judiciais. Sobretudo porque a atitude do prefeito, imperfeita, torna impossível que a Justiça aceite o recurso de Crivella e libere um circuito sob ameaça de uma catástrofe.
OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Geralda Doca e Luciana Casemiro, em O Globo, focaliza a medida provisória que o governo Bolsonaro está estudando no sentido de liberar os bancos privados para operar com recursos do FGTS.
Pela legislação atual o quase monopólio pertence à Caixa Econômica Federal, na escala de 93%, cabendo 7% ao Banco do Brasil. O tema é controverso e não se encontra uma razão mais lógica para justificar a mudança. Mas não é esta a questão essencial. O que precisa ser esclarecido é um artigo da MP que reduz em 10% a indenização aos empregados demitidos sem justa causa.
É mais uma iniciativa de Guedes em favor dos empresários e em prejuízo dos trabalhadores.

De que lado você está? Apoia a Polícia ou prefere defender os criminosos?


Outubro - 06-10-15 - Pesquisa bandido - NETFrancisco Vieira                   (Charge do Léo)
Faz sucesso na internet um artigo publicado pela “Veja” em 30 de janeiro de 2015, que continua atualíssimo. Foi escrito pelo jornalista José Roberto Guzzo, ex-diretor da revista, e apresenta argumentos verdadeiramente incontestáveis sobre o problema que mais preocupa a população brasileira, além do desemprego, é claro – a segurança pública. Publicado na edição impressa da Veja, o artigo é tão bom que, se você já leu, sem a menor dúvida vale a pena ler de novo.
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A POLÍCIA, O BEM E O MAL
José Roberto Guzzo
  (Veja)
Pode ser uma coisa que muita gente acha desagradável ouvir, e por isso é melhor dizer logo, para não gastar o tempo do leitor com prosa sem recheio. É o seguinte: os brasileiros fariam um grande favor a si mesmos se tomassem a decisão de ficar, com o máximo de clareza e na frente de todo mundo, a favor da polícia. Isso mesmo: a favor da polícia, e da ideia de que cabe exclusivamente a ela, numa democracia que queira continuar viva, o direito de usar a força bruta para manter a ordem, cumprir a lei e proteger o cidadão. Tem, também, a obrigação legal de fazer tudo isso.
Algum problema? É exatamente assim em todos os regimes democráticos. Eis aí, na verdade, uma afirmação evidente em si mesma; pode ser entendida sem a menor dificuldade após um minuto de reflexão.
Mas estamos no Brasil, e no Brasil o que parece ser um círculo, por exemplo, é muitas vezes considerado um triângulo, ou um quadrado, ou qualquer outra coisa que não seja o diabo do círculo.
TUMULTO MENTAL – No momento, justamente, passamos por um desses surtos de tumulto mental. Segundo o entendimento de boa parte daquilo que se considera o “Brasil pensante”, “civilizado” ou “moderno”, nosso grande problema não é o crime, mas a polícia.
Parece bem esquisito pensar uma coisa dessas, num país com mais de 50 000 assassinatos por ano e índices de criminalidade que estão entre os piores do mundo. Onde esses pensadores estão vendo o problema de que tanto falam? Vai saber. Os verdadeiros mistérios desse mundo não são as coisas invisíveis, e sim as que se podem ver muito bem.
No caso, o que se pode ver com a clareza do meio-dia é a fé automática de boas almas e mentes num mandamento que ouvem desde crianças: o criminoso brasileiro é sempre “vítima das desigualdades sociais”, e o policial está errado, por princípio, quando usa a força contra ele.
BOM TRATAMENTO – O dever do policial, como agente do Estado, seria tratar os bandidos como cidadãos que precisam de ajuda, para que tenham oportunidade de entender por que não deveriam matar, roubar, estuprar e assim por diante. Será que esse jeito de pensar é alguma tara que nos sobrou do regime militar, quando polícia e liberdade eram coisas opostas? De novo: não se sabe.
Praticamente todos os dias há exemplos claros desse curto-circuito geral na capacidade de separar o certo do errado. O cidadão é assaltado, brutalizado, ferido ─ e no dia seguinte lê, ouve ou vê mais uma reportagem denunciando a polícia por algum erro, real ou imaginário.
Ainda há pouco, o país teve oportunidade de testemunhar políticos, intelectuais e “celebridades” em geral, com a colaboração maciça da mídia, colocando a polícia no banco dos réus por reprimir bandos de marginais que vão para a rua decididos, treinados e equipados para destruir.
CLIMA DE VIOLÊNCIA – Segundo essas excelentes cabeças, a polícia cria um “clima de violência” e de “provocação” que “força os ativistas” a se defenderem “previamente”. Para isso, veem-se obrigados a incendiar bancas de jornal, destruir carros, quebrar vitrines de loja e por aí afora.
Esse tipo de julgamento vai se tornando mais e mais aceitável no Brasil de hoje. Deve ser maior do que se pensa o número de pessoas que não querem ter a tranquilidade de sua fé perturbada por fatos ou por conhecimentos; além disso, cabeças em que não há ideias são sempre as mais resistentes a deixar alguma ideia entrar nelas.
