terça-feira, janeiro 18, 2022

Após a longa folga e o funk na lancha, Bolsonaro está perdendo força entre os evangélicos


Era esperada a reação dos evangélicos a esta cena

Alberto Bombig, Camila Turtelli e Matheus Lara
Estadão

Os constantes sinais de queda na intenção de voto em Jair Bolsonaro entre o eleitorado evangélico começam a preocupar governistas e gente do “bolsonarismo raiz”. Nem as mais recentes declarações defendendo a agenda conservadora nos costumes nem a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal parecem ter sido suficientes para alterar o rumo dessa tendência.

Os motivos da corrosão são incertos e, muito provavelmente, passam pelas dificuldades dos brasileiros na economia. Porém, começa a ganhar força a ideia de que atitudes de Bolsonaro no cotidiano, como dançar funk em uma lancha junto com uma mulher de biquíni e sugerir pouco apreço ao trabalho, estão repelindo evangélicos.

COLADO COM LULA – Segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest, Lula (PT), com 35%, e Bolsonaro (PL), com 34%, estão tecnicamente empatados em intenção de voto para presidente entre os eleitores evangélicos.

Um líder evangélico do Congresso lembra ainda que Bolsonaro deixou uma imagem de “corpo mole” durante o trâmite da indicação de André Mendonça, o “terrivelmente evangélico”, para o STF.

Quem acabou capitalizando a simpatia dos evangélicos na novela Mendonça foi Michelle Bolsonaro. É justamente com a força da primeira-dama entre os evangélicos que os bolsonaristas esperam reverter a tendência de queda. E, claro, Bolsonaro também apostará na radicalização do discurso conservador e no ataque a adversários.

LULA EM BAIXA. A mesma pesquisa Genial/Quaest, com exclusividade para a Coluna, aponta dificuldades para Lula entre o agronegócio brasileiro.

Na região Centro-Oeste, “celeiro do País”, o petista tem 28% ante 38% de Bolsonaro.

Aliás, desde que esteve com Lula e Fernando Haddad em um jantar no fim do ano passado, em São Paulo, Marta Suplicy tem alimentado sonhos de que poderá voltar ao PT. Ela deixou o partido em 2015, durante a crise que acabaria derrubando Dilma Rousseff, seu desafeto na sigla.

ESQUECER O PASSADO – Quem se empenha em criar condições para o retorno de Marta Suplicy ao PT é o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

Segundo o militante petista e coordenador do Grupo Prerrogativas, eventuais mágoas devem ficar no passado. “O momento é de olhar para frente e reconstruir o País”, afirma ele.

Marta, que ocupa a Secretaria Municipal de Relações Internacionais na administração Ricardo Nunes (MDB), em São Paulo, saiu do PT dizendo não ter como “conviver” com escândalos.

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