Suécia deve seguir exemplo
Por Anne Kauranen e Jonathan Landay
Hensinque e Kharkiv - A Finlândia disse nesta quinta-feira (12) que será candidata a aderir à aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "sem demora", e a Suécia deve seguir o exemplo. A decisão indica que a invasão da Ucrânia pela Rússia provocará a expansão da aliança, o que o presidente russo, Vladimir Putin, pretendia evitar.
A decisão dos dois países nórdicos de abandonar a neutralidade que mantiveram durante a Guerra Fria seria uma das maiores mudanças na segurança europeia em décadas. O anúncio da Finlândia provocou a ira do Kremlin, que o chamou de ameaça direta à Rússia e ameaçou uma resposta.
Isso ocorre no momento em que a guerra na Ucrânia está atingindo outro ponto de virada, com as forças ucranianas expulsando as tropas russas da região em torno da segunda maior cidade, Kharkiv, o avanço mais rápido desde que forçou a retirada da Rússia da capital e do Nordeste há mais de um mês.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que os finlandeses serão "calorosamente recebidos" e prometeu um processo de adesão "suave e rápido". A adesão finlandesa aumentaria tanto a segurança da Finlândia quanto a da Otan, segundo ele.
A Finlândia e a Suécia são os dois maiores países da União Europeia que ainda não aderiram à Otan. A fronteira de 1.300 quilômetros da Finlândia mais que dobrará a fronteira entre a aliança liderada pelos Estados Unidos e a Rússia, colocando as forças da Otan a algumas horas de carro da periferia norte de São Petersburgo.
"A Finlândia precisa solicitar adesão à Otan sem demora", disseram o presidente Sauli Niinisto e a primeira-ministra Sanna Marin em comunicado conjunto. "Esperamos que as medidas nacionais ainda necessárias para essa decisão sejam tomadas rapidamente nos próximos dias."
Questionado se a adesão da Finlândia à Otan representava ameaça direta à Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Definitivamente. A expansão da Otan não torna nosso continente mais estável e seguro".
"Isso não pode deixar de despertar nossa lamentação e é uma razão para respostas simétricas correspondentes do nosso lado", acrescentou, sem especificar as possíveis respostas. Autoridades russas falaram no passado sobre medidas que incluem a possibilidade de posicionar mísseis com armas nucleares no Mar Báltico.
Questionado na quarta-feira se a Finlândia provocaria a Rússia ao aderir à Otan, Niinisto disse: "Minha resposta seria que [Putin] causou isso. Olhe no espelho".
Cinco diplomatas e autoridades disseram à Reuters que os aliados da Otan esperam que ambos os países sejam membros rapidamente, abrindo caminho para maior presença de tropas na região nórdica para defendê-los durante período de ratificação de um ano.
Putin citou a potencial expansão da Otan como uma das principais razões para a "operação militar especial" de Moscou na Ucrânia, lançada em fevereiro. A Ucrânia há muito procura se juntar à Otan, embora ultimamente tenha se oferecido para aceitar alguma forma de posição neutra como parte das negociações de paz.
Reuters / Agência Brasil
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Líderes da Finlândia defendem adesão à Otan "sem demora"
Presidente e premiê afirmam que ingresso fortaleceria a aliança militar, e Parlamento votará tema em breve. Anúncio sinaliza grande mudança política após invasão da Ucrânia pela Rússia. Moscou diz que haverá retaliação.
O presidente e a primeira-ministra da Finlândia anunciaram nesta quinta-feira (12/05) seu apoio à adesão do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"A Finlândia deve solicitar a adesão à Otan sem demora. Esperamos que as medidas nacionais ainda necessárias para essa decisão sejam tomadas rapidamente dentro dos próximos dias", disseram o presidente Sauli Niinisto e a premiê Sanna Marin numa declaração conjunta.
"Ser membro da Otan fortaleceria a segurança da Finlândia. Como membro da Otan, a Finlândia fortaleceria toda a aliança de defesa", afirmaram.
