segunda-feira, outubro 07, 2019

“A indicação do Eduardo é o grande erro do governo. Não tem justificativa”, diz Janaina Paschoal


Eduardo coloca Bolsonaro “refém do Senado”, aponta a deputada
Rosana Hessel
Correio Braziliense
Uma das autoras do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a jurista e agora deputada estadual paulista Janaina Paschoal (PSL) vem sendo tachada de comunista por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Ela afirma que votaria nele de novo, mas avisa que não concorda com tudo o que ele faz. Ela ressalta ainda, que a base de apoio de Bolsonaro está diminuindo.
Para a parlamentar, que foi cotada para ser vice de Bolsonaro, o presidente tem exagerado na agenda de costumes e precisa de alguém que bote um freio nele, pois não pode abandonar as outras agendas, principalmente, a do combate à corrupção. Janaina considera excessiva a interferência dos filhos do presidente no governo.
CANDIDATURA DE EDUARDO – Na avaliação da deputada paulista, o grande erro do capitão reformado desde que assumiu tem sido insistir na candidatura do filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro, para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos. A indicação não pode ocorrer do ponto de vista jurídico, segundo ela.
“Eu entendo que fere a lei da probidade administrativa. É o princípio da probidade a impessoalidade. E é flagrante que ele está indicando o filho por ser filho”, explica a autora de outro pedido de impeachment: agora contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Doutora em Direito Penal, Janaina engrossa o coro dos que lamentam a recente decisão da Corte Suprema que pode invalidar várias decisões da Lava-Jato. Para ela, a operação que virou referência no combate à corrupção no país corre o risco de ruir. A seguir os principais trechos da entrevista concedida pela deputada.
Como a senhora avalia o governo Bolsonaro?
Eu achei bom o discurso do presidente na ONU. Não vi nada de tão absurdo como disseram. Mas, do ponto de vista diplomático, não foi um discurso conciliador para aquela plateia, que é muito qualificada. Parecia que ele estava no palanque. Foi um discurso coerente com o que ele pensa. Ele resgatou muitas verdades. Não dá para acreditar que essa coisa toda em torno da Amazônia seja bondade desse pessoal. Acho importante deixar claro, sim, que a Amazônia é nossa, muito embora possa existir um exagero do bolsonarismo, entre os quais eu não me incluo, de que as ONGs não são as mocinhas que se fazem crer. Não dá para ter essa santidade em torno das ONGs. Tem muito interesse internacional na Amazônia. Eu gostei mesmo do discurso dele, mas tenho algumas divergências, que deixei claras em vários momentos, como a indicação do Eduardo Bolsonaro (para a embaixada do Brasil nos EUA). Acho errado, porque abre um flanco para uma crítica que é absolutamente desnecessária.
Legalmente, ele pode fazer isso?
Eu entendo que fere a lei da probidade administrativa. É o princípio da probidade a impessoalidade. E é flagrante que ele está indicando o filho por ser filho. O Bolsonaro pode até dizer que está indicando porque ele confia no filho. Mas confia porque é filho. Vamos imaginar que você tenha um filho especialista em Antártida e aí vai ter um ministério da Antártida. Alguma coisa assim, tem lógica. No caso do Eduardo, não vejo lógica. Acho que o presidente está abrindo um precedente ruim. Está se colocando refém do Senado sem necessidade. Tenho as minhas divergências. Mas não acho que Bolsonaro está indo mal no governo. A indicação do Eduardo é o grande erro do governo. Não tem justificativa. Realmente, acho que é um erro muito significativo. Espero que ele revise essa decisão.
Onde mais o presidente está errando?
O tom dele é exagerado. Precisaria de alguém ali do lado, de gente um pouco mais corajosa para segurar mais as rédeas. Na campanha, eu conversava mais com ele e disse, algumas vezes, que ele não podia falar uma coisa , e explicava o porquê. Ele ouvia. O excesso de preocupação ou de condução com os filhos, por exemplo, poderia ser reduzido. Eu acho que tem (interferência dos filhos), mas não acho que chega a atrapalhar a governabilidade. Atrapalha a impessoalidade do cargo. Ele é o presidente, e não os filhos. Ele tem que deixar isso muito claro. Às vezes, a culpa é das pessoas que interpretam qualquer frase de um filho como sendo do presidente.  
E quais foram os acertos?