Quanto à imprensa, rádio e TV, acreditem: o que mais gostam de fazer é falar as mesmas coisas, pois se sentem mais seguros quando um repete o outro e todos atiram nos mesmos alvos. Alguém já viu, por exemplo, algum jornalista arrasando o técnico do Olaria?
HÁ DOIS LADOS – Não há sete lados nesse debate. Só há dois, um que está a favor da lei e o outro que está contra ─ e aí o cidadão precisa dizer qual dos dois ele realmente apoia. O primeiro é a polícia. O segundo é o que leva o crime para a rua. A única pergunta relevante, num país que tem uma Constituição em vigor, é: de que lado você está?
Não vale dizer “depende”, ou declarar-se a favor da ordem, desde que a tropa se comporte com altos níveis de civilidade, seja muito bem-educada, fale inglês e não bata nunca em ninguém, nem cause nenhum incômodo físico a quem esteja jogando coquetéis molotov na sua cara, ou sacando armas contra ela.
A questão real é apoiar hoje a polícia brasileira que existe hoje ─ não dá para chamar a polícia da Dinamarca, por exemplo, para substituir a nossa, ou tirar a PM da rua e só chamá-la de volta daqui a alguns anos, quando estiver suficientemente treinada, preparada e capacitada a ser infalível.
UMA REALIDADE – É mais do que sabido que a polícia do Brasil tem todos os vícios registrados no dicionário, de A a Z. Mas, da mesma maneira como não é possível fechar todos os hospitais públicos que funcionam mal, e só reabri-los quando forem uma maravilha, temos de conviver com a realidade que está aí. É indispensável transformá-la, mas não dá para exigir, já, uma corporação armada que precise ter virtudes superiores às nossas.
A polícia, por piores que sejam as condutas individuais dos seus agentes e seus níveis de competência, é uma peça essencial para manter a democracia no Brasil e impedir a tirania daqueles que só admitem as próprias razões.
É a polícia, na verdade, o que a população brasileira tem hoje de mais concreto na garantia de seus direitos. Alguém pode citar alguma força mais eficaz para impedir que o Congresso, o STF e o próprio Palácio do Planalto sejam invadidos, metidos a saque e incendiados?
PRINCIPAL DEFESA – A PM está do lado do bem ─ goste-se ou não disso. No mundo das realidades, é ela a principal defesa que o cidadão tem para proteger sua vida, sua integridade física, sua propriedade, sua liberdade de ir e vir, o direito à palavra e tudo o mais que a lei lhe assegura. A autoridade policial já erra o suficiente quando falha ao cumprir quaisquer dessas tarefas. Não faz nexo criticá-la nas ocasiões em que acerta.
Não serve a nenhum propósito útil, igualmente, dar conforto ao inimigo ─ o que nossa elite pensante, como dito anteriormente, faz o tempo todo. O inimigo não vai deixar de ser seu inimigo; você não ganhará sua admiração, nem será deixado em paz. É um desafio à lógica, neste sentido, achar que delinquentes teriam a licença de armar-se para assegurar seu direito de “legítima defesa” contra a repressão policial.
A lei brasileira, com todas as letras, diz que só a polícia tem o direito de portar armas, e de utilizá-las no combate ao crime e na defesa do cidadão ─ salvo em casos excepcionais, que exigem licença específica. Dura lex sed lex, claro.
SIMPLES SENSATEZ – Mas não é só uma questão legal. Tra­ta-se de simples sensatez. No caso dos atos de protesto ─ qual o propósito de levar para a rua mochilas com bombas incendiárias, estiletes, barras de ferro e outros artefatos desenhados unicamente para machucar? Por que alguém precisaria de qualquer dessas coisas para expressar suas opiniões em praça pública?
O Brasil vem se acostumando nos últimos anos à ideia doente de que mostrar simpatia diante da delinquência e hostilidade diante da polícia é uma questão de princípio ─ uma atitude socialmente avançada e politicamente progressista.
Quem não pensa assim é visto como um homem das cavernas, extremista e inimigo da democracia. Mas é o contrário: opor-se ao crime e apoiar a polícia é ficar a favor da liberdade. Está na moda denunciar, com apoio da caixa de amplificação da imprensa, delitos como a “pregação do ódio”, “apologia do crime” ou “incentivo ao racismo”.
ALGO DE ERRADO – Esse mesmo tribunal, entretanto, aplaude como uma forma superior de cultura popular os rappers que pregam abertamente, em suas músicas, o assassinato de policiais. Há alguma coisa muito errada nisso aí.
Está na hora de deixar claro: é falso acusar de “histeria” e outros pecados mortais quem não acredita, simplesmente, que no Brasil de hoje existe algum assaltante que rouba e mata porque está com fome ou tem de sustentar sua família; o que há é gente que quer satisfazer todos os seus desejos sem ter de trabalhar ou de respeitar o direito alheio. Em Cuba, regime-modelo para nosso governo, são chamados de sociopatas e enterrados na cadeia mais próxima, sem que a “sociedade” seja chamada a “debater” coisa nenhuma.
Deus não precisou da ajuda dos brasileiros para criar o Brasil. Mas, como diria Santo Agostinho, só poderá nos salvar se tiver o nosso consentimento.

