sexta-feira, junho 20, 2025

Ações na Tríplice Fronteira envolvem até o Hezbollah e a facção PCC

 


A Polícia Federal prendeu em novembro de 2023 três pessoas que teriam  ligações com o grupo libanês Hezbollah Há anos, autoridades brasileiras  investigam possível ligação do Hezbollah com PCC na Tríplice Fronteira:Allan Santos
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O que parecia há uma década apenas uma hipótese levantada por analistas de contraterrorismo internacionais hoje se confirma com força e consistência: o grupo terrorista libanês Hezbollah e a facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) estabeleceram uma aliança funcional na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

A relação envolve não apenas logística de contrabando e tráfico de entorpecentes, mas também proteção carcerária, financiamento do terrorismo e fornecimento de armas com possível origem iraniana.

COISA ANTIGA – Nos últimos meses, documentos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, de agências de segurança dos Estados Unidos e de organismos internacionais como a Fundação para a Defesa das Democracias (FDD) vieram a público para confirmar o que já era conhecido nos bastidores da inteligência: o Hezbollah opera no Brasil desde os anos 1980, infiltrado na comunidade libanesa de Foz do Iguaçu, e desde os anos 2000 mantém vínculos comerciais e logísticos com o PCC.

Segundo matéria publicada pela Gazeta do Povo, o Hezbollah já atua no contrabando de cigarros, tráfico de armas e movimentação de cocaína para fora do Brasil. A reportagem afirma:

“Para intensificar suas ações criminosas, o Hezbollah começou a fazer parcerias com facções criminosas brasileiras a partir dos anos 2000”.

TUDO DOMINADO – O grupo utiliza rotas dominadas pelo PCC para enviar drogas aos portos de Santos e Paranaguá e, em contrapartida, fornece armas leves de origem estrangeira, além de oferecer contatos logísticos no Oriente Médio e África.

Em 2023, a Operação Trapiche da Polícia Federal desarticulou uma célula do Hezbollah com atuação direta em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os presos estavam mapeando sinagogas e centros judaicos, e buscavam recrutar brasileiros para uma rede terrorista.

Embora o governo brasileiro tenha se recusado a classificar oficialmente o Hezbollah como organização terrorista, o Ministério Público Federal confirmou que as movimentações financeiras investigadas envolviam recursos destinados ao Líbano.

PRISÃO DE TERRORISTAS – Além disso, a Operação Sem Fronteiras, realizada em 2020 com cooperação de autoridades da Argentina, Paraguai, Chile, EUA e Romênia, resultou na prisão e extradição de três membros do Hezbollah acusados de financiar o grupo com dinheiro proveniente do tráfico de cocaína.

“O Hezbollah precisa do PCC para operar no Brasil. E o PCC se beneficia da rede internacional e do acesso a armas que o Hezbollah possui. Essa é uma aliança pragmática, mas com implicações estratégicas graves para a segurança nacional”, afirma o delegado da PF Marco Smith, citado pela Gazeta.

A Lei Antiterrorismo de 2016 (Lei nº 13.260) não tem sido aplicada nesses casos. Segundo o pesquisador Diorgeres de Assis Victório, a legislação é tecnicamente falha e insuficiente para enquadrar casos de terrorismo não motivados por xenofobia ou preconceito étnico-religioso — o que, na prática, torna o Brasil um país permissivo para operações encobertas.

FALTA O BRASIL – Enquanto Argentina e Paraguai já classificam formalmente o Hezbollah como organização terrorista, o Brasil continua sem posicionamento claro. O silêncio do Ministério da Justiça e Segurança Pública diante da crescente presença do Hezbollah no Cone Sul e dos alertas da inteligência internacional reforça o temor de que o país esteja se tornando um elo vulnerável na arquitetura da segurança ocidental.

OUTRO RISCO -Mais grave ainda é a possibilidade — levantada por fontes da comunidade de inteligência americana — de que, com a morte do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em ataque aéreo israelense em setembro de 2024, sobreviventes da cúpula terrorista busquem refúgio em território latino-americano.

Autoridades de segurança da Argentina e do Paraguai já elevaram o nível de alerta. O Brasil, por ora, permanece em silêncio.

Não se trata de uma conspiração. Trata-se de uma realidade documentada. A Tríplice Fronteira tornou-se um dos centros de financiamento do terrorismo internacional e o Estado brasileiro, por conveniência ideológica ou fragilidade institucional, permanece omisso.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

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