terça-feira, maio 10, 2022

Bolsonaro tumultua a campanha eleitoral com os dados obtidos no TSE pelo Exército

Publicado em 9 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

A farsa do voto impresso (ou da urna eletrônica auditável) é apenas um  aperitivo do golpe

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Vinicius Sassine e Marianna Holanda
Folha

Os relatórios que o Exército produz sobre as urnas eletrônicas, usados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para contestar a lisura do processo eleitoral em 2022, são compartilhados com a cúpula do Ministério da Defesa por um integrante do Alto Comando da Força. O mesmo general foi chamado para uma reunião com Bolsonaro, ocasião em que as eleições foram discutidas.

O compartilhamento de dados que acabam municiando a ofensiva de Bolsonaro é feito pelo general de Exército Guido Amin Naves, que comanda o DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia), no QG da Força em Brasília.

ACABOU ENVOLVIDO – Interlocutores de Amin descrevem-no como reservado e dizem que o general tratou com seriedade e sigilo o trabalho compartilhado com a cúpula da Defesa. E que acabou envolvido na ofensiva de Bolsonaro de politizar a participação dos militares no processo eleitoral.

Ao DCT está vinculado o Comando de Defesa Cibernética, unidade do Exército responsável pela produção dos documentos que acabam, numa etapa final, sendo usados por Bolsonaro para tumultuar o processo eleitoral.

O comandante de Defesa Cibernética é o general de Divisão Heber Garcia Portella, o responsável por formular questionamentos e sugestões na comissão de transparência das eleições montada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).  Os pontos levantados por Portella coincidem com as contestações habitualmente feitas por Bolsonaro.

NO ALTO COMANDO – Amin é um general quatro estrelas na ativa. Por ter a mais alta patente, e por seguir na ativa, integra o Alto Comando do Exército, o colegiado que assessora o comandante na tomada de decisões.

Portella, por sua vez, é um general três estrelas. Integrantes do Ministério da Defesa afirmam, sob condição de anonimato, que não cabe a ele participar de reuniões que envolvem as cúpulas militares.

Por isso, esse papel é desempenhado por Amin. O chefe da Defesa Cibernética não se encontra com Bolsonaro, segundo militares que atuam na pasta.

ESCOLHA PESSOAL – Como a Folha mostrou, Portella foi a escolha do então ministro da Defesa Walter Braga Netto para o posto no TSE.  Quando o convite foi feito às Forças Armadas, a corte eleitoral esperava que um almirante da Marinha especializado em tecnologia da informação fosse o nome indicado para integrar a comissão de transparência das eleições.

Ele era visto no TSE como uma referência na área e chegou a ser convidado pelo ministro para integrar o colegiado. No entanto, Braga Netto enviou o nome de Portella à corte. Também filiado ao PL, Braga Netto é hoje o principal cotado para ser vice de Bolsonaro na campanha pela reeleição.

No último dia 3, uma reunião no Ministério da Defesa envolveu Bolsonaro, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, os comandantes das três Forças Armadas, o general Laerte de Souza, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças (um cargo de confiança na Defesa), Braga Netto e Amin.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A reportagem de Vinicius Sassine e Marianna Holanda esclarece que os problemas encontrados são técnicos e podem ser corrigidos a tempo. Mesmo assim, Bolsonaro faz uso político desses dados. Por fim, os jornalistas assinalam que o ministro da Defesa não deseja a ruptura entre os Poderes e vem agindo como conciliador. Ou seja, está atuando dentro das quatro linhas, enquanto Bolsonaro chuta a bola para fora. (C.N.)


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