quinta-feira, novembro 22, 2018

Quem desrespeita a Lei da licitação que se cuide, o bicho está pegando.

PF deflagra operação contra organização criminosa especializada em fraudar licitações públicas

O grupo pode ter gerado um prejuízo de R$ 20 milhões aos cofres.
A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU).A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU)
Foto: Divulgação / PF
Por Redação Portal T5..
 07h39 - Atualizado 22/11/2018 às 07h49

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (22) a Operação Recidiva. O objetivo da ação é de desarticular uma organização criminosa responsável por fraudar, reiteradamente, licitações públicas em municípios de estados nordestinos. Segundo a polícia, a operação do esquema criminoso acontece na Paraíba, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte.
A polícia informou que o grupo age com base no desvio de recursos públicos em favor próprio e de terceiros. A fraude também afetaria os fiscos federal e estadual.
A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU). Durante as investigações foi possível apurar que o esquema criminoso gerou prejuízo aos cofres públicos, só no período de 2015 a 2018, o prejuízo pode chegar na casa de vinte milhões de reais, relativos a fraudes na execução de obras de construção civil.
Ao todo, serão cumpridos 8 mandados de prisão temporária, 7 mandados de prisão preventiva, 27 de mandados de busca e apreensão e 17 mandados de sequestro de bens, expedidos pela 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Patos, nos municípios paraibanos de João Pessoa, Barra de Santa Rosa, Brejo do Cruz, Emas, Imaculada, Juru, Patos, São José do Bonfim, São Sebastião de Lagoa de Roça e Teixeira, além de Fortaleza e Quiterianópolis no estado do Ceará.
Além, a Justiça Federal em Patos determinou o sequestro de todos os bens móveis e imóveis dos envolvidos, até o montante total de dois milhões de trezentos mil reais visando ressarcir os danos ao erário público. Foram mobilizados para a operação cerca de 105 policiais federais e 14 auditores da CGU. Os investigados serão conduzidos à sede da Delegacia de Polícia Federal em Patos, onde serão interrogados.
Os crimes apurados na operação envolvem corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude a licitação entre outros.
Significado
O nome da operação RECIDIVA significa: reaparecimento, recaída, reincidência, fazendo alusão a prática reiterada do cometimento dos mesmos crimes e do mesmo modus operandi pelos investigados, que já foram objeto de ações semelhantes.


G1.GLOBO.COM
De acordo com o Gaeco, um dos alvos de prisão é um secretário municipal de Campinas, além de empresários. São apurados nesta fase desvio de R$ 2 milhões dos cofres públicos.