Ele acertou nomeando o (Sérgio) Moro (ministro da Justiça) e o (Paulo) Guedes (Ministro da Economia). Acertou na condução da reforma da Previdência. Ele acerta com todo o trabalho do Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Por conta de seus comentários críticos ao governo, a senhora está sendo chamada até de comunista nas redes sociais…
Sim! Eu não sou radical. Nunca fui. Nem na época do PT, quando me chamavam de fascista, e nem agora, quando me chamam de comunista. Hoje, os bolsonaristas estão fazendo exatamente o que os petistas fizeram.
O petismo e o bolsonarismo são parecidos?
O petismo é pior. Eles são mais numerosos e têm mais força dentro das instituições. Eu acho que o perigo do petismo é maior, porque está mais enraizado. Mas o bolsonarismo também não é uma coisa legal. Mas, hoje, a base de apoio de Bolsonaro está encolhendo e só estão ficando os bolsonaristas mesmo. Alguém tem que mostrar para o presidente que esse minigrupo não vai dar sustentação para ele.  
É crescente o número de arrependidos em apoiar Bolsonaro. A senhora está arrependida? Votaria nele de novo?
Eu votaria nele de novo. Não me arrependo. Eu não tinha alternativa. Agora, o fato de eu não me arrepender não significa que tenha que concordar com tudo. O problema é essa mentalidade que se estabeleceu, que a gente tem que dizer amém.
A senhora acha que a confiança da população em Bolsonaro vai durar até quando?
Não sei. Depende muito mais dele e do desenrolar dos fatos. Lógico que Bolsonaro erra se continuar com esse viés ideológico e de costumes. Parece que ele acredita que foi eleito, exclusivamente, por essa pauta mais conservadora. Na verdade, ele foi eleito por várias pautas: a liberal econômica, o combate à corrupção, a segurança. Se eu fosse colocar um peso, diria que a do combate à corrupção foi a que mais pesou. Acho bom ele ter isso claro. Mas o presidente está muito apegado a essa questão dos costumes, acreditando que o que o elegeu foi isso. Acredito que, se ele se afastar muito do combate à corrupção, corre risco.
O que a senhora pensa sobre a decisão do Supremo sobre o direito de réus delatados apresentarem suas alegações finais?
A decisão é muito questionável. Aplicar retroativamente é um verdadeiro absurdo jurídico. Não é só a Lava-Jato que está em risco. Vários outros casos, de todos os tipos de crime, se o STF seguir com isso, serão anulados. Será uma vergonha internacional. Quero expressar meu descontentamento com as anulações que vêm sendo decididas pelo STF e externar a preocupação com a hipótese de o novo entendimento ser aplicado retroativamente.
Os vazamentos das conversas do ministro Moro reveladas pelo The Intercept também podem anular a operação?
Não tem nada que justifique uma anulação. Até achei bom, porque mostraram (os ex-presidentes) Lula e Michel Temer conversando no meio do processo de impeachment para salvar o mandato da Dilma. Isso é prova do que eu falei desde sempre, que o Temer não tem nada a ver com isso. Agora, o papel do ministro Moro foi impecável. Não tem nada ali que mostre nenhum tipo de fraude de provas ou confecção de provas. Nada.
Mesmo aquelas conversas orientadas?
Pode haver uma conversa no gabinete, eventualmente. A diferença é que foi por WhatsApp. O que eu insisti e falei, publicamente, é que todas as autoridades precisam ter essas palestras regulamentadas. Todo mundo criticou as palestras do Dallagnol, mas a verdade é que vários ministros dos tribunais superiores dão palestras também, e pagas a peso de ouro. E isso gera conflito de interesses e pode, de alguma maneira, encobrir recebimento de dinheiro indevido. Sou favorável a uma regulamentação severa sobre a participação de autoridades em eventos, palestras. Não pode ter patrocínios.
A senhora foi uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Faria o mesmo de novo hoje?
Naquelas mesmas circunstâncias, faria, sem dúvida. Os crimes foram muito graves. A denúncia está muito bem fundamentada. Descrevi todo o petrolão e coisas que vieram na Lava-Jato depois. Mostrei que ela cometeu as fraudes para encobrir os peculatos do petrolão, os empréstimos para as ditaduras amigas, o desfalque no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Não teve crime mais grave.
