quinta-feira, maio 12, 2022

Para ganhar eleição de governador, é preciso conhecer os rincões sem exibir preconceitos

Publicado em 11 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Paulo Branco
Blog do Limongi

A vitória para os governos dos estados passa por lugares em que certos progressistas não vão. Há de se caminhar pelos rincões, dialogar com as diferenças – mesmo que elas sejam muitas – e ganhar a maioria. E a maioria nem sempre está na capital e fala a mesma língua.

É difícil. Mas se não há apoio dos meios de comunicação e da máquina pública, não há outro caminho. A história nos mostra que, quem não se atreve a este movimento amplo, não chega ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio de Janeiro.

FALTA REBOLADO – Marcelo Freixo entendeu parte da missão. Mudou de partido para ampliar o leque de diálogo, mas mantém-se fisicamente na nata. Descolou-se, em parte, do moralismo, mas não incorporou o rebolado. Sem contar a dificuldade de transformar sua imagem em algo palatável ao cidadão comum. Falta-lhe o berro, assim como a gesticulação que toca acidentalmente na lâmpada e o sorriso virtuoso. E a virtude, diga-se de passagem, não se compatibiliza com a cara amarrada. 

Se por um lado Freixo ganha com apoio de Lula, por outro, perde, já que se afasta do perfil “Rede Globo”. Nisso, há um aspecto fundamental: o candidato desalinha-se da própria natureza progressista com contornos liberais. E natureza é natureza. Ruim é contrariá-la. Sem contar que só o apoio de Lula não basta.

Marcelo Freixo esbarra numa adesão macambúzica de alguns dirigentes petistas. E isso tem explicação. Além dos traços elitistas de Freixo, há uma ligação histórica e compatibilidade programática entre certos dirigentes do Partido dos Trabalhadores e o candidato do PDT, Rodrigo Neves.    

OS CONCORRENTES – Rodrigo Neves tem amplitude, foi prefeito de Niterói, com boa experiência e avaliação no executivo, além de jogo de cintura para se relacionar com as diferenças. Sempre esteve ao lado do PT, inclusive, durante e enquanto vítima de perseguição da Lava Jato.

O candidato perde sem o apoio de Lula e isso dificulta, parcialmente, a adesão direta e entusiasmada de figuras com entrada no interior e na baixada como os petistas André Ceciliano e Washington Quaquá. Gostem ou não, ambos são dois trunfos para a mudança.  

Outro candidato é Felipe Santa Cruz, ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, que concorre pelo PSD, com apoio do prefeito carioca Eduardo Paes, e tem poucas chances de vitória.

DONO DA MÁQUINA – Correndo por fora e com a máquina na mão, está o governador Claudio Castro. Bom articulador, pouco falador – o dono da máquina não precisa berrar – e ciente de que, mesmo na pior, muitas vezes, o povo prefere conservar, o atual governador opera na mesma lógica dos seus antecessores.

Tem penetração nos meios religiosos e no interior; discursa com veemência sobre o catártico tema segurança pública e, mesmo sem intenção de mudança profunda, sabe fazer política e dividir o quinhão. Sem contar a fartura oriunda da venda da Cedae. 

Com Marcelo Freixo, de agenda seletiva e pontes inacabadas para esquerda e para centro-direita, e Rodrigo Neves, sem combustível para fazer todo percurso, a chance do Rio de Janeiro continuar amargando é grande.   

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