domingo, setembro 08, 2019

Nelson Rodrigues, consagração geral, está às vésperas de chegar a Hollywood

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Resultado de imagem para BEIJO NO ASFALTOPedro do Coutto
 Nelson Rodrigues, maior autor dramático brasileiro, está às véspera de chegar a Hollywood pelas mãos de um de seus netos, Maurício Mota, que pesquisou sua obra enorme e concluiu que suas peças podem ser tema do cinema americano. Singular é a questão que exige de todos nós uma visão bem dimensionada dos artistas, tanto os do cinema, do teatro e da literatura.
Escrevo este artigo com forte dose de emoção porque fui amigo dele e colocado na lista restrita daqueles que Nelson considerava como “irmãos íntimos”. Nessa categoria encontravam-se Marcelo Soares de Moura, José Lino Grunewald, Belini Cunha e Salim Simão. Éramos personagens de suas confissões e da coluna “À Sombra das Chuteiras Imortais”, publicadas em O Globo. Salim Simão inclusive foi personagem de uma de suas peças. Mas esta é outra questão.
Percorrendo a estrada do presente, de acordo com reportagem de Rodrigo Salem, edição de sábado da Folha de São Paulo, o neto Maurício Mota, deslumbrado pela força dramática do autor, resolveu entrar em contato com produtores do cinema. Digo cinema americano, porque várias de suas obras foram filmadas em nosso país. É o caso de “Boca de Ouro”, “O Beijo no Asfalto”, “Toda Nudez Será Castigada”, “Bonitinha, Mas Ordinária” e muitas outras peças.
BEIJA NO ASFALTO – O projeto de Maurício Mota, filho de Sônia Rodrigues, voltou-se para “Beijo no Asfalto’, peça na qual Nelson Rodrigues incluiu o repórter de polícia do jornal “Última Hora, Amado Ribeiro, um jornalista com sensibilidade para assuntos de muita repercussão, autor de reportagens sensacionais.
A história de “Beijo no Asfalto”, que Nelson dramatizou intensamente, partiu de um fato real. Naquele tempo, década de 40, um funcionário da revisão de O Globo, que ficava na Rua Bitencourt da Silva, ao atravessar perto do Largo da Carioca foi atropelado. Sentindo que a morte se aproximava e socorrido por um grupo de pessoas, a um dos homens pediu que lhe desse um beijo.
O beijo entre homens parte de um fato extremamente sensível, principalmente é claro há sessenta anos. Na história entre Amado Ribeiro e pergunta qual era o último desejo do homem que vai morrer. Consumado o beijo, Amado personagem da vida real e da ficção, escreveu no jornal que o autor do beijo tinha envolvido a cabeça do funcionário de O Globo e com afeto chegara a seus lábios.
DRAMATURGO – O conjunto abrangente da obra de Nelson Rodrigues o coloca num pedestal na escala da arte, posição que ele divide com Shakespeare. Não estou comparando os dois autores, mas sim dizendo que na história da arte destacam-se dos demais dramaturgos.
A diferença é que os personagens de Shakespeare são imperadores, príncipes, generais e figuras de grande destaque social. No caso de Nelson Rodrigues, seus personagens são pessoas comuns, de segmento social inferior, que ele destaca dramaticamente, colocando-lhes até em uma importância humana que os próprios personagens não sentiam pertencer, mas suas figuras ganharam destaque na tragédia da vida.
CENSURADO – Nelson Rodrigues foi também o autor brasileiro mais censurado, mais interditado, dividindo ao meio as opiniões do público. Hoje não está envolvido em nada disso. Os freios do falso moralismo não funcionam mais contra ele. Sua obra é eterna, como aliás definiu Fernanda Montenegro na série que dirigiu tempos atrás. 
Enfim, de divisor de águas. Nelson Rodrigues aterrissa na pista da consagração geral. Coisas da vida. E, no caso de Nelson Rodrigues reflexos de sua morte.
De todas as obras de Nelson, a meu ver, as maiores são “Vestido de Noiva” e “O Álbum de Família”, neste caso contra a hipocrisia camuflada por nuvens de moralismo. “Vestido de noiva”, de 1942, para mim é o “Cidadão Kane” do teatro.

