Publicado em 10 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Brum (twitter.com)
Pedro do Coutto
O salário mínimo, e na verdade todos os demais salários, estão sendo diminuídos no Brasil, consequência da perda dos reajustes para a inflação do IBGE dentro da política traçada pelo ministro Paulo Guedes e colocada em prática pelo presidente Jair Bolsonaro.
Cássia Almeida e Thais Coneco, O Globo desta segunda-feira, focalizam as perdas do salário mínimo, do qual todos os demais salários são múltiplos na medida em que o reajuste estabelecido por Bolsonaro para janeiro de 2023 não leva em consideração o ritmo inflacionário dos últimos 12 meses.
PERDA SUBSTANCIAL – Um levantamento Tullett Prebon avalia que a perda será de 1,7%, caso a inflação não acelere ainda mais. A previsão da velocidade inflacionária consta de estudo do próprio Banco Central. O piso salarial que hoje é de R$ 1213, não compensada a inflação dos últimos 12 meses, cairá em números reais para R$ 1193. Uma perda substancial, sobretudo porque toda vez que o salário é reajustado, no dia seguinte ele volta a perder para o ritmo inflacionário.
Um estudo da Consultoria Tendências acentua o universo das perdas, revelando que 64% das aposentadorias e pensões do INSS são de apenas um salário mínimo. O problema dos aposentados é ainda pior do que os assalariados em geral, pois na maioria dos casos não conseguem outra ocupação nem mesmo no mercado informal.
Assim está o panorama social do país expresso nos dados das duas consultorias e sobretudo nos dados da realidade focalizada com firmeza na reportagem citada. O quadro social brasileiro é muito ruim.
REFORMA AGRÁRIA – Na edição de ontem da Folha de S. Paulo, Ranier Bragon e Marianna Holanda, após longa pesquisa, considerando apenas o período de Fernando Henrique Cardoso para cá, revelam que a reforma agrária praticamente não sai do papel, limitando-se, como está ocorrendo no governo Bolsonaro, à entrega isolada de títulos de propriedade que não abrange ou mesmo enfrentam o problema estrutural do campo brasileiro.
No período de Castello Branco até o governo Fernando Henrique Cardoso nada foi feito e o problema se agravou. Ao longo de seus dois mandatos na Presidência da República, Lula da Silva conduziu a reforma para 70 milhões de hectares, mas a iniciativa perdeu-se na névoa do tempo.
Movimentos rurais continuam e uma série de decisões estão na dependência de julgamento do Supremo Tribunal Federal. O sistema reformador continua a ser um desafio para as próximas gerações e para o Brasil.
ARTICULAÇÕES – Bianca Gomes e Gustavo Schmitt, O Globo, focalizam o posicionamento de candidatos a governos estaduais, como é o caso de ACM Neto na Bahia e Romeu Zuma em Minas Gerais, de tentarem se manter isentos, não apoiando nem Lula e nem Bolsonaro nas urnas de outubro.
Há outros governadores tentando assumir essa posição. Acredito que não vão conseguir, pois na medida em que se aproximam as urnas, as posições serão exigidas pelo eleitorado na hora de votar.