quinta-feira, outubro 20, 2022

Ala do Congresso defende maior transparência, mas não aceita extinção do orçamento secreto

Publicado em 20 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Ilustração do Maure (Correio Braziliense)

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

A operação da Polícia Federal (PF) que mira as cidades contempladas pelas emendas de relator, apelidadas de orçamento secreto, está sendo acompanhada com uma lupa por congressistas que defendem o controle dos recursos pelo Parlamento. A ideia é tornar transparente, deixar que quem tiver desviado dinheiro “se quebre”.

Porém, jamais abrir mão da prerrogativa de destinar verbas para o que considerar prioridade — até mesmo com uma emenda constitucional para tornar essas emendas de relator impositivas.

SEM USUÁRIO EXTERNO – A ideia de transformar as emendas em impositivas virá acoplada a um discurso de tornar essas propostas mais transparentes, acabando, inclusive, com o tal “usuário externo” — ou seja, instituições ou pessoas que não são parlamentares e acabam sugerindo emendas ao relator.

Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, já é obrigado a informar o autor de cada pedido.

A expectativa dos deputados é de que isso ajude a convencer a população de que os desvios são isolados. Mas a ideia dos parlamentares atuais em relação ao que foi feito no tempo dos Anões no Orçamento é muito mais ousada.

A TRANCA ESTÁ FROUXA… – Depois da série de deputados cassados ou “renunciados”, em 1993 e 1994, houve limite no número de emendas que cada um podia apresentar, e também de valores. Agora, para alguns, o céu é o limite… enquanto os controles demoram a ser implantados.

Ao longo do tempo, esses valores aumentaram e a fechadura quebrou. Veio o orçamento impositivo para as emendas individuais, para as de bancadas, para as de comissões e, agora, o orçamento secreto — que não é de liberação obrigatória.

A avaliação de técnicos dedicados ao trabalho de apuração é a de que essa investigação no Maranhão e no Piauí, que resultou em duas pessoas presas, é apenas uma pontinha do que vem por aí.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O fato concreto é que o Brasil está experimentando um novo tipo de democracia em que Supremo e Legislativo usurpam poderes do Executivo, como tem ficado explícito nas discussões sobre excessos do Judiciário e do Legislativo. E isso está acontecendo paralelamente à trama para o Congresso aprovar o semipresidencialismo, liderada por Arthur Lira, presidente da Câmara. (C.N.)

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