Mas ela não foi condenada por esses delitos…
Porque o (Eduardo) Cunha (ex-presidente da Câmara), de medo, quis ajudar. Mas não importa. Ela estava ciente de tudo o que estava ali. Por tudo o que ela fez, era para estar presa. Desculpa. Não tenho a menor dúvida disso. Faria tudo de novo. Tenho pena porque ela é uma senhora. Mas é chato, é uma situação difícil. Mas ela é culpada de coisas muito graves. O país está deste jeito por culpa dela e de todos (do PT). Eu não separo a Dilma de Lula. Eles agiram juntos o tempo inteiro.
O ex-presidente Michel Temer admitiu, várias vezes, que foi golpe?
O problema é que vocês insistem na tese de que o Temer tem qualquer coisa a ver com o impeachment. Ele assumiu o governo porque era o vice escolhido pelo PT. Para ele, foi ruim, porque ele foi para o front e as coisas erradas que ele fez vieram à luz. Como vice, ele continuava na clandestinidade. Ninguém estava preocupado com ele. E, no meio da confusão dos crimes do PT, do PSDB, vieram à tona os crimes do Temer e do MDB. Para ele, foi um golpe na vida dele (risos). O impeachment foi a abertura da caixa de Pandora que eles estão tentando fechar a todo custo.
A senhora pediu o impeachment do ministro Dias Toffoli, que  suspendeu os processos com dados do Coaf, justamente depois que a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro foi parar no Supremo…
Foi um pedido da defesa do Flávio que gerou a decisão, mas tem que lembrar que o Toffoli estava sendo investigado com a mulher. Então, quem acha que ele fez isso para beneficiar o filho do presidente, não tem nada a ver. É pessoal. Ele aproveitou o pedido.
A senhora não é bolsonarista?
Nunca fui.
Olavista?
Também nunca fui. Ele tem uma obra excelente. As pessoas o leem em rede social. Ele fala palavrão… é horrível. Mas as obras dele são boas. Eu li a obra dele, mas nunca fui olavista. Eu não gosto dessa coisa de colocar adjetivo nas pessoas: bolsonarista, olavista, petista…
Até o ministro Marcos Pontes já comentou que a Terra é redonda, porque ele viu do espaço. A senhora não acha estranho ter gente que acredita que a Terra é plana?
Eu respeito muito a pluralidade. As pessoas têm convicções diferentes. Eu convivo bem com pessoas que pensam de maneira completamente diferente. Não concordo. Mas não me incomoda. (risos) Tem gente que, com tanta informação disponível, também acredita que a Venezuela é uma democracia. Cada um pensa de um jeito.
Como vê a articulação do governo com o Congresso?
O atraso da Previdência foi porque o Davi Alcolumbre usou a reforma como moeda de troca para tentar forçar o grupo Muda Senado, Muda Brasil a abrir mão da abertura da CPI da Lava Toga. Isso não se deve à falta de articulação. Deve-se a uma decisão do chefe da Câmara (Rodrigo Maia) e do chefe do Senado (Alcolumbre) de impedir as investigações. Eles estão incomodados, primeiro, com os pedidos de impeachment e, paralelamente, com os pedidos de CPI.
Mas foi o ministro Onyx Lorenzoni quem fez toda a articulação para que Alcolumbre fosse presidente do Senado…
Não tenho nada a ver com isso. Eu fui contra a escolha do Alcolumbre e do Maia. Pode olhar as minhas declarações. Eu não tenho nada a ver com isso. Eu estou no PSL porque a lei obriga a estar em algum partido. Eu não queria entrar no PT, porque estava envolvido em escândalo. Eu não podia entrar no MDB, porque estava envolvido em escândalo. O PSDB idem. O partido Novo não dá certo comigo. O dono é muito mandão. Depois de tudo o que eu falo contra o PSL, nunca ninguém me deu um telefonema dizendo que eu não posso falar isso ou aquilo. O (João) Amoedo dá ordem em tudo. Deus me livre! Não vou para o Novo nem a pau.
Por que a senhora não quis ser vice-presidente na chapa com o Bolsonaro?
Ah… você já imaginou? Não ia dar certo. Duas personalidades muito fortes. Estou melhor aqui.
Com a saída de vários integrantes do PSL, como fica a sua situação?
O partido não existe. Primeiro, a minha mente não funciona com partido. Sou contra partido. Acho que as pessoas deveriam ter o direito de se candidatar independentemente de legendas, de maneira avulsa. Mas a nossa legislação é muito arcaica.
A senhora tem planos para concorrer a algum cargo Executivo?
