segunda-feira, janeiro 31, 2022

Otan não enviará tropas à Ucrânia em caso de ataque russo

 




Secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, disse que a possibilidade de destacar soldados para o território ucraniano está fora de questão. No entanto, Otan afirma que ajudará o país de outras formas.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, descartou neste domingo (30/01) a possibilidade de a Aliança Atlântica enviar tropas de combate para a Ucrânia caso a Rússia ataque o país.  

"Há uma diferença entre ser um membro da Otan e ser um parceiro forte e altamente valorizado [como a Ucrânia]. Não há dúvida sobre isso", disse ele em entrevista à BBC.

Segundo Stoltenberg, pela Ucrânia não fazer parte da Otan, não se aplica a Kiev a "garantia de segurança de 100% de que um ataque a um aliado gerará uma resposta" de toda a Aliança.

No entanto, ele reforçou que isso não significa que a Otan não apoiará a Ucrânia.

"Estamos nos concentrando em oferecer apoio à Ucrânia, ajudando-a a exercer o seu direito de autodefesa. Ao mesmo tempo, estamos enviando uma mensagem à Rússia de que imporemos sanções severas se, mais uma vez, usarem a força contra a Ucrânia", destacou Stoltenberg, que defende uma solução diplomática para as tensões. 

Na sexta-feira, os Estados Unidos se comprometeram a enviar tropas a países aliados do Leste Europeu,mas não à Ucrânia. 

Reino Unido oferecerá reforço à Otan

O Reino Unido anunciou no sábado que se oferecerá à Otan nesta semana para contribuir com um "grande esquema militar" para "fortalecer as fronteiras da Europa" diante da "hostilidade" da Rússia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, apresentará "a maior oferta possível" para acrescentar caças, navios de guerra e "especialistas militares" do Exército britânico às operações da Aliança Atlântica, detalhou um comunicado de Downing Street.

"Ordenei que as nossas Forças Armadas que se preparem para se deslocar para a Europa na próxima semana, para garantir que estamos prontos para apoiar os nossos aliados da Otan por terra, mar e ar", disse Johnson.

Representantes do governo britânico viajarão a Bruxelas nos próximos dias para finalizar com os parceiros da Otan os detalhes do "possível destacamento" de tropas, disse Downing Street, enquanto o gabinete discutirá as "opções militares" nesta segunda-feira.

Johnson argumentou que, se o presidente russo, Vladimir Putin, "escolher um caminho de derramamento de sangue e destruição, será uma tragédia para a Europa". Mas "a Ucrânia deve ser livre para decidir o seu futuro", ponderou.

"Mensagem clara" à Rússia

Os planos de Londres incluem a duplicação do número de tropas atualmente mantidas na região e o envio de mais "armamento defensivo" para a Ucrânia.

O Reino Unido tem atualmente mais de 900 militares na Estônia, mais de 100 na Ucrânia e 150 na Polônia. Os novos recursos deverão servir para "reforçar as defesas da Otan" e "sustentar o apoio aos parceiros nórdicos e bálticos", descreveu o governo.

"Este pacote enviará uma mensagem clara ao Kremlin: não toleraremos as atividades desestabilizadoras e estaremos sempre ao lado dos nossos aliados da Otan para enfrentar a hostilidade da Rússia", acrescentou o premiê.

Johnson planeja conversar com Putin por telefone nos próximos dias e fazer uma visita à região, cujos detalhes ainda não foram anunciados.

Rússia nega ataque

O secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, reafirmou  neste domingo que a Rússia não quer uma guerra com a Ucrânia e sublinhou que Moscou não está ameaçando o país vizinho.

"Não queremos guerra, não precisamos disso", disse Patrushev.

As autoridades de Kiev e o Ocidente acusam a Rússia de ter concentrado cerca de 100.000 soldados na sua fronteira com a Ucrânia com a intenção de invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia. 

A Ucrânia também está envolvida numa guerra com separatistas pró-russos na região industrial do Donbass, no leste do país, desde 2014, que diz ser fomentada e apoiada militarmente por Moscou e que provocou cerca de 14 mil mortos, segundo a ONU.

Deutsche Welle

Em destaque

Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias

  Senadores dizem ter recebido pedido de Alcolumbre para votar contra Messias Por  Raphael Di Cunto, Ana Pompeu e Caio Spechoto, Folhapress ...

Mais visitadas