Publicado em 13 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (O Tempo)
Carlos Newton
Nada como um ano eleitoral… Há um ditado conhecido na política que diz o seguinte: “Se houvesse eleição todo ano, não existiria mais miséria no Brasil”. A mensagem continua cada vez mais válida, porque em ano eleitoral os governantes abrem o baú de bondades, dão reajustes de salários, ampliam os programas sociais e se preocupam com os menos favorecidos.
Quando a eleição é municipal, o quadro é um pouco diferente, mas os melhoramentos no SUS e a distribuição de material de construção e cestas básicas sempre representam um alívio para a população mais carente. Diante dessa realidade, portanto, seria interessante se houvesse eleição todo ano.
COMPRAR VOTOS? – Os observadores mais puristas podem ficar revoltados quando alguém chama atenção para essa prática, pois significa estar instalada neste país uma verdadeira indústria especializada em compra de votos. E isso verdadeiramente existe, podem reclamar à vontade.
O auxílio de 400 reais que o governo federal destina aos mais pobres, como novo Bolsa Família, faz parte desse esquema eleitoral, assim como o vale-gás e os cartões municipais de crédito do tipo existente em Maricá, no litoral do Rio de Janeiro, que beneficia 42 mil moradores (25% da população) com 170 reais, para serem gastos em 12 mil estabelecimentos comerciais credenciados.
Não deveria ser assim, é claro, pois há propósito eleitoral desses kits bondades. Mas não se pode reclamar quando os recursos públicos são usados justamente para amparar quem mais precisa.
HÁ SOLUÇÕES – Quem critica essa realidade assistencialista brasileira, que tão cedo não sofrerá transformação, certamente sabe que existem outras maneiras de fazer progredir as classes menos favorecidas.
A primeira delas é a proteção universal à saúde, com aprimoramento do SUS, para que todos os cidadãos possam ser iguais no direito à vida, pois uma das maiores distorções existentes são os planos de saúde, que diferenciam os cidadãos de uma maneira desumana, reconheçamos, e na matriz U.S.A. a situação é a mesma.
Outra providência deve ser o aperfeiçoamento do ensino público, com a disseminação dos CIEPs criados por Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer. Sem educação de qualidade, o desenvolvimento humano não avança, é um fato que não admite contestação.
INDUSTRIALIZAÇÃO – A terceira prioridade é o apoio à industrialização, melhor maneira de criar empregos em quantidade e qualidade. Esta era a grande meta desenvolvimentista que no Brasil passou a ser implantada pelo BNDES desde a era de Getúlio Vargas.
Infelizmente, porém, a partir da demissão do economista Carlos Lessa em 2004, no governo Lula, por ter criticado o corruptíssimo Antonio Palocci, o BNDES naufragou e não há mais política industrial no Brasil.
Ao deixar o cargo, Lessa avisou que seu substituto, Guido Mantega, era “um brasileiro com b minúsculo” e a economia teria “um voo de galinha”. Não deu outra. A política desenvolvimentista implantada no BNDES por Lessa e seu vice-presidente Darc Costa foi sendo abandonada progressivamente, até chegarmos a esse elevado estágio de desindustrialização. Mas quem se interessa?
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P.S. – Em sua live de quinta-feira passada, Bolsonaro acordou, disse que os lucros registrados recentemente pela Petrobras “são um estupro”, pois beneficiam estrangeiros e “quem paga a conta é a população brasileira”. E logo veio a resposta – um aumento de 8,87% no diesel, desmoralizando Bolsonaro. Aliás, o presidente esqueceu de dizer que a culpa é exclusivamente sua. Se tivesse nomeado para a Petrobras um brasileiro com B maiúsculo, tipo Carlos Lessa ou Darc Costa, a estatal já teria revogado essa maldita política de preços, jamais praticada até 2016, quando o tucano americanófilo Pedro Parente assumiu a Petrobras. Hoje o Brasil teria uma inflação inferior à dos EUA, e Bolsonaro estaria praticamente reeleito… Apenas isso. (C.N.)