Não vou concorrer à prefeitura. Já está uma briga lascada com essa história de prefeitura, que eu não vou me meter nessa (risos). É muita confusão para um ser humano só.

”Flávio Bolsonaro para mim acabou, não existe”, diz o líder do PSL, Major Olimpio


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Olimpio rompeu com o filho de Bolsonaro, mas ficará no PSL
Deu no Correio Braziliense(Agência Estado)
O senador Major Olimpio (PSL-SP), líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), nesta segunda-feira (7/10). “Flávio Bolsonaro para mim acabou, não existe”, afirmou Olimpio ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, em referência a atritos com o filho do presidente sobre a CPI da Lava-Toga – que tem como foco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para Olimpio, a posição de Flávio, que agiu para enterrar a comissão no Senado, não representa o governo nem o PSL. “O pai dele ganhou a eleição dizendo que seria intransigente no combate à corrupção dentro de qualquer um dos Poderes, inclusive do Judiciário.” “Estou defendendo a CPI, estou me mobilizando por ela, porque é necessária”, disse.
SAIR DO PSL – A articulação de Flávio Bolsonaro para abafar a CPI da Lava Toga chegou a resultar na saída da senadora Juíza Selma (MT) do PSL. Selma se filiou ao Podemos no dia 18 de setembro, em cerimônia que contou com a presença de Olimpio.
O senador afirmou que considerou sair do PSL, mas que depois chegou à conclusão de que “iria dar moleza para quem está errado”. “Então, eu e a Soraya Thronicke, também senadora pelo PSL resolvemos ficar. Se tiver que sair, que saia ele, Flávio Bolsonaro”, disse. “Agora estou mais PSL do que nunca”, completou.
Questionado pelo Broadcast se as críticas a Flávio poderiam gerar desgaste com o presidente Jair Bolsonaro, Olimpio disse acreditar que “o presidente não vai confundir as coisas. Eu não confundo as coisas, continuo sendo apoiador do presidente Jair Bolsonaro.”
SEM DINASTIA – “Comigo não tem essa conversa, não. Ah, é filho do presidente. Que se dane! É filiado que nem eu, vai ouvir as verdades que tem que ouvir”, afirmou o senador. “Isso aqui não é dinastia, é partido”, completou.
Sobre rumores de que o presidente Jair Bolsonaro também estaria pensando em deixar o PSL, Olimpio disse que nunca ouviu isso do presidente. “Acho que ele não faria isso. Seria a mesma coisa que morar sozinho e fugir de casa. Ele é o dono da casa. Vai sair de um partido que está bem estruturado?”, disse o senador, emendando que o PSL é a legenda que tem mais parlamentares e tempo de televisão. “Vai começar do zero onde? Em uma sigla em que ele não vai ter o espaço e credibilidade que ele tem com a gente?”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os filhos são o maior problema de Bolsonaro. Agora a coisa piorou, com a revolta de senadores e as acusações a Carlos Bolsonaro, que também fazia “rachadinhas” no seu gabinete da Câmara carioca. O problema parece ser mal de família, pois começou com Bolsonaro pai, na Câmara dos Deputados. (C.N.)

PF sugere nova investigação sobre caixa 2 em campanha do ministro do Turismo


Charge do Vitor Teixeira (humorpolitico.com.br)
Camila Mattoso
Ranier Bragon
Fernanda Canofre
Folha
A Polícia Federal sugeriu a abertura de uma segunda investigação em decorrência do caso de candidatas laranjas do PSL, desta vez especificamente para as contas de campanha do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.
Conforme a Folha revelou neste domingo, dia 6, um depoimento e uma planilha apreendida na apuração do caso levantam suspeita de que dinheiro do esquema das laranjas do PSL foi desviado para abastecer, por meio de caixa dois, as campanhas do presidente Jair Bolsonaro e de Álvaro Antônio, que era coordenador da candidatura presidencial em Minas Gerais e candidato à Câmara dos Deputados.
NA MIRA – A nova investigação, caso aberta, terá o ministro de Bolsonaro como foco principal, sob suspeita de ter movimentado recursos sem o conhecimento da Justiça Eleitoral. Além do depoimento e da planilha, a PF reuniu ainda outros indícios de recursos não contabilizados na campanha de Álvaro Antônio.
Os casos estão nos autos e foram enviados para o Ministério Público, que é quem vai decidir se abre a nova apuração. O promotor Fernando Ferreira Abreu já confirmou que haverá novas investigações, mas não deu detalhes.
