domingo, junho 29, 2025

Presidencialismo de coalizão morreu e ainda não surgiu nada para substituí-lo

Publicado em 29 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Supremo e Congresso estão disputando o posto de  “poder decisório”

Charge do J.Caesar

Hélio Schwartsman
Folha

Para não passar recibo de vencido, o governo Lula precisa fingir que tem opções para reagir às derrotas que sofreu no Congresso. A verdade, porém, é que a administração está mais ou menos limitada a uma reação retórica, insistindo num discurso eleitoreiro de defesa de pobres contra ricos. É que, se Lula decidir peitar o centrão, perde. E ele sabe disso.

Até não muito tempo atrás, partidos mais dados à fisiologia precisavam apostar no cavalo certo para ampliar seu poder. Quem se aliasse antes ao candidato que venceria a eleição presidencial teria mais acesso a cargos e verbas.

AGORA, TUDO MUDOU – Não é mais assim. Agora, o centrão pode se dar ao luxo de não apoiar ninguém no pleito para o Executivo — ou mesmo opor-se a todos — e esperar que o vencedor tome posse e peça socorro ao bloco. Qualquer governo depende do centrão para sobreviver.

Basta ver que, em 2022, Lula venceu com uma coalizão composta exclusivamente por siglas de esquerda. A base que nominalmente o apoia hoje formou-se após o pleito.

Em 2018, Bolsonaro ganhou com um discurso francamente hostil ao centrão. O leitor se lembrará do general, ex-ministro e agora réu Augusto Heleno entoando uma paródia musical que equiparava os parlamentares do bloco a ladrões. Mas o Bolsonaro que governaria em contato direto com o povo precisou tão desesperadamente do centrão que teve de entregar-lhe o orçamento secreto.

NADA DE NOVO… – A correlação de forças entre Executivo e Legislativo mudou. O velho presidencialismo de coalizão morreu, mas ainda não surgiu algo para substituí-lo.

O atual arranjo em que o centrão manda e desmanda não é estável no longo prazo. Órgãos coletivos tendem a ser péssimos zeladores de contas públicas. Sem uma arrumação, virá uma crise fiscal que forçará mudanças.

O trágico é que os principais atores anteveem esse cenário, mas não têm incentivos para mudar seu comportamento. Em português popular, é a sinuca de bico. Em linguagem mais técnica, é um equilíbrio de Nash de baixa eficiência. Não importa qual termo você prefira, passaremos por apertos.

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