“A gente se sentia explorado”, diz médico cubano que se casou e ficará no Brasil


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Adrian Barber se casou com uma farmacêutica brasileira
Estelita Hass CarazzaiFolha
Integrante do Mais Médicos por quase três anos, o médico cubano Adrian Estrada Barber disse à Folha que se sentia explorado pelo programa e acha que muitos colegas irão abandoná-lo para ficar no Brasil até o final do ano.
Barber lamentou o fim da parceria com Cuba, mas atribuiu a decisão a uma “estratégia política” do regime cubano, e não às exigências do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que pediu a realização de testes de capacidade, o envio do salário integral aos profissionais (hoje, eles recebem apenas parte do subsídio, que é retido por Cuba) e a possibilidade de que eles trouxessem suas famílias ao Brasil. “Eu concordo totalmente [com as exigências]. A maioria se sentia explorada”, disse. 
Quanto tempo o sr. ficou no Mais Médicos?
Fiquei um pouco menos de três anos. Eu recebia R$ 2.976 por mês de Cuba, mais a ajuda do município [em Arapoti, interior do Paraná], de moradia e alimentação, de R$ 2.500. O resto do pagamento ia todo para o governo de Cuba. Era suficiente [para pagar as contas]. Era só a minha mulher e eu, não tínhamos criança, nada. Não dava para comprar um carro bom, uma casa, mas dava para as continhas, sim. Mas, para um padrão de um médico, no Brasil, está muito fora da realidade.
O sr. se sentia explorado? 
Explorado, acho que todo cubano se sente. Com certeza. A gente saiu de Cuba com o objetivo de economizar uma grana para continuar o estudo por lá, depois. Para a gente, era muito bom esse dinheiro, porque era muito mais do que conseguíamos ganhar em Cuba. E também ter outra experiência, sair, olhar a realidade do mundo. Mas quando a gente chega aqui e vê como funciona o mundo, aí, para mim, ficou decidido que não dava mais para voltar. Eu acho que a maioria dos médicos se sente reprimida pelo sistema de Cuba. A gente não tem liberdade de fazer as coisas. Por exemplo, agora, eu não consigo entrar no meu país durante oito anos [por ter deixado o Mais Médicos]. Tive a minha liberdade completamente limitada. Aqui no Brasil, ainda foi muito mais tranquilo do que na Venezuela [que também mantém um programa de intercâmbio com médicos de Cuba]. Eu não cheguei a ir para lá, mas tenho colegas que foram. Tinham que dar uma preliminar do que iriam fazer durante o dia, não podiam sair depois das 18h. Foi uma perseguição terrível.
Mas o sr. tinha alguma restrição em sua rotina no Brasil? 
Não, aqui não tinha regra. Mas, por exemplo, na hora do casamento, eu estava com medo. Segundo o contrato, eu tinha que pedir autorização ao governo cubano, tinha que falar que ia casar. Eu acho um absurdo isso. Não preciso falar com ninguém do governo. Eu sou livre para casar ou não. Eu lembro que vocês fizeram uma reportagem. No dia 23, vocês foram a Arapoti. No dia 24, o coordenador do programa [que era cubano] me ligou. Queria saber o que estava acontecendo, por que eu estava dando entrevista. Me questionando. Aí eu falei para a minha esposa: vamos casar logo, porque eu não sei o que vai acontecer. Aí casamos dia 25, com medo de que me falassem para voltar para Cuba. 
Por que o sr. decidiu deixar o Mais Médicos? 
Eu fiz o Revalida com o objetivo de ficar no Brasil, porque eu havia casado, minha esposa estava grávida. Tinha que fazer para ter uma estabilidade profissional e econômica no Brasil. Eu não sabia o que ia acontecer. E se me mandam embora para Cuba? Não tinha como. Eu não ia deixar minha família aqui.  Aí, fiz o Revalida. Passei [em 2016] no exame teórico, depois no prático e na prova de proficiência em português. Apresentei minha documentação na universidade e pronto, me deram o CRM [registro do Conselho Regional de Medicina]. Aí, pedi para me descredenciarem do programa. Mas [representantes de Brasil e Cuba] foram enrolando. Eu era livre, tinha permanência legal no país, tinha CRM. Mas me questionaram, falaram que eu não podia me desligar, que eu não estava indo mais. Eu realmente não estava, porque não queria mais estar no programa. Eu pedi para me liberarem, mas não queriam. Disseram que eu tinha um consultório particular. Pô, mas eu tenho CRM. Eu posso ter um consultório.
Como o sr. avalia o fim da parceria com Cuba? 
Eu acho que foi uma grande estratégia política. O governo do PT era afim ao governo de Cuba. Eram dois governos de esquerda. Para mim, eles disseram: ‘Fala para o governo de Cuba mandar todo mundo embora’. Para começar o governo do Bolsonaro de um jeito ruim. 
Então, o sr. atribui a responsabilidade pelo rompimento do programa ao governo cubano, e não ao brasileiro? 
Com certeza. Não foi o governo brasileiro que mandou os médicos embora. Ele colocou algumas exigências, mas não exigiu o fim. E o governo cubano decidiu mandar todo mundo embora. Porque vai perder. Não vão mais mandar grana para lá.
O sr. concorda com as exigências que o governo Bolsonaro fez? 