Com a radicalização da política, poucos sites e blogs podem ser independentes


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Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Carlos Newton 
Como seria de se esperar, a exemplo do que está ocorrendo em muitos outros países, a política brasileira vive hoje uma fase muito delicada, cada vez mais dividida pela polarização entre extrema-direita e extrema-esquerda. Evidentemente, essa exacerbação se reflete não somente na mídia tradicional, mas também na internet e nas redes sociais. O resultado é a mesmice, que impõe um imobilismo, pois não há mais debates ou troca de ideias sobre as grandes questões nacionais, tudo se resume em troca de ofensas e acusações.
Desde sua criação, a “Tribuna da Internet” busca a utopia de fugir dessas disputas polarizadas e enfadonhas, através da sugestão de temas e do incentivo às discussões. Mas esse objetivo não está sendo alcançado, porque as duas desvairadas facções – formadas por admiradores de Jair Bolsonaro e Lula da Silva, respectivamente – jamais dão uma trégua e seguem se digladiando irracionalmente.
VAMOS INSISTIR – É claro que iremos resistir. Apesar dessa chatice do “nós e eles”, a utópica proposta de manter um espaço independente na internet continua cada vez mais de pé. Mas de vez em quando surge algum contratempo. Há quase um mês, por exemplo, o editor da TI teve uma problema de saúde que o impediu de continuar fazendo o blog.
Não havia a menor condição de trabalho e tivemos de recorrer novamente a nosso amigo Marcelo Copelli, que desde então vem editando brilhantemente a TÏ, com minha colaboração.
Em agosto, completei 75 anos e sei que não vou durar para sempre. Por isso, está sendo muito positivo testar o Plano B, com Copelli à frente da edição. É uma maneira de manter aberto esse espaço independente na web.
UM CONSELHO – Meu próximo passo é formar um Conselho, reunindo articulistas e comentaristas que achem importante manter o Blog. Semana passada, conversei longamente com nosso amigo José Antonio Perez, que queria saber como estava indo minha recuperação. Trocamos muitas ideias, perguntei se ele aceitaria trabalhar no blog caso houvesse necessidade, ele topou na hora.
Sei que muitos outros articulistas e comentaristas também estão dispostos a manter esse centro de debates, como Francisco Bendl e Antonio Fallavena, com os quais já conversei a respeito, assim como Jorge Béja, Antonio Santos Aquino, Mário Assis Causanilhas, Roberto Nascimento, Francisco Vieira, Flávio Bortolotto, Antonio Rocha, Christian Cardoso, Cesar Cavalcanti, David de Souza, José Carlos Werneck, Darcy Leite, Pedro Meira, Willy Sandoval e muitos outros, com os quais ainda não conversei a respeito.
É assim que vai funcionar. Aliás, já está funcionando. Qualquer problema, Perez e Copelli resolvem. Mas não há pressa, porque eu não pretendo sair daqui tão cedo. Como diz o Zagallo, vão ter de me aturar.

Confiante, Bolsonaro diz que nome de Aras para PGR será aprovado “sem problemas” no Senado