DENÚNCIA – Nas apurações do laranjal, Álvaro Antônio foi indiciado e denunciado na última semana, ao lado de outras dez pessoas, sob acusação dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa —com penas de até cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente.
O hoje ministro foi o candidato a deputado federal mais votado de Minas, tendo sido reeleito ao cargo. Não há nenhuma ação por parte da PF no que diz respeito às menções de dinheiro desviado para material de campanha para Bolsonaro. O ministro Sergio Moro (Justiça), a quem a Polícia Federal está subordinada, publicou em suas redes sociais neste domingo uma enfática defesa do presidente, apesar de as investigações estarem sob sigilo.
“OS FATOS” – “Jair Bolsonaro fez a campanha presidencial mais barata da história. Manchete da Folha de S.Paulo de hoje não reflete a realidade. Nem o delegado, nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR [presidente da República] neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”, afirmou. Adversário no segundo turno das eleições, Fernando Haddad (PT) declarou gastos de R$ 37,5 milhões. Bolsonaro, R$ 2,5 milhões.
A Folha revelou, em reportagens publicadas desde o início de fevereiro, a existência de um esquema de desvio de verbas públicas de campanha do PSL em 2018, que destinou para fins diversos recursos que, por lei, deveriam ser aplicados em candidaturas femininas do partido.
MATERIAL DE CAMPANHA – Neste domingo, o jornal mostrou que Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar de Álvaro Antônio à época e coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG), disse em seu depoimento à PF que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.
Em uma planilha apreendida na empresa Viu Mídia, nomeada como “MarceloAlvaro.xlsx”, há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão “NF”, que seria nota fiscal, e com a expressão “out”, o que significa, na compreensão de investigadores, pagamento “por fora”.
INVESTIGAÇÕES – Não há registro, na prestação de contas entregue por Jair Bolsonaro à Justiça Eleitoral, de gastos com a Viu Mídia. Além desse novo inquérito destinado à campanha do ministro, a polícia solicitou a abertura de pelo menos mais dois para investigar, de forma individual, outros envolvidos no esquema.
Em nota, o advogado de Álvaro Antônio, Willer Tomaz, afirmou neste domingo que o depoimento de Haissander ocorreu “sem a observância dos critérios legais”. Ele disse que a Folha distorce informações com o objetivo de atingir integrantes do governo eleitos de forma democrática. Segundo o advogado, o termo “out” das planilhas apreendidas não significa indicativo de caixa dois, mas sim material de campanha com produção ainda pendente.
“A reportagem ignora o fato grave ocorrido nas dependências da Polícia Federal de Minas Gerais, de coação por parte do delegado Marinho [Rezende, responsável pelo inquérito] contra o ex-assessor Haissander Souza de Paula, o qual foi preso temporariamente sem observância dos critérios legais, inclusive quanto à acomodação, e recebeu tratamento degradante no pátio da carceragem, sistematicamente desprovido de alimentação, água e dos seus remédios de uso contínuo”, afirma a nota.
PRESSIONADO – De acordo com Willer, “Haissander foi por horas pressionado pelo delegado Marinho a assinar, sem a presença do seu advogado, um termo de declarações de cuja elaboração não participou, com declarações prontas e falsas, tendo a autoridade policial verbalizado que o ministro do Turismo seria demitido naquele instante e que, assim, deveria ‘falar tudo’, prometendo a Haissander a sua soltura imediata se
assinasse o referido documento”.
A Folha registrou na reportagem que, na audiência de custódia, Haissander se negou a confirmar as informações do primeiro depoimento. Sua defesa tentou anular o depoimento anterior, mas a Justiça acabou negando  o pedido e afirmando que “todas as garantias constitucionais e legais restaram asseguradas, dentre elas a prévia ciência de permanecer em silêncio”.
Na mensagem em defesa de Bolsonaro publicada neste domingo em redes sociais, Moro indica ter informações da investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de maneira sigilosa em Minas. A reportagem da Folha, no entanto, é baseada em depoimento de um ex-assessor do ministro do Turismo à PF e em uma planilha apreendida nas investigações. Em nenhum momento o jornal atribui conclusões sobre o assunto aos investigadores.
INFORMAÇÕES SIGILOSAS – Não é a primeira vez que Moro sugere ter tido informações sobre o inquérito sigiloso do caso dos laranjas. Em junho, Bolsonaro afirmou ter recebido informações do ministro da Justiça sobre a investigação em curso.
