quinta-feira, maio 12, 2022

História: Sergipe del Rey na visão de Maurício de Nassau há 375 anos

 em 12 maio, 2022 4:04

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

                “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

O blog publica, hoje, parte do relatório do Conde Mauricio de Nassau – militar alemão que ficou conhecido por ter sido enviado pela Companhia das Índias Ocidentais para administrar a colônia holandesa no Nordeste de janeiro de 1637 a maio de 1644 – onde ele registra o que era Sergipe del Rey, naquele período, na visão dele.
O relatório está no livro “História dos feitos recente praticados durante oito anos no Brasil” (1ª edição 1647 em Amsterdã, ou seja são 375 anos), escrita por Gaspar Barléu nome aportuguesado do historiador holandês Caspar Van Baerle, publicado em 1940 pela editora da USP em parceria com o Ministério da Educação.

Para quem gosta de história e para os sergipanos é um achado que merece uma leitura (como escrito naquele período na tradução de Cláudio Brandão):

“Os limites do Brasil holandês, dilatados pela felicidade das armas, estendem-se dêsde o Rio Real, que separa o Sergipe da capitania da Baía, até o rio Maranhão. O Sergipe, numa extensão litoral de trinta e duas milhas, foi o primeiro anexado ao domínio português por Cristovão de Barros Cardoso, a quem o rei das Espanhas doou, em recompensa de seus serviços, essas mesmas terras entre Sergipe e o rio São Francisco, com direito a vendê-las e repartí-las com os colonos que quisesse, com a condição de fundar alí as colônias dentro do prazo marcado pelo rei. Isto fez com que diversos baianos emigraram atraídos para lá e, decorrido alguns anos, construíram quatro engenhos, pôsto que de menor custo, quarenta currais de gado e uma vilazinha, que contava uns cem fogos. Tudo isto, devastado pelas guerras deixou de si tristes vestígios, sendo dispersados os habitantes e expulsos para a Baía. O gado remanescente coube ao inimigo, a nós ou à voracidade das onças, e a tal ponto se tornou escassa a tomadia dele que raros caçadores o buscam.

Não há esperança de se restituir a esta região a sua antiga prosperidade, senão mandando-se-lhe colonos, e nunca se conseguiriam estes, a não ser com o conceder-se-lhes habitação segura e com o doarem-se-lhes terras e granjas. Calculam mal os que acreditam que o aproveitamento da região pode ser feito pela Companhia e que a criação de gado pode ser promovida pela administração pública, porquanto a região não está resguardada das invasões dos inimigos, é de resultado incerto a pecuária, em razão da extrema economia de moeda na presente quadra. Para defender a província seriam precisas algumas companhias de cavalaria e de infantaria e outros recursos, que se orçam no mínimo em 150.000 florins. Além disso, haveria receio de que a gestão dêsses interêsses despertasse no administrador a cobiça, levando-o a lucro iníquos e a cruéis extorsões contra a população, segundo consta de exemplos recentes. Depois de frequentes análises, verificou-se que nenhum valor teem os minérios que se apanham nas montanhas do Sergipe (chamam-lhes Itoabuohanas). Dizem que foram descobertos êsses minérios durante o govêrno de D. Luiz de Sousa, por uma mameluco Melchior Dias, o qual, lançado casualmente os olhos a umas pedrinhas brilhantes, supôs que encerravam prata. Referido o caso ao rei da Espanha, Sousa, a que êle mandara explorar os montes e desvendar-lhes os segredos, enviou ao seu soberano vãs esperanças e a noticia do trabalho perdido.”

No prefácio do livro, Gaspar Barléu:
“Tu, Sergipe, pões em face de tuas moradas as flamas de Febo, e sozinho quer ser chamado de el Rei.”

Alô Prefeitura de Aracaju A Rua Gervásio Araújo de Souza, na Coroa do Meio, parece uma zona de guerra, de tantos buracos que tem. O interessante é que a Emurb fez o serviço de drenagem e pavimentação há pouco tempo. Alô, PMA, que qualidade de serviço é esta? O Blog tá de olho e vai continuar cobrando.
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