
Ilustração de Kleber Sales (Estadão)
Deu no Estadão
O governo do americano Joe Biden acenou com a possibilidade da primeira reunião bilateral com Jair Bolsonaro durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles, entre 6 e 10 de junho. Até hoje, os dois presidentes só trocaram cartas, em tom protocolar.
Bolsonaro, que torceu pela eleição de Donald Trump, levou dias para cumprimentar o democrata após sua vitória. Diplomatas de alto escalão dos EUA avisaram ao Itamaraty que, se Bolsonaro comparecer à cúpula, há chance de um encontro, algo que poderia ser explorado politicamente por ambos.
SEM DECISÃO – Bolsonaro conseguiria um verniz externo, e o americano um sinal de que o governo brasileiro não aprofundaria a relação com o russo Vladimir Putin.
Bolsonaro ainda não bateu o martelo sobre a viagem a Los Angeles. O Itamaraty entende que o diálogo entre os presidentes seria proveitoso para quebrar o gelo. Diplomatas brasileiros e americanos em Brasília, Washington e Califórnia trabalham nos preparativos.
Ninguém duvida, porém, que Bolsonaro possa desprezar o encontro só para fazer média com seu eleitorado mais fiel, identificado com Trump. A Cúpula das Américas é o maior evento de política externa de Biden para a região e vai tratar de ameaças à democracia.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se o tema principal do evento são as ameaças à democracia, Bolsonaro não poderá faltar, porque sua participação será importantíssima. Em matéria de ameaças à democracia, desde que era capitão, na década de 80, ele já era considerado um dos maiores especialistas do mundo nessa questão. Tem direitos adquiridos, portanto. (C.N.)