quinta-feira, maio 20, 2021

Depoimento recomeça na CPI e o general Pazuello tem de mentir tudo de novo

Publicado em 20 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Ex-ministro Pazuello nem precisou do Habeas-Corpus preventivo, bastou mentir!

Em matéria de mentiras, Pazuello deu um belo show

Marcela Mattos, Gustavo Garcia e Sara Resende
G1 e TV Globo

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello foi acusado por senadores de mentir e de cair em contradição durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nesta quarta-feira (19).

À comissão, o ex-ministro deu explicações sobre o processo de aquisição de vacinas, as negociações sobre vacina com a farmacêutica Pfizer, as informações repassadas ao presidente da República, a atuação da pasta sobre o tratamento precoce e o colapso do oxigênio em Manaus no início do ano.

CHECAGEM DE FATOS – Após o depoimento do ex-ministro, o relator Renan Calheiros defendeu a contratação de agências que fazem checagem de fatos para ajudar nos trabalhos da comissão.

“Isso é importante porque tá ficando chato, num caso desses [o de Pazuello], por exemplo, você ficar falando: ‘Olha, isso é uma mentira’, ‘O senhor não respondeu’, ‘Por favor, seja objetivo’. Isso é uma coisa que cansa e deixa a gente um chato de galochas. É melhor que tenha alguém fazendo isso com rapidez”, disse o parlamentar.

O emedebista afirmou que, na retomada do depoimento do general nesta quinta-feira, vai citar todas as mentiras e imprecisões contadas por Pazuello à CPI. “Ele talvez não tenha contado todas as vezes, tenha perdido a conta. É muita coisa”, disse.

ACAREAÇÕES DEMAIS – Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, disse que, se a comissão tiver que chamar testemunhas para fazer acareações e constatar todas as contradições de Pazuello, essas medidas ocuparão toda a agenda.

“Teríamos de acarear com a Pfizer, com o Butantan, com o secretário de Saúde do Amazonas. Se for acarear com todos, acabava a CPI só com acareações”, afirmou.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que Pazuello mentiu sobre o envio de comprimidos de cloroquina a Manaus, durante o colapso de saúde na capital do Amazonas, e sobre tratativas com o Butantan por doses da Coronavac. “Documentação feita pelo próprio Ministério da Saúde mostra claramente a manifestação de interesse, por parte do Ministério da Saúde, de compra da CoronaVac. O presidente Jair Bolsonaro fala, no dia seguinte, que não vai comprar coisa nenhuma porque é da China, e, depois, o ministro diz: ‘Olha, o presidente manda, e eu obedeço'”, afirmou.

OXIGÊNIO NO AMAZONAS – Ao tratar das ações federais no Amazonas durante o depoimento, o ex-ministro Eduardo Pazuelllo afirmou que o fornecimento de oxigênio era competência do próprio estado, e não do governo federal.

 “A execução plena é do estado, do município. Não há essa discussão. Quando nós fomos a Manaus, era porque nós estávamos vendo que a situação não estava boa. Nós não sabíamos ainda de oxigênio. No momento que eu soube de oxigênio, já comecei a agir imediatamente”, disse.

Pazuello disse ainda que foi informado sobre a falta do insumo na noite do dia 10 de janeiro. O presidente e o vice-presidente da CPI, porém, apresentaram um dado diferente. Segundo eles, o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, disse, em depoimento à Polícia Federal, que avisou o então ministro sobre a falta de oxigênio no dia 7 de janeiro – três dias antes, portanto.

MENTIRA NAS DATAS – “Eu quero alertar Vossa Excelência que a data que o secretário de Saúde diz que falou ao telefone foi dia 7 de janeiro”, afirmou Omar Aziz.

Também senador pelo Amazonas, Eduardo Braga (MDB) reagiu: “Presidente, é preciso dizer ao povo brasileiro, sob pena de nós estarmos aqui sendo coniventes com uma informação errada, mentirosa: não faltou oxigênio no Amazonas apenas três dias. Faltou oxigênio por mais de 20 dias. É só ver o número de mortos, é só ver o desespero das pessoas tentando chegar ao oxigênio”.

O ex-ministro negou ter esses dados, e o presidente da CPI avisou que faltar com a verdade iria provocar “consequências muito grandes”. “Nós não iremos parar enquanto não acharmos a verdade”, disse Aziz.

DOCUMENTO FATAL – Na sequência, o senador disse que tinha em mãos um documento do próprio Ministério da Saúde no qual a pasta relata que Pazuello havia sido comunicado sobre a falta de oxigênio. O documento é assinado pelo coronel Elcio Franco, o braço direito de Pazuello no Ministério.

Durante depoimento à CPI, Eduardo Pazuello foi questionado várias vezes sobre a recomendação para produção e distribuição de cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

Ao ser indagado pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), o ex-ministro disse que o presidente Jair Bolsonaro não deu, “em hipótese alguma”, ordens diretas sobre tratamento precoce, que envolveria o uso do remédio, contra a doença. CAPITÃ CLOROQUINA – Pazuello mentiu, porque Bolsonaro é um notório defensor do medicamento, de ineficácia cientificamente comprovada no tratamento da Covid-19.

Ainda sobre o tema, Renan Calheiros questionou o general sobre a plataforma “TrateCov”, do Ministério da Saúde, que recomendava o tratamento precoce a pacientes com sintomas que podem, ou não, ser da Covid-19, inclusive, com a indicação de cloroquina.

Pazuello afirmou que o aplicativo foi uma sugestão da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, chamada pelos senadores de “Capitã Cloroquina”, em razão da defesa que faz do remédio ineficaz. Ela deve depor à CPI na próxima semana.

MANAUS FOI COBAIA – Presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que a capital do Amazonas foi usada como “cobaia” para teste da ferramenta “TrateCov”. “Isso aí é crime contra um estado, isso é crime contra as pessoas que moram na minha cidade. É cobaia, sim”, declarou Aziz.

Eduardo Braga também mencionou o lançamento da plataforma em Manaus. “O aplicativo TrateCov está na TV Brasil, com propaganda oficial. No dia 19 de janeiro de 2021, na minha cidade, na cidade de Manaus, como recomendação”, protestou Braga.

VACINA CHINESA – Pazuello também foi questionado sobre tratativas para compra de doses da vacina Coronavac, da chinesa Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan.

Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro desautorizou Pazuello, ao mandar cancelar um protocolo de intenções, anunciado pelo ex-ministro, de compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

Em uma rede social, o presidente afirmou: “Não compraremos vacina da China”. Pazuello, após ter sido desautorizado pelo presidente, gravou um vídeo, ao lado de Bolsonaro, em que dizia: “É simples assim: um manda e o outro obedece”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Pazuello defendeu Bolsonaro com a lealdade de um pitbull e a veracidade de um barão de Munchausen.  É muito triste ver um homem mentindo em público para defender erros primários, especialmente quando se trata de um ex-ministro e de um general da ativa, que o Exército já deveria ter reformado, por falta de decoro e dignidade. E o festival de mentiras está sendo retomado agora no Senado, às 9h30m. (C.N.)

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