Lógico. Porque não tem por que duvidar da nossa capacidade. Por que não fazer o teste? Que faça, sim. O Mais Médicos está funcionando errado, atualmente. A prioridade [para contratação no programa] eram os médicos brasileiros. Depois, os brasileiros que não têm CRM. Uma terceira opção seriam os médicos estrangeiros. E, como última opção, os médicos conveniados pela OPAS, que são os cubanos. A gente acabou virando a prioridade, mas éramos a quarta escolha. Não está correto. Meu país também está precisando de médico. E por que mandou todo mundo para cá? É tirar a roupa de um santo e vestir em outro. Foi uma opção política, com certeza. Eles achavam que iam mudar a ideia do povo brasileiro, para continuar com um governo de esquerda. Espalharam médicos cubanos por todo o país. Mas por quê? No Norte, Nordeste, onde ninguém queria trabalhar, beleza, eu acho ótimo. Que vão lá trabalhar. Mas, por exemplo, tem uma cidade bem próxima aqui, Ponta Grossa, que fica a 100 km de Curitiba. Por que Ponta Grossa tem que ter 60 médicos cubanos? A prefeitura fez um concurso público recentemente, e teve um monte de médico brasileiro que se alistou para fazer. Não tem médico interessado? Tem, sim. Mas o prefeito prefere pagar um valor muito baixo e justificar dizendo que não há médico brasileiro. 
O sr. acha que os municípios se aproveitaram do programa? 
Tem muito município que se aproveitou, sim. Muitos tiraram o médico brasileiro do posto de saúde para colocar um cubano. Está errado. Em Wenceslau Braz [no interior do Paraná], tinha um dermatologista que trabalhava no posto e foi retirado para colocarem um médico cubano. Em Arapoti, conheci um médico que tinha CRM e queria entrar no programa, e não deixaram entrar, porque disseram que só tinha vaga para cubanos. o mais médicos é um programa bom, porque prioriza as áreas carentes, dá atendimento à população. Mas não é tão bom para o médico. O objetivo final dele foi político. Para Cuba, era bom, porque recebia muito dinheiro do Brasil. E, para o governo brasileiro, era bom porque estavam fazendo a cabeça de todo mundo.
O sr. acha que os municípios se aproveitaram do programa? 
Tem muito município que se aproveitou, sim. Muitos tiraram o médico brasileiro do posto de saúde para colocar um cubano. Está errado. Em Wenceslau Braz [no interior do Paraná], tinha um dermatologista que trabalhava no posto e foi retirado para colocarem um médico cubano. Em Arapoti, conheci um médico que tinha CRM e queria entrar no programa, e não deixaram entrar, porque disseram que só tinha vaga para cubanos. O Mais Médicos é um programa bom, porque prioriza as áreas carentes, dá atendimento à população. Mas não é tão bom para o médico. O objetivo final dele foi político. Para Cuba, era bom, porque recebia muito dinheiro do Brasil. E, para o governo brasileiro, era bom porque estavam fazendo a cabeça de todo mundo.
Mas e a população? Muitos municípios vão ficar sem médicos em função do fim da parceria com Cuba.
Tem município que vai ficar sem cobertura, sim, por um tempinho. Mas eu acredito que há médicos suficientes no Brasil para fazer essa cobertura. Você consegue estimular isso por meio de programas sociais. Por exemplo, há muito financiamento público de faculdade. “Olha, você vai ter dois anos para pagar isso, trabalhando lá no Xingu”, por exemplo. E se ele gosta do trabalho? E se ele casa por lá? Tem muita chance de que esse médico fique trabalhando por lá. 
Bolsonaro chegou a dizer que os médicos cubanos desempenham um “trabalho análogo à escravidão”. O sr. concorda? Concordo plenamente. E não é só aqui no Brasil. Acontece no meu país, também. Em Cuba, um funcionário da rede de hotéis Meliá recebe US$ 2.000 por mês. Mas isso não chega na mão dele, não. Vai para o governo, que converte isso em pesos cubanos, e manda para o funcionário o equivalente a US$ 80 por mês. E fica com o resto. É um trabalho escravo. Está roubando dinheiro do funcionário. 
Depois que o sr. deixou o Mais Médicos, como ficou sua situação? 
O governo cubano me qualifica agora como desertor. É um termo usado no Exército. As pessoas são condenadas por isso. É como se eu fosse propriedade do Estado. Mas eu não sou militar, eu sou médico. Eu não pertenço ao Estado. Eu sou meu. Não posso voltar a Cuba durante oito anos. Eles [o governo] queriam que eu voltasse para lá, para então me desligar do programa. Para mim, tinha uma chance bem alta de me deixarem lá. Já aconteceu com muitos colegas meus: ficaram cinco anos esperando para voltar para o país em que trabalhavam. Gente casada com um estrangeiro, com filho. Aí eu, com esposa grávida, vou voltar para Cuba, e arriscar ficar cinco anos longe? Jamais.
O sr. ainda tem família em Cuba?Sim, meus pais e irmão ainda estão em Cuba. Não sofreram represália. Eles podem vir me visitar, mas é toda uma burocracia, demora três meses para liberar, é caro. Só a documentação dá cerca de R$ 1.000. E a gente tem que pagar, porque o salário do meu pai é de cerca de R$ 15 por mês. Daí, imagina. Atualmente, eu ganho mais do que na época do Mais Médicos, mas trabalho mais, também. Faço plantão, trabalho em posto. Mas valeu a pena. Hoje, eu sustento minha família aqui e minha família em Cuba. São três famílias: a minha, a do meu pai e do meu irmão. 
O que o sr. acha que vai acontecer com seus colegas cubanos agora? Acha que muitos irão desertar? 
Com certeza. Tomara que fiquem. Porque a probabilidade de um médico cubano passar no Revalida é muito alta. Eu escuto muito comentário, que tem cubano que não é médico, que vieram socorristas… Eu duvido muito. Todos são médicos, tenho certeza absoluta. E são competentes. Por exemplo, recentemente, houve outra prova do Revalida aqui no Paraná. 15% dos que passaram na prova teórica eram cubanos. Tem muitos que querem ficar, não querem ir embora. Vai ter muito cubano fazendo o Revalida. E passando.