Na ocasião, o Ministério da Justiça chegou a admitir que Moro repassou dados ao presidente da República, mas depois mudou a versão, dizendo que só trataram do que havia sido divulgado pela imprensa.

Moro defende Bolsonaro e nega que ele esteja implicado em candidaturas laranjas


Ministrou insinuou ter acesso às informações sigilosas
Danielle Brant
Folha
O ministro Sergio Moro (Justiça) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro fez a campanha “mais barata da história” e que a manchete da Folha deste domingo, dia 6, sobre a suspeita de caixa dois em 2018 não reflete a realidade.
Segundo a reportagem da Folha, um depoimento dado à Polícia Federal e uma planilha apreendida em uma gráfica sugerem que dinheiro do esquema de candidatas laranjas do PSL, em Minas Gerais, foi desviado para abastecer, por meio de caixa dois, as campanhas de Bolsonaro e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ambos filiados ao partido.
Na mensagem publicada neste domingo no Twitter, Moro indica ter informações da investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de maneira sigilosa em Minas. “Nem o delegado, nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR [presidente da República] neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”, disse. A publicação de Moro foi ‘curtida’ por Bolsonaro e, depois, compartilhada pelo presidente em sua conta no Facebook.

ACESSO A INQUÉRITO  – A reportagem da Folha, no entanto, é baseada em depoimento de um ex-assessor do ministro do Turismo à PF e em uma planilha apreendida nas investigações. Em nenhum momento o jornal atribui conclusões sobre o assunto aos investigadores. Não é a primeira vez que Moro sugere ter tido informações sobre o inquérito sigiloso do caso dos laranjas. Em junho, Bolsonaro afirmou ter recebido informações do ministro da Justiça sobre a investigação em curso.
Na ocasião, o ministério chegou a admitir que Moro repassou dados ao presidente, mas depois mudou a versão, dizendo que só trataram do que havia sido divulgado pela imprensa. O ministro do Turismo foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais na última sexta-feira, dia 4, sob acusação dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa — que preveem penas de até cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente. Ele nega irregularidades.
REAÇÕES – Parlamentares da base governista também saíram em defesa do presidente. A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) criticou o jornal por “de novo, estampar uma manchete contra o presidente Bolsonaro que sequer é confirmada pela própria matéria.” “É cansativo”, escreveu em rede social.
A oposição também reagiu à reportagem. Orlando Silva (PC do B-SP) ironizou slogan usado por apoiadores do presidente, “é melhor jair se acostumando”, em referência ao primeiro nome de Bolsonaro. “É melhor jair se explicando. As máscaras dos moralistas sem moral não demoram a cair”, escreveu.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) questionou se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai tomar providência sobre os fatos relatados. Margarida Salomão (PT-MG) afirmou que a reportagem mostra “o que nós anunciávamos há meses”. “A Polícia Federal confirmou todos os indícios do esquema de laranjas no PSL de Minas Gerais. Esquema que tem como cabeça o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio”, disse.
APURAÇÃO – O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) qualificou a notícia como grave e defendeu apuração urgente do episódio. “Insistiremos na convocação do ministro do Turismo na terça para prestar esclarecimentos no Senado!” “Está explicado porque (sic) Bolsonaro não demite Álvaro Antônio”, escreveu.
Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar de Álvaro Antônio à época e coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG), disse em seu depoimento à PF que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.
PLANILHA – Em uma planilha, nomeada como “MarceloAlvaro.xlsx”, há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão “out”, o que significa, na compreensão de investigadores, pagamento “por fora”.
A Folha revelou, em reportagens publicadas desde o início de fevereiro, a existência de um esquema de desvio de verbas públicas de campanha do PSL em 2018, que destinou para fins diversos recursos que, por lei, deveriam ser aplicados em candidaturas femininas do partido. Álvaro Antônio, deputado federal mais votado em Minas Gerais, foi coordenador no estado da campanha presidencial de Bolsonaro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Moro se arrisca ao se posicionar como advogado de defesa, pondo na mesa de apostas a sua credibilidade de forma tão precipitada. Sua “lealdade” ao presidente pode custar ainda mais caro do que saiu nos últimos meses. O próprio Bolsonaro já o chamou de “ingênuo”. Como já diziam os antigos, “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”. O ministro coloca a mão no fogo sabendo que o risco de se queimar não é pequeno. (Marcelo Copelli)

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