
Fachin marcou para 20 de junho a nova reunião do órgão
Natuza Nery
GloboNews
Ao menos um integrante do Supremo Tribunal Federal defendeu recentemente concluir as atividades da Comissão de Transparência das Eleições após forte incômodo com a conduta dos militares. Apesar dessa sugestão de concluir os trabalhos da comissão, uma vez que o TSE já respondeu a todos os questionamentos das Forças Armadas, integrantes da corte eleitoral disseram ao blog que os trabalhos do grupo não devem ser concluídos e que a atual configuração do grupo deve ser mantida.
Não está claro até quando a comissão seguirá funcionando – é possível que seja até as eleições de outubro. O ministro Edson Fachin marcou nova reunião da Comissão de Transparência Eleitoral para 20 de junho, às 15h.
MAIOR SEGURANÇA – O órgão foi criado pelo TSE em setembro do ano passado para discutir medidas que possam ampliar ainda mais a transparência e a segurança das eleições. Participam dela as Forças Armadas, representantes da sociedade civil, de universidades e do Congresso.
Como se sabe, o presidente Jair Bolsonaro, que é chefe do Ministério da Defesa e das Forças Armadas, tem feito seguidos ataques às urnas eletrônicas e colocado em dúvida a transparência das eleições.
Nas últimas semanas, cresceu a percepção de contaminação das Forças Armadas pelo discurso bolsonarista, que opera para desacreditar o sistema eleitoral com um intuito de tentar melar as eleições caso o presidente não seja reeleito.
AÇÃO POLÍTICA – A suspeita de uma ação mais política do que técnica por parte do Ministério da Defesa foi alimentada em diversos momentos –a começar pelo vazamento de dados sigilosos repassados aos militares pelo tribunal. Bolsonaro foi quem citou os tais dados reservados.
“Mas agora eles estão fazendo exigências que vão além do simples questionamento sobre a segurança das urnas. Há militares defendendo até uma apuração paralela. É o fim da picada!”, reclamou o ministro que defendeu o fim da comissão.
Apesar do incômodo, tudo deve ficar como está. “A comissão seguirá com a atual configuração. Não vai mudar”, rebateu um integrante da cúpula do TSE. Para ele, foi erro chamar os militares para a comissão, mas seria um erro maior ainda extingui-la agora, pois daria discurso para Bolsonaro aumentar a investida contra a Justiça Eleitoral.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O trabalho da Comissão é da maior importância e deve ser mantido. Quanto mais transparência, melhor. O importante é haver eleições limpas. (C.N.)