Publicado em 5 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Não se sabe se Lula realmente está entendendo essa situação
William Waack
Estadão
Um pedaço da onda disruptiva de 2018 ainda atuou em 2022. Sobretudo o temor de uma vitória na corrida presidencial do PT em primeiro turno “mobilizou” um voto importante para o bolsonarismo na reta final da eleição.
Não se pode perder de vista o regionalismo na política brasileira, e ele atuou com força no domingo. Especialmente nos principais colégios eleitorais.
HOUVE SURPRESAS – No Nordeste, onde a vantagem geral do PT nunca foi colocada em dúvida, o que as urnas produziram estava bem dentro das previsões.
Os principais “desequilíbrios” vieram de São Paulo e Rio, pois o Sul também se comportou dentro do esperado. Inclusive com a desmontagem do PSDB, um fenômeno de proporções nacionais e que vem na esteira de uma longa decadência.
O que o tucanato significou de contraponto e antagonismo ao petismo, no plano do embate político “intelectual”, foi substituído agora por uma tendência conservadora mal definida mas que possui raízes sociais e regionais importantíssimas.
MAIS VULNERÁVEL – Lula continua o favorito para vencer o segundo turno, mas ainda que o favoritismo nas pesquisas se confirme, a disputa será bem mais difícil do que ele e o PT antecipavam. E o governo, mais difícil ainda.
Há dúvidas sinceras se Lula entendeu o quanto a posição do chefe do Executivo se tornou mais vulnerável. E quanto a agitação petista em círculos intelectuais e artísticos está longe da realidade.
O Brasil mudou bastante nos últimos 20 anos. Mesmo se for eleito, Lula ainda parece lutando a guerra de ontem.