sexta-feira, junho 27, 2025

Brasil de Lula sempre “pega leve” com governos corruptos e tirânicos


Charge Zé Dassilva: Lula e a Venezuela - NSC Total

Charge Zé Dassilva (NSC Total)

Fabiano Lana
Estadão

Como já era previsível, mas sem qualquer repercussão efetiva no cenário internacional, o presidente Lula condenou o ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã, ao reproduzir a nota do Ministério das Relações Exteriores sobre o tema. Alegou violação da soberania, do direito internacional e transgressão à Carta das Nações Unidas.

O problema é que quando a lei se volta contra amigos, como ocorreu na Rússia, na Argentina e no Peru, o governo tem um comportamento diferente e deixa a formalidade de lado para defender os seus.

ALIADO DE PUTIN – A Ucrânia, por exemplo, foi invadida pelo exército de Vladimir Putin em 2022. O presidente Lula tem tido um papel praticamente de aliado dos russos. Seja por declarações típicas de mesa de bar como, “quando um não quer dois não brigam”, ou mesmo com a infame presença na Praça Vermelha, no dia 8/5, em evento com ditadores por todos os lados a celebrar a força militar de Putin, sob o argumento cínico de que se comemoravam os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Outro caso de incongruência com relação à lei. Na Argentina, a Justiça condenou a ex-presidente Cristina Kirchner, por favorecimento indevido a empresários, ou seja, por corrupção. O presidente Lula prestou solidariedade para a condenada. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, considerou a sentença “uma grave ameaça para as liberdades políticas na Argentina”.

Houve, também, o caso no Peru, onde a ex-primeira-dama, Nadine Heredia, foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Teria recebido recursos indevidos da construtora brasileira Odebrecht e do governo do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. Ganhou não só asilo diplomático brasileiro, como chegou a Brasília em um avião da Força Aérea Brasileira.

PODE TER FORRA – A contradição nesses casos do continente não é só internacional, mas também local, pois as dará margem a que outros países critiquem uma provável condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

“Acabou a ordem mundial”, disse, de maneira veemente, o conselheiro internacional de Lula, Celso Amorin, sem lidar com as próprias contradições. Há cerca de 20 anos, o Brasil tentou mediar um acordo nuclear com o Irã, que foi negado pelos EUA e pela Europa.

Eram tempos de mais megalomania e Lula até sonhava com o Nobel da Paz. Hoje, ao Brasil, carta fora do baralho, resta acompanhar os desdobramentos como espectador perplexo.

TRABALHO SUJO – Mesmo com a convicção mal disfarçada de que Israel faz o “trabalho sujo” ao acuar o regime teocrático iraniano, a comunidade internacional também reprovou as ações de Trump. Faz sentido a ambiguidade. O caso do Irã é extremamente complexo para ser definido em sentenças simples.

Se a teocracia estava construindo a bomba de maneira clandestina, driblando as agências internacionais, e não aceita a existência de Israel, qual a saída tomar? Insistir na diplomacia? Apelar para a força? Não fazer nada?

Vale falar em autodeterminação dos povos quando um governo reprime oposição, mulheres, LGBT de maneira violenta? As respostas divergem a partir da ideologia de cada um.

LEMAS DE TRUMP – Os Estados Unidos, por outro lado, contam com um líder, Donald Trump, que tem como lemas “atacar sempre”, “proclamar vitória sempre” e “moldar a realidade conforme sua vontade” (assistam ao excepcional filme “O Aprendiz”, nos streamings).

Israel, por outro lado, se de fato há décadas sofre ataques terroristas por milícias armadas pelo Irã, como o libanês Hezbollah, por outro loteia indevidamente áreas pertencentes aos palestinos, como na Cisjordânia. E, para comoção mundial, tem destruído impiedosamente Gaza, com a morte de milhares de inocentes, para se livrar do Hamas (que também é financiado pelo Irã).

Nessa situação, sem respostas simples, o que faz o Brasil? Age conforme princípios? Não. Pesa a mão no antiamericanismo e costuma passar pano para os “companheiros” internacionais. O problema é que os amigos que o Brasil resolve pegar leve, em sua maioria, são regimes autocráticos (Rússia e Venezuela), teocracias como Irã, ou condenados por corrupção em seus países de origem.


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