segunda-feira, fevereiro 01, 2021

Após desembarque do DEM, Maia diz que pode abrir impeachment contra Bolsonaro


Maia argumentou que não veria o governo “comprar” colegas de partido

Bruno Góes e Manoel Ventura
O Globo

Ao ser informado que o seu partido, o DEM, deixaria o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pelo comando da Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), disse neste domingo que poderia abrir um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Maia deixa o cargo nesta segunda-feira e tem 64 pedidos de afastamento a espera de deliberação.

A informação foi publicada na noite deste domingo pelo G1 e confirmada ao O Globo por parlamentares que presenciaram o diálogo. Maia foi informado pelo presidente do DEM, ACM Neto, que havia apoio suficiente para o partido aderir ao candidato adversário de Rossi, Arthur Lira (PP-AL).

INDEPENDENTE – Mais tarde, na sede do partido, a Executiva do DEM ratificou a decisão de abandonar o emedebista.O DEM, no entanto, ficará independente, sem apoiar qualquer candidato oficialmente. Segundo um deputado que estava na reunião, em um momento tenso, Maia disse que não aceitaria a interferência do governo no próprio partido.

Ele chegou a dizer que não teria outra opção, a não ser abrir um dos processos de impeachment que estão em sua mesa contra Bolsonaro. De acordo com outro deputado, Maia argumentou que não veria o governo “comprar” colegas de partido, ao oferecer fatias do orçamento e verba às bases de deputados, sem fazer nada. Indicou que isso seria crime de responsabilidade.

RETALIAÇÃO – Deputados de oposição também reagiram e incentivaram, segundo um dos relatos, que Maia abrisse logo todos os processos de impeachment, “para dar mais trabalho ao governo”. Oposicionistas também prometeram retaliar a candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado. Na reunião, o PT e o PDT cogitaram retirar seu apoio.

Deputados do DEM que estavam na reunião disseram ao GLOBO que não acreditam que Maia abrirá o processo. Um deles diz que Maia “perderia qualquer credibilidade” ao dar prosseguimento em circunstância como essa. Um outro parlamentar de oposição entende que o gesto foi um “desabafo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
–  Caciques do DEM passaram a madrugada articulando para evitar que a ameaça de Maia se concretize. Além de apontarem que a medida seria um erro, poderia também ser usada pelo próprio Bolsonaro como justificativa para não ter avançado com a sua agenda de reformas. A atitude de Maia, na opinião de interlocutores, agora soaria mais como retaliação. (Marcelo Copelli)

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