domingo, junho 29, 2025

O Câncer das Emendas Parlamentares e a Disparidade que Assola o Brasil


As emendas parlamentares, que deveriam ser um instrumento para aprimorar a distribuição de recursos e atender a demandas regionais, se transformaram em uma verdadeira epidemia de descontrole e opacidade, causando um mal profundo ao Brasil. Para entender a dimensão desse problema, não é preciso ir longe. A análise da distribuição desses recursos na região de Jeremoabo e Coronel João Sá é um exemplo gritante da distorção que impera.

Conforme o exemplo citado pelo professor Marcelo, Coronel João Sá, um município de menor porte, recebeu impressionantes R$ 12,5 milhões em emendas parlamentares entre 2021 e 2024. Em contrapartida, Jeremoabo, um município significativamente maior, não chegou a receber R$ 5 milhões no mesmo período. A disparidade é estarrecedora.

Ao analisar todas as cidades da região, fica evidente que o montante destinado a Coronel João Sá é uma anomalia, superando o de municípios de maior expressão e população. O mais grave é que grande parte dessas emendas é liberada sem qualquer tipo de controle eficaz, o que abre as portas para o clientelismo, o favoritismo e a má aplicação do dinheiro público.

Essa distribuição desigual e arbitrária de recursos levanta questionamentos fundamentais: Que país é esse? Onde iremos chegar? A ausência de critérios técnicos e de transparência na alocação de verbas públicas permite que o poder de apadrinhamento político se sobreponha às necessidades reais da população. Isso alimenta um ciclo vicioso de desigualdade, onde o acesso a verbas não depende do tamanho da população ou da gravidade dos problemas, mas da influência política de seus representantes.

A notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando esses supostos desmandos é, por isso, um alento. É um sinal de que, talvez, a justiça possa intervir para impor um mínimo de racionalidade e controle a um sistema que se tornou um câncer para a democracia. O Brasil precisa de transparência e de uma distribuição de recursos que seja justa e equitativa, baseada em critérios técnicos e nas necessidades da sociedade, não em acordos de bastidores.

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