quarta-feira, janeiro 26, 2022

“Tudo que é bom é branco?”, indagou Muhammad Ali, ao se deparar com o racismo

Publicado em 25 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge publicada na Folha no dia 18 de janeiro de 2022. A charge é dividida em dois quadros. Título do primeiro quadro: Racismo. Na imagem, um homem branco está com um braço levantado balançando um chicote e um homem negro com as costas sangrando está preso por correntes em um tronco. Título do segundo quadro: Racismo reverso. Na imagem, a cena se repete, um homem branco está com um braço levantado balançando um chicote e um homem negro com as costas sangrando está preso por correntes em um tronco.

Charge do Benett (Folha)

Ana Cristina Rosa
Folha

Desde que fui convidada a ocupar este espaço, tenho sido criticada acerca da opção por abordar preferencialmente temas relacionados à negritude. Houve vezes em que fiquei baqueada. Noutras tive vontade de rebater. Diante da falácia acerca de um delirante racismo de negros contra brancos, agradeci por ter mantido meu propósito.

O racismo é uma realidade cruel e excludente que faz parte do cotidiano da maioria da população brasileira. O sistema que garante a perpetuação das imensas desigualdades lembra um câncer em fase tão avançada que em certos momentos parece um desafio impossível de ser suportado.

COR DA PELE – Quem é negro sabe o quanto dói ser julgado, preterido e perseguido em razão da cor da pele. Infelizmente ainda há quem tente extirpar nossa humanidade. Mas, na condição de seres humanos, pessoas negras têm defeitos, preconceitos, ambições, sofrem. E resistem. Há séculos.

Sendo o racismo um sistema estruturante de dominação com base num conceito absurdo de superioridade racial que mantém pretos e pardos em desvantagem social, econômica e cultural —e não se trata de uma mera querela semântica, embora a semântica seja muito importante —, não é razoável imaginar a existência de racismo reverso num país hierarquizado de maneira a manter os negros em condição de subalternidade desde os tempos em que o Brasil era uma colônia.

MUHAMMAD ALI – Recorro ao lúdico, rememorando uma entrevista do pugilista Muhammad Ali, astro dos ringues e gigante na defesa dos direitos civis dos afro-americanos, para a BBC na década de 1970. Na ocasião, ele citou um diálogo que teve com a mãe, na infância, para chamar a atenção da audiência da televisão para a pauta racial nos EUA.

“Sempre fui curioso e perguntava à minha mãe: Por que tudo que é bom —Jesus, os anjos, o papa, Papai Noel (…) —, é branco, e tudo que é ruim —o Patinho Feio, o gato que dá má sorte (…) —, é preto? Foi aí que eu entendi que algo estava errado.”

É disso que se trata.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nessa polêmica sobre racismo reverso (negro contra branco), a Folha continua dando uma grande demonstração de respeito à democracia e à liberdade de expressão, publicando artigos contra e a favor do antropólogo Antonio Risério. O único caminho é este – viver como a Tribuna da Internet, sob o signo da liberdade, acolhendo a diversidade de opiniões. E vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha(C.N.)

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