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A história de um povo é seu alicerce. Ela é construída com fatos, documentos e memórias que resistem ao tempo. Em Jeremoabo, na Bahia, essa história tem datas marcadas: 25 de outubro de 1831, quando a localidade foi elevada à condição de vila, e, principalmente, 6 de julho de 1925, quando conquistou o status de cidade. Essas datas não são meras referências no calendário; elas representam marcos políticos e sociais que definiram o município tal como o conhecemos hoje.
Recentemente, a tentativa de alterar a data oficial da emancipação política de Jeremoabo gerou uma onda de controvérsias e indignação. Propostas como essa, que buscam reescrever o passado sem o devido embasamento legal e histórico, são, no mínimo, preocupantes. O questionamento levantado não se baseia em achismos, mas em uma investigação minuciosa de fontes históricas sólidas: documentos do período imperial, constituições, leis, decretos e jornais da época. Esses registros não mentem. Eles atestam a veracidade dos fatos e a importância de cada passo dado na trajetória de Jeremoabo.
A elevação de uma vila a cidade era um ato formal, repleto de significado. Em 1925, Jeremoabo foi reconhecida oficialmente como cidade, um marco de seu desenvolvimento e sua relevância. Mudar essa data, sem qualquer amparo legal ou histórico, seria um ato de profundo desrespeito àqueles que construíram o município e à própria memória de sua gente.
A aventura de reescrever a história local para satisfazer interesses desconhecidos ou passageiros é uma atitude perigosa. Ela abre precedentes para que outros marcos históricos sejam questionados e alterados, fragilizando a identidade cultural e a coesão social. A história não é um produto que pode ser ajustado conforme a conveniência. Ela deve ser preservada e honrada.
Acredito, como você, que a maioria dos vereadores de Jeremoabo, ao ponderar sobre os fatos e a robustez das fontes históricas, não embarcará nessa empreitada. A responsabilidade de um representante do povo é zelar pelo patrimônio, incluindo o histórico. Mudar a data de emancipação seria tão descabido quanto a lamentável alteração do nome das Escolas Reunidas Coronel João Sá. É tempo de valorizar a história, não de apagá-la.
Que a verdade prevaleça e que a data de 6 de julho de 1925 continue a ser celebrada com o orgulho e o respeito que ela merece.