A voz das ruas e das urnas assegura a Bolsonaro a maioria no Congresso


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Charge do Humberto (Folha de Pernambuco)
Pedro do Coutto
O PSL está aguardando uma decisão do Supremo para incorporar à sua legenda mais sete deputados federais. Com isso o PSL ultrapassaria a bancada do PT, ficando com 59 parlamentares contra 56 do Partido dos Trabalhadores. No STF o relator da matéria é o ministro Luis Fux e tem base na minirreforma eleitoral que entrou em vigor em 2015.
Reportagem de Luisa Martins e Isadora Peron, no Valor, focaliza o tema. Ele faz parte de uma estratégia do governo buscando a maioria parlamentar nas duas Casas do Congresso. A questão maior, entretanto, não é exatamente essa. Ela se refere a arrancada do futuro governo em busca da maioria no Congresso Nacional.
A VOZ DAS URNAS – Pode parecer difícil, à primeira vista, mas na minha opinião a voz das ruas e das urnas assegura um trânsito fácil para o governo que se instala a partir de Janeiro de 2019. Isso porque a atmosfera política do país revelada pelo voto popular tornou-se muito favorável ao presidente Bolsonaro e, em contrapartida, desfavorável ao setor parlamentar. Basta comparar os números.
Jair Bolsonaro venceu por larga margem de votos. Mais da metade dos integrantes da Câmara Federal não se reelegeu. A renovação trouxe consigo uma mensagem bastante contrária ao estilo da atuação do Legislativo em relação ao Executivo. Portanto, qualquer pressão do Congresso sobre o novo Palácio do Planalto criaria uma área de atrito muito densa, com reflexos no segmento militar que estará integrando a equipe de Brasília logo ao alvorecer de 2019. É preciso levar este fator em conta porque, penso eu, um revés de profundidade logo ao início do mandato despertaria reações as mais diversas possíveis.
EM CIMA DO TIGRE – Como diz o velho ditado político, quem monta num tigre não sabe como descer. O panorama é exatamente esse e para identificá-lo consideremos o crepúsculo de quem sai e a alvorada de quem assume o poder.
Em política tem que se considerar um fator visível, mas com base num universo menos claro, no sentido de se estabelecer uma percentualidade. Por exemplo, Adriana Fernandes e Indiana Tomazelli, edição de ontem de O Estado de São Paulo, publicam reportagem chamando atenção para a necessidade de o novo governo ter de cortar 37 bilhões de reais por ano para cumprir a lei de responsabilidade fiscal. Parece muito. Mas se levarmos em conta o peso percentual desse limite vamos verificar que oscila em torno de 1% da Lei de Meios para 2019.
O orçamento é de 3,5 trilhões de reais. 37 bilhões de reais significam apenas 1% deste total.

