Publicado em 11 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)
Paulo Branco
Blog do Limongi
A vitória para os governos dos estados passa por lugares em que certos progressistas não vão. Há de se caminhar pelos rincões, dialogar com as diferenças – mesmo que elas sejam muitas – e ganhar a maioria. E a maioria nem sempre está na capital e fala a mesma língua.
É difícil. Mas se não há apoio dos meios de comunicação e da máquina pública, não há outro caminho. A história nos mostra que, quem não se atreve a este movimento amplo, não chega ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual do Rio de Janeiro.
FALTA REBOLADO – Marcelo Freixo entendeu parte da missão. Mudou de partido para ampliar o leque de diálogo, mas mantém-se fisicamente na nata. Descolou-se, em parte, do moralismo, mas não incorporou o rebolado. Sem contar a dificuldade de transformar sua imagem em algo palatável ao cidadão comum. Falta-lhe o berro, assim como a gesticulação que toca acidentalmente na lâmpada e o sorriso virtuoso. E a virtude, diga-se de passagem, não se compatibiliza com a cara amarrada.
Se por um lado Freixo ganha com apoio de Lula, por outro, perde, já que se afasta do perfil “Rede Globo”. Nisso, há um aspecto fundamental: o candidato desalinha-se da própria natureza progressista com contornos liberais. E natureza é natureza. Ruim é contrariá-la. Sem contar que só o apoio de Lula não basta.
Marcelo Freixo esbarra numa adesão macambúzica de alguns dirigentes petistas. E isso tem explicação. Além dos traços elitistas de Freixo, há uma ligação histórica e compatibilidade programática entre certos dirigentes do Partido dos Trabalhadores e o candidato do PDT, Rodrigo Neves.
OS CONCORRENTES – Rodrigo Neves tem amplitude, foi prefeito de Niterói, com boa experiência e avaliação no executivo, além de jogo de cintura para se relacionar com as diferenças. Sempre esteve ao lado do PT, inclusive, durante e enquanto vítima de perseguição da Lava Jato.
O candidato perde sem o apoio de Lula e isso dificulta, parcialmente, a adesão direta e entusiasmada de figuras com entrada no interior e na baixada como os petistas André Ceciliano e Washington Quaquá. Gostem ou não, ambos são dois trunfos para a mudança.
Outro candidato é Felipe Santa Cruz, ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, que concorre pelo PSD, com apoio do prefeito carioca Eduardo Paes, e tem poucas chances de vitória.
DONO DA MÁQUINA – Correndo por fora e com a máquina na mão, está o governador Claudio Castro. Bom articulador, pouco falador – o dono da máquina não precisa berrar – e ciente de que, mesmo na pior, muitas vezes, o povo prefere conservar, o atual governador opera na mesma lógica dos seus antecessores.
Tem penetração nos meios religiosos e no interior; discursa com veemência sobre o catártico tema segurança pública e, mesmo sem intenção de mudança profunda, sabe fazer política e dividir o quinhão. Sem contar a fartura oriunda da venda da Cedae.
Com Marcelo Freixo, de agenda seletiva e pontes inacabadas para esquerda e para centro-direita, e Rodrigo Neves, sem combustível para fazer todo percurso, a chance do Rio de Janeiro continuar amargando é grande.