segunda-feira, outubro 07, 2019

Primeira santa brasileira: veja a história de Irmã Dulce em fotos - iBahia

“Autoridades estão decididas a cortar na própria carne”, diz delator dos auditores da Receita


Auditores foram presos em investigação sobre extorsões
Chico Otavio
O Globo
O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, colaborador premiado que denunciou o esquema de servidores da Receita Federal   acusados de extorquir réus da operação Lava-Jato , disse, em entrevista ao O Globo, que as autoridades “estão decididas a cortar na própria carne para extirpar a corrupção em todas as esferas”. Vítima do esquema, Rodrigues também vê indícios de que os suspeitos sabiam que estavam sendo monitorados. Na última semana, 14 pessoas foram presas.
Preso em abril de 2018, durante a operação Rizoma, o empresário foi acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção em fundo de pensão de estatais. Confira a entrevista com o delator:
Quando o senhor foi abordado pela primeira vez pelos servidores da Receita, desconfiou que as intenções eram escusas?
Fui abordado em meados de 2018, antes mesmo da primeira intimação formal da Receita Federal. Não tenho dúvidas que todas as tentativas de me intimar a comparecer pessoalmente a Receita tinham o desejo de ameaçar e constranger, jamais o grupo teve em interesse em esclarecer nada.
Qual o seu maior receio após a deflagração da operação?
O maior receio sempre foi a segurança da minha família, mais ainda quando soube do tamanho e complexidade da organização exposta pela operação. Uma organização desse tamanho, com tanta capilaridade e poder dentro das esferas públicas pode inventar e distorcer fatos até conseguir seu objetivo.
A organização criminosa da Receita é maior do que se imagina?
Durante todo o processo de extorsão que sofri, fui constantemente ameaçado pelo grupo. Eles afirmavam que eram atuantes em várias esferas, e esse sempre foi o meu maior receio de eventuais retaliações.
Sabe se eles atuam sozinhos ou se há outros integrantes de outros órgãos?
Acredito que no decorrer das investigações, isso será esclarecido.
O senhor acha que outros empresários sofreram a mesma abordagem?
Tenho certeza que sim. Desde o início foi deixado claro que o grupo atuava há tempos e através de várias pessoas.
Houve algum tipo de situação que sugeriu vazamento nas investigações?
Sim, mas prefiro não me aprofundar sobre um assunto ainda em investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
Como o senhor recebeu o depoimento de Alexandre Ferrari sobre o desaparecimento R$ 3,2 bilhões do sistema da Receita? O senhor alguma vez foi intimado sobre esses valores?
É importante entender que havia uma ameaça constante por parte da organização criminosa em aplicar multas e dados de altíssimos valores. Em 1 e 2 de novembro de 2018, recebi em sequência dois termos de intimação citando possíveis fatos que podiam gerar multas imensas. Um deles uma suposta existência de contratos de câmbio no valor de R$ 3,2 bilhões. Um dos auditores presos já havia feito ameaças entre setembro e outubro de que, se não houvesse acordo, eu sofreria essas autuações. Mesmo com minhas considerações que esses fatos não aconteceram, essas intimações foram emitidas dias antes de uma das reuniões que tive com o analista Marcial, e fui muito pressionado a partir delas. Depois que foi anunciada minha condição de colaborador, esse ano, essa acusação desapareceu, o que reforça a ideia de que sempre foi uma mentira plantada.
Qual foi a sua maior motivação para colaborar com as autoridades da Lava-Jato?
Minha motivação foi de expor uma estrutura de extorsão organizada em um dos órgãos mais importantes para a própria Lava-Jato e me colocar a disposição da PF e do MPF para ajudá-los a fazer justiça.
Tudo o que foi noticiado é integral ao que ocorreu, ou tem algo mais que não foi objeto da operação ou ainda não apareceu?
Tudo que foi narrado até agora foi o que ocorreu. A PF e o MPF tem uma estratégia de investigação própria e não posso me manifestar sobre fatos ou pessoas ainda em sigilo.
O que o senhor pode dizer sobre o seu nome citado na Operação Rizoma?
Minha atuação na Operação Rizoma será plenamente esclarecida pela instrução processual em andamento na 12ª Vara Federal de Brasília, e confio plenamente que ao fim prevalecerá a verdade.
O senhor também é colaborador na Circus Maximus,  quando o senhor começou a negociar um acordo de colaboração ?
A proposta foi em data posterior aos fatos dessa operação na RFB e não recebi qualquer beneficio em relação a minha participação nessa ação controlada. Desde o inicio o objetivo de todos — meu, do MPF, PF e corregedoria da RFB — foi de fazer justiça.
O senhor tem alguma consideração a fazer?
Essa operação mostra que as autoridades estão decididas a cortar na própria carne para extirpar a corrupção em todas as esferas, que não só de acordos de colaboração vive a Justiça. Cabe ao cidadão denunciar e combater do isso com o apoio das instituições.

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