O anúncio era amplamente aguardado e sinaliza uma grande mudança política desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
O apoio dos chefes de governo e de Estado faz com que seja muito provável que a Finlândia solicite formalmente a adesão à aliança militar, após décadas de neutralidade. Um debate e uma votação no Parlamento sobre o assunto são aguardados para a próxima segunda-feira, segundo o jornal New York Times.
Mudança política
A Finlândia, que compartilha uma fronteira de 1.300 quilômetros com a Rússia, aumentou gradativamente sua cooperação com a Otan desde que Moscou anexou a península da Crimeia, em 2014.
Até a Rússia invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano, o país nórdico, no entanto, se recusava a ingressar na aliança militar para manter relações amistosas com o vizinho oriental.
O não alinhamento militar agradou a população finlandesa por muito tempo, como forma de não se envolver em conflitos, mas a opinião pública sobre a Otan mudou rapidamente desde que a Rússia iniciou o que chama de "operação militar especial" na Ucrânia.
O apoio popular à adesão da Finlândia à aliança atingiu um recorde de 76%, segundo uma pesquisa recente, bem acima dos cerca de 25% registrados antes da guerra. Vários partidos políticos também sinalizaram ser a favor da medida.
Apoio de países da aliança
Em março, o governo finlandês iniciou uma revisão da política de segurança do país e entregou um relatório para discussão no Parlamento. Paralelamente ao processo interno, o presidente e a premiê viajaram pelos países da Otan para buscar suporte à adesão da Finlândia.
"A Finlândia decidiu se juntar à aliança. A Otan está prestes a ficar mais forte. E os Bálticos estão prestes a ficar mais seguros", disse nesta quinta-feira Gabrielius Landsbergis ministro do Exterior da Lituânia, integrante da organização, que reúne um total de 30 países.
Os países nórdicos Dinamarca, Noruega e Islândia são membros da Otan desde a sua fundação, em 1949. Nesta quinta-feira, o governo dinamarquês saudou o apoio dos líderes finlandeses à adesão do país.
"A Dinamarca, naturalmente, receberá calorosamente a Finlândia na Otan", escreveu a primeira-ministra Mette Frederiksen no Twitter, afirmando que o ingresso do país fortaleceria a organização e a segurança comum.
O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, prometeu "apoio total" da Alemanha ao pedido da Finlândia para aderira à Otan. "Saúdo a decisão da Finlândia de se posicionar pela adesão imediata do país à Otan. Em um telefonema com o presidente [Sauli] Niinisto, assegurei à Finlândia o apoio total do governo alemão", escreveu Scholz no Twitter.
Rússia diz que haverá retaliação
Após o anúncio da Finlândia, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que a adesão do país nórdico à Otan irá "provocar graves danos às relações russo-filandesas, assim como à estabilidade e à segurança no norte da Europa".
Em um comunicado, a pasta disse também que a Rússia "será forçada a tomar medidas de retaliação de natureza militar-técnica e outras para fazer frente às novas ameaças à sua segurança nacional".
Moscou afirmou ainda que a decisão finlandesa viola tratados anteriores com a Rússia, e que "Helsinki precisa estar consciente de sua responsabilidade e das consequências de tal iniciativa".
Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia afirmado que a adesão da Finlândia à Otan não contribuiria para a estabilidade e a segurança na Europa, e que a reação de Moscou dependerá das movimentações da Otan para expandir sua infraestrutura em regiões próximas às fronteiras russas.
Em meados de abril, o ex-presidente e atual chefe adjunto do conselho de segurança do país, Dimitri Medvedev, aliado próximo do presidente Vladimir Putin, afirmou que a Rússia consideraria instalar armas nucleares na região do Báltico se a Finlândia e a Suécia aderissem à Otan.
Suécia também deve aderir
Espera-se que assim como a Finlândia, a vizinha Suécia também decida nos próximos dias se reverterá décadas de oposição a uma adesão à Otan.
Países-membros da aliança esperam que ambas as nações solicitem o ingresso nos próximos dias, o qual deverá ser aprovado rapidamente, afirmaram diplomatas e autoridades ouvidos pela agência de notícias Reuters.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também já afirmou que seria possível permitir que Finlândia e Suécia aderissem à organização rapidamente.
Deutsche Welle