Presidente pediu a apoiadores que dessem “um tempo” a Aras
Thaiza Pauluz e
Daniel Carvalho
Folha
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse neste sábado, dia 7, acreditar que seu escolhido para assumir a PGR (Procuradoria-Geral da República), Augusto Aras, não terá dificuldades em passar pela sabatina no Senado. “Acredito que ele passe lá no Senado sem problemas”, disse Bolsonaro ao fazer um balanço da semana quando chegou ao Palácio da Alvorada, após participar do desfile de 7 de Setembro. Na quinta-feira, dia 5, o presidente decidiu indicar o subprocurador-geral para o cargo de procurador-geral da República, em substituição a Raquel Dodge, cujo mandato de dois anos termina no próximo dia 17. Ela poderia ser reconduzida, mas acabou preterida na disputa.
CRÍTICAS – Após meses de negociações, Bolsonaro deixou de lado a lista tríplice divulgada em junho por eleição interna da  Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR)  e escolheu um nome que correu por fora, de perfil conservador e que buscou mostrar afinidade com ideias do presidente. A indicação foi criticada por grupos de direita em razão de declarações antigas de Aras que encamparam algumas ideias de esquerda — apesar do discurso mais recente alinhado ao bolsonarismo— e por críticas dele à Lava Jato. No dia da escolha, ele chegou a pedir a seus apoiadores que dessem “um tempo” a Aras.
Uma das atribuições do PGR é investigar e denunciar políticos com foro especial, incluindo o presidente da República. Ao chegar a mensagem com o nome de Aras, ela é despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) do Senado, onde é feito um relatório e o indicado será sabatinado. Mesmo que ele seja rejeitado, a indicação é votada em plenário. Integrantes da cúpula do Senado dizem acreditar que Aras não deve ter dificuldades para ser aprovado por maioria absoluta (41 senadores). Interlocutores do governo dizem que ele é um nome que não enfrenta resistência nem da direita nem da esquerda e a expectativa é que o nome seja aprovado em plenário daqui a 15 ou, no máximo, 20 dias. Além do apoio dos governistas, agrada a alguns senadores o que chamam reservadamente de restrições sutis à Operação Lava Jato. A oposição tem criticado o fato de Bolsonaro não ter escolhido um nome da lista tríplice.
ABUSO DE AUTORIDADE –  Neste sábado, Jair Bolsonaro comentou também sobre os vetos que fez à lei de abuso de autoridade aprovada pelo Congresso. Após a publicação dos vetos de trechos da lei, juízes e advogados devem pressionar o Congresso para manter ou barrar as edições feitas pelo presidente. Na quinta-feira, ele vetou 36 pontos de 19 dos 45 artigos constantes no texto. O projeto especifica condutas que devem ser consideradas abuso de autoridade e prevê punições. Entidades como a Associação de Magistrados do Brasil (AMB) e a Associação de Juízes Federais do Brasil (Ajufe) comemoraram os vetos por entender que a lei trazia insegurança ao trabalho dos magistrados. Já os advogados consideram que as mudanças são, em geral, infundadas juridicamente e descaracterizam os esforços do texto em punir autoridades que não agem dentro da legalidade.
“Os vetos foram quatro pessoas que fizeram: Ministério da Justiça CGU [Controladoria Geral da União], AGU [Advocacia Geral da União] e Secretaria de Governo. Acolhi na íntegra o que eles acordaram entre si”, disse Bolsonaro. As edições do presidente devem ser analisadas em sessão do Congresso Nacional, que reúne deputados e senadores. Cabe aos parlamentares decidir se mantêm ou derrubam os vetos de Bolsonaro. Ainda não há data definida para que isso aconteça, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também preside o Congresso, disse que, se for desejo dos líderes partidários, pode convocar reunião para a próxima quarta-feira, dia 11. 
CONFLITO – O principal ponto de conflito entre magistrados e advogados diz respeito aos vetos aos artigos que puniam autoridades que negassem aos defensores certas prerrogativas já asseguradas em lei.  Foram barradas, por exemplo, as punições para quem impedisse a entrevista reservada entre advogado e cliente, quem desrespeitasse a inviolabilidade de escritórios e das suas comunicações (desde que relativas à atividade profissional) e quem negasse à defesa o acesso aos autos do processo.
No Congresso, a votação começa pelo Senado, onde há um grupo de 33 senadores alinhados à agenda da Lava Jato que defendia o veto integral da lei. Agora, eles querem tentar garantir a manutenção das mudanças propostas por Bolsonaro. Esse grupo se reúne na terça-feira, dia 10, para definir uma estratégia de atuação. Até lá, pretendem fazer campanha nas redes sociais para mobilizar a população, alegando que a derrubada dos vetos fere o combate à corrupção. Os senadores também estudam a apresentação de um projeto que, na prática, vetaria os demais pontos da lei. A avaliação na Câmara, no entanto, é que o grupo dificilmente conseguiria os votos necessários para impedir a derrubada dos vetos.
ARTICULAÇÃO – Entre os deputados, há uma articulação de líderes dos partidos de centro para derrubar a maioria das edições feitas pelo presidente. Em conversas reservadas, uma ala diz estar disposta a acatar até três vetos. Mais do que isso, afirmam, desconfiguraria a proposta. O acordo na Casa é para manter o veto ao artigo que proíbe o uso de algemas caso o preso não resista à prisão ou ofereça risco aos policiais. A negociação para derrubar o trecho começou antes mesmo de os deputados aprovarem a proposta. Ficou definido que o plenário aprovaria a proposta na íntegra, para evitar que ela voltasse ao Senado, e Bolsonaro vetaria o artigo. A avaliação era que, com isso, Bolsonaro agradaria a bancada da bala e faria um aceno à sua base, mas não mexeria em pontos essenciais do projeto.