Moro terá de instruir Bolsonaro a admitir que o poder do governo tem limites


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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)
Carlos Newton
O jornalista Claudio Bojunga escreveu o roteiro, Silvio Tendler dirigiu o filme e Wagner Tiso criou a trilha sonora do documentário “Jango”, lançado em 1984, no final da ditadura militar. Quando ouviu a música-tema criada por seu amigo dos tempos das Geraes, Milton Nascimento ficou encantado, colocou letra, mudou o título e gravou “Coração de Estudante”: “Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar / Pode estar aqui do lado / Bem mais perto que pensamos / A folha da juventude / É o nome certo desse amor / Já podaram seus momentos / Desviaram seu destino / Seu sorriso de menino / Quantas vezes se escondeu / Mas renova-se a esperança / Nova aurora a cada dia / E há que se cuidar do broto / Pra que a vida nos dê / Flor, flor e fruto / Coração de estudante / Há que se cuidar da vida / Há que se cuidar do mundo / Tomar conta da amizade / Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho /Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração / Juventude e fé”.
Sempre que se aproxima uma troca de presidentes, lembro esta magnífica canção, que reproduz a ansiedade de todos para que a vida se transforme. Interessante notar que esse sentimento existia até mesmo quando não havia eleição nem democracia. Cada novo presidente-general era sempre saudado com a esperança de que as coisas iriam melhorar.
RENOVA-SE A ESPERANÇA – Também com Jair Bolsonaro a esperança dos brasileiros está se renovando. Este sentimento é verdadeiro. Quem já passou muitas vezes por ele sabe que é uma sensação que depois vai se esvaindo. É como a noite de 31 de dezembro, quando os brasileiros organizam a maior festa do mundo. É uma felicidade só, que depois vai se esvaindo com a volta da rotina do dia a dia.
Muitos brasileiros, algo em torno de 20% da população adulta, sonhavam com uma intervenção militar que varresse os três apodrecidos poderes e colocasse as coisas em seu devido lugar. Foi um sonho tão forte que acabou se concretizando pela metade, através das vitória de Jair Bolsonaro. De uma forma ou de outra, os militares voltaram ao poder, mas foi através do voto direto, a mais democrática das eleições.
MÃOS AMARRADAS – Acontece que Bolsonaro chega ao poder com as mãos amarradas. Sua equipe econômica pensa que descobriu a pólvora e pode mudar tudo de uma hora para outra, como fez João Figueiredo, que disse: “Prendo e arrebento quem for contra a reabertura democrática”. Era bravata pura. Pouco depois, no atentado ao RioCentro, a bomba explodiu no colo do sargento e do capitão que se tornaram terroristas oficiais. Junto com o carro Puma, foram para o espaço também as ilusões do general Figueiredo.
Bolsonaro assume amarrado da cabeça aos pés por um cipoal de leis e regras paralisantes que protegem as elites e a nomenclatura estatal com generosas renúncias fiscais e armaduras salariais cheias de penduricalhos.
O HOMEM-FORTE – Não vai ser nada fácil enfrentar essa gente. Por isso, o homem-forte do governo não é Paulo Guedes, que ficará na História como mais um economista perdido nas próprias ideais. Quem terá o protagonismo na trama é o ex-juiz Sérgio Moro, o homem certo no lugar certo. Já fez muito pela pátria e muito mais há de fazer, à frente do superministério da Justiça. Além de avaliar o que se pode fazer e o que não se deve nem pensar em fazer, Moro dirá também como o governo e os brasileiros terão de proceder.
Em tradução simultânea, Bolsonaro vai chegar ao poder cheio de fake news, tipo “prendo e arrebento”. Mas essa fase ilusória logo vai passar e todos então cairemos na real, inclusive o próprio presidente, que terá de se adaptar às circunstâncias, porque até mesmo o poder tem limites.
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P.S. 1
 – Como o editor da Tribuna é daqueles que não podem passar mais de 15 minutos sem falar mal de alguém, temos de afirmar que vai ser difícil aguentar um chanceler que é capaz de tornar público o seguinte pensamento: “Tenho 29 anos de serviço público e sou também escritor. Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente, é um sistema anti-humano e anticristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem. O projeto megapolítico significa abrir-se para a presença de Deus na política”.
P.S. 2 – Como se vê, trata-se de um embaixador de criatividade invulgar, só comparável à de Dilma Rousseff, aquela que sonhava em estocar vento, era alucinada com a mandioca e via um cachorro atrás de cada criança. Bolsonaro precisa se livrar desse chanceler o mais rápido possível, porque as “teorias” dele já estão correndo o mundo, desmoralizando a diplomacia brasileira e o próprio país(C.N.)

Ao escolher Bebianno, Bolsonaro começa a montar o núcleo duro do Planalto


Bebianno se apresentou a Bolsonaro como um fã
Talita Fernandes e
Gabriela Sá Pessoa
Folha
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, escolheu o advogado e ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Bebianno é um dos principais aliados de Bolsonaro e foi o responsável por negociar a filiação do eleito ao PSL. Ele é também o primeiro nome da legenda indicado para ocupar um ministério.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, dia 21, em Brasília, após reunião de Bolsonaro com toda a equipe do governo de transição. Ficarão a cargo de Bebianno, a exemplo do modo como é hoje, a Secom (Secretaria de Comunicação), o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) e a EPL (Empresa de Planejamento e Logística). “Ter participado de toda a campanha já foi um privilégio para mim e agora é uma honra receber mais essa responsabilidade, olhando e trabalhando para o Brasil”, disse o futuro chefe da Secretaria-Geral.
ANÚNCIO – Segundo ele, uma de suas principais atribuições será acompanhar o trabalho de todo o governo por meio da modernização do Estado. “Então o nosso interesse é que o contribuinte, pagador de impostos, e a população brasileira sejam bem atendidos em tudo aquilo que o governo tem a oferecer em termos de serviços e até produtos”, disse. A escolha de Bebianno foi anunciada pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após reunião no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde funciona o gabinete de transição.
“Foi um dos coordenadores da campanha presidencial. Um homem que está extremamente preparado e é de absoluta confiança do presidente da República para administrar essa importante pasta”, disse Onyx. Bebianno, cujo ministério abriga a Secom, disse que o futuro governo ainda não tem um nome definido para a secretaria.  “Não. Alguns nomes estão sendo estudados. O filho do presidente, Carlos Bolsonaro, é uma pessoa que sempre esteve à frente dessa comunicação. Desenvolveu um trabalho brilhante”, disse, em referência a um dos filhos do eleito, responsável pela estratégia das redes sociais durante a campanha.
“E talvez, sem ele, a campanha não tivesse se desenvolvido tão bem. Aliás, é um trabalho que já se desenvolve há muitos anos, até bastante antes da pré-campanha. Então isso será discutido ainda com ele, com o presidente, e esse nome será encontrado”, disse.
Apesar dos elogios, ao longo da corrida presidencial, Bebianno foi criticado pelos filhos de Bolsonaro indiretamente pelas redes sociais.
NEGOCIAÇÃO –  O futuro ministro disse que não há uma definição sobre se Carlos permanecerá em Brasília auxiliando o pai. Ele é vereador no Rio de Janeiro, mas está licenciado desde agosto do cargo. Bebianno se aproximou de Bolsonaro em 2017 e, em janeiro deste ano, assumiu a presidência do PSL. Ele foi um dos responsáveis por negociar a filiação do eleito à legenda, que antes negociava migrar para o PEN, hoje rebatizado de Patriota.
O advogado atuou como uma espécie de “faz-tudo” durante a campanha: controlou a arrecadação e os gastos, a definição de estratégias jurídicas, a agenda e até o contato com a imprensa.
Ele se apresentou a Bolsonaro como um fã, dizendo que sua motivação em apoiá-lo era seu nacionalismo. O advogado chegou a prometer que deixaria o Brasil caso Bolsonaro não fosse eleito.
Antes de se aproximar do presidenciável, Bebianno trabalhou em um dos maiores escritórios de advocacia do país, o de Sergio Bermudes, com sede no Rio de Janeiro. Bebianno é fluminense e morou a vida toda no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio, dedicando-se à advocacia e às lutas de jiu-jítsu.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bebianno levou praticamente dois anos para ganhar a confiança de Bolsonaro, a quem chama até hoje de “capitão”. Além dos filhos do presidente eleito, Bebianno foi um dos poucos a ser autorizado a permanecer na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, durante a recuperação de Bolsonaro. Na época, chegou a se mudar provisoriamente do Leblon para um hotel em São Paulo. A primeira tentativa de aproximação com Bolsonaro foi em 2015, quando Bebianno enviou um inbox pelo Facebook para Carlos Bolsonaro, o “02”, pedindo providências contra um decreto assinado, na época, por Dilma. Não teve retorno. Depois, em 2017, Bebianno se apresentou a Jair e se ofereceu como advogado voluntário para sua pré-campanha. A oferta não foi aceita de início. Bebianno, não desistiu. Cercou Bolsonaro em eventos e começou a “encantá-lo” enumerando problemas em sua defesa em casos no STF, sobretudo em relação ao caso envolvendo a deputada Maria do Rosário. Ganhou confiança e passou a participar das reuniões na casa da Barra da Tijuca. Daí pra frente, cresceu no conceito do ex-capitão, virou uma espécie de pau pra toda obra e fiel escudeiro. A “perseverança” rendeu frutos. Nomeado, provavelmente não dormirá pelos próximos dias tamanha a satisfação. (M.C.)

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