sábado, setembro 07, 2019

Bolsonaro atira em Doria e Huck, para ser o representante único da direita

    

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Charge do Aroeira (jornal O Dia/RJ)
Vera MagalhãesEstadão
O sonho de consumo não escondido por Jair Bolsonaro e seu QG é uma reeleição em 2022 nos mesmos moldes da de 2018, anabolizada, se tudo correr bem, por uma economia crescendo num ritmo entre 2,5% a 3% nos dois últimos anos de governo.
E o que significa repetir o roteiro do ano passado? Manter a militância engajada nas redes sociais, avançar com as pautas caras ao bolsonarismo e, melhor dos mundos, disputar de novo contra o PT.
OBSTÁCULOS – Há algumas incertezas quanto à possibilidade de se cumprir o script. A performance da economia é a maior delas: não são poucos os economistas que avaliam que, mesmo com o correto receituário de reformas, desestatização e desburocratização sendo colocado em prática, pode faltar tempo para que a economia (e, principalmente, o emprego) volte a girar num ritmo capaz de dar à população a sensação de que a vida melhorou significativamente sob Bolsonaro – condição importante para que haja a disposição de eleger um presidente.
Outra dificuldade para que o plano corra conforme o desenhado é que a polarização nos extremos canse a maioria do eleitorado e ele busque uma opção no centro – compreendido como o espectro que vai da centro-direita à centro-esquerda.
HUCK E DORIA – Isso claramente incomoda o bolsonarismo, que tem dedicado as últimas semanas a fustigar eventuais opositores nesse campo. Luciano Huck e João Doria Jr. apareceram na lista dos compradores de jatinhos subsidiados por um programa do BNDES na era petista. A ideia parece ser matar adversários no nascedouro, sem sutileza nem intenção de disfarçar os propósitos.
Doria desponta aí como a vítima mais óbvia: governador do maior Estado do País, é quem detém maior estrutura partidária, um espaço de atuação que permite comparação com a de Bolsonaro e aval de setores do empresariado.
CASCAS DE BANANA – Ciente de que é alvo, o governador tem evitado bater boca com o presidente, que usou até uma das recentes lives nas suas redes sociais para atacá-lo, mas escorrega em algumas cascas de banana que Bolsonaro joga no seu caminho, ao tentar associá-lo a pautas da esquerda.
Ao responder sobre o jatinho, em vez de responder que não cometeu nenhuma ilegalidade e usou uma linha de crédito existente, tratou de dizer que quer “distância” do PT, de Lula e de Dilma. Vestiu a carapuça.
Ontem, mandou suspender um material de ciências que falava sobre questões como sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual para alunos do 8.º ano da rede pública (13-14 anos), dizendo que seu governo não admite “apologia” à “ideologia de gênero”, expressão esta sim eivada de ideologia, usada pela direita sem amparo científico.
PERSONAGEM – Doria reencarna nesses momentos o Bolsodoria, personagem que inventou no segundo turno de 2018, quando passou apuros para vencer Márcio França. Uma vez eleito, no entanto, vinha batendo na tecla de que é de centro, não de centro-direita. Se insistir em replicar o léxico e as pautas da direita quando provocado por Bolsonaro, corre o risco de o eleitorado dizer que, entre o original e o genérico, fica com o primeiro.
Ainda mais se o centro repetir o erro de se dividir em várias candidaturas. Huck, que fugiu da raia em 2018, parece mais empenhado agora. Se cercou de nomes como o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung e parece mais focado que Doria em lançar já de saída uma pauta social robusta, capaz de falar aos corações do eleitorado do Nordeste e de mais baixa renda, e de defesa da ciência, da cultura e da educação, para resgatar certa classe média “iluminista” chocada com a truculência bolsonarista nessas áreas. Resta saber se tem couro grosso o bastante para o chumbo grosso que vai começar a levar, desde já.

Mais protestos no 7 de Setembro em Jeremoabo

Ao antecipar 2022, Bolsonaro acerta o próprio pé

Ao antecipar 2022, Bolsonaro acerta o próprio pé
O PIB continua no chão? Há mais de 12 milhões de desempregados no país? O Tesouro Nacional foi à breca? Dane-se! Jair Bolsonaro só pensa naquilo: a reeleição. No momento, o capitão concentra-se na demolição de potenciais adversários no centro e à direita. Ataca João Doria e Luciano Huck. Vira Sergio Moro, já bem passado, na frigideira. Sonha com uma disputa que reproduza o cenário polarizado de 2018, de preferência com um petista no córner adversário.
JOSIASDESOUZA.BLOGOSFERA.UOL.COM.BR

Aliados de Bolsonaro veem Mourão em nova fase, mas mantêm vigilância sobre ele


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Bolsonaro tentará reassumir o mais rápido possível
Mateus VargasEstadão
Na véspera de Hamilton Mourão assumir provisoriamente a Presidência da República, pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro avaliam que a passagem do vice pelo cargo não deve ser turbulenta, mas mantêm a vigília sobre o general.
Ainda que moderado, o estado de alerta se explicaria por uma fase de Mourão que o núcleo bolsonarista acredita ter ficado para trás: quando o general atuava como um “contraponto” ao presidente.
ATÉ QUINTA-FEIRA – Mourão deve responder pela Presidência de domingo, dia 8, a quinta-feira, dia 12, no mínimo. Se tudo correr bem, Bolsonaro reassume o cargo no dia seguinte, dia 13. No período ausente, o presidente se recupera de cirurgia para correção de hérnia incisional, consequência do atentado que sofreu há um ano e que levou à realização de três cirurgias.
A previsão dos médicos é a de que Bolsonaro repouse por dez dias em São Paulo. Ainda assim, o presidente pretende montar um gabinete no hospital e voltar a despachar cinco dias após a operação.
CONFERÊNCIA – Na segunda-feira, 9, Mourão vai a São Paulo para participar da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). No mesmo dia, ele deve visitar o presidente Bolsonaro no Hospital Vila Nova Star.
Segundo assessores de Mourão, o general não deve participar de grandes eventos ou assinar atos de impacto na passagem pela Presidência, como fez em janeiro. Presidente interino à época, Mourão editou decreto para ampliar poderes de impor sigilo a documentos público. O texto foi sustado por decisão na Câmara no mês seguinte, marcando a primeira derrota do governo no Legislativo.
O auge da disputa de Bolsonaro e Mourão ocorreu em abril. Aliado do presidente, o deputado Marco Feliciano (PODE-SP) chegou a apresentar pedido de impeachment contra o general, sob acusação de “conduta indecorosa, desonrosa e indigna” e de “conspirar” para conseguir o cargo de Bolsonaro.
“DE OLHO” – Procurado, Feliciano disse que Mourão está em nova fase, mas afirma que permanece “de olho” no general. “A nova postura do vice é aquela esperada desde o início do mandato: respeito ao presidente. Ele ouviu, ainda que não assuma, os meus conselhos. Que se mantenha assim. Serão poucos dias. Todavia, estarei de olho”, afirmou o pastor.
Ainda em abril, o escritor Olavo de Carvalho, ligado à ala ideológica, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, despejaram críticas a Mourão nas redes sociais. Dias antes, Bolsonaro havia sugerido a aliados que Mourão atuava como presidente paralelo, conforme apurou o Estado.
Em entrevista ao Estado, em agosto, Mourão disse não estar “calado”. “Eu estou apenas cuidando do meu quadrado. O presidente está falando porque tomou para si a comunicação, assumiu o protagonismo. É uma estratégia que ele traçou”, disse.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Nada mudou. É a mesma estratégia da última operação, quando Bolsanaro fingiu estar recuperado e “recebendo” auxiliares em “audiência”, mas era tudo conversa fiada para impedir que Mourão ficasse alguns dias em exercício. A paranoia da teoria conspiratória continua a infernizar o clã Bolsonaro. Depois a gente volta ao assunto. 
